<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-7886365662321466444</id><updated>2012-01-25T07:30:01.774-08:00</updated><category term='f'/><title type='text'>Blog do Bruno Azevedo</title><subtitle type='html'>noticias do universo jurídico e do cotidiano</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7886365662321466444/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7886365662321466444/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Bruno Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17031419237830207454</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mxosEtKo4wo/TKPg-Lm-1dI/AAAAAAAABN4/3YzzPQwxslE/S220/bruno2.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>466</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7886365662321466444.post-4781138618227452089</id><published>2012-01-25T07:30:00.000-08:00</published><updated>2012-01-25T07:30:01.922-08:00</updated><title type='text'>O lugar do Direito na obra de Erasmo de Roterdã</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-fKz8weRa2uM/TwtdqyOkwhI/AAAAAAAAB4k/DzI64GG09R4/s1600/erasmo.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 112px; FLOAT: right; HEIGHT: 107px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5695749143358915090" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-fKz8weRa2uM/TwtdqyOkwhI/AAAAAAAAB4k/DzI64GG09R4/s200/erasmo.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;strong&gt;Embargos Culturais&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Erasmo de Roterdã foi um crítico da inflação legislativa, dos advogados, dos julgamentos, das demoras dos processos. Nasceu na Holanda, em meados do século XV, provavelmente em 1465. Foi ordenado padre, viveu em Paris, em Oxford, em Londres, onde teria escrito o Elogio da Loucura, um dos livros mais emblemáticos de nossa tradição cultural ocidental.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Erasmo esteve por toda a Itália, travou amizades com as mais altas personalidades de sua época. Símbolo do humanismo, sua vasta cultura proporcionou-lhe o epíteto de “o príncipe dos humanistas”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Erasmo formulou um modelo próprio de pronúncia de grego clássico, chamada erasmiana ou etacista. Chegou a intervir em favor de Lutero, publicou obra sobre o livre arbítrio, mudou-se para Friburgo, na região fronteiriça entre Alemanha e França.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ocupo-me aqui das opiniões de Erasmo sobre o lugar do Direito no contexto no qual viveu. São excertos que extraio do célebre Elogio da Loucura, primeiramente publicado em Paris, em 1511.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Imaginando que a humanidade conhecera em algum lugar do passado uma época de ouro, Erasmo escreveu:&lt;br /&gt;“Nessa época, os legisladores eram inúteis, porque, reinando os bons costumes, não havia necessidade de leis.” [1]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em seguida, Erasmo atacou aos advogados. São suas as seguintes palavras:&lt;br /&gt;“Depois dos médicos, vêm imediatamente os rábulas ou jurisconsultos. Eu não saberia dizer-vos ao certo se esses supostos filhos de Têmis precederam os sequazes de Esculápio: disputam a precedência entre si. O que é fora de dúvida é que os filósofos, quase que por consenso unânime, ridicularizam os advogados e, com muita propriedade, qualificam essa profissão como ciência de burro. Mas, burros ou não, serão sempre eles os intérpretes das leis e os reguladores de todos os negócios.” [2]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Erasmo polemizou com a opinião dos filósofos em geral. Escreveu que eles, com muita propriedade, qualificam a advocacia como profissão de burros. Mais a frente, contemporizou, anotando que burros ou não, serão sempre eles os intérpretes das leis e reguladores de todos os negócios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na sequência, Erasmo fechou questão, criticando os advogados de forma ainda mais virulenta:&lt;br /&gt;“Pretendem os advogados levar a palma sobre todos os eruditos e fazem um grande conceito da sua arte. Ora, para vos ser franco, a sua profissão é, em última análise, um trabalho de Sísifo. Com efeito, eles fazem uma porção de leis que não chegam a conclusão alguma. Que são o digesto, as pandectas, o código? Um amontoado de comentários, de glosas, de citações. Com toda essa mixórdia, fazem crer ao vulgo que, de todas as ciências, a sua é a que requer o mais sublime e laborioso engenho. E, como sempre se acha mais belo o que é difícil, resulta que os tolos têm em alto conceito essa ciência.“[3]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na visão de Erasmo, uma megalomania corporativa atingiria a nós advogados, na medida em que existiria uma tendência de reduzirmos a existência ao campo jurídico. Tentativa inócua, na visão de Erasmo, que se valeu do mito de Sísifo para qualificar o trabalho do advogado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sísifo fora condenado (segundo a mitologia grega) a fazer rolar uma enorme pedra até o topo de uma montanha. Quando chegava ao cume, a pedra rolava para baixo, e então todo o trabalho seria recomeçado. Simboliza a inutilidade de um esforço e, invocando a triste figura, Erasmo certamente quis caracterizar a dificuldade da advocacia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As críticas ao Direito Romano fulminam os praxistas da época e, curiosamente, não deixam de evidenciar uma contradição no pensamento de Erasmo. É que o Humanismo valorizava o mundo greco-romano, a cultura clássica, de modo que nos parece contraditória e incoerente a apologia de escritores como Terêncio, Apuleio, Cícero (que era jurista), Juvenal e outros, concomitantemente a uma crítica ao Direito Romano. Erasmo sugere que o jurista potencializaria a dificuldade de sua ciência, de modo a aumentar sua cotação no campo epistemológico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em outro ponto do Elogio da Loucura, ao comentar os negociantes, Erasmo dirige mais farpas ao jurídico, escrevendo:&lt;br /&gt;“Enfurecem-se as partes com a demora do processo, parecendo apostar qual das duas tem mais a possibilidade de enriquecer um juiz venal e um advogado prevaricador, cujo intuito não é senão prolongar a demanda, que só para eles traz vantagens.”[4]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao suscitar um imaginário juiz venal e um hipotético advogado prevaricador, Erasmo acenou-nos com o desencanto para com o Direito, circunstância cultural que parece ser recorrente no agitado tempo no qual viveu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bibliografia&lt;br /&gt;ROTTERDÃ, Erasmo de. Elogio da Loucura. In Os Pensadores. São Paulo: Abril cultural, 1979.&lt;br /&gt;--------------------------------------------------------------------------------&lt;br /&gt;[1] Erasmo de Rotterdam, Elogio da Loucura, pág. 52&lt;br /&gt;[2] Erasmo de Rotterdam, Elogio da Loucura, pág. 53&lt;br /&gt;[3] Erasmo de Rotterdam, Elogio da Loucura, págs. 92 e 93&lt;br /&gt;[4] Erasmo de Rotterdam, Elogio da Loucura, pág. 85&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por Arnaldo Sampaio de Moraes Godoy&lt;br /&gt;Fonte: ConJur&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7886365662321466444-4781138618227452089?l=brunocazevedo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/feeds/4781138618227452089/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/2012/01/o-lugar-do-direito-na-obra-de-erasmo-de.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7886365662321466444/posts/default/4781138618227452089'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7886365662321466444/posts/default/4781138618227452089'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/2012/01/o-lugar-do-direito-na-obra-de-erasmo-de.html' title='O lugar do Direito na obra de Erasmo de Roterdã'/><author><name>Bruno Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17031419237830207454</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mxosEtKo4wo/TKPg-Lm-1dI/AAAAAAAABN4/3YzzPQwxslE/S220/bruno2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-fKz8weRa2uM/TwtdqyOkwhI/AAAAAAAAB4k/DzI64GG09R4/s72-c/erasmo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7886365662321466444.post-4425847872820810339</id><published>2012-01-21T08:03:00.000-08:00</published><updated>2012-01-21T08:03:00.159-08:00</updated><title type='text'>Lista de causas ridículas causa riso e revolta nos EUA</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-Eh2obtE415o/Txm6zYqwBFI/AAAAAAAAB54/hc90nJXtaN4/s1600/bobo.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 54px; FLOAT: right; HEIGHT: 81px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5699792195371926610" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-Eh2obtE415o/Txm6zYqwBFI/AAAAAAAAB54/hc90nJXtaN4/s200/bobo.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;strong&gt;Banalidades jurídicas&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="PADDING-BOTTOM: 0px; MARGIN: 0px 0px 1em; PADDING-LEFT: 0px; PADDING-RIGHT: 0px; PADDING-TOP: 0px" align="justify"&gt;A Câmara do Comércio dos Estados Unidos, entidade que representa os interesses do setor corporativo no país, abriu um espaço em seu website, no fim de 2011, para que usuários credenciados votassem nos “piores, mais ridículos e pertubadores” litígios do ano, a fim de montar uma lista dos “pesadelos do litígio” de 2011.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="PADDING-BOTTOM: 0px; MARGIN: 0px 0px 1em; PADDING-LEFT: 0px; PADDING-RIGHT: 0px; PADDING-TOP: 0px" align="justify"&gt;“Embora alguns desses processos variem do ultrajante para o ridículo, ações abusivas não são motivo de riso”, declarou, ao Legal Times, Lisa Rickard, presidente do Instituto pela Reforma Legal, braço jurídico da Câmara do Comércio dos EUA.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="PADDING-BOTTOM: 0px; MARGIN: 0px 0px 1em; PADDING-LEFT: 0px; PADDING-RIGHT: 0px; PADDING-TOP: 0px" align="justify"&gt;Para quem pensa que a eleição é um mero passatempo de fim de ano, vale lembrar que a Câmara do Comércio dos Estados Unidos está presente na maioria dos casos envolvendo decisões de ampla importância sobre o universo dos negócios nos EUA. A entidade milita abertamente a favor da diminuição do direito dos reclamentes nos tribunais, principalmente em ações de classe contra grandes corporações, como foi o caso recente do &lt;a href="http://www.conjur.com.br/2011-jun-21/suprema-corte-rejeita-maior-acao-coletiva-eua-walmart"&gt;Wal-Mart&lt;/a&gt; na Suprema Corte dos Estados Unidos.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="PADDING-BOTTOM: 0px; MARGIN: 0px 0px 1em; PADDING-LEFT: 0px; PADDING-RIGHT: 0px; PADDING-TOP: 0px" align="justify"&gt;A votação sobre os litígios mais ridículos é anual, sendo levada muito a sério pelos organizadores. Para o Instituto de Reforma Legal, a lista é uma importante ferramenta de campanha pela causa. “A pesquisa anual dos mais ridículos processos judiciais nos ajuda a lembrar que ações abusivas afetam pessoas de carne e osso, negócios de verdade e podem ainda provocar consequências prejudiciais na vida, no trabalho e mesmo para o crescimento econômico do país”, disse Rickard.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="PADDING-BOTTOM: 0px; MARGIN: 0px 0px 1em; PADDING-LEFT: 0px; PADDING-RIGHT: 0px; PADDING-TOP: 0px" align="justify"&gt;Entre todos os casos listados no site, o vencedor da votação como o mais ultrajante processo na Justiça americana em 2011 foi a ação movida por um sequestrador contra suas vítimas, um casal rendido por ele dentro de sua própria casa. De acordo com o autor da ação, o casal teria descumprido o acordo para ajudá-lo a fugir da Polícia. O reclamante, que está na cadeia, processa o casal atacado por ele e quer US$ 235 mil por quebra de contrato. De acordo com ele, o casal sequestrado teria prometido ajudá-lo a fugir da Polícia em troca de dinheiro.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="PADDING-BOTTOM: 0px; MARGIN: 0px 0px 1em; PADDING-LEFT: 0px; PADDING-RIGHT: 0px; PADDING-TOP: 0px" align="justify"&gt;O tabloide semanal de assuntos da Justiça, The National Law Journal, listou alguns dos finalistas da pesquisa feita pelo Instituto de Reforma Legal da Câmara do Comércio dos EUA em dezembro passado. Entre eles:&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="PADDING-BOTTOM: 0px; MARGIN: 0px 0px 1em; PADDING-LEFT: 0px; PADDING-RIGHT: 0px; PADDING-TOP: 0px" align="justify"&gt;• A ação ajuizada por um homem que entrou armado em um bar (a arma era ilegal), se envolveu em um tiroteio e agora reclama na Justiça que não foi revistado pelos seguranças do bar.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="PADDING-BOTTOM: 0px; MARGIN: 0px 0px 1em; PADDING-LEFT: 0px; PADDING-RIGHT: 0px; PADDING-TOP: 0px" align="justify"&gt;• O processo movido por uma mãe da Califórnia contra o mascote-propaganda da rede de fast food Chuck´n´Cheese. Ela alega que os jogos promovidos pelo “ratinho de pelúcia” da cadeia de lanchonetes constituem formas ilegais de jogos de azar. Ela pede US$ 5 milhões.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="PADDING-BOTTOM: 0px; MARGIN: 0px 0px 1em; PADDING-LEFT: 0px; PADDING-RIGHT: 0px; PADDING-TOP: 0px" align="justify"&gt;• Um senhor de 60 anos, processado por discriminar terceiros por conta da idade, solicitou ao juiz que julga seu caso que seja substituído por “ser velho demais” para avaliar adequadamente e com isenção o processo. O juiz tem 88 anos.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="PADDING-BOTTOM: 0px; MARGIN: 0px 0px 1em; PADDING-LEFT: 0px; PADDING-RIGHT: 0px; PADDING-TOP: 0px" align="justify"&gt;• Dois jovens adultos, de 20 e 23 anos, processaram a própria mãe por ela demonstrar explicitamente que tinha um filho preferido, não dar a mesma atenção a todos e, que embora fossem ricos, por presenteá-los apenas com cartões e não com presentes. Os dois jovens também alegam que, uma vez que entraram na universidade, a mãe não enviou um “kit com mimos” até ambos estarem cursando o sexto semestre [Nota: nos EUA, alguns pais costumam preparar, por tradição, kits de sobrevivência, os chamados care package, quando os filhos saem de casa para ingressar na faculdade].&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="PADDING-BOTTOM: 0px; MARGIN: 0px 0px 1em; PADDING-LEFT: 0px; PADDING-RIGHT: 0px; PADDING-TOP: 0px" align="justify"&gt;Porém, nem todos riram da lista. Ainda segundo o The National Law Journal, a Associação Americana para a Justiça, que atua do outro lado da trincheira, trabalhando por políticas favoráveis ao direito dos reclamantes, divulgou uma nota repudiando a iniciativa. “Ausente da lista formulada pela Câmara estão as mais de 100 ações ajuizadas anualmente por esta instuição com a finalidade de demolir os padrões de segurança do trabalho e abolir as garantias de proteção ao consumidor”, disse, em nota oficial Michelle Widmann, porta-voz da AAJ.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="PADDING-BOTTOM: 0px; MARGIN: 0px 0px 1em; PADDING-LEFT: 0px; PADDING-RIGHT: 0px; PADDING-TOP: 0px" align="justify"&gt;“Porém quem esperaria menos hipocrisia do grupo de front das corporações, sustentado justamente por dinheiro de recordistas em poluição, pelos bancos de Wall Street e pelas gigantes farmacêuticas”, concluiu.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="PADDING-BOTTOM: 0px; MARGIN: 0px 0px 1em; PADDING-LEFT: 0px; PADDING-RIGHT: 0px; PADDING-TOP: 0px" align="justify"&gt;Por Rafael Baliardo&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="PADDING-BOTTOM: 0px; MARGIN: 0px 0px 1em; PADDING-LEFT: 0px; PADDING-RIGHT: 0px; PADDING-TOP: 0px" align="justify"&gt;Fonte: ConJur&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7886365662321466444-4425847872820810339?l=brunocazevedo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/feeds/4425847872820810339/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/2012/01/lista-de-causas-ridiculas-causa-riso-e.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7886365662321466444/posts/default/4425847872820810339'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7886365662321466444/posts/default/4425847872820810339'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/2012/01/lista-de-causas-ridiculas-causa-riso-e.html' title='Lista de causas ridículas causa riso e revolta nos EUA'/><author><name>Bruno Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17031419237830207454</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mxosEtKo4wo/TKPg-Lm-1dI/AAAAAAAABN4/3YzzPQwxslE/S220/bruno2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-Eh2obtE415o/Txm6zYqwBFI/AAAAAAAAB54/hc90nJXtaN4/s72-c/bobo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7886365662321466444.post-3291140549573057138</id><published>2012-01-20T08:35:00.000-08:00</published><updated>2012-01-20T10:59:13.311-08:00</updated><title type='text'>Tribunal de Justiça aprova criação de grupo para monitoramento e fiscalização do sistema carcerário</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-ZAAX8BYF4nc/Txm5VWaRjQI/AAAAAAAAB5s/Q_omJ3Ak7oc/s1600/tj.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 134px; FLOAT: left; HEIGHT: 85px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5699790579858246914" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-ZAAX8BYF4nc/Txm5VWaRjQI/AAAAAAAAB5s/Q_omJ3Ak7oc/s200/tj.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;strong&gt;Paraíba avança na Execução Penal&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Na tarde desta quarta-feira (18), o Pleno do Tribunal de Justiça aprovou, por unanimidade, um projeto de resolução que institui o grupo de monitoramento e fiscalização do sistema carcerário de que trata a resolução nº 96 do Conselho Nacional de Justiça - CNJ. O Projeto tem como objetivo planejar e coordenar os mutirões carcerários para a verificação das prisões provisórias e processos de execução penal, além da implantação do Projeto “Começar de Novo”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De acordo com o artigo 1º do projeto, o grupo de monitoramento e fiscalização do Sistema Carcerário será constituído pelos magistrados atuantes na Execução Penal das comarcas onde tem presídio regional, presidido por um dos juízes corregedores, indicado pelo Corregedor Geral de Justiça. Já o seu artigo 2º, determina que poderão ser designados para atuar no grupo de que trata a resolução, servidores também lotados nas Varas de Execução Penal, indicados pelo Juiz da vara da Execução Penal da comarca da Capital.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A resolução aprovada terá também como objetivo fomentar, coordenar e fiscalizar a implantação de projetos de capacitação profissional e de reinserção social de presos, egressos do sistema carcerário, e de cumpridores de medidas e penas alternativas. Outro compromisso do projeto é o de estimular a instalação de unidades de assistência jurídica voluntária aos internos e egressos do Sistema Carcerário, assim como propor soluções em face das irregularidades verificadas nos mutirões carcerários e nas inspeções em estabelecimentos penais, inclusive hospitais de custódia e tratamento psiquiátrico e delegacias públicas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fonte: Gecom/TJPB&lt;br /&gt;c/estagiária Karla Noronha&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7886365662321466444-3291140549573057138?l=brunocazevedo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/feeds/3291140549573057138/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/2012/01/tribunal-de-justica-aprova-criacao-de.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7886365662321466444/posts/default/3291140549573057138'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7886365662321466444/posts/default/3291140549573057138'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/2012/01/tribunal-de-justica-aprova-criacao-de.html' title='Tribunal de Justiça aprova criação de grupo para monitoramento e fiscalização do sistema carcerário'/><author><name>Bruno Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17031419237830207454</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mxosEtKo4wo/TKPg-Lm-1dI/AAAAAAAABN4/3YzzPQwxslE/S220/bruno2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-ZAAX8BYF4nc/Txm5VWaRjQI/AAAAAAAAB5s/Q_omJ3Ak7oc/s72-c/tj.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7886365662321466444.post-7657530155544585969</id><published>2012-01-18T13:43:00.000-08:00</published><updated>2012-01-18T13:55:01.102-08:00</updated><title type='text'>Criminalista Evandro Lins e Silva completaria 100 anos</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-2SDq-kABC6w/Txc_GoR0TtI/AAAAAAAAB5I/wNgtDGvMoA8/s1600/EVA2.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 113px; FLOAT: right; HEIGHT: 83px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5699093236584566482" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-2SDq-kABC6w/Txc_GoR0TtI/AAAAAAAAB5I/wNgtDGvMoA8/s200/EVA2.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;strong&gt;Advogado do século&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Como o próprio criminalista Evandro Lins e Silva disse, ao tomar posse na Academia Brasileira de Letras em 1998, aquela seria a quarta veste talar que usaria na vida. Até então, ele contava 88 anos de idade e três outras indumentárias: a beca de advogado, a beca de procurador-geral da República e a toga de ministro do Supremo Tribunal Federal. Nesta quarta-feira (18/1), ele completaria 100 anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na academia, ele foi o quinto ocupante da cadeira número 1. Apesar disso, não escreveu uma obra estritamente literária sequer. "O estilo forense, normalmente, não seduz; é produzido, em geral, de modo tosco, rotineiro, cheio de lugares-comuns, fórmulas repetitivas, sem nenhum encanto", declarou, na posse na ABL.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem antes disso, nos quase seis anos em que foi ministro do Supremo, de setembro de 1963 a janeiro de 1969, proferiu votos em mais de cinco mil processos — alguns deles chegaram a ser publicados na Revista Trimestral de Jurisprudência do STF. Participou do julgamento de mais de uma centena de presos políticos, como dos intelectuais Caio Prado Júnior e Ênio Silveira. Nesse período, concedeu Habeas Corpus que não agradaram os militares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na década de 1940, em pleno Estado Novo, também tomou atitudes contrárias ao governo. Defendeu mais de mil presos políticos gratuitamente, afirmando-se, nesse momento, como advogado. Ele foi, ainda, um dos fundadores do Partido Socialista Brasileiro, em 1947, ao lado de João Mangabeira, Hermes Lima, Domingos Velasco, Alceu Marinho Rego, Rubem Braga e Joel Silveira. No arquivo do Departamento de Ordem Política e Social (DOPS), criado em 1924, revelado mais tarde, ele foi apontado como militante comunista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Se esse é o serviço secreto brasileiro, ele é muito pouco eficiente", declarou, quando soube do material, em 2000. "E depois é falso. Não é verdade. Eu jamais pertenci ao Partido Comunista", contou, lendo o documento, "jamais liderei grupos de assessores esquerdistas. Eu era chefe da Casa Civil do presidente João Goulart".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saiu do Supremo forçado, cassado pelo Ato Institucional 5, de 1968. Definitivamente, ele não coaduna com o pensamento dos novos líderes. Assim como ele e com ele, também se aposentaram os ministros Victor Nunes Leal e Hermes Lima. Aposentado sem querer, o piauiense foi trabalhar, primeiro, com o civilista Nelson Motta, e, por volta de 1974, com o sobrinho, o também criminalista Técio Lins e Silva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Aqui ele advogou até morrer, com 91 anos", conta Técio. "Vinha gente do Brasil todo procurando por ele, pedindo conselhos. Ele gostava de ser procurado pelos colegas e se entusiasmava com essa abordagem. Tratava os clientes dos outros advogados como se fossem clientes dele. O Evandro fazia por amor ao debate", conta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele compareceu ao escritório diariamente, até o final da vida. Dias antes da queda, que aconteceu em 17 de setembro de 2002 e que acabou em sua morte, no Aeroporto Santos Dumont, ele havia tomado posse como Conselheiro da República, nomeado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Advogado do júri&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Foi longe da toga que Evandro Lins e Silva ficou conhecido do grande público, na defesa do corretor de ações Raul Fernando do Amaral Street, o "Doca Street", que matou sua namorada, Ângela Diniz, figurinha constante nas colunas sociais. O advogado também se destacou no apoio ao movimento pelo afastamento do presidente Fernando Collor de Melo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O primeiro episódio aconteceu em 1979, em Búzios. Argumentando legítima defesa putativa da honra, não conquistou a absolvição de Doca, mas conseguiu com que ele fosse condenado a um ano e cinco meses de prisão, com direito a sursis da pena. Na época, entidades femininas caíram em cima do criminalista. Ele pediu ao júri, formado por cinco homens e duas mulheres, que refletissem "até que ponto a participação da vítima contribuiu, mais ou menos fortemente, para a deflagração da tragédia". Técio escreveu toda a instrução do processo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, como faz questão de ressaltar o neto mais velho de Evandro Lins e Silva, o também criminalista Ranieri Mazine, hoje com 48 anos, ao contrário do que se pensa, a tese foi usada, pela primeira vez, na defesa de uma mulher que matou o marido, trinta anos antes. "Curiosamente, e há um erro histórico aí, meu avô aplicou a tese pela primeira vez na defesa da dona Zulmira Galvão Bueno, que matou um advogado muito conhecido aqui no Rio de Janeiro, Stélio Galvão Bueno. Ela era maltratada pelo marido e descobriu que era traída por ele", conta Mazine, muito calmo, relembrando o caso de 1950. A ré, ao contrário de Doca, teve uma sorte diversa: foi absolvida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O neto, que morou a maior parte da vida com o avô e que fala sobre ele como um homem "generoso intelectualmente", conta que assistiu ao júri de Doca. Tinha, então, 15 anos. O julgamento durou quase 24 horas e, quando acabou, já de volta à casa de Doca, em Cabo Frio, Evandro Lins e Silva quis tomar um banho de mar. "Meu avô adorava praia. Gostava de pescar", lembra. Durante o julgamento, anunciou seu canto do cisne. Todos acreditaram que aquela seria, de fato, sua última aparição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A história do assassinato passional de Ângela Diniz, conhecida também como a Pantera de Minas, rendeu livro, A defesa tem a palavra — O caso Doca Street e algumas lembranças. A obra, que não era editada há dez anos anos, volta às prateleiras. O relançamento acontece nesta quarta-feira (18/1), na Ordem dos Advogados do Brasil do Rio de Janeiro, e coincide com o centenário de nascimento de Evandro Lins e Silva. Além do livro, que retrata um dos casos que até hoje teve maior repercussão na mídia, o criminalista escreveu outros oito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O criminalista também foi responsável, atendendo a pedidos da Ordem dos Advogados do Brasil — entidade da qual foi conselheiro — e da Associação Brasileira de Imprensa, por elaborar a notícia crime de responsabilidade contra o ex-presidente Collor. Ele atuou na equipe de acusação, embora, como lembra Mazine, gostasse de dizer que estava, na verdade, no papel de advogado do país. Subiu com ele, na tribuna, o também advogado Fábio Konder Comparato, sobrinho de sua mulher, Maria Luisa Konder, que ele chamava de Musa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com tantas atuações memoráveis, Evandro Lins e Silva, em 2002, em entrevista ao documentário O vício da liberdade, produzido por sua neta, Flávia Lins e Silva, contou que, sim, tinha um júri do qual não esquecia. "Uma situação, em especial, me atormenta até hoje: um médico teria matado um rapaz que fazia barulho na rua. Acusei, o júri popular condenou e ele se matou na prisão. Eu estava convencido de que ele era culpado, mas e se não fosse? E me arrependo de ter acusado. E se a decisão tivesse sido mais resultado de minha eloquência que dos indícios concretos? Penso nisso até hoje, 40 anos depois. Se um pecado cometi na profissão, foram as poucas vezes em que acusei. Das defesas não me arrependo de nenhuma", contou. O documentário foi exibido pelo canal GNT e pode ser assistido aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele não gostava de acusar. Com longa trajetória no júri — foi ele que criou, por exemplo, os hoje conhecidos memoriais que são distribuídos aos jurados antes da sessão — sua última defesa foi justamente lá. Vinte e um anos depois, quebrou sua própria promessa feita no julgamento de Doca Street.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Defendeu José Rainha Júnior, líder dos sem terra, no Tribunal de Júri de Vitória. O homem era acusado de homicídio de um fazendeiro e de um policial militar. No primeiro julgamento, havia sido condenado a 26 anos de prisão. Nesse segundo veredicto, o réu foi absolvido. Ao ser perguntado porque teria defendido o agricultor, disse que "o julgamento de um homem que está lutando pela melhoria das condições de vida de uma minoria deve merecer uma compreensão". Dessa vez, seria mesmo seu último júri.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na homenagem que aconteceu na Ordem dos Advogados do Brasil do Rio de Janeiro, o orador foi o ministro Sepúlveda Pertence, do Supremo Tribunal Federal, que por dois anos foi assessor do gabinete de Evandro Lins e Silva. A proximidade entre os dois era tamanha que o ministro batizou seu filho de Evandro Luís. A semelhança entre os dois nomes é inegável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;As cinco leituras&lt;/strong&gt; &lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-2cWX1cd6ESY/Txc-XgQc1wI/AAAAAAAAB48/3AQmcEQyBBs/s1600/EVA.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 119px; FLOAT: right; HEIGHT: 76px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5699092426977498882" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-2cWX1cd6ESY/Txc-XgQc1wI/AAAAAAAAB48/3AQmcEQyBBs/s200/EVA.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Evandro Lins e Silva também escreveu O salão dos passos perdidos: depoimento ao CPDOC. O livro traz detalhes sobre o início da profissão, depois de pouco frequentar as aulas na Faculdade Nacional de Direito, dos grandes criminalistas com quem conviveu e dos tempos de jornalismo em uma época na qual bacharéis de Direito percorriam tribunais em busca do quente da hora. Nisso, passou pelos Jornal de Notícias, A Batalha, A Nação e O Jornal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como promessa de uma nova geração de criminalistas, Evandro Lins e Silva incluiu, em sua lista, o nome de Luís Guilherme Vieira. "Eu não sabia de nada. Quando vi que eu estava no livro, chorei", conta ele. "Minha relação com o Evandro foi de mestre e aprendiz. Ainda na década de 1980, quando eu comecei na advocacia criminal", explica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do relacionamento com seu mestre, o criminalista tirou alguns ensinamentos. "O Evandro ensinava com muita tranquilidade. Ele era generoso pra isso", conta. Uma dessas lições — que é repetida, inclusive, pelo neto Ranieri — é que todo processo precisa ser lido, tim-tim por tim-tim, pelo menos cinco vezes. "Apesar de não demonstrar, ele se envolvia muito nos casos. Vi um no qual ele chegou a chorar no final", lembra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também veio dele outro ensinamento. "Ele falava: 'Nunca vá à delegacia sem terno ou gravata'. Essas coisas vão ficando", diz. O neto também lembra que o avô lia, sempre, os autos originais. "E isso era difícil de conseguir", conta, rindo, Mazine, que advogou com Evandro Lins e Silva, mas começou como estagiário. A exigência tinha uma justificativa. "Uma vez, ele encontrou no verso de uma página dos autos originais uma informação que o ajudou na defesa. Atuar com ele é como jogar no time do Pelé. Ele tinha talento para enxergar coisas que ninguém via no processo. Ele sabia os detalhes de cor."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Luís Guilherme Vieira conta do dia em que, durante a CPI do Sistema Financeiro, em 1996, seu cliente se recusou a assinar um termo de compromisso e depor como testemunha e a consequente prisão. O advogado foi então expulso do Senado Federal. No mesmo dia, Evandro Lins e Silva ligou para ele, indignado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ricardo Lira, de 79 anos, advogado com quem Evandro Lins e Silva conviveu nos últimos de vida, conta que "embora criminalista, o ministro aposentado expunha seus argumentos, nos julgamentos, de forma semelhante a um civilista. A sustentação era baseada na racionalidade".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi ele que, na presidência do Instituto dos Advogados Brasileiros IAB), concedeu a maior distinção da entidade, a medalha Teixeira de Freitas. Além dela, em novembro de 2002, o criminalista recebeu o prêmio outorgado durante o congresso da Union Ibero Americana de Colegios e Agrupaciones de Abogados (UIBA) realizado em Lima, no Peru. Já a Associação dos Advogados Criminalistas do Estado de São Paulo (Acrimesp) concedeu-lhe o título de "O Criminalista do Século", em 1999.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ranieri Mazine conta que botafoguense de coração, o avô, em um domingo, três dias antes de cair e morrer, torceu entusiasmadamente pelo Santos, que disputava com o Corinthians a final do Brasileirão. "O time do Santos era muito bom. Ele torcia pro Robinho e pro Diego. A imagem do meu avô, empolgado, torcendo, me marcou bastante."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por Marílio Scriboni&lt;br /&gt;Fonte: ConJur&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7886365662321466444-7657530155544585969?l=brunocazevedo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/feeds/7657530155544585969/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/2012/01/criminalista-evandro-lins-e-silva.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7886365662321466444/posts/default/7657530155544585969'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7886365662321466444/posts/default/7657530155544585969'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/2012/01/criminalista-evandro-lins-e-silva.html' title='Criminalista Evandro Lins e Silva completaria 100 anos'/><author><name>Bruno Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17031419237830207454</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mxosEtKo4wo/TKPg-Lm-1dI/AAAAAAAABN4/3YzzPQwxslE/S220/bruno2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-2SDq-kABC6w/Txc_GoR0TtI/AAAAAAAAB5I/wNgtDGvMoA8/s72-c/EVA2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7886365662321466444.post-9191208343959978729</id><published>2011-12-26T20:25:00.000-08:00</published><updated>2011-12-26T20:29:43.309-08:00</updated><title type='text'>Hora do descanso</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Pegando energia&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 467px; DISPLAY: block; HEIGHT: 362px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5690660095473125602" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-wWY4lpaQ_RY/TvlJNNgqiOI/AAAAAAAAB4Y/z1J0RSLluhg/s200/f%25C3%25A9rias.jpg" /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7886365662321466444-9191208343959978729?l=brunocazevedo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/feeds/9191208343959978729/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/2011/12/hora-do-descanso.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7886365662321466444/posts/default/9191208343959978729'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7886365662321466444/posts/default/9191208343959978729'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/2011/12/hora-do-descanso.html' title='Hora do descanso'/><author><name>Bruno Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17031419237830207454</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mxosEtKo4wo/TKPg-Lm-1dI/AAAAAAAABN4/3YzzPQwxslE/S220/bruno2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-wWY4lpaQ_RY/TvlJNNgqiOI/AAAAAAAAB4Y/z1J0RSLluhg/s72-c/f%25C3%25A9rias.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7886365662321466444.post-2314888344214871178</id><published>2011-12-25T06:00:00.000-08:00</published><updated>2011-12-25T06:00:05.211-08:00</updated><title type='text'>Ação e Realidade</title><content type='html'>Reportagem da Tv Cabo Branco&lt;br /&gt;&lt;iframe height="345" src="http://www.youtube.com/embed/TD5XLs8SRAo" frameborder="0" width="450"&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7886365662321466444-2314888344214871178?l=brunocazevedo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/feeds/2314888344214871178/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/2011/12/acao-e-realidade.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7886365662321466444/posts/default/2314888344214871178'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7886365662321466444/posts/default/2314888344214871178'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/2011/12/acao-e-realidade.html' title='Ação e Realidade'/><author><name>Bruno Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17031419237830207454</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mxosEtKo4wo/TKPg-Lm-1dI/AAAAAAAABN4/3YzzPQwxslE/S220/bruno2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://img.youtube.com/vi/TD5XLs8SRAo/default.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7886365662321466444.post-5189167869345325678</id><published>2011-12-24T09:07:00.000-08:00</published><updated>2011-12-24T13:50:36.625-08:00</updated><title type='text'>Marco Aurélio não esvaziou o Conselho Nacional de Justiça</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-J-MeEHSZl6c/TvZJB1XZa0I/AAAAAAAAB4M/O6-G1gRr6do/s1600/epoca.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 79px; FLOAT: left; HEIGHT: 88px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5689815475083111234" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-J-MeEHSZl6c/TvZJB1XZa0I/AAAAAAAAB4M/O6-G1gRr6do/s200/epoca.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;strong&gt;Editorial da Revista Época, edição 710&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;É lamentável, mas inevitável, que temas importantes sejam apequenados por disputas pessoais, partidárias ou corporativas. Mas a decisão do ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), de aceitar a tese da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) de que o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) não pode atropelar as Corregedorias estaduais para investigar e punir magistrados acusados de desvios deve ser isolada do barulho das desavenças menores. Mello tomou uma decisão prudente do ponto de vista jurídico e atuou perfeitamente dentro de suas atribuições.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na semana passada, veio a público um ofício em que a corregedora do CNJ, Eliana Calmon, determinara a devassa na vida de 231 mil pessoas, entre juízes, familiares e funcionários da Justiça. Suspenso por liminar do ministro Ricardo Lewandowski, esse ofício revela o tipo de abuso a que podem estar sujeitas as investigações do CNJ. Dentro do equilíbrio essencial à questão, está claro que a decisão de Marco Aurélio Mello não liquida o poder de correição do CNJ. Não se trata também de tentar esconder que existem desvios de conduta no Judiciário. Eles existem, não são irrelevantes e precisam ser punidos com rigor. Como relator, Mello estabeleceu que a investigação de desvios tem de ser feita, antes, pelas Corregedorias locais. Só depois — e com justificativas — o CNJ pode avocar o trabalho para si.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O CNJ é essencial para o funcionamento da democracia brasileira. É preciso um órgão autorizado a cobrar eficiência e vigiar desvios do Judiciário. Se o texto constitucional dá margem a interpretações diversas, cabe ao STF dirimi-las. Ou ao Congresso aprovar uma redação mais clara, como a proposta no projeto do senador Demóstenes Torres (DEM-GO). Congresso e STF devem fazer o trabalho pelo qual são sustentados pelo cidadão — o beneficiário final de tudo isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fonte: ConJur&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7886365662321466444-5189167869345325678?l=brunocazevedo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/feeds/5189167869345325678/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/2011/12/marco-aurelio-nao-esvaziou-o-conselho.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7886365662321466444/posts/default/5189167869345325678'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7886365662321466444/posts/default/5189167869345325678'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/2011/12/marco-aurelio-nao-esvaziou-o-conselho.html' title='Marco Aurélio não esvaziou o Conselho Nacional de Justiça'/><author><name>Bruno Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17031419237830207454</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mxosEtKo4wo/TKPg-Lm-1dI/AAAAAAAABN4/3YzzPQwxslE/S220/bruno2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-J-MeEHSZl6c/TvZJB1XZa0I/AAAAAAAAB4M/O6-G1gRr6do/s72-c/epoca.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7886365662321466444.post-1394472409692739191</id><published>2011-12-23T08:20:00.000-08:00</published><updated>2011-12-23T18:45:39.733-08:00</updated><title type='text'>Ministro Celso de Mello explica liminar de Lewandowski</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-jYn66leG7hQ/TvU7qwQWkMI/AAAAAAAAB4A/l0_PYqavSxs/s1600/celso.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 135px; FLOAT: right; HEIGHT: 108px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5689519309946523842" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-jYn66leG7hQ/TvU7qwQWkMI/AAAAAAAAB4A/l0_PYqavSxs/s200/celso.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Bom senso e equilíbrio&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="PADDING-BOTTOM: 0px; MARGIN: 0px 0px 1em; PADDING-LEFT: 0px; PADDING-RIGHT: 0px; PADDING-TOP: 0px" align="justify"&gt;Ao responder que a Constituição Federal não confere ao Conselho Nacional de Justiça poderes para quebrar sigilo bancário ou fiscal, o ministro Ricardo Lewandowski apenas reproduziu a sólida jurisprudência do Supremo Tribunal Federal a respeito da matéria. Quem garante é o decano do STF, ministro Celso de Mello — ele mesmo relator de casos pioneiros em que esse entendimento foi assentado. Um exemplo recente é o Agravo Regimental em Mandado de Segurança &lt;/span&gt;&lt;a href="http://s.conjur.com.br/dl/ms-27148-agr.pdf"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;27.148&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;.&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="PADDING-BOTTOM: 0px; MARGIN: 0px 0px 1em; PADDING-LEFT: 0px; PADDING-RIGHT: 0px; PADDING-TOP: 0px" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Para mostrar a idade desse entendimento, o ministro cita o Mandado de Segurança 23.851/DF, relatado por ele em 26 setembro de 2001, aprovado por unanimidade quando se determinou que "a quebra de sigilo não pode ser utilizada como instrumento de devassa indiscriminada, sob pena de ofensa à garantia constitucional da intimidade. A quebra de sigilo, para legitimar-se em face do sistema jurídico-constitucional brasileiro, necessita apoiar-se em decisão revestida de fundamentação adequada, que encontra apoio concreto em suporte fático idôneo, sob pena de invalidade do ato estatal que a decreta. A ruptura da esfera de intimidade de qualquer pessoa — quando ausente hipótese configuradora de causa provável — revela-se incompatível com o modelo consagrado na Constituição da República, pois a quebra de sigilo não pode ser manipulada, de modo arbitrário, pelo Poder Público ou por seus agentes".&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="PADDING-BOTTOM: 0px; MARGIN: 0px 0px 1em; PADDING-LEFT: 0px; PADDING-RIGHT: 0px; PADDING-TOP: 0px" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Compenetrado, rigoroso, o ministro é a antítese do corporativismo. Defensor fervoroso da fiscalização e responsabilização de juízes que praticam desvios ou atos de improbidade, Celso de Mello, ao tomar posse na presidência do STF, em 1997, chocou a comunidade ao defender a ideia radical de que todos os juízes brasileiros deveriam se sujeitar a processo de impeachment, como ocorre com os ministros do STF. Mas ser a favor do CNJ não significa que se deve admitir ao Conselho o que a Constituição não autoriza, frisa ele.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="PADDING-BOTTOM: 0px; MARGIN: 0px 0px 1em; PADDING-LEFT: 0px; PADDING-RIGHT: 0px; PADDING-TOP: 0px" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;"Há um grande consenso nesse sentido", afirma: "A jurisprudência do STF nega a qualquer autoridade pública, quando no exercício de função administrativa, a possibilidade de decretar quebra de sigilo bancário e ou fiscal". Por ser órgão administrativo, o CNJ jamais teve o poder reservado a magistrados em funções jurisdicionais. E até mesmo para o juiz há regras. Sem motivo claro e fundamentação a ordem é nula. A norma, lembra Celso de Mello, já foi intensamente aplicada para conter Comissões Parlamentares de Inquéritos e em casos de abusos do Poder Público, em que se tentou iniciar investigações pela quebra de sigilo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="PADDING-BOTTOM: 0px; MARGIN: 0px 0px 1em; PADDING-LEFT: 0px; PADDING-RIGHT: 0px; PADDING-TOP: 0px" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Celso de Mello ressalva que a proteção do sigilo bancário não significa restrição ao poder de investigar nem limita o poder de investigação do estado, já que o estado dispõe de meios para requerer a juízes e tribunais que ordenem às instituições financeiras a informação dos fatos. Essas regras constitucionais que proclamam direitos e garantias estão protegidas por cláusulas pétreas.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="PADDING-BOTTOM: 0px; MARGIN: 0px 0px 1em; PADDING-LEFT: 0px; PADDING-RIGHT: 0px; PADDING-TOP: 0px" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Para o ministro, a decisão de Lewandowski não só se mostra plenamente fiel à jurisprudência do STF, como traduz o exercício concreto da correta aplicação do texto constitucional. O que o STF faz, explica, é restaurar a ordem jurídica muitas vezes transgredida por excesso de poder quando é exercido ultra vires (além dos limites da competência). Para reforçar a tese, o ministro lembra duas outras decisões do plenário, que favoreceram o TJ-MA em que o CNJ atuou fora de sua esfera de poder. Negar essa realidade, diz, é contestar que "estamos todos subordinados à autoridade hierárquica da Constituição Federal". Como exemplo de citação técnica adequada, Celso de Mello destaca o &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.conjur.com.br/2011-dez-20/direito-defesa-cnj-nao-quebrar-sigilo-bancario-juiz"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;artigo&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt; recentemente publicado neste site pelo professor Pierpaolo Bottini. "Abordagem corretíssima", enfatizou.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="PADDING-BOTTOM: 0px; MARGIN: 0px 0px 1em; PADDING-LEFT: 0px; PADDING-RIGHT: 0px; PADDING-TOP: 0px" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Por fim, o decano do STF, lembrou os votos dos ministros Cezar Peluso e Ricardo Lewandowski no sentido de reforçar os poderes do CNJ, como órgão de controle administrativo do Judiciário — em contraste com as críticas de que ambos sejam contrários à fiscalização do Conselho. Cezar Peluso foi o relator da ADI 3.367, no julgamento que rejeitou o pedido de declaração de inconstitucionalidade da Emenda que instituiu e disciplinou o CNJ; enquanto Lewandowski não apenas ratificou a Resolução do Conselho que baniu o nepotismo do Judiciário, como a estendeu aos demais poderes da República.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="PADDING-BOTTOM: 0px; MARGIN: 0px 0px 1em; PADDING-LEFT: 0px; PADDING-RIGHT: 0px; PADDING-TOP: 0px" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Por Márcio Chaer&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="PADDING-BOTTOM: 0px; MARGIN: 0px 0px 1em; PADDING-LEFT: 0px; PADDING-RIGHT: 0px; PADDING-TOP: 0px" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Fonte: ConJur&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7886365662321466444-1394472409692739191?l=brunocazevedo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/feeds/1394472409692739191/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/2011/12/ministro-celso-de-mello-explica-liminar.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7886365662321466444/posts/default/1394472409692739191'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7886365662321466444/posts/default/1394472409692739191'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/2011/12/ministro-celso-de-mello-explica-liminar.html' title='Ministro Celso de Mello explica liminar de Lewandowski'/><author><name>Bruno Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17031419237830207454</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mxosEtKo4wo/TKPg-Lm-1dI/AAAAAAAABN4/3YzzPQwxslE/S220/bruno2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-jYn66leG7hQ/TvU7qwQWkMI/AAAAAAAAB4A/l0_PYqavSxs/s72-c/celso.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7886365662321466444.post-7712346679700491912</id><published>2011-12-16T07:00:00.000-08:00</published><updated>2011-12-16T07:00:07.067-08:00</updated><title type='text'>Alice no País das Maravilhas e o roubo das tortas</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-Q51qSt2_DOY/TukDlX6AXPI/AAAAAAAAB3o/6rn04ttwIfM/s1600/alice.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 100px; FLOAT: left; HEIGHT: 147px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5686079945139313906" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-Q51qSt2_DOY/TukDlX6AXPI/AAAAAAAAB3o/6rn04ttwIfM/s200/alice.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;strong&gt;Embargos Culturais&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Quem se importa com vocês? (...) vocês não passam de um baralho de cartas![1], é o que diz Alice aos juízes e jurados, ao fim de seu depoimento, no julgamento do roubo das tortas, episódio do enigmático livro de Charles Lutwige Dodgson, que conhecemos pelo pseudônimo de Lewis Carroll.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A observação de Alice pode ser tomada como uma crítica ao sistema judiciário inglês do século XIX, a exemplo de tantas outras críticas que há, em textos literários, a propósito dos vários modelos judiciários que há no mundo; Franz Kafka é o campeão da causa. É esta a abordagem que proponho, no sentido de se apreender o direito na literatura, ainda que como argumento para se escrever. Para os juristas, a crítica literária é sempre uma fuga ou uma forma de conquista, se tomada como exercício de escrita, o que não deixa de ser[2].&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A estória de Alice é um topoi, que o auditório culto conhece. Trata-se de um pequeno grande livro aberto a todos os tipos de interpretações, de jogos, de truques, de fraudes, de insinuações, e de duvidosas lições, como esta que o leitor tem pela frente. Alice propicia múltiplas intervenções entre autor e leitor, de modo sempre aberto e indefinido[3], ameaçadas pela falsificação das más interpretações, sacrificadas por problemas de tradução[4], vitimadas (ou salvas) pela inexistência da língua perfeita[5]. Alice é, na essência, texto consagrador do lexema literatura, enquanto saber relativo à arte de escrever e ler, gramática, instrução, erudição[6]. Como se indicará, Lewis Carroll até propõe lições de latim, a propósito das declinações de camundongo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma exploração da percepção de justiça em Alice, invertendo-se o caminho do Direito enquanto retórica e narrativa[7], temperada pela concessão à crença nas habilidades das narrativas revelarem tensões entre vários discursos alternativos[8], parece ser o eixo conceitual que justifica o presente excerto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além do que, Alice é uma criança; e sempre que o Direito se relaciona com crianças, uma tensão emerge entre o propósito, básico no liberalismo, de proteger a autonomia individual e o objetivo de se proteger as crianças, restringindo-se suas atividades[9]. Alice é um livro que explora ao limite esquemas de comunicação, com variáveis de referentes que embaraçam o receptor[10]; é uma crítica à suposta (e eventualmente inexistente) crise da razão[11].&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A estória da pequena heroína é rica em imagens, metáforas, símbolos e mitos. Tem-se conjunto de alegorias que nos remetem à imaginação visual de Dante[12]. Especificamente, para os presentes propósitos, a justiça com a qual Alice se encontra é mero baralho de cartas. Subjacente à apresentação do assunto, indaga-se sobre a atemporalidade da assertiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alice inicia sua aventura pouco ortodoxa aborrecendo-se com um livro que a irmã lia, e que de nada serviria porquanto não tinha nem desenhos ou diálogos[13]. A mesma irmã, que no fecho da narrativa, lembrará que a irmãzinha &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;(...) seria no futuro uma mulher adulta, que ela conservaria nos mais maduros o coração simples e amoroso de sua infância, que ela reuniria ao redor de si outras crianças, fazendo os olhinhos brilharem desejosos de mais uma história estranha, talvez até com o sonho do País das Maravilhas do passado, e que ela se compadeceria em todas as suas alegrias simples, lembrando-se da sua própria infância e dos dias felizes de verão[14].&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ação ganha mais vida com a chegada do coelho branco de olhos cor-de-rosa. Alice se indaga sobre os custos e benefícios do agir humano. Pergunta a si mesma se o prazer de fazer uma corrente de margaridas valeria o esforço de se levantar e colher as margaridas[15].&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um jogo interminável de palavras surpreende ao leitor, com importâncias de significado que transcendem à dimensão de equivalência das próprias palavras. É o caso, por exemplo, do prazer que Alice encontrou ao falar longitude e latitude, sobre o que não fazia ideia nenhuma, mas que simplesmente achava que eram palavras muito importantes para dizer[16].&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alice associava símbolos com fatos, ainda que apenas previsíveis. Afinal, (...) ela nunca esqueceu que se alguém bebe muito de uma garrafa marcada com a palavra VENENO, é quase certo que vai passar mal mais cedo ou mais tarde[17], ainda que o veneno fosse de um sabor misto de torta de cereja, creme, abacaxi, peru assado, puxa-puxa e torrada quente com manteiga[18].&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque diminuía de tamanho, encolhia, e temerosa de que pudesse sumir completamente como uma vela[19], Alice aconselhava-se muito consigo mesma, embora raramente seguisse aos próprios conselhos[20]. A imaginação é superlativa quando Alice, de tanto chorar, derramando galões de lágrimas, vê surgir ao seu redor uma imensa poça d´água[21]. Sentindo-se confusa, errando na tabuada e na geografia (Paris tornou-se capital de Roma, e Londres capital de Paris[22]), Alice denuncia a fragilidade de nossas lembranças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A memória de Alice é a reminiscência dos saberes alheios. Alice usa o vocativo para chamar o camundongo (ó camundongo!) porque se lembra das lições de latim, que o irmão estudava, e de onde sua memória prodigiosa retomava todas as declinações (o camundongo, do camundongo, ao camundongo)[23]. Alice também assustou ao camundongo, presumindo-o francês, e chamando uma gata — que seria inimiga visceral do camundongo — em língua francesa, na lembrança da primeira lição de seu livro de francês: où est ma chatte? — onde está minha gata?[24].&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-WBJWthIbmWE/TukD7TKxckI/AAAAAAAAB30/8DpG5-RVorQ/s1600/coelho.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 108px; FLOAT: right; HEIGHT: 147px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5686080321824584258" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-WBJWthIbmWE/TukD7TKxckI/AAAAAAAAB30/8DpG5-RVorQ/s200/coelho.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;O mundo imaginário de Alice é um espaço no qual reina certa falta de sentido. A corrida-caucus é disto um exemplo. Corria-se num círculo, ainda que a forma exata da pista não tivesse importância. Podia até não ser um círculo. Embora fosse um círculo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não se falava um, dois, três e já; a corrida começava quando cada um dos corredores bem o desejasse e terminava quando qualquer um dos corredores também o quisesse. Por isso, não era fácil saber se a corrida havia se encerrado. E também não havia como se saber (com segurança) quem fora o vencedor da corrida. Assim, todos ganhavam; e todos recebiam prêmios[25].&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo é muito insólito. Para Alice a mostarda era um mineral; e haveria uma mina de mostarda bem perto de onde ela estava[26]. A justiça era fabulizada; ó que se infere da disputa entre o vira-lata e o rato, indicada em versos: vamos os dois perante a lei: pois hei de processar você (...) tal julgamento, sinhozinho, sem júri, sem juiz, sem nada, será jogar fora conversa, vou ser o júri e o juiz (...) hei de julgar a causa inteira, você não escapará desta[27].&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No mundo idílico de Alice havia muitos personagens: Diná (uma gata), Ada, Mabel, o Grifo, a Tartaruga Falsa (da qual se faz uma sopa de tartaruga falsa), o Arganaz, a Lebre de Março, o Chapeleiro (para quem não se poderia falar em desperdício de tempo, o tempo é senhor). Havia também a Duquesa, para quem tudo tem uma moral; e tudo é apenas uma questão de se encontrar esta moral[28]. E também havia a Rainha (que a todos queria decapitar, por qualquer motivo, e a qualquer hora).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A reação de Alice para com este modelo de sanções lembra-nos Voltaire quando este teria conhecido a legislação criminal de Portugal (Livro V das Ordenações Filipinas). Da mesma maneira que Alice não entendia como restava alguém vivo naquele reino, no qual se cortavam cabeças a todo tempo, e por nada, o filósofo francês se admirava como havia alguém ainda vivo em Portugal, terra de legislação tão draconiana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o que é indefinido perde o sentido enigmático no universo de Alice. Exemplifico com o conceito de tempo. Alice explica que os relógios não marcam os anos (...) porque o ano permanece o mesmo por um tempo muito longo[29]. E do mesmo modo que os reis portugueses resolviam tudo na forca, a rainha do mundo de Alice só tinha um modo de resolver todas as dificuldades pequenas e grandes: cortem a cabeça dele![30]. Naquele modelo de punições, tão pouco flexível, o argumento do rei era que tudo que tinha cabeça podia ser decapitado[31]. Para a Rainha, o argumento (...) era que se algo não fosse feito imediatamente, mandaria decapitar todo mundo ao redor[32].&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Irreverente, refratária às instituições, Alice discutia com a Tartaruga Falsa. Esta última, orgulhosa, porque tivera a melhor das educações, com aulas todos os dias. Porém, Alice afirmava que tal notícia não era motivo para orgulho, porque também já frequentara uma escola diária[33]. O currículo da escola mencionada pela Tartaruga Falsa era indicativo de preciosismos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Tartaruga Falsa estudara Mistério (antigo e moderno, que era também estudado com oceanografia). O currículo da escola da Tartaruga Falsa também contava com Desenrolo, Bracejamento e Tontura em Coleios[34]. O horário da escola da Tartaruga Falsa era também pouco ortodoxo: dez horas no primeiro dia, com uma hora a menos em todos os que passassem; Alice concluiu assim que no décimo dia haveria feriado...[35]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi o Grifo quem anunciou a Alice que o julgamento iria começar. Mas, que julgamento?, perguntava Alice[36]. Rei e Rainha de Copas estavam sentados no trono. Alice via também uma multidão reunida ao redor dos soberanos: pássaros e animais, todos pequenos, e tudo num contexto de baralho de cartas[37].&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O réu era o Valete, que Alice via acorrentado. Soldados circunspectos montavam guarda. O pregão era anunciado pelo Coelho Branco, que fazia o papel do escrivão. Mais parecia um bedel. E o Coelho Branco, com uma trombeta numa das mãos e um rolo de pergaminho na outra[38], anunciava a sequencia de atos, de intensa formalidade. Tortas e doces havia no meio da sala; Alice queria rapidez no julgamento. Pensava em avançar nos doces. E prossegue a narrativa:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alice nunca havia estado numa corte de justiça antes, mas já tinha lido a respeito em livros, e ficou bem satisfeita ao descobrir que sabia o nome de quase tudo ’Aquele é o juiz’, disse para si mesma, ‘por causa da grande peruca’. O juiz, por sinal, era o Rei e, como ele trazia a coroa sobre a peruca (...) não parecia nem um pouco confortável, e o arranjo certamente não lhe ficava bem. ‘E ali é a banca do júri’, pensou Alice, ‘e aquelas doze criaturas’ (ela foi obrigada a dizer ‘criaturas’, sabem, porque alguns eram animais, outros eram pássaros) ‘acho que são os jurados’. Ela repetiu essa palavra duas ou três vezes para si mesma, bem orgulhosa, pois achava, e com razão, que muitas poucas meninas da sua idade sabiam o significado da palavra. Entretanto ‘membros do júri’ teria dado no mesmo[39].&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Rei ordenou que o libelo fosse lido. O Coelho Branco a todos informou que o Valete de Copas teria roubado as tortas que a Rainha de Copas assara num dia de verão[40]. Ouviu-se o Chapeleiro, a primeira testemunha. O Rei ordenou que o Chapeleiro tirasse o chapéu. O Chapeleiro respondeu que usava chapéus porque os tinha para vender. Era seu negócio. Era como ganhava a vida. O Rei anunciou que o chapéu era roubado. Ameaçou o Chapeleiro, dizendo que se não depusesse seria executado imediatamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E porque o Chapeleiro não se lembrava exatamente dos fatos, o Rei fez uma nova ameaça. O Chapeleiro deveria de se lembrar de tudo; se não o conseguisse, seria imediatamente executado![41] Nervoso e humilhado, o Chapeleiro disse ao Rei que era um homem pobre. Ao que o Rei observou que o Chapeleiro era na verdade um orador muito pobre...[42]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um porquinho-da-índia foi reprimido porque aplaudiu o Rei (ou o Chapeleiro); impressionada com a palavra reprimido (bastante dura) Alice suscitou uma explicação. Reprimir consistia em se jogar o porquinho-da-índia num grande saco de lona, amarrado na boca com cordões[43]. Alice lembrou que lia nos jornais, com frequência, a referência a reprimir, e que agora entendia muito bem do que se tratava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cozinheira da Duquesa também testemunhou; trazia consigo uma caixa de pimenta. Ao entrar na sala de justiça todos os presentes começaram a espirrar; e espirraram muito[44].&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para sua surpresa, Alice também foi chamada a testemunhar[45]. Um pouco confusa, especialmente porque voltava a seu tamanho normal, Alice, ao se levantar, derrubou todos os jurados com a barra de sua saia; todos eles caíram sobre as cabeças da multidão, ficaram estatelados, lembrando a Alice um globo de peixinhos dourados que tinha derrubado por acaso na semana anterior[46].&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Rei determinou que os jurados voltassem para seus lugares. Era chegada a hora do depoimento de Alice. Quando todos retomaram seus postos o Rei perguntou a Alice o que ela sabia sobre o roubo das tortas. Nada, disse ela. E como Alice insistia que não sabia absolutamente de nada, o Rei hesitou em determinar que o escrivão anotasse que a informação seria muito importante ou desimportante[47].&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perturbado, o Rei disse que a Regra nº 42 dispunha que todas as pessoas com mais de 1 km de altura deveriam deixar a Corte[48]. Alice insistiu que não tinha tal altura. O Rei obtemperou que Alice era muito alta. A Rainha então observou que Alice teria quase 2 km de altura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alice desafiou o Rei. Disse que a Regra não era válida, porque não era um precedente. O Rei a teria inventado naquele exato momento. O Rei insistia com Alice que se tratava da regra mais antiga do reino. Em relação ao que, inteligentemente, Alice disse que então não poderia ser a Regra nº 42; deveria ser a Regra nº 1...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Discutiu-se, em seguida, sobre uma carta, de suposta autoria do Valete, e que deveria ter sido endereçada a alguém. Um animado debate dividiu opiniões. Poderia uma carta ser endereçada a ninguém?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Valete teria escrito a carta. Porém, porque não estava assinada, o Rei intuiu que a falta de assinatura só poderia piorar a situação do acusado. É que o réu devia ter alguma maldade em vista, senão teria assinado (...) como todo homem honesto[49]. Rei e Rainha então concluíram que a ausência de assinatura na carta comprovava a culpa do Valete.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alice o defendeu. Argumentou que nada provava a culpa do réu. A carta foi então lida em plenário. O Coelho Branco perguntou ao Rei como deveria ler o importante documento. O Rei então determinou que a carta deveria ser lida a partir do começo, e que o escrivão deveria continuar a leitura, até o fim, e então deveria parar. Óbvio, pensará o leitor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A revelação do conteúdo da carta indicava um texto que não fazia nenhum sentido — nenhum átomo de sentido — segundo Alice. E justamente porque não havia sentido nenhum na carta é que o Rei, mais uma vez, concluiu pela culpa do Valete. Todas as provas, boas ou más, razoáveis ou não, verídicas ou não, eram contra o réu. A condenação era uma decisão que antecedia ao próprio julgamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes que se anunciasse a decisão final Alice discutiu com o Rei e com a Rainha. Esta ordenou que Alice se calasse. Com a recusa de Alice em ficar quieta, a Rainha ordenou que lhe cortassem a cabeça. Alice reagiu: quem se importa com vocês? (...) vocês não passam de um baralho de cartas![50]. E, prossegue a narrativa:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando acabou de dizer essas palavras, todo o baralho se ergueu no ar, e as cartas caíram voando sobre ela. Alice deu um gritinho, meio de medo e meio de raiva, e tentou afastá-las debatendo-se, mas se descobriu deitada na margem do lago, com a cabeça no colo da irmã, que gentilmente afastava umas folhas mortas que tinham caído das árvores e vindo esvoaçar sobre o seu rosto. ‘Acorde, Alice querida!, disse a irmã, ‘Ora, mas como você dormiu!”[51].&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tribunal era um jogo de cartas de baralho. Frágil; era composto por pedaços de papel. Aleatório; porque nada mais do que um jogo. Desencontrado; era formado por peças com funções múltiplas. Dependente; porque nas mãos dos jogadores. Frívolo; equivalia a um passatempo. Subjugado; era centrado numa hierarquia imaginária. Esta, talvez, a justiça que Alice conheceu: frágil, aleatória, desencontrada, dependente, frívola e subjugada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E se a literatura tem sentido universal e atemporal, pode-se inferir que a justiça inglesa do século XIX, tal como denunciada por Lewis Carroll, possa, numa dimensão exagerada, provocar nossa apreensão para com todas as togas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso, à luz de uma avaliação pedagógica, um alerta para que lutemos, sempre, contra o despotismo de reis e rainhas que resolvem pendências, maiores ou menores, com ordens de decapitação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num outro sentido, tomando-se por válida a natureza do tribunal descrito por Carroll, tem-se que o uso da Regra nº 42 indica-nos casuísmo que revela que primeiro se decide, e depois de deduz ou, ainda, que ao fim se fundamente o que na origem já decidido. O realismo jurídico, em toda sua extensão, no sentido de que o direito seja simplesmente o que definido pelos tribunais, parece ser, com um pequeno esforço de juízo analógico, o modelo de jurisprudência do País das Maravilhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[1] Carroll, Lewis, Alice no País das Maravilhas, Porto Alegre: LP&amp;amp;M, 2010. Há várias traduções disponíveis de Alice no mercado editorial brasileiro. A edição pocket da LP&amp;amp;M, de fácil acesso, é utilizada no presente ensaio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[2] Cf. Sartre, Jean Paul, Que é Literatura?, São Paulo: Ática, 2006, p. 33. Tradução de Carlos Felipe Moisés.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[3] Cf. Eco, Umberto, Interpretação e Superinterpreção, São Paulo: Martins Fontes, 2001, sem indicação de tradução.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[4] Cf. Eco, Umberto, Quase a Mesma Coisa- Experiências de Tradução, Rio de Janeiro e São Paulo: Record, 2007, pp. 104 e ss. Tradução de Eliana Aguiar. Conferir, especialmente, a dúvida de Eco em relação, por exemplo, ao uso de camundongo ou de rato, que ele enfrenta a partir de uma passagem de Shakespeare em Hamlet, problema que também aparece em Alice.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[5] Cf. Eco, Umberto, A Busca da Língua Perfeita, Bauru: EDUSC, 2002. Tradução de Antonio Angonese.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[6] Cf. Aguiar e Silva, Vítor Manuel, Teoria da Literatura, Coimbra: Almedina, 2000, p.2.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[7] Cf. Brooks, Peter, The Law as Narrative and Rhetoric, in Brooks, Peter e Gerwitz, Paul, Law´s Stories- Narrative and Rhetoric in the Law, New Haven: Yale University Press, 1996, pp. 14 e ss.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[8] Cf. Ward, Ian, Law and Literature- Possibilities and Perspectives, Cambridge: Cambridge University Press, 1995, p. 7.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[9] Fish, Stanley, The Trouble with Principle, Cambridge: Harvard University Press, 2001, p. 153. Tradução livre minha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[10] Para uma definição nítida de conceitos utilizados na teoria da comunicação, consultar Vanoye, Francis, Usos da Linguagem- Problemas e Técnicas na produção oral e escrita, São Paulo: Martins Fontes, 2007. Tradução de Clarisse Madureira Sabóia e outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[11] Cf. Eco, Umberto, Viagem na Irrealidade Cotidiana, Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1984, pp. 148 e ss. Tradução de Aurora Fornoni Bernardini e Homero Freitas de Andrade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[12] Cf.Wellek, René e Warren, Austin, Theory of Literature, San Diego: Harvest Book, 1970, p.187.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[13] Cf. Carroll, Lewis, cit., p. 13.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[14] Carroll, Lewis, cit., p. 171.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[15] Cf. Carroll, Lewis, cit., p. 14.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[16] Cf. Carroll, Lewis, cit., p. 16.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[17] Carroll, Lewis, cit., p. 21.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[18] Carroll, Lewis, cit., loc.cit.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[19] Cf. Carroll, Lewis, cit., p. 22.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[20] Cf. Carroll, Lewis, cit., loc.cit.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[21] Cf. Carroll, Lewis, cit., p. 27.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[22] Cf. Carroll, Lewis, cit., p. 29.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[23] Cf. Carroll, Lewis, cit., p. 33.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[24] Cf. Carroll, Lewis, cit., loc.cit.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[25] Cf. Carroll, Lewis, cit., p. 41.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[26] Cf. Carroll, Lewis, cit., p. 122.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[27] Carroll, Lewis, cit., p. 44.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[28] Cf. Carroll, Lewis, cit., p. 120.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[29] Carroll, Lewis, cit., p. 94.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[30] Carroll, Lewis, cit., p. 116.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[31] Carroll, Lewis, cit., p. 117.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[32] Carroll, Lewis, cit., p. 118.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[33] Carroll, Lewis, cit., p. 129.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[34] Carroll, Lewis, cit., p. 131.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[35] Cf. Carroll, Lewis, cit., p. 132.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[36] Cf. Carroll, Lewis, cit., p. 145.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[37] Cf. Carroll, Lewis, cit., p. 146.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[38] Carroll, Lewis, cit., p. 146.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[39] Carroll, Lewis, cit., p. 147.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[40] Cf. Carroll, Lewis, cit., p. 149.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[41] Cf. Carroll, Lewis, cit., p. 153.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[42] Cf. Carroll, Lewis, cit., p. 154.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[43] Cf. Carroll, Lewis, cit., loc.cit.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[44] Cf. Carroll, Lewis, cit., p. 155.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[45] Cf. Carroll, Lewis, cit., p. 157.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[46] Carroll, Lewis, cit., p. 158.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[47] Cf. Carroll, Lewis, cit., p. 160.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[48] Cf. Carroll, Lewis, cit., p. 161.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[49] Carroll, Lewis, cit., p. 163.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[50] Carroll, Lewis, cit., p. 167.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[51] Carroll, Lewis, cit., pp. 167-168.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por Arnaldo Sampaio de Moraes Godoy&lt;br /&gt;Fonte: ConJur&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7886365662321466444-7712346679700491912?l=brunocazevedo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/feeds/7712346679700491912/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/2011/12/alice-no-pais-das-maravilhas-e-o-roubo.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7886365662321466444/posts/default/7712346679700491912'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7886365662321466444/posts/default/7712346679700491912'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/2011/12/alice-no-pais-das-maravilhas-e-o-roubo.html' title='Alice no País das Maravilhas e o roubo das tortas'/><author><name>Bruno Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17031419237830207454</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mxosEtKo4wo/TKPg-Lm-1dI/AAAAAAAABN4/3YzzPQwxslE/S220/bruno2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-Q51qSt2_DOY/TukDlX6AXPI/AAAAAAAAB3o/6rn04ttwIfM/s72-c/alice.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7886365662321466444.post-1936800926052071400</id><published>2011-12-15T07:30:00.000-08:00</published><updated>2011-12-15T16:24:00.971-08:00</updated><title type='text'>Mais juízes, mais prisões e mais violência</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-awk3jnqI39I/TukBRI2z7UI/AAAAAAAAB3c/uOw8dun-VZU/s1600/pris%25C3%25A3o.jpg"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 139px; FLOAT: right; HEIGHT: 105px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5686077398478744898" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-awk3jnqI39I/TukBRI2z7UI/AAAAAAAAB3c/uOw8dun-VZU/s200/pris%25C3%25A3o.jpg" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;&lt;b&gt;Realidade&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-family:arial;"&gt;Uma das grandes falácias, em relação à realidade brasileira, consiste em afirmar que mais juízes, mais prisões, mais policiais... significariam mais segurança para a população e menos crimes. Na verdade, como afirma Jeffery, mais segurança, mais gastos etc. não significam necessariamente menos crimes. Apesar dos maciços investimentos em prisões e punições como formas de diminuir a violência, os números apontam que os homicídios continuam crescendo.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify" align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify" align="justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style="font-family:arial;color:#ffffff;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify" align="justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style="font-family:arial;color:#ffffff;"&gt;De acordo com os levantamentos realizados pelo Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2011, (publicado no Fórum Brasileiro de Segurança Pública), em 2009 o Brasil investiu R$ 45,5 bilhões em segurança pública, sendo mais de R$ 10 bilhões só em São Paulo. Em 2010, houve um aumento de 4,4% nesse investimento, alcançando-se a marca dos R$ 47,5 bilhões.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style="font-family:arial;color:#ffffff;"&gt;O número total de presos (provisórios e definitivos) nos sistemas penitenciários que era de 90 mil presos em 1990, aumentou para 500 mil em 2010. Um crescimento de 450% e uma taxa de 258 presos por 100 mil habitantes (veja-se que a população brasileira neste mesmo período teve um crescimento de somente 26,7%).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style="font-family:arial;color:#ffffff;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style="font-family:arial;color:#ffffff;"&gt;Se consideramos apenas os presos definitivos, a situação é ainda mais alarmante. De acordo com o Anuário 2011, em 1938 o Brasil contava com uma taxa de 19,1 presos condenados para cada grupo de 100 mil habitantes. Já em 2009, essa taxa havia saltado para 242,5 presos por 100 mil habitantes, significando um crescimento de 1.169% em 71 anos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify" align="justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style="font-family:arial;color:#ffffff;"&gt;Entre 1994 e 2009 o número de presídios construídos no país cresceu 253%, chegando a 1.806 estabelecimentos prisionais em 2009 (enquanto o número de escolas caiu 19,3%, conforme cálculo realizado pelo Instituto de Pesquisa e Cultura Luiz Flávio Gomes, de acordo com dados do Ipea).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style="font-family:arial;color:#ffffff;"&gt;Ainda entre 2009 e 2010 houve um aumento no número de juízes de 3,2%, totalizando 16.804 magistrados em 2010, bem como de servidores da justiça, chegando a 321.963 também em 2010, conforme dados divulgados pelo CNJ. Com uma despesa total de R$ 41 bilhões em 2010, houve um aumento de despesa com a Justiça entre 2009 e 2010 de 3,7%.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style="font-family:arial;color:#ffffff;"&gt;Investimentos no Judiciário, na segurança pública e no sistema penitenciário não faltaram no Brasil (nos últimos anos) e mesmo assim a violência não parou de crescer. É que estamos gastando muito dinheiro com os efeitos e não estamos prestando atenção nas causas. Estamos enxugando gelo com toalha quente.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style="font-family:arial;color:#ffffff;"&gt;Ninguém matou mais em 2009 que o Brasil em números absolutos, alcançando 51.434 homicídios dolosos (de acordo com os dados do Datasus — Ministério da Saúde). Com esse montante (26,6 pessoas a cada 100 mil habitantes), o Brasil conquistou a posição de 3º país mais homicida da América Latina e o 6º do mundo. Em 1979 tínhamos 9,6 mortes para cada 100 mil habitantes. Em 2009 pulamos para 26,6.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style="font-family:arial;color:#ffffff;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style="font-family:arial;color:#ffffff;"&gt;Os números acima são, por si sós, conclusivos: o simples “investir” em segurança pública, policiamento, sistema processual e prisional não basta. É necessário o desenvolvimento de uma política criminal que tenha por escopo fins não apenas repressivos, mas especialmente preventivos, envolvendo medidas socioeducativas, conscientização da população e principalmente dos operadores do direito. O Brasil é um país socialmente, moralmente e eticamente doente. Enquanto não cuidarmos das suas mazelas seculares (das suas doenças), não há remédio que lhe dê jeito. A política de segurança pública brasileira continua, em razão da sua extensa banda podre, servil à prata (corrupção) e ao chumbo (violência).&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style="font-family:arial;color:#ffffff;"&gt;Por Mariana Cury Bunduky&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style="font-family:arial;color:#ffffff;"&gt;Fonte: ConJur&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7886365662321466444-1936800926052071400?l=brunocazevedo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/feeds/1936800926052071400/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/2011/12/mais-juizes-mais-prisoes-e-mais.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7886365662321466444/posts/default/1936800926052071400'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7886365662321466444/posts/default/1936800926052071400'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/2011/12/mais-juizes-mais-prisoes-e-mais.html' title='Mais juízes, mais prisões e mais violência'/><author><name>Bruno Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17031419237830207454</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mxosEtKo4wo/TKPg-Lm-1dI/AAAAAAAABN4/3YzzPQwxslE/S220/bruno2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-awk3jnqI39I/TukBRI2z7UI/AAAAAAAAB3c/uOw8dun-VZU/s72-c/pris%25C3%25A3o.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7886365662321466444.post-366599272063803028</id><published>2011-12-14T06:00:00.000-08:00</published><updated>2011-12-14T12:06:40.880-08:00</updated><title type='text'>O formalismo processual nas petições por fax</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-o4ENpQEWOGc/TukAvug8GGI/AAAAAAAAB3Q/IBtcmR6DvHk/s1600/fax.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 127px; FLOAT: left; HEIGHT: 90px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5686076824472000610" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-o4ENpQEWOGc/TukAvug8GGI/AAAAAAAAB3Q/IBtcmR6DvHk/s200/fax.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;strong&gt;Celeridade&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;A Lei 9.800, de 26de maio de 1999, chamada popularmente de Lei do Fax, trouxe a possibilidade das partes utilizarem sistemas de transmissão de dados para a prática de atos processuais. O fac-símile, ou outro tipo similar, passou a ser ferramenta de extrema utilidade e necessidade aos jurisdicionados para a prática de atos que dependam de petição escrita, devendo ser observado o cumprimento do prazo e a juntada dos originais até cinco dias da data do seu término.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto ao termo inicial do prazo de cinco dias para juntada dos originais, o artigo 2º da Lei 9.800/1999 não é de clareza solar, o que trouxe vários questionamentos e dúvidas na doutrina e jurisprudência. Uma corrente passou a entender que o prazo legal iniciaria da protocolização da petição, enquanto outra defendeu que o termo “a quo” incidiria a partir do último dia de prazo legal, independentemente da parte ter utilizado ou não todo o prazo. O Superior Tribunal de Justiça filiou-se à segunda corrente e deixou assentado que “quando há interposição por fax, ainda que no curso do prazo processual, o termo inicial para a apresentação dos originais é o dia seguinte ao termo final do prazo legal.” (EDcl no AgRg no Ag 813.316/RJ, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 05/05/2009, DJe 21/08/2009).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O maior acesso à Justiça, conferido pela Lei 9.800/1999, poderia ter complicações ou restrições diante de hipóteses legais como a petição do agravo de instrumento. Isso porque o artigo 525 do Código de Processo Civil obriga a parte à formação do instrumento com peças obrigatórias, essenciais e facultativas ao dispor em seu artigo 525 que “a petição de agravo de instrumento será instruída: obrigatoriamente, com cópias da decisão agravada, da certidão da respetiva intimação e das procurações outorgadas aos advogados do agravante e do agravado; facultativamente, com outras pecas que o agravante entender úteis”. A inobservância dessa regra leva necessariamente ao não conhecimento do recurso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, como conciliar a utilização do fax para protocolizar a petição de agravo de instrumento e, ao mesmo tempo, observar a norma cogente estampada no artigo 525 da lei adjetiva civil? A faculdade concedida ao recorrente pela Lei 9.800/99 de utilizar sistema de transmissão de dados e imagens tipo fac-símile ou outro similar o exime de enviar, pelo mesmo meio, as peças que devem instruir o recurso, ou a lei o permite juntar posteriormente dentro do quinquênio legal?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do REsp 901.556/SP, de relatoria da ministra Nancy Andrighi, pacificou o posicionamento no sentido de que, em se tratando de agravo de instrumento, não é necessário que a petição recursal transmitida via fax venha acompanhada das peças destinadas à instrução do recurso, sendo possível a juntada de tais peças quando do protocolo da petição original. A ementa do acordão elucida a matéria destacando seis pontos a embasar o posicionamento adotado:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— A Lei 9.800⁄99 não disciplina nem o dever nem a faculdade do advogado, ao usar o protocolo via fac-simile, transmitir, além da petição de razões do recurso, cópia dos documentos que o instruem. Por isso a aplicação da nova lei exige interpretação que deve ser orientada pelas diretrizes que levaram o legislador a editá-la, agregando-lhe os princípios gerais do direito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— Observados os motivos e a finalidade da referida lei, que devem ser preservados acima de tudo, apontam-se as seguintes razões que justificam a desnecessidade da petição do recurso vir acompanhada de todos os documentos, que chegarão ao Tribunal na forma original: primeiro, não há prejuízo para a defesa do recorrido, porque só será intimado para contra-arrazoar após a juntada dos originais aos autos; segundo, o recurso remetido por fac-simile deverá indicar o rol dos documentos que o acompanham e é vedado ao recorrente fazer qualquer alteração ao juntar os originais; terceiro, evita-se um congestionamento no trabalho da secretaria dos gabinetes nos fóruns e tribunais, que terão de disponibilizar um funcionário para montar os autos do recurso, especialmente quando o recurso vier acompanhado de muitos documentos; quarto, evita-se discussão de disparidade de documentos enviados, com documentos recebidos; quinto, evita-se o congestionamento nos próprios aparelhos de fax disponíveis para recepção do protocolo; sexto e principal argumento: é vedado ao intérprete da lei editada para facilitar o acesso ao Judiciário, fixar restrições, criar obstáculos, eleger modos que dificultem sua aplicação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portanto, o STJ, como órgão uniformizador da interpretação da legislação federal, acabou por definir o alcance do artigo 2º da Lei 9.800/99, observando que o legislador não trouxe qualquer obrigatoriedade sobre a juntada de pecas, mas tão somente disciplinou a prática de atos processuais que dependem de petição escrita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A meu ver, concluir de forma diversa e entender pela obrigatoriedade da parte transmitir por fax, também, as peças que formam o instrumento, é desvirtuar a finalidade da norma que veio facilitar o acesso à Justiça e garantir um processo justo, célere e prático.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por Marcos Braid&lt;br /&gt;Fonte: ConJur&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7886365662321466444-366599272063803028?l=brunocazevedo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/feeds/366599272063803028/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/2011/12/o-formalismo-processual-nas-peticoes.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7886365662321466444/posts/default/366599272063803028'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7886365662321466444/posts/default/366599272063803028'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/2011/12/o-formalismo-processual-nas-peticoes.html' title='O formalismo processual nas petições por fax'/><author><name>Bruno Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17031419237830207454</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mxosEtKo4wo/TKPg-Lm-1dI/AAAAAAAABN4/3YzzPQwxslE/S220/bruno2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-o4ENpQEWOGc/TukAvug8GGI/AAAAAAAAB3Q/IBtcmR6DvHk/s72-c/fax.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7886365662321466444.post-8851496616547786823</id><published>2011-11-28T05:20:00.000-08:00</published><updated>2011-11-28T06:06:29.405-08:00</updated><title type='text'>O homem que sabia javanês e a Ética da Verdade</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/-vOfDA7PgckY/TtOLWIWoARI/AAAAAAAAB3E/28RxNkVDQsQ/s1600/java.jpeg"&gt;&lt;img style="float: right; margin: 0pt 0pt 10px 10px; cursor: pointer; width: 89px; height: 119px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-vOfDA7PgckY/TtOLWIWoARI/AAAAAAAAB3E/28RxNkVDQsQ/s200/java.jpeg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5680036767360090386" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Embargos culturais&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Lima Barreto viveu estado de permanente exclusão, o que certamente justificou o alcoolismo crônico que o derrubou, tirando-lhe a vida ainda muito jovem. Lima Barreto faleceu com pouco mais de 40 anos. Observador de ordem política que nascera da escravidão — ele mesmo descendente direto de escravos —, e que se fizera aliada de bacharelismo oco sem limites, Lima Barreto criticou a cultura oficial que ornava o Brasil dos bacharéis.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Lima Barreto também faz com que reflitamos a propósito da ética da verdade, e de sua validade em âmbito pragmático, quando fins e meios tendem a se justificar mutuamente. Isto é, Lima Barreto deslegitimou a mentira como mecanismo de ascensão social. Ele viveu à margem, amanuense no Ministério da Guerra, com salários que permitiam sobrevivência frugal, situação que se agonizava com a necessidade de cuidar da família, sustentando o pai (que sofria de demência aguda) e os irmãos. Especificamente, indagava Lima Barreto: haveria legitimidade em se construir carreira com fundamento em uma mentira? Ele percebia nos bacharéis trajetórias montadas a partir de bases pouco sólidas.&lt;/span&gt;  &lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Homem que Sabia Javanês, parece-me, é texto que denuncia este estado de coisas. O narrador, Castelo, relata a um amigo (Castro), em uma confeitaria, como pregara peças contra “às convicções e às respeitabilidades, para poder viver”. Narrava também que certa vez em Manaus escondera a qualidade de bacharel, “para mais confiança obter dos clientes, que afluíam ao meu escritório de feiticeiro e adivinho”. O traço crítico ao bacharelismo é nítido. Castelo trabalhava no serviço diplomático, chefiava um consulado. O modo como alcançou a posição é a alavanca que Lima Barreto usou para denunciar o bacharelismo. O artifício de uma mentira — Castelo não sabia a língua exótica que um dia se propôs a ensinar — fora o ponto de apoio para que obtivesse posição de cônsul.&lt;/span&gt;  &lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Confessou ao amigo que já fora professor de javanês. E acrescentou que fora nomeado cônsul justamente por isso. Contou que quando chegou no Rio de Janeiro vivia na miséria, fugindo das casas de pensão. Foi quando leu anúncio no Jornal de Comércio, que dava conta de que alguém necessitava de um professor de malaio. Imaginou que se tratava de ocupação para a qual não haveria muitos pretendentes. E arrematou:&lt;/span&gt;  &lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“ (...) se eu capiscasse quatro palavras, ia apresentar-me. Saí do café e andei pelas ruas, sempre a imaginar-me professor de javanês, ganhando dinheiro, andando de bonde e sem encontros desagradáveis com os "cadáveres". Insensivelmente dirigi-me à Biblioteca Nacional. Não sabia bem que livro iria pedir; mas, entrei, entreguei o chapéu ao porteiro, recebi a senha e subi. Na escada, acudiu-me pedir a Grande Encyclopédie, letra J, a fim de consultar o artigo relativo a Java e a língua javanesa. Dito e feito. Fiquei sabendo, ao fim de alguns minutos, que Java era uma grande ilha do arquipélago de Sonda, colônia holandesa, e o javanês, língua aglutinante do grupo maleo-polinésico, possuía uma literatura digna de nota e escrita em caracteres derivados do velho alfabeto hindu”. (LIMA BARRETO, O Homem que Sabia Javanês, 2002, p. 25).&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;A fala remete-nos a diplomata viajado, e disso pode dar prova o capiscasse, que nos faz recordar verbo italiano que em português teria por equivalente o entender. Por outro lado, pode-se cogitar de português macarrônico, tal como falado por imigrantes italianos, anarquistas, que grassavam no Rio de Janeiro do início do século. Lima Barreto demonstrou que o professor putativo de javanês estava disposto a ganhar a sobrevivência, não interessa a que custo.&lt;/span&gt;  &lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Castelo lembrou que continuava fugindo do encarregado dos aluguéis dos cômodos, o que evidenciava que a necessidade de empregar-se era absoluta. Pedia mais tempo, explicando que seria nomeado professor de javanês, “(...) uma língua que se fala lá pelas bandas do Timor”. Enviou uma carta ao jornal, oferecendo-se para a vaga inusitada que se abria. Continuou estudando a exótica língua da Oceania; não se dedicou com tanto afinco ao alfabeto e às sutilezas do idioma, tal como se entrava à bibliografia e à história literária da Ilha de Java. E adiantou:&lt;/span&gt;  &lt;span style="font-family:arial;"&gt;“&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao cabo de dois dias, recebia eu uma carta para ir falar ao doutor Manuel Feliciano Soares Albernaz, Barão de Jacuecanga, à Rua Conde de Bonfim, não me recordo bem que numero. E preciso não te esqueceres que entrementes continuei estudando o meu malaio, isto é, o tal javanês. Além do alfabeto, fiquei sabendo o nome de alguns autores, também perguntar e responder "como está o senhor?" - e duas ou três regras de gramática, lastrado todo esse saber com vinte palavras do léxico”. (LIMA BARRETO, cit., p. 26)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Com sinceridade, descreveu o caminho até o empregador, relatando as dificuldades passadas, especialmente relativas aos quatrocentos réis da viagem. Do ponto de vista retórico, feito o exórdio, e apresentado o problema, Castelo tratou de fixar os argumentos (invenção), de organizá-los (disposição), plasmando narrativa cheia de credibilidade. Justificava-se:&lt;/span&gt;  &lt;span style="font-family:arial;"&gt;“&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É mais fácil - podes ficar certo — aprender o javanês... Fui a pé. Cheguei suadíssimo; e, Com maternal carinho, as anosas mangueiras, que se perfilavam em alameda diante da casa do titular, me receberam, me acolheram e me reconfortaram. Em toda a minha vida, foi o único momento em que cheguei a sentir a simpatia da natureza... Era uma casa enorme que parecia estar deserta; estava mal tratada, mas não sei porque me veio pensar que nesse mau tratamento havia mais desleixo e cansaço de viver que mesmo pobreza. Devia haver anos que não era pintada. As paredes descascavam e os beirais do telhado, daquelas telhas vidradas de outros tempos, estavam desguarnecidos aqui e ali, como dentaduras decadentes ou mal cuidadas. Olhei um pouco o jardim e vi a pujança vingativa com que a tiririca e o carrapicho tinham expulsado os tinhorões e as begônias. Os crótons continuavam, porém, a viver com a sua folhagem de cores mortiças. Bati. Custaram-me a abrir. Veio, por fim, um antigo preto africano, cujas barbas e cabelo de algodão davam à sua fisionomia uma aguda impressão de velhice, doçura e sofrimento. Na sala, havia uma galeria de retratos: arrogantes senhores de barba em colar se perfilavam enquadrados em imensas molduras douradas, e doces perfis de senhoras, em bandós, com grandes leques, pareciam querer subir aos ares, enfunadas pelos redondos vestidos à balão; mas, daquelas velhas coisas, sobre as quais a poeira punha mais antiguidade e respeito, a que gostei mais de ver foi um belo jarrão de porcelana da China ou da Índia, como se diz. Aquela pureza da louça, a sua fragilidade, a ingenuidade do desenho e aquele seu fosco brilho de luar, diziam-me a mim que aquele objeto tinha sido feito por mãos de criança, a sonhar, para encanto dos olhos fatigados dos velhos desiludidos... “ (LIMA BARRETO, cit., loc.cit. ).&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Castelo informou que logo em seguida chegou o dono da casa, um pouco atrasado. Tratava-se de um ancião. Teimosamente (coisa peculiar de velhos, segundo Castelo), o aluno queria saber onde o professor aprendeu javanês. Castelo observou que não contava com aquela pergunta. Disse que imediatamente arquitetou uma mentira. Teria falado que o pai era javanês, tripulante de navio mercante, que se estabeleceu nas proximidades de Canavieiras, na Bahia, como pescador; que teria se casado, e que prosperou. Foi com o pai que aprendeu javanês, explicou-se Castelo. Castro questionou a respeito do físico de Castelo, que já tinha resposta pronta:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;“ — Não sou, objetei, lá muito diferente de um javanês. Estes meus cabelos corridos, duros e grossos e a minha pele basané podem dar-me muito bem o aspecto de um mestiço de malaio...Tu sabes bem que, entre nós, há de tudo: índios, malaios, taitianos, malgaches, guanches, até godos. É uma comparsaria de raças e tipos de fazer inveja ao mundo inteiro”. ( LIMA BARRETO, cit., p. 27 )&lt;/span&gt;  &lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O aluno era da nobreza. Tratava-se do Barão de Jacuecanga. Uma estória curiosa justificaria o interesse no estudo de língua tão pouco falada por estas bandas, e de utilidade questionável. O velho então explicou a Castelo porque queria aprender javanês. A razão determinante era surpreendente:&lt;/span&gt;  &lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“— O que eu quero, meu caro Senhor Castelo, é cumprir um juramento de família. Não sei se o senhor sabe que eu sou neto do Conselheiro Albernaz, aquele que acompanhou Pedro I, quando abdicou. Voltando de Londres, trouxe para aqui um livro em língua esquisita, a que tinha grande estimação. Fora um hindu ou siamês que lho dera, em Londres, em agradecimento a não sei que serviço prestado por meu avô. Ao morrer meu avô, chamou meu pai e lhe disse: "Filho, tenho este livro aqui, escrito em javanês. Disse-me quem mo deu que ele evita desgraças e traz felicidades para quem o tem. Eu não sei nada ao certo. Em todo o caso, guarda-o; mas, se queres que o fado que me deitou o sábio oriental se cumpra, faze com que teu filho o entenda, para que sempre a nossa raça seja feliz." Meu pai, continuou o velho barão, não acreditou muito na história; contudo, guardou o livro. Às portas da morte, ele mo deu e disse-me o que prometera ao pai. Em começo, pouco caso fiz da história do livro. Deitei-o a um canto e fabriquei minha vida. Cheguei até a esquecer-me dele; mas, de uns tempos a esta parte, tenho passado por tanto desgosto, tantas desgraças têm caído sobre a minha velhice que me 1embrei do talismã da família. Tenho que o ler, que o compreender, se não quero que os meus últimos dias anunciem o desastre da minha posteridade; e, para entendê-lo, é claro, que preciso entender o javanês. Eis aí.” (LIMA BARRETO, cit., p. 28).&lt;/span&gt;  &lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Castelo notou que “os olhos do velho se tinham orvalhado”. E observou que depois de enxugar discretamente os olhos, o Barão lhe perguntou se queria ver o livro. Depois de chamar o criado, e explicar que havia perdido todos os filhos, sobrinhos, só lhe restando uma filha casada, e que esta última tinha apenas um filho, “débil de corpo e de saúde frágil e oscilante”, ordenou que lhe trouxessem o cartapácio. Castelo descreveu o livro, que suscitou toda a situação:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;“Veio o livro. Era um velho calhamaço, um in-quarto antigo, encadernado em couro, impresso em grandes letras, em um papel amarelado e grosso. Faltava a folha do rosto e por isso não se podia ler a data da impressão. Tinha ainda umas páginas de prefácio, escritas em inglês, onde li que se tratava das histórias do príncipe Kulanga, escritor javanês de muito mérito”. (LIMA BARRETO, cit., p. 28).&lt;/span&gt;  &lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Castelo dissimulou que lera as informações em inglês. Tomou o cuidado de não revelar ao Barão que o inglês que sabia lhe possibilitava compreender as linhas gerais do livro. Contratou condições, preço e hora. Comprometeu-se a fazer com que o velho “lesse o tal alfarrábio antes de um ano”. As aulas começaram. O ancião não era muito diligente. Pelo contrário, preguiça e displicência pareciam ser as características de estudante. Castelo observou que levaram um mês com metade do alfabeto. O aluno aprendia e desaprendia. A filha e o genro do Barão não se preocupavam com as aulas. Pelo contrário, alegravam-se com o fato de que o Barão se divertia. O genro, aliás, impressionava-se com o professor de javanês. Dizia que aquilo era um assombro. E continuou Castelo, entabulando relações que lhe abrirão as portas para a vida burocrática:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;“O marido de Dona Maria da Glória (assim se chamava a filha do barão), era desembargador, homem relacionado e poderoso; mas não se pejava em mostrar diante de todo o mundo a sua admiração pelo meu javanês. Por outro lado, o barão estava contentíssimo. Ao fim de dois meses, desistira da aprendizagem e pedira-me que lhe traduzisse, um dia sim outro não, um trecho do livro encantado. Bastava entendê-lo, disse-me ele; nada se opunha que outrem o traduzisse e ele ouvisse. Assim evitava a fadiga do estudo e cumpria o encargo”. (LIMA BARRETO, cit., p. 29).&lt;/span&gt;  &lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O compromisso com eventual verdade foi definitivamente rompido quando Castelo revelou que nada sabia de javanês (o que o leitor já sabe desde o início), mas que compôs histórias tolas, a título de traduzir o livro, e que o velho acreditava em todas elas. E ainda:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;“Ficava extático, como se estivesse a ouvir palavras de um anjo. E eu crescia aos seus olhos ! Fez-me morar em sua casa, enchia-me de presentes, aumentava-me o ordenado. Passava, enfim, uma vida regalada. Contribuiu muito para isso o fato de vir ele a receber uma herança de um seu parente esquecido que vivia em Portugal. O bom velho atribuiu a cousa ao meu javanês; e eu estive quase a crê-lo também”. (LIMA BARRETO, cit., p. 29).&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;O bote foi dado. A partir do genro do Barão, Castelo teria conseguido se aproximar da vida diplomática. Trata-se do momento mais significativamente crítico do conto, na medida em que Lima Barreto indicou as linhas gerais que marcaram a entrada de Castelo para o serviço diplomático. A diplomacia era o sonho de muitos intelectuais, que disporiam de tempo para dedicação exclusiva ao estudo e às atividades literárias. Segundo Castelo, eis como ele teria alcançado o Itamaraty:&lt;/span&gt;  &lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Fui perdendo os remorsos; mas, em todo o caso, sempre tive medo que me aparecesse pela frente alguém que soubesse o tal patuá malaio. E esse meu temor foi grande, quando o doce barão me mandou com uma carta ao Visconde de Caruru, para que me fizesse entrar na diplomacia. Fiz-lhe todas as objeções: a minha fealdade, a falta de elegância, o meu aspecto tagalo. – ‘Qual! retrucava ele. Vá, menino; você sabe javanês!’ Fui. Mandou-me o visconde para a Secretaria dos Estrangeiros com diversas recomendações. Foi um sucesso. O diretor chamou os chefes de secção: ‘Vejam só, um homem que sabe javanês — que portento!’ Os chefes de secção levaram-me aos oficiais e amanuenses e houve um destes que me olhou mais com ódio do que com inveja ou admiração. E todos diziam: ‘Então sabe javanês? É difícil? Não há quem o saiba aqui!’ O tal amanuense, que me olhou com ódio, acudiu então: ‘É verdade, mas eu sei canaque. O senhor sabe?’ Disse-lhe que não e fui à presença do ministro. A alta autoridade levantou-se, pôs as mãos às cadeiras, concertou o pince-nez no nariz e perguntou: ‘Então, sabe javanês?’ Respondi-lhe que sim; e, à sua pergunta onde o tinha aprendido, contei-lhe a história do tal pai javanês. ‘Bem, disse-me o ministro, o senhor não deve ir para a diplomacia; o seu físico não se presta... O bom seria um consulado na Ásia ou Oceania. Por ora, não há vaga, mas vou fazer uma reforma e o senhor entrará. De hoje em diante, porém, fica adido ao meu ministério e quero que, para o ano, parta para Bâle, onde vai representar o Brasil no Congresso de Lingüística. Estude, leia o Hovelacque, o Max Müller, e outros!" (LIMA BARRETO, cit., pp. 29-30).&lt;/span&gt;  &lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Castelo estava definitivamente empregado. Observou ao amigo que nada sabia de javanês, e que representaria o Brasil num congresso de sábios. O Barão havia morrido um pouco antes. O livro escrito em javanês ficou com o filho, que o deixaria para o neto. Castelo foi brindado no testamento do aluno, com alguns benefícios materiais. Continuava estudando as línguas malaio-polinésias, porém confessava que não havia forma de as aprender. Comprava livros, assinava revistas. Era apontado nas ruas como o homem que sabia javanês. E continuava:&lt;/span&gt;  &lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Nas livrarias, os gramáticos consultavam-me sobre a colocação dos pronomes no tal jargão das ilhas de Sonda. Recebia cartas dos eruditos do interior, os jornais citavam o meu saber e recusei aceitar uma turma de alunos sequiosos de entenderem o tal javanês. A convite da redação, escrevi, no Jornal do Comércio um artigo de quatro colunas sobre a literatura javanesa antiga e moderna...” (LIMA BARRETO, cit., p. 30).&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Contou ao amigo que descrevia a ilha de Java com o auxílio de dicionários, com alguns livros de geografia, que citava o tempo todo. O amigo perguntou se alguém duvidara do conhecimento que Castelo teria do javanês, se já teria passado por algum apuro. Castelo ainda contou sua participação no encontro de sábios. O professor de javanês estava entre os eruditos, era especialista em assunto hermético, e de conhecimento reduzido a um pequeno grupo de iluminados. Seguro da posição, e de que sabia javanês, Castelo atendeu o congresso, com muita segurança:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;“Chegou, enfim, a época do congresso, e lá fui para a Europa. Que delícia! Assisti à inauguração e às sessões preparatórias. Inscreveram-me na secção do tupi-guarani e eu abalei para Paris. Antes, porém, fiz publicar no Mensageiro de Bâle o meu retrato, notas biográficas e bibliográficas. Quando voltei, o presidente pediu-me desculpas por me ter dado aquela secção; não conhecia os meus trabalhos e julgara que, por ser eu americano brasileiro, me estava naturalmente indicada a secção do tupi- guarani. Aceitei as explicações e até hoje ainda não pude escrever as minhas obras sobre o javanês, para lhe mandar, conforme prometi. Acabado o congresso, fiz publicar extratos do artigo do Mensageiro de Bâle, em Berlim, em Turim e Paris, onde os leitores de minhas obras me ofereceram um banquete, presidido pelo Senador Gorot. Custou-me toda essa brincadeira, inclusive o banquete que me foi oferecido, cerca de dez mil francos, quase toda a herança do crédulo e bom Barão de Jacuecanga.” (LIMA BARRETO, cit., p. 31).&lt;/span&gt;  &lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Castelo não se arrependia de tudo que viveu, e pelo que passou. A opção para o ensino de javanês, uma língua que desconhecia, fora a alternativa para a sobrevivência, para que se livrasse das agruras na cidade-grande. Fez-se como professor de javanês, língua que ninguém conhecia. E justificava-se:&lt;/span&gt;  &lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Não perdi meu tempo nem meu dinheiro. Passei a ser uma glória nacional e, ao saltar no cais Pharoux, recebi uma ovação de todas as classes sociais e o presidente da república, dias depois, convidava-me para almoçar em sua companhia. Dentro de seis meses fui despachado cônsul em Havana, onde estive seis anos e para onde voltarei, a fim de aperfeiçoar os meus estudos das línguas da Malaia, Melanésia e Polinésia.” (LIMA BARRETO, cit., loc.cit.).&lt;/span&gt;  &lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A glória nacional, ovacionada por todas as classes, recebida pelo presidente da república, com quem almoçara, surgira de uma farsa, de uma mentira. Havia legitimidade na atitude?&lt;/span&gt;  &lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parece que Lima Barreto pretendia alcançar equilíbrio nas relações humanas, que deveriam ser marcadas pela franqueza e pela honestidade; não haveria espaço para chicanas. De tal modo, inconcebível o triunfo que decorreria de uma mentira. O Homem que Sabia Javanês é, nesse sentido, denúncia contra bacharelismo que não tinha limites para que se alcançasse posição social de relevo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;O truque usado por Castelo rompe com concorrência natural que deveria reger as relações humanas. O relato do Homem que Sabia Javanês é autobiográfico na medida em que o autor se vê como quem quer que tenha sido prejudicado com os meios que Castelo usou para alcançar o cargo público que detinha. Não se trata de autobiografia, no sentido de que Lima Barreto se retrataria em Castelo, evidentemente. O conto é autobiográfico, bem entendido, porquanto Lima Barreto se via como membro de qualquer sociedade que desprezasse a meritocracia, em favor do apadrinhamento.&lt;/span&gt;  &lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poder-se-ia argumentar que Castelo não causou mal a ninguém, e que até fora importante no resgate histórico do velho Barão, que morreu acreditando ter cumprido a promessa de traduzir o livro que lhe servia de amuleto.&lt;/span&gt;  &lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Castelo teve grande trabalho em sustentar a mentira. Quando indagado a respeito de onde aprendeu javanês, inventpu um pai marinheiro que passara pela Bahia. Teria de se lembrar freqüentemente da urdidura que tramou, correndo o risco de ser desmascarado, o que poderia ter acontecido com a necessidade de intérprete para o marinheiro preso no Rio de Janeiro, não fosse a autoridade diplomática holandesa. Retomando-se o problema colocado alguns parágrafos acima, deve-se afirmar que há prejuízos causados por Castelo. A vaga de cônsul fora preenchida por um estelionatário da cultura. Suposta harmonia, idilicamente imaginada por Lima Barreto fora rompida.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Ao denunciar o homem que sabia javanês Lima Barreto tornava pública a revolta que vivia. Intelectual, porém com possibilidades limitadas de ascensão social, por conta das origens e da ascendência escrava, Lima Barreto fora preterido inúmeras vezes. Não conseguiu a imortalidade da Academia Brasileira de Letras. Jamais foi lembrado para posto no exterior. Mofou como amanuense em repartição pública que odiava. Enquanto isso, muitos professores de javanês atendiam congressos e representavam o país no exterior. Quando voltavam, eram recebidos com júbilo. Lima Barreto, vencido pela dipsomania, terminava seus dias num manicômio.&lt;/span&gt;  &lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se os fins justificam os meios, a premissa legitimaria a estratégia de Castelo. Se do ponto de vista kantiano, a verdade o é para quem o merece, não se saberá se o velho Barão teria direito de não ser enganado. Mas se a verdade é imperativo para convivência sadia e igualdade de chances de concorrência (Chancengleicheit), o Homem que Sabia Javanês inscreve-se no panteão nacional que plasma anti-heróis marcados pelo mau-caráter.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-family:arial;" &gt;Referências Bibliográficas&lt;/span&gt; &lt;span style="font-family:arial;"&gt;ASSIS BARBOSA, Francisco de Assis. A Vida de Lima Barreto. Belo Horizonte e São Paulo: Itatiaia e Editora da Universidade de São Paulo, 1988.&lt;/span&gt; &lt;span style="font-family:arial;"&gt;LIMA BARRETO, Afonso Henriques. Os Melhores Contos. São Paulo: Martin Claret, 2002.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Por Arnaldo Sampaio de Moraes Godoy&lt;br /&gt;&lt;/span&gt; &lt;span style="font-family:arial;"&gt;Fonte: ConJur&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7886365662321466444-8851496616547786823?l=brunocazevedo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/feeds/8851496616547786823/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/2011/11/o-homem-que-sabia-javanes-e-etica-da.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7886365662321466444/posts/default/8851496616547786823'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7886365662321466444/posts/default/8851496616547786823'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/2011/11/o-homem-que-sabia-javanes-e-etica-da.html' title='O homem que sabia javanês e a Ética da Verdade'/><author><name>Bruno Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17031419237830207454</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mxosEtKo4wo/TKPg-Lm-1dI/AAAAAAAABN4/3YzzPQwxslE/S220/bruno2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-vOfDA7PgckY/TtOLWIWoARI/AAAAAAAAB3E/28RxNkVDQsQ/s72-c/java.jpeg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7886365662321466444.post-4400259480649158012</id><published>2011-11-19T14:30:00.000-08:00</published><updated>2011-11-19T14:39:54.676-08:00</updated><title type='text'>Escola da Magistratura firma convênio com Universidade da Argentina para cursos e cooperação técnica</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-7MAanyzbYks/TsgvJK2hhXI/AAAAAAAAB24/WWoAXWaLVhI/s1600/arge.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 144px; FLOAT: left; HEIGHT: 111px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5676839164878882162" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-7MAanyzbYks/TsgvJK2hhXI/AAAAAAAAB24/WWoAXWaLVhI/s200/arge.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;strong&gt;Laços acadêmicos&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Na manhã da última sexta-feira (18), o Tribunal de Justiça da Paraíba, por meio da Escola Superior da Magistratura, assinou convênio de cooperação técnica com a Universidade del Museo Social Argentino (UMSA). Este convênio visa articular um sistema de cooperação amplo, com a finalidade de promover ofertas acadêmicas de nível universitário de graduação e pós-graduação, conforme as prescrições da Lei 24.521 de Educação Superior, desenvolver programas de atualização, aperfeiçoamento e capacitação e favorecer o intercâmbio de informação educativa, dentre outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O referido convênio estabelece que o TJPB e a UMSA procurarão realizar um intercâmbio de publicações que facilitem um melhor conhecimento das atividades que cada instituição desenvolve, de acordo com as temáticas particulares de cada uma delas. Ainda segundo o texto, os documentos e projetos elaborados como resultado de tarefas realizadas no âmbito do convênio serão de propriedade intelectual, por partes iguais, do TJ e da UMSA.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Participaram da assinatura do convênio, além da desembargadora Maria das Neves do Egito de Araújo Duda Ferreira, presidente em exercício do Tribunal de Justiça, o diretor da Esma, desembargador Saulo Henriques de Sá e Benevides, o coordenador Acadêmico do Doutorado em Ciências Jurídicas e Sociais da UMSA, Ramiro Anzit Guerrero, além do desembargador Márcio Murilo da Cunha Ramos e o juiz Gustavo Procópio Bandeira de Melo, que também é um dos coordenadores acadêmicos da Esma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fonte: TJPB&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7886365662321466444-4400259480649158012?l=brunocazevedo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/feeds/4400259480649158012/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/2011/11/escola-da-magistratura-firma-convenio.html#comment-form' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7886365662321466444/posts/default/4400259480649158012'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7886365662321466444/posts/default/4400259480649158012'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/2011/11/escola-da-magistratura-firma-convenio.html' title='Escola da Magistratura firma convênio com Universidade da Argentina para cursos e cooperação técnica'/><author><name>Bruno Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17031419237830207454</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mxosEtKo4wo/TKPg-Lm-1dI/AAAAAAAABN4/3YzzPQwxslE/S220/bruno2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-7MAanyzbYks/TsgvJK2hhXI/AAAAAAAAB24/WWoAXWaLVhI/s72-c/arge.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7886365662321466444.post-8511816213226241469</id><published>2011-11-16T12:24:00.001-08:00</published><updated>2011-11-16T12:27:55.023-08:00</updated><title type='text'>Acreditando na Ressocialização</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Tv Club - Band&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;iframe width="340" height="270" src="http://www.youtube.com/embed/eEdjPWBkqD8" frameborder="0" allowfullscreen&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7886365662321466444-8511816213226241469?l=brunocazevedo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/feeds/8511816213226241469/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/2011/11/blog-post.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7886365662321466444/posts/default/8511816213226241469'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7886365662321466444/posts/default/8511816213226241469'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/2011/11/blog-post.html' title='Acreditando na Ressocialização'/><author><name>Bruno Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17031419237830207454</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mxosEtKo4wo/TKPg-Lm-1dI/AAAAAAAABN4/3YzzPQwxslE/S220/bruno2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://img.youtube.com/vi/eEdjPWBkqD8/default.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7886365662321466444.post-1493631977052591196</id><published>2011-11-14T07:33:00.000-08:00</published><updated>2011-11-14T08:15:53.413-08:00</updated><title type='text'>"A estrutura dos jogos e a do Direito são as mesmas"</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-RHnX34Cc1ek/TsEvw5x91qI/AAAAAAAAB2g/lCGO8Isodew/s1600/teoria.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 94px; FLOAT: right; HEIGHT: 118px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5674869522654156450" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-RHnX34Cc1ek/TsEvw5x91qI/AAAAAAAAB2g/lCGO8Isodew/s200/teoria.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;strong&gt;Análise dos jogos&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;De uma conferência em Valparaíso, no Chile, nasceu o livro As Regras do Direito e as Regras dos Jogos (Editora Noeses), que trata o Direito como um fenômeno de comunicação. Engana-se quem pensa que a teoria analítica de Gregorio Robles, catedrático de Filosofia do Direito na Universidade das Ilhas Baleares e também professor de Direito da União Europeia na Fundación Mapfre-Estudios, em Madrid, guarde relação com a teoria dos jogos aplicada na economia. "Meu livro não tem nada a ver com isso. Não é preciso saber matemática", frisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui, vale um adendo. A teoria dos jogos é uma teoria matemática para fazer, por exemplo, cálculo de risco nas decisões. A princípio, ela foi formulada para explicar o comportamento econômico. De acordo com Robles, "a Teoria Comunicacional tenta dar uma resposta global aos problemas teóricos que afetam os juristas. Não aos problemas que afetam os sociólogos ou antropólogos. É uma filosofia jurídica para juristas. Se ela é lida por alguém que não tenha formação jurídica, provavelmente a pessoa não vai entender muito", pondera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Teoria Comunicacional do Direito, que tem em Robles seu maior expoente, procura entender o Direito como um fenômeno de comunicação — e não apenas como uma ordem coativa da conduta humana, um meio de controle social ou um ideal de justiça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lançado no último mês de outubro em língua portuguesa, As Regras do Direito é uma tradução fiel, como faz questão de salientar o estudioso, que arranha no português. "Não houve nenhuma alteração." Robles conta que um de seus primeiros interesses foi a Filosofia, área na qual doutorou-se. Ele também dedicou parte de sua vida acadêmica a outros temas. "Publiquei um livro de Sociologia Jurídica, um livro sobre Direitos Humanos e de Direito da União Europeia. Também tenho um livro de Direito de marcas e patentes."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Robles esteve pela terceira vez no país, em virtude do lançamento deste livro e de outro, o Teoria Comunicacional do Direito: Diálogo entre Brasil e Espanha, também editado pela Noeses e organizado por ele e pelo professor Paulo de Barros Carvalho. Com agenda cheia, o jusfilósofo aproveitou para dar aulas na Universidade de São Paulo, na Pontifícia Universidade Católica, no Instituto Brasileiro de Estudos Tributários, além de palestrar no Congresso Brasileiro de Direito Tributário. Nesse meio tempo, conversou com a Consultor Jurídico sobre o alcance de sua teoria, sobre as cortes constitucionais e sobre o peso da sociedade nos atos da magistratura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Leia a entrevista:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;ConJur —&lt;/strong&gt; O senhor pode falar um pouco sobre o livro As regras do Direito e as regras dos jogos? Por que resolveu abordar esse tema?&lt;br /&gt;Gregorio Robles — O livro se originou de uma conferência que eu participei na Faculdade de Direito de Valparaíso em 1982, no Chile. O título da palestra é precisamente o título do livro, Las reglas del Derecho y las reglas de los juegos. Por que eu decidi abordar esse tema? Porque eu tinha lido em alguns clássicos — principalmente em Thomas Hobbes — a comparação entre as normas jurídicas e as regras do críquete, que é um jogo inglês. Isso me chamou a atenção. Também encontrei algumas referências nos filósofos analíticos ingleses. O que não havia era um tratamento extenso da comparação. Havia apenas referências passageiras e muito pontuais. É como se disséssemos: "Temos que respeitar as regras do Direito da mesma forma que respeitamos as regras do críquete quando jogamos este jogo." Eram passagens breves. Então me ocorreu fazer uma reflexão sobre esta analogia entre Direito e jogo, e assim comecei a pensar sobre este assunto. Fiz simplesmente um resumo para a conferência e, depois, o professor que havia me convidado para ir a Valparaíso, Agustín Squella, me pediu que eu escrevesse um artigo para a revista chilena. Comecei a escrever e surgiu o livro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;ConJur —&lt;/strong&gt; O livro aplica a conhecida teoria dos jogos ao Direito?&lt;br /&gt;Gregorio Robles — Não. A teoria dos jogos é uma teoria matemática para fazer, por exemplo, cálculo de risco nas decisões. Isso se aplica muito na economia. É uma disciplina matemática para quando se tem que tomar uma decisão. Existem várias alternativas, como qual a probabilidade de que nossa decisão seja acertada de acordo com os nossos propósitos. Meu livro não tem nada a ver com isso. Não é preciso saber matemática. Ele compara o jogo a um ordenamento jurídico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;ConJur —&lt;/strong&gt; Qual é o ponto de partida?&lt;br /&gt;Gregorio Robles — Analisar quais são os elementos essenciais de todos os jogos. Todos os jogos são jogados em um espaço durante um tempo por alguns sujeitos que são chamados jogadores, que têm suas competências, usam procedimentos e precisam que cumprir determinados deveres. Basicamente, jogar limpo. No Direito é a mesma coisa. Há um espaço no qual há vigência de um ordenamento, um tempo em que há a vigência e todos os elementos internos do ordenamento também têm seu tempo. Há os sujeitos, que são as pessoas e os órgãos do Estado, há procedimentos, uma competição entre os sujeitos e deveres. Os elementos são os mesmos do ponto de vista estrutural.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;ConJur —&lt;/strong&gt; E como esses elementos são criados?&lt;br /&gt;Gregorio Robles — Por meio das normas. Elas geram, criam e constituem esses elementos. Assim, o que o livro faz é analisar os elementos necessários em qualquer jogo e também no ordenamento jurídico e depois analisar os diversos tipos de normas utilizando dois critérios combinados: o critério da função dos diversos tipos de normas e o critério da analise linguística. Por isso, o livro é uma aplicação da Filosofia da Linguagem no Direito no aspecto puramente formal. Não entramos na discussão se o Direito é justo, se é injusto. Simplesmente analiso como ele é estruturalmente. Ou dizendo com outras palavras: Qual é a anatomia do Direito? Qual é a estrutura interna? Depois, eu publiquei, há pouco tempo, a ideia de justiça nos jogos, que seria um complemento disso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;ConJur —&lt;/strong&gt; Qual a semelhança desse livro com o outro?&lt;br /&gt;Gregorio Robles — Há outros elementos neste livro, como, por exemplo, tipos de jogos: jogos que dependem de sorte, jogos que não dependem de sorte. Por exemplo, no xadrez não se depende de sorte. Por quê? Porque o tabuleiro não permite elementos de sorte. Por outro lado, nos jogos de baralhos os jogadores dependem de sorte. E há outros que são jogos puramente de sorte, como, por exemplo, a loteria. Nesse livro eu não me coloquei a questão da justiça da sorte. A sorte é justa? Mas, por exemplo, eu fiz isso no último ensaio sobre a justiça nos jogos. O Direito, assim como a vida, tem a ver com a sorte das pessoas. O jogo na realidade é um parênteses na vida real das pessoas. Nesse sentido, o Direito não é um jogo, porque pertence à vida real. Ele faz parte da vida social, da vida real. Estruturalmente, a comparação é pertinente. A analogia tem um limite: tudo que se refere ao aspecto antropológico ou sociológico e ao aspecto dos valores não é absolutamente comparável ao Direito e aos jogos, mas é comparável em aspectos formais e estruturais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;ConJur —&lt;/strong&gt; Podemos falar em nomes que marcaram a sua formação acadêmica?&lt;br /&gt;Gregorio Robles — Os autores que mais me influenciaram são, entre os espanhóis, José Ortega Gasset, Luis Recaséns Siches y Luis Legaz Lacambra. Além deles, Hans Kelsen. Fui muito influenciado por Max Weber, o sociólogo. No aspecto da Filosofia Analítica, não apenas a moderna Filosofia Analítica, a partir de Thomas Hobbes, David Hume e mais recentemente Wittgenstein. Há alguns autores menos conhecidos que também me influenciaram como Karl Mannheim, que escreveu um livro fantástico chamado Ideologia e Utopia. Sou um fanático em ler os clássicos continuamente. Muitas vezes, não sabemos muito bem por quem fomos influenciados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;ConJur —&lt;/strong&gt; O senhor falou em Hans Kelsen. Como o senhor avalia a relação da Sociologia, da Antropologia e da Filosofia com a Teoria Pura do Direito dele?&lt;br /&gt;Gregorio Robles — A Teoria Pura do Direito não contempla o Direito como algo isolado — não é o Direito Puro, mas, sim, a teoria pura. Isso não significa que a Teoria Pura do Direito esteja tentando dizer que o Direito é puro, no sentido de que está desligado da realidade social. A ideia básica de Kelsen é que o fenômeno jurídico é complexo, mas o que define o Direito é a norma. Então tudo o que não seja norma, ou seja, o que é extranormativo, para ele é extrajurídico. Pode ser sociológico, psicológico, econômico. Mas é extrajurídico. E, portanto, diz ele, a Ciência do Direito conhece somente as normas porque as normas são o objeto da Ciência do Direito. O que não quer dizer que a realidade do Direito não tenha nada a ver com a economia e com a ideologia, por exemplo. Ele é perfeitamente consciente de que a Teoria Pura do Direito é uma teoria desligada dos elementos que ele considera extrajurídicos. É uma teoria que se autolimita. Quer dizer, se aceitam os seus postulados. Alguém poderá dizer "eu sou kelseniano" quando aceita os seus postulados. Se seus postulados não são aceitos, então a Teoria Pura é criticada. Normalmente, seus postulados não são aceitos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;ConJur —&lt;/strong&gt; Por quê?&lt;br /&gt;Gregorio Robles — Porque há uma resistência a entender que os fenômenos jurídicos são apenas fenômenos normativos, entendidos como fenômenos formais. Kelsen diz: a Teoria Pura do Direito é uma geometria do fenômeno jurídico. O que ele está nos dizendo com essa expressão? Não me interessam os conteúdos. Me interessam os conceitos. A meu ver, o problema da Teoria Pura do Direito é um instrumento escasso demais para os juristas, porque eles precisam de uma teoria de interpretação e de uma teoria da ciência do Direito que trate de conteúdos. Isso a Teoria Pura não proporciona. A Teoria Pura, para mim, seria a sintaxe jurídica, os elementos puramente formais. Mas é necessário uma teoria da semântica que seria a ciência do Direito e uma teoria pragmática. Ele utiliza um conceito de ciência muito estreito. É o conceito de positivismo. Eu poderia dizer que a teórica comunicacional surge em mim como uma réelica a Kelsen. Ele é, na minha opinião, o grande autor do século XX e eu penso o Direito dialogando com ele. O que acontece é que há certos assuntos sobre os quais Kelsen não disse nada, porque não entrava no seu escopo. Quando ele não disse nada, eu me pergunto: Por que não disse nada? Então, eu tento descobrir porque não disse. E, a partir dessas perguntas, é como, em grande parte, tenho construído a teoria comunicacional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;ConJur —&lt;/strong&gt; Qual a consequência de ele não ter feito essa análise da linguagem?&lt;br /&gt;Gregorio Robles — Por exemplo, toda a teoria das normas em Kelsen, para mim, está dentro de um marco superável, justamente porque ele não faz análise da linguagem. Ele é um positivista e neokantiano que estabelece uma separação muito clara entre o mundo do ser e do dever ser. As normas são todas dever. Ainda que logo se contradiz, porque na segunda edição da Teoria Pura do Direito ele aceita formas diferentes de normas, onde aparecem as normas autorizativas, por exemplo. Mas não elabora essa teorização de uma forma coerente. Um trabalho meu publicado no México, chamado Las Limitaciones de la Teoria Pura del Derecho, analisa a Teoria Pura internamente. Podemos dizer que são as contradições.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;ConJur —&lt;/strong&gt; As contradições param por aí?&lt;br /&gt;Gregorio Robles — Outra contradição em Kelsen é que ele introduz a eficácia como condição de validade, mas a eficácia, como faz referência aos fatos sociais, é um conceito sociológico. Na Teoria Pura ele introduz o problema dos fatos. Na Espanha tem gente que simplifica e diz que sou kelseniano. Sim e não. Sou kelseniano no sentido de que minha obra se preocupa muito com Kelsen, mas não sou no sentido de que Kelsen não aceitaria as minhas teses. No fundo, ele é um ontologista. Ele acredita que o Direito tem uma entidade que não se reduz a linguagem, mas é o mundo do dever ser. É uma expressão que ele utiliza para o mundo das normas. As normas são expressões linguísticas. Vocês podem ver no conceito de Direito há uma análise linguística das regras. Não é correto, porque não há uma análise linguística em Herbert Hart. Tem uma ideia pouco clara de que as normas são expressões da linguagem, mas não há uma análise mais profunda. O Conceito de Direito é um livro breve para os temas abordados. As normas vêm definitivamente dizer que as regras primárias estabelecem deveres e as secundárias estabelecem poderes, e pronto. A explicação é muito escassa. Posteriormente a Hart, e aí já entra no debate atual, tudo o que é anterior às normas. E nisso se encaixa perfeitamente esse livro. É bom ter em mente que esse livro foi escrito em 1982, 1983 e publicado em 1984. São quase 30 anos. Quando se tem uma perspectiva sobre as discussões na teoria ou na Filosofia do Direito, é necessário ver a data em que o livro foi publicado, qual é o significado do livro para aquele momento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;ConJur —&lt;/strong&gt; Como o senhor, na posição de filósofo do Direito, avalia a produção atual acadêmica? Há uma escassez?&lt;br /&gt;Gregorio Robles — A Filosofia do Direito atualmente se caracteriza pela dispersão. Quer dizer, os professores tendem a se especializar. Há especialistas em argumentação, há especialistas em interpretar as normas, há especialistas em neoconstitucionalismo, há especialistas em Direitos Humanos. É o que predomina. Qual é a razão disso? Provavelmente porque de alguma maneira os acadêmicos tendem a fazer carreira e, para isso, é necessário escrever. Então você se familiariza. Eu conheço professores mais velhos que sempre estiveram sempre em determinada problemática e que praticamente não têm saído daí. O que caracteriza a Filosofia Jurídica atual é a dispersão e a falta de concepções globais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;ConJur —&lt;/strong&gt; Mudando de assunto e falando sobre o Judiciário. Como o senhor vê o ativismo judicial no Brasil?&lt;br /&gt;Gregorio Robles — Agora existe um movimento, que é um movimento do neoconstitucionalismo. Isso é menosprezar o trabalho do legislador, porque dá maior protagonismo aos juízes. E, de alguma forma, guardadas as devidas proporções, lembra o chamado movimento do Direito Livre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;ConJur —&lt;/strong&gt; O senhor pode falar um pouco mais sobre esse movimento?&lt;br /&gt;Gregorio Robles — O movimento do Direito Livre é uma tendência que aconteceu na Europa Central nos anos 1920 e a ideia básica era a mesma: que a lei é imperfeita, então o juiz deve ter uma margem maior de decisão. Inclusive, o Código Civil suíço acolheu essa tese: ao juiz, na presença de alguma lacuna, é permitido aplicar a norma que ele tivesse criado caso fosse legislador. Eu acho que o movimento do Direito Livre nunca teve êxito especial. Foi uma doutrina de professores que não transcendeu a vida real. No caso do neoconstitucionalismo, parece que está transcendendo pela via dos tribunais constitucionais. Porque os tribunais constitucionais, em sua maior parte, são fortes. Ou seja, se por um lado é um paradoxo, é preciso dar muito protagonismo ao juízes, mas os membros quase nunca são juízes. São professores, advogados, alguns juízes, mas não é um corpo oficial, porque, pelo menos na Espanha, o Tribunal Constitucional não faz parte do Poder Judiciário. Na verdade, não é um tribunal de juízes. Ele tem esse nome do mesmo modo de um Tribunal de Contas. O Tribunal de Contas para nós não é um tribunal, no sentido estrito da palavra. A nossa experiência é que o Tribunal Constitucional frequentemente corrige o Tribunal Supremo. Tribunal Supremo diz A, o Tribunal Constitucional diz não A. Diz B ou C. Na Espanha, as pessoas que não têm formação jurídica, pensam que o Direito tem que ser uniforme. A imagem que existe é que os dois tribunais superiores não concordam em aspectos aparentemente importantes para a vida do país, para a vida política, para a vida institucional. Em que resulta isso? Em um desprestigio das instituições. Talvez se todos fossem juízes de carreira, não escolhidos dessa forma, mas escolhidos de outra maneira, digamos, de forma mais profissional, talvez isso diminuísse. Mas a minha opinião é que seria melhor que o Tribunal Supremo tivesse uma sala destinada a resolver problemas de inconstitucionalidade de leis, mandado de segurança. Diz-se que na Espanha a Justiça está muito politizada. Deve ser verdade quando isso é tão repetido. Nesse sentido isso não é bom. O neoconstitucionalismo vem abalando esta maneira de ver as coisas. Os juízes precisam das mãos mais livres. Se a lei é imperfeita, os juízes também podem ser imperfeitos. E na concepção de estado de Direito, os juízes devem obedecer a lei e aplicar a lei. Quando há uma lacuna, é permitida uma certa liberdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;ConJur —&lt;/strong&gt; No Brasil o Superior Tribunal de Justiça se encarrega da legalidade e o Supremo Tribunal Federal, da constitucionalidade. Apesar de termos o Supremo como parte do Poder Judiciário, não é necessário que todos sejam juízes de carreira. Pode-se escolher advogados, por exemplo.&lt;br /&gt;Gregorio Robles — Não me parece correto. Eu acredito que o melhor para um país é que os juízes sejam juízes e que os professores sejam professores. Ou seja, que cada um cumpra a sua função estritamente, e quando isso não ocorre, sempre há intervenção do poder político, há pactos, há compromissos. É um tema que está sempre na imprensa, nos jornais, na televisão, na rádio, um tema que tem que mudar. A independência do Poder Judiciário é o mais importante para que o Estado de Direito funcione. Porque entre governo e Parlamento não vai haver separação, já que o governo sai do Parlamento. Mas que os juízes também saiam do Parlamento, aí já é demais. No final das contas todos saem do governo, que é quem domina o Parlamento. Mas sempre tem pactos, sobretudo na Espanha, com os nacionalistas, complica bastante. A judicatura tem que ser independente e é preciso um mecanismo de eleição próprios típicos dos juízes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;ConJur —&lt;/strong&gt; O senhor falou agora da relação entre a magistratura e a política, que os juízes devem estar isentos na hora de decidir. Com a crise atual no mundo, o Direito tem um papel na reconstrução da ordem econômica na Europa ou não?&lt;br /&gt;Gregorio Robles — Sim. Todas as medidas tomadas para a recuperação têm uma forma jurídica. O Direito, como dizia Stambles, é a forma da economia. Não é economia, mas é a forma. E a única maneira de endereçar uma economia com problemas é tomar as medidas adequadas, e essas medidas, que são medidas economicamente adequadas, em qualquer caso precisam da forma jurídica, por meio das leis, das decisões do governo etc. Como se criou a União Europeia? Com o Direito. Não surgiu por geração espontânea. Foi criada por tratados. O Euro se criou porque se decide, por meio de normas, a criação de uma nova moeda. Ou seja, o Direito tem uma função muito importante sobre a economia, sem sombra de dúvida. O problema não é o Direito, o problema é adotar as medidas necessárias em tempo. O Direito cumpre uma função estritamente necessária. Ou seja, o governo não pode mudar as coisas por decreto. Não se pode enganar, porque como dizem os alemães, uma lei errônea é como um tiro na escuridão. Uma lei errônea, uma lei equivocada é como alguém faz um disparo na escuridão. Ninguém sabe para onde o disparo vai. O que isso quer dizer? Que o conteúdo das decisões tem que ser econômico. Nós, juristas, não temos conhecimento para dizer que medidas devem ser tomadas. Isso cabe aos economistas. Na Espanha os economistas estão dizendo o mesmo. E o governo não deu importância até agora. Há uns três meses tem começado um pouco as reformas, mas timidamente. Apenas com medidas jurídicas, não. Medidas jurídicas com conteúdo econômico. Em nível global, mundial, não saberia dizer. A crise é muito importante. Eu vejo que no Brasil vocês continuam crescendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;ConJur —&lt;/strong&gt; Sim.&lt;br /&gt;Gregorio Robles — Nós tivemos uma recessão, ou seja, crescimento negativo, durante alguns meses e agora temos 0,1 ou 0,15. A economia em estado catatônico. Quer dizer, se aqui no Brasil tem 3 %... Com 3% empregos são criados. Com 0,15 não são criados empregos. A Espanha tem, segundo cifras oficiais, 21% de desemprego. São 5 milhões de pessoas sem trabalho. Eu estou convencido de que vai mudar o governo e vai haver manifestações, com certeza. Porque vão haver cortes. O mercado se ativa, como os economistas dizem, quando os empresários têm possibilidades reais de gerar e de criar empresas. Menos impostos, flexibilidade de contratação. Isso tem um lado difícil? Sim. Em alguns aspectos é difícil, mas é a única forma. Porque o gasto público cria parcialmente empregos aos funcionários, mas em um estado não podem ser todos funcionários. Na Espanha, quando Franco morreu, havia 600 mil funcionários e agora são três milhões de funcionários. Foi multiplicado por cinco, graças às comunidades autônomas. É um estado semi-federal. Um gasto enorme. Então vão haver cortes, vai ser difícil. Mas o que se diz, não sei se aqui se usa a mesma expressão, apertar o cinto. Temos experiência, porque já passamos por períodos difíceis. Globalmente eu acho que nem Obama sabe. Se soubesse. O que todos estão assustados é com os chineses. Continuam crescendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;ConJur —&lt;/strong&gt; Continuam crescendo.&lt;br /&gt;Gregorio Robles — Continuam crescendo. O mistério é que é uma sociedade em que os salários são muito baixos, consequentemente os preços são muito competitivos e uma tecnificação progressiva, não digo de toda a China, a China é muito grande, mas há zonas de um nível tecnológico elevado. É preciso saber como são os chineses: trabalhadores, duros diante da adversidades, pacientes. Isso não se pode esquecer: o componente cultural, antropológico. A sociedade ocidental virou uma sociedade acomodada, onde o esforço continua sendo um valor, mas não é um valor com uma aceitação absoluta, em todas as esferas da população.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;ConJur —&lt;/strong&gt; Existem limites entre as garantias individuais e coletivas. Quais são esses limites?&lt;br /&gt;Gregorio Robles — Por exemplo, nas garantias de direitos fundamentais dos indivíduos e as coletivas, por exemplo, de sindicatos. Direitos fundamentais são direitos dos indivíduos. Um dos direitos é de se associar. Isso implica que o ordenamento jurídico garante também a vida das associações de diversos tipos: sindicatos e partidos políticos, desde que sejam democráticos. Um sistema democrático não pode aceitar um partido político antidemocrático. Quando um partido político é antidemocrático? Quando desrespeita o jogo da democracia. Por exemplo, os partido políticos na Espanha com representantes do ETA, por mais que digam, não são democráticos. Enquanto não demonstrem que não têm nada a ver com uma organização terrorista, isso acabou. Digamos que existem dois baralhos: de manhã jogam com terrorismo e a tarde jogam a política. Um partido que utilize a violência para conseguir poder não é democrático e, consequentemente, deve ser considerado ilegal. Por exemplos, os nazistas chegaram ao poder pelas urnas, e logo em seguida suprimem a democracia. É antidemocrático. O sistema democrático não pode permitir a existência de partidos que querem se encarregar do sistema. O mesmo acontecia antes com os partidos comunistas. Na Europa eram tolerado, menos na Alemanha. Na Espanha, com a democracia, o Partido Comunista foi aceito e de fato funciona como um partido democrático. Mas os que estão vinculados a ETA, temos sérias dúvidas. Então devem haver garantias, sim, se cumprem as condições do sistema da democracia liberal, claro que sim. Direitos são apenas dos indivíduos. Direito dos povos, o que é isso? Dentro de um estado já organizado com séculos de existência, os direitos são os direitos dos indivíduos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;ConJur —&lt;/strong&gt; Há uma proposta da lei passar antes pelo Supremo Tribunal Federal. É o chamado controle prévio de constitucionalidade. O que o senhor acha disso? Na Espanha tem isso?&lt;br /&gt;Gregorio Robles — Hoje não há controle prévio de constitucionalidade. Dizem que o novo governo vai impor. O que há é controle posterior de constitucionalidade. Qual é o problema disso? Desde que a lei se promulga e que entra em vigor até que tem lugar a sentença do tribunal constitucional pode passar muito tempo. Isso gera situações que são difíceis de resolver. Que haja um controle prévio é mais racional. Hoje há o projeto de lei. É como nos tratados. Parece-me mais racional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por Marília Scriboni&lt;br /&gt;Fonte: ConJur&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7886365662321466444-1493631977052591196?l=brunocazevedo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/feeds/1493631977052591196/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/2011/11/estrutura-dos-jogos-e-do-direito-sao-as.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7886365662321466444/posts/default/1493631977052591196'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7886365662321466444/posts/default/1493631977052591196'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/2011/11/estrutura-dos-jogos-e-do-direito-sao-as.html' title='&quot;A estrutura dos jogos e a do Direito são as mesmas&quot;'/><author><name>Bruno Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17031419237830207454</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mxosEtKo4wo/TKPg-Lm-1dI/AAAAAAAABN4/3YzzPQwxslE/S220/bruno2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-RHnX34Cc1ek/TsEvw5x91qI/AAAAAAAAB2g/lCGO8Isodew/s72-c/teoria.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7886365662321466444.post-896929158433114785</id><published>2011-11-13T07:10:00.000-08:00</published><updated>2011-11-13T07:10:00.069-08:00</updated><title type='text'>Réu pode cumprir pena em casa se prisão é precária</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-5fqx2nQituI/Tr8Tns6GPhI/AAAAAAAAB2U/ajRD--FHJgg/s1600/pris.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 111px; FLOAT: left; HEIGHT: 130px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5674275628300779026" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-5fqx2nQituI/Tr8Tns6GPhI/AAAAAAAAB2U/ajRD--FHJgg/s200/pris.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;strong&gt;Falta de estrutura do Estado&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;O condenado ao regime aberto somente irá para o sistema prisional se ele atender rigorosamente os requisitos da Lei de Execuções Penais (LEP). Caso contrário, o Judiciário pode determinar o cumprimento da pena em regime domiciliar para garantir os direitos fundamentais. Com este entendimento, a 6ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul manteve a prisão domiciliar de um réu, diante da precariedade do sistema carcerário. O acórdão é do dia 22 de setembro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O caso é originário da Comarca de Porto Alegre. O Ministério Público interpôs Agravo de Execução Criminal contra a Vara de Execuções Criminais (VEC) de Porto Alegre, que concedeu o benefício da prisão domiciliar a um apenado. O juiz Alexandre de Souza Costa Pacheco tomou a decisão em função da precária situação do sistema carcerário. O juiz reconheceu o excesso de execução individual, pois, na sua percepção, as Casas do Albergado não cumprem a LEP e ainda incentivam a criminalidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;‘‘Entendo que a solução emergencial que mais se ajusta ao caso concreto e à realidade do precário sistema prisional do Estado, de modo a respeitar o direito do apenado e também o das demais pessoas, que pugnam por segurança, é a de permitir que os apenados em regime aberto venham a cumprir pena nas condições de prisão domiciliar. Outrossim, ressalto que o Código Penal permite que seja cumprida a pena do regime aberto em estabelecimento ‘adequado’, ao invés de Casa de Albergado, estando autorizado o magistrado, pelo artigo 115 da LEP, a estabelecer condições especiais para a concessão de regime aberto, sem prejuízo daquelas obrigatórias elencadas em seus incisos’’, afirmou o juiz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele também considerou que o mero encaminhamento do apenado para o sistema prisional configuraria verdadeiro excesso de execução individual, conforme artigo 185 da LEP. E isso afronta os princípios da individualização da pena, da dignidade da pessoa, da humanidade e da vedação ao cumprimento de penas cruéis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O MP recorreu. Alegou que a concessão da prisão domiciliar contraria o artigo 117 da LEP, pois restringiu-se a considerações sobre o sistema prisional, sem análise dos autos do processo de execução e da situação individual do apenado. Argumentou que a situação dos presídios é questão a ser resolvida pela administração. Alertou, finalmente, que a decisão recorrida termina com as penas restritivas de direito, quando fixada a privativa de liberdade em regime aberto, pois torna-se mais vantajoso ao condenado descumprir a pena restritiva e ser recolhido em prisão domiciliar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O relator do Agravo na 6ª Câmara Criminal, desembargador Ícaro Carvalho de Bem Osório, entendeu que a sentença estava correta. Para ele, o sistema carcerário brasileiro não atingiu seus objetivos pedagógicos, sendo visíveis as precariedades dos estabelecimentos prisionais, que geram condições subumanas para os detentos, devido à superlotação e a inércia daqueles órgãos que deveriam sanar tal problema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;‘‘Não se trata de violar a coisa julgada, desrespeitar o disposto em lei federal ou de promover a insegurança, de vez que o fato gerador é a inobservância, pelo Poder Executivo, de direitos fundamentais dos segregados que estão aos seus cuidados — sobretudo a dignidade da pessoa humana —, o que faz ser imperativo ao Poder Judiciário, forte no sistema de freios e contrapesos — que a Constituição adota, porque democrático e de direito o Estado — atuar de modo a corrigir-lhes as faltas, com vistas ao equilíbrio e ao alcance dos fins sociais a que referido sistema almeja, adotando as medidas necessárias à restauração dos direitos violados’’, concluiu o relator.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O voto que negou seguimento ao Agravo — confirmando a sentença — foi seguido pelos desembargadores Aymoré Roque Pottes de Mello e Cláudio Baldino Maciel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por Jomar Martins&lt;br /&gt;Fonte: ConJur&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7886365662321466444-896929158433114785?l=brunocazevedo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/feeds/896929158433114785/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/2011/11/reu-pode-cumprir-pena-em-casa-se-prisao.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7886365662321466444/posts/default/896929158433114785'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7886365662321466444/posts/default/896929158433114785'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/2011/11/reu-pode-cumprir-pena-em-casa-se-prisao.html' title='Réu pode cumprir pena em casa se prisão é precária'/><author><name>Bruno Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17031419237830207454</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mxosEtKo4wo/TKPg-Lm-1dI/AAAAAAAABN4/3YzzPQwxslE/S220/bruno2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-5fqx2nQituI/Tr8Tns6GPhI/AAAAAAAAB2U/ajRD--FHJgg/s72-c/pris.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7886365662321466444.post-1077122090390889893</id><published>2011-11-07T07:10:00.000-08:00</published><updated>2011-11-07T09:03:56.123-08:00</updated><title type='text'>A disputa pela primazia entre fala e escrita em Derrida</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/-VN0_vZ3ANu0/TrgOH7G14YI/AAAAAAAAB2I/xblZqyp2OQQ/s1600/filo.jpg"&gt;&lt;img style="float: right; margin: 0pt 0pt 10px 10px; cursor: pointer; width: 95px; height: 116px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-VN0_vZ3ANu0/TrgOH7G14YI/AAAAAAAAB2I/xblZqyp2OQQ/s200/filo.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5672299259961401730" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Embargos culturais&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;A lembrança de uma passagem do filósofo Jacques Derrida (1930-2004) pelo Brasil chama minha atenção no sentido de me apoderar do eixo temático dito desconstrutivista para se problematizar o Direito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O repertório do filósofo francês de origem argelina não é monopólio da filosofia da linguagem, em sentido estrito. Porta-voz de hermetismo frívolo e desnecessário (para seus detratores) ou do grande assalto à tradição filosófica metafísica ocidental (para seus entusiastas), Derrida plasmou em sua trajetória tudo o que a filosofia contemporânea indica como desconstrução, conceito incerto que caminha da moda literária para a vingança da literatura na filosofia.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Ainda jovem, Derrida estudou em Paris com Jean Hypollite, leitor de Hegel e de Marx. Na Escola Normal Superior teria verticalizado leituras de Platão, Kant, Rousseau, Husserl, Heidegger, Kafka, Joyce. Conviveu com riquíssimo ambiente filosófico, no qual transitavam Foucault, Julia Kristeva, Roland Barthes.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Dialogando com a fenomenologia e com a filosofia da intuição, com o estruturalismo e com a taxinomia patológica das relações entre as diferenças, Derrida levou à frente um antifundacionalismo de sabor iconoclasta que denunciou a tradição metafísica e a instabilidade da linguagem, insistindo na inexistência da possibilidade de verdades literais, percepção que remonta ao ceticismo de Nietzsche.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Derrida lecionou na Sorbonne, em Yale, em John Hopkins; é presença reconhecida nos meios acadêmicos.&lt;/span&gt;  &lt;span style="font-family:arial;"&gt;Derrida incomodou-se com o fonocentrismo, com os privilégios que a tradição filosófica ocidental outorga à fala. No entanto, a filosofia seria prioritariamente veiculada por registros escritos e, nesse sentido, vincula-se a estilos, formas, figuras de linguagem. A filosofia, assim, é literatura, desenvolve-se em contexto literário.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;A oposição entre fala e escrita é explorada em livro que Derrida publicou em 1969, com o título de A Farmácia de Platão. O texto parte de um diálogo do filósofo grego, no qual conversam Sócrates e Fedro. O texto leva o nome deste último e nele, entre outros, são discutidos os méritos da retórica e da filosofia. Tem-se a impressão de que Sócrates convence seu interlocutor de que a fala é superior à escrita. Aquela seria representada pela ideia de farmákon, palavra grega que nos revela farmácia, sentido ambíguo que nos remete tanto à cura como ao veneno. As palavras salvam, mas também matam.&lt;/span&gt;  &lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tamanha ambiguidade identifica oposições binárias que habitam a farmácia de Platão. Em âmbito de especulação normativa, propiciando-se indagações sobre o sentido do Direito, percebem-se oposições que qualificam antinomias entre justo e injusto, correto e incorreto, certo e errado, plausível e impossível.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Enfatizando o sentido culturalmente produzido que marca o pensamento, Derrida sugere-nos que o problema das oposições binárias é identificador de nichos culturais e nesses espaços deve ser identificado. Oralidade e representatividade escrita também disputam a primazia na discursividade jurídica. Com muita sutilidade, a oralidade e a representatividade escrita demarcam as esferas da informalidade e da formalidade; relega-se aquela primeira à emotividade que quer tomar conta do Direito Penal, reserva-se essa última à suposta neutralidade que deveria confirmar a assepsia do ambiente jurídico negocial.&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Quer-se aproximar a oralidade à instrumentalidade das formas, quer se justificar a representatividade escrita na segurança do procedimento e na busca adequada e equilibrada das verdades jurídicas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;O entorno cultural tradicional brasileiro parece refém dessa ambiguidade, prestigiando tanto a representatividade escrita, ao exigir exames de agrafia e de analfabetismo para postulantes de cargos públicos, ao mesmo tempo em que festeja a retórica bacharelesca, ridicularizada por Monteiro Lobato.&lt;/span&gt; &lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque as palavras voam e os escritos ficam, na boa tradição romana, teme-se a fala e amontoam-se toneladas de papel, matéria-prima preciosa de cartórios e demais templos da tradição burocrática, denunciadora do desencantamento com o mundo, tema das reflexões weberianas. Nesse sentido, nosso direito afasta-se da supremacia da fala invocada por Sócrates, que de resto não deixou nada escrito. Mas também não cogita de desprestigiar a escrita, como Derrida provavelmente proporia.&lt;/span&gt;  &lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Preso a essas ambiguidades e aporias, o modelo jurídico brasileiro parece seguir o comportamento que o mesmo Derrida imputou a Platão, que tampou as orelhas, para melhor se ouvir falar, para melhor ver, para melhor avaliar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Por Arnaldo  Sampaio de Moraes Godoy&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Fonte: ConJur&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7886365662321466444-1077122090390889893?l=brunocazevedo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/feeds/1077122090390889893/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/2011/11/disputa-pela-primazia-entre-fala-e.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7886365662321466444/posts/default/1077122090390889893'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7886365662321466444/posts/default/1077122090390889893'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/2011/11/disputa-pela-primazia-entre-fala-e.html' title='A disputa pela primazia entre fala e escrita em Derrida'/><author><name>Bruno Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17031419237830207454</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mxosEtKo4wo/TKPg-Lm-1dI/AAAAAAAABN4/3YzzPQwxslE/S220/bruno2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-VN0_vZ3ANu0/TrgOH7G14YI/AAAAAAAAB2I/xblZqyp2OQQ/s72-c/filo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7886365662321466444.post-9106098200151401979</id><published>2011-11-05T07:50:00.000-07:00</published><updated>2011-11-07T08:54:56.815-08:00</updated><title type='text'>INSS quer de volta o que gastou com acidente de trânsito</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-fu4NWI4bpRI/TrQDxaGrHQI/AAAAAAAAB18/ew6Uer5oPyo/s1600/regressiva.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px 10px 10px 0px; width: 103px; float: left; height: 108px;" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5671161978122083586" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-fu4NWI4bpRI/TrQDxaGrHQI/AAAAAAAAB18/ew6Uer5oPyo/s200/regressiva.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;strong&gt;Ação Regressiva&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;A Advocacia-Geral da União e o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) ajuizaram nesta quinta-feira (3/11) a primeira ação regressiva de trânsito com o intuito de ressarcir os cofres da Previdência Social. Segundo o governo, são gastos R$ 8 bilhões por ano com as despesas decorrentes de acidentes de trânsito. Para diminuir essa cifra, os autores propõem que esse dinheiro seja devolvido aos cofres públicos pelos motoristas infratores causadores de acidentes. Isto é, a ação seria dirigida contra a pessoa física.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para o advogado Theodoro Vicente Agostinho, sócio do escritório Raeffray Brugioni e membro da Comissão de Seguridade da OAB-SP, a decisão do INSS é um "descalabro judicial". Agostinho acredita que esse tipo de ação contra pessoa física não tem fundamento legal, inclusive, contraria a definição legislativa de ação regressiva. "Ademais, a previsão que encontramos no artigo 120 da Lei 8.213/91 refere-se à empresa, e não a pessoa fisica."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O caso protagonista da ação regressiva trata de um acidente que aconteceu no dia 27 de abril de 2008, por volta de 1h30, na Rodovia DF 001, que liga Taguatinga a Brazlândia. De acordo com o processo, o réu conduzia seu veículo de forma incompatível com as condições de tráfego e segurança, havia ingerido bebida alcoólica e seguia pela contramão. Ao manobrar, colidiu frontalmente com o outro veículo, causando a morte de cinco pessoas e lesões corporais em outras três.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo a AGU, com a morte do condutor, que era segurado do INSS, foi gerada uma pensão para a esposa da vítima, além dos dois filhos. O benefício concedido pelo INSS com início de pagamento fixado em 27 de abril de 2008 (data do óbito), com renda mensal atual de R$ 2.133,14. De acordo com dados do Instituto, por conta da pensão por morte gerada pelo acidente, o INSS já despendeu a quantia atualizada de R$ 90.829,91, montante este que, acrescido das prestações pagas e com a respectiva incidência dos juros e correção monetária, deve ser integralmente ressarcido à autarquia previdenciária.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O benefício somente se extinguirá com a morte da pensionista (artigo 77, parágrafo 2º, I, Lei 8.213/91), e tendo em vista a sua idade atual de 37 anos e sua expectativa de vida, de acordo com o IBGE, a pensão continuará a ser paga por aproximadamente 43 anos, o que representa mais 559 prestações mensais, computada a parcela atinente à gratificação anual do 13º salário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O advogado Vicente Agostinho alerta "que é importante os juízes observarem a legislação. Um precedente favorável ao INSS é extramente perigoso, pois julga o INSS, através de sua procuradoria, ter uma competência que na realidade não tem".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ministro da Previdência, Garibaldi Alves Filho, e o presidente do INSS, Mauro Hauschild, foram juntos à Justiça Federal protocolar a ação. Garibaldi disse que, com ações como essa, os motoristas infratores "vão pensar duas vezes antes de dirigir embriagados ou de provocar rachas [corridas] no trânsito".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hauschild avisa que outras ações serao levadas à Justiça até o fim do ano, em casos extremos como esse, e, a partir do próximo ano, haverá um volume maior de pedidos de ressarcimento. Mas ele assegurou que a intenção da Previdência Social "não é de fazer uma caça às bruxas, procurando todos os casos de mortes, só os casos mais graves".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E complementou: "Trata-se de um alerta para quem gosta de dirigir em alta velocidade, pela contramão, em vias de tráfego rápido ou sob efeito de bebidas alcóolicas. Todos devem parar 15 segundos para pensar antes de sair de casa para beber e, então, deixar o carro na garagem e pegar um táxi. Não é justo que a sociedade arque com prejuízos decorrentes desse tipo de comportamento."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O presidente do INSS afirma que a maioria dos acidentes, no entanto, não tem a mesma natureza dos casos que vão ser ajuizados. A Previdência não pretende acionar herdeiros ou tirar o direito previdenciário de motoristas que sofreram autolesão em acidentes de trânsito, adiantou. "Não seria justo também punir familiares dos motoristas faltosos", disse Hauschild.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O procurador-geral do INSS, Alessandro Stefanatto, explicou que, com as ações, a Previdência vai tentar receber o máximo possível das despesas financeiras geradas pelos acidentes graves, mas dentro da capacidade financeira do infrator. O motorista poderá ter bens penhorados e, se estiver desempregado, poderá ter que arcar com os prejuízos quando voltar a exercer atividade remunerada. A escolha dos casos será feita pela procuradoria com informações da Polícia Rodoviária Federal, do Ministério Público e da administradora do seguro obrigatório para automóveis, o DPVAT.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mauro Hauschild lembrou que idêntica medida de tentativa de ressarcimento, por meio de ações na Justiça, está em andamento em relação às empresas responsáveis por acidentes de trabalho. Esses casos também geram aposentadorias extemporâneas e pensões por morte porque algumas empresas não oferecerem segurança adequada aos trabalhadores. Nesse sentido, a Previdência quer receber na Justiça mais de R$ 336 milhões, gastos desde 2007 com o pagamento de aposentadorias e pensões decorrentes de acidentes de trabalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fonte: ConJur&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7886365662321466444-9106098200151401979?l=brunocazevedo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/feeds/9106098200151401979/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/2011/11/inss-quer-de-volta-o-que-gastou-com.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7886365662321466444/posts/default/9106098200151401979'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7886365662321466444/posts/default/9106098200151401979'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/2011/11/inss-quer-de-volta-o-que-gastou-com.html' title='INSS quer de volta o que gastou com acidente de trânsito'/><author><name>Bruno Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17031419237830207454</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mxosEtKo4wo/TKPg-Lm-1dI/AAAAAAAABN4/3YzzPQwxslE/S220/bruno2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-fu4NWI4bpRI/TrQDxaGrHQI/AAAAAAAAB18/ew6Uer5oPyo/s72-c/regressiva.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7886365662321466444.post-3011868337328036971</id><published>2011-11-04T16:00:00.000-07:00</published><updated>2011-11-07T08:54:39.152-08:00</updated><title type='text'>Juizado de Violência contra a Mulher em CG realiza audiências com vítimas de ameaça e lesão corporal leve</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-e6Oa5bWiw30/TrQC_oM2xcI/AAAAAAAAB1w/6QaSDSpXE2M/s1600/maria.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px 0px 10px 10px; width: 97px; float: right; height: 110px;" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5671161122912650690" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-e6Oa5bWiw30/TrQC_oM2xcI/AAAAAAAAB1w/6QaSDSpXE2M/s200/maria.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;strong&gt;Maria da Penha&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: arial;"&gt;Na última quarta-feira (26), foram realizadas as primeiras audiências no Juizado de Violência Doméstica e Familiar conta a Mulher, na comarca de Campina Grande. Quatro processos foram colocados em pauta, todos os casos relacionados a lesão corporal leve e ameaça. Uma das audiências foi canceladas e em duas, as vítimas desistiram de dar prosseguimento à ação. Segundo a juíza que está à frente da Vara, Renata Barros de Assunção Paiva, os julgamentos foram feitos com todos os atendimentos necessários, além de acolhimento e atenção aos jurisdicionados assistidos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;“Infelizmente, mais de 50% das vítimas desistem quando chegam aqui e tomam conhecimento de todo o procedimento criminal. Mas a nossa intenção é trabalhar também com o agressor, para que ele se conscientize da conduta criminosa praticada. E oferecer às mulheres toda a segurança e estrutura necessária para que tenham seus direitos respeitados”, afirmou a magistrada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda segundo Renata Assunção, a audiência preliminar ocorre apenas com a presença das vítimas. É o momento em que se toma conhecimento das circunstâncias do caso e a mulher é assistida pela equipe multidisciplinar, que a auxilia na tomada da decisões, de acordo com cada caso. Posteriormente, os agressores são intimados para prestar e receber os esclarecimentos necessários sobre o decurso da ação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A assistente social da unidade Marli Castelo Branco também teve o primeiro contato com as mulheres que compareceram ao primeiro dia de audiências. Para ela, a dependência financeira das vítimas em relação aos seus parceiros é o principal motivo para a desistência da ação judicial. &amp;amp;ldq uo;Nós fizemos uma abordagem simples, direta, mostrando caminhos, de acordo com o que elas pretendiam. Nosso trabalho tem o objetivo de tentar modificar comportamentos dentro desta estrutura familiar, que as vezes, elas querem ou precisam manter”. Acrescentou, também, que algumas mulheres apontaram a dependência alcoólica do parceiro como razão das agressões. “Nestas situações, fazemos as orientações necessárias, encaminhamento para tratamentos, e mostramos algumas possibilidades para que ela reestruture a sua vida com dignidade”, falou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Juizado foi inaugurado oficialmente no dia 3 de outubro e, na ocasião, cerca de 400 processos envolvendo violência doméstica e familiar contra a mulher já haviam sido distribuídos, advindos de varas criminais. A juíza informou, ainda, que a unidade já conta com 613 feitos, dos quais 53 foram distribuídos apenas nas duas últimas semanas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fonte: TJPB&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7886365662321466444-3011868337328036971?l=brunocazevedo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/feeds/3011868337328036971/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/2011/11/juizado-de-violencia-contra-mulher-em.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7886365662321466444/posts/default/3011868337328036971'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7886365662321466444/posts/default/3011868337328036971'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/2011/11/juizado-de-violencia-contra-mulher-em.html' title='Juizado de Violência contra a Mulher em CG realiza audiências com vítimas de ameaça e lesão corporal leve'/><author><name>Bruno Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17031419237830207454</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mxosEtKo4wo/TKPg-Lm-1dI/AAAAAAAABN4/3YzzPQwxslE/S220/bruno2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-e6Oa5bWiw30/TrQC_oM2xcI/AAAAAAAAB1w/6QaSDSpXE2M/s72-c/maria.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7886365662321466444.post-5734554837323336450</id><published>2011-11-03T23:43:00.000-07:00</published><updated>2011-11-04T08:19:46.000-07:00</updated><title type='text'>Esma confirma a participação de sete juízes no mestrado da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-uMiUsbxzvFI/TrQCcmAuGRI/AAAAAAAAB1k/p2iQSZhXHOw/s1600/tjpb.bmp"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 161px; FLOAT: left; HEIGHT: 96px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5671160521029458194" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-uMiUsbxzvFI/TrQCcmAuGRI/AAAAAAAAB1k/p2iQSZhXHOw/s200/tjpb.bmp" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;strong&gt;Investindo na qualificação&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Em uma iniciativa inédita da Escola Superior da Magistratura (Esma), sete magistrados do Tribunal de Justiça da Paraíba vão fazer um curso de mestrado em um instituição estrangeira. Depois de confirmar cinco juízes, a Esma divulgou os nomes de mais dois. São eles: Ana Amélia Andrade Alecrim Câmara (João Pessoa) e Fábio e José de Oliveira Araújo (Campina Grande). A seleção para mestrado acadêmico em Ciências Jurídicas e Direito Constitucional, na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, Portugal foi com base o Edital nº 010/2011.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já tinham sido escolhidos Antônio Maroja Limeira Filho (Patos); Deborah Cavalcanti Figueiredo (Campina Grande); Flávia da Costa Lins Cavalcanti (João Pessoa); José Gutemberg Gomes Lacerda (Monteiro); e Juliana Duarte Maroja (Itaporanga). As aulas serão ministradas na na Escola Superior da Magistratura do Estado de Pernambuco (Esmape), parceira da Esma na viabilização das vagas para os juízes do TJPB. “Outro ponto forte dessa parceria é a economia para o Tribunal de Justiça da Paraíba, já as disciplinas do mestrado serão na sede da Esmape”, comentou o diretor da Esma, desembargador Saulo Henriques de Sá e Benevides.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele lembrou que o acordo de cooperação só foi possível com o direto da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. “Esse mestrado é uma ação inédita da Esma e tem como meta fundamental o aperfeiçoamento acadêmico e intelectual dos nossos magistrados”, ressaltou Saulo Benevides.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mestrado ainda atende a Resolução nº 01/2011, da Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrado (Enfam). O candidato no momento da inscri&amp;amp;cce dil;ão teve que optar por uma das linhas de pesquisas abaixo: Ciências Jurídicas e Direito Constitucional. Os interessados foram selecionados pela ordem decrescente da média do curso de graduação em Direito. Em caso de empate, foi dada a preferência ao candidato que leciona na Esma há mais de um ano, mantendo-se o empate, o mais idoso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fonte: TJPB&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7886365662321466444-5734554837323336450?l=brunocazevedo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/feeds/5734554837323336450/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/2011/11/esma-confirma-participacao-de-sete.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7886365662321466444/posts/default/5734554837323336450'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7886365662321466444/posts/default/5734554837323336450'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/2011/11/esma-confirma-participacao-de-sete.html' title='Esma confirma a participação de sete juízes no mestrado da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa'/><author><name>Bruno Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17031419237830207454</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mxosEtKo4wo/TKPg-Lm-1dI/AAAAAAAABN4/3YzzPQwxslE/S220/bruno2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-uMiUsbxzvFI/TrQCcmAuGRI/AAAAAAAAB1k/p2iQSZhXHOw/s72-c/tjpb.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7886365662321466444.post-4126769652496183186</id><published>2011-10-25T11:50:00.000-07:00</published><updated>2011-10-25T11:55:41.815-07:00</updated><title type='text'>“Os problemas não estão nos artigos da Constituição”</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-Oi4umUWRusw/TqcFrZBp6rI/AAAAAAAAB1Y/EOCkqjfwGN0/s1600/j.j..jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 110px; FLOAT: right; HEIGHT: 100px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5667504899079400114" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-Oi4umUWRusw/TqcFrZBp6rI/AAAAAAAAB1Y/EOCkqjfwGN0/s200/j.j..jpg" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;strong&gt;J. J. Gomes Conotilho&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;“Você não precisa de muitos heróis se você escolhe cuidadosamente”, disse John Hart Ely, célebre jurista norte-americano, para honrar a memória de Earl Warren, presidente da Suprema Corte dos Estados Unidos, nas décadas de 1950 e 1960. No Brasil, alegando falta de heróis, não nos envergonhamos de celebrizar todos os dias gente cuja maior contribuição à humanidade jamais ultrapassará as quatro linhas de um campo de futebol, ou os 15 minutos de fama que lhes confere a tela plana das televisões, ou dos computadores. Contudo, num país cuja história é, desde suas origens, protagonizada por personagens como Anchieta, Zumbi dos Palmares, Tiradentes, Ruy Barbosa, José Bonifácio, Machado de Assis, Oswaldo Cruz, Villa-Lobos, Irmã Dulce e Juscelino Kubitschek, talvez fosse o caso de escolhermos um pouco mais cuidadosamente os nossos ícones.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A propósito, 19 de outubro de 2011 há de ser lembrado, por todos os juristas que se comprometeram com o aperfeiçoamento democrático e com a concretização da Constituição de 1988, como o dia em que o famoso constitucionalista português José Joaquim Gomes Canotilho, um grande amigo do Brasil, cessa suas funções como professor catedrático da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O notável professor edificou uma vida voltada ao estudo do Direito, onde o que mais ressalta é o compromisso permanentemente renovado com a dignidade da pessoa humana, com a consolidação da democracia e com a efetivação dos direitos fundamentais. Herdeiro da tradição iluminista, sempre confiante na capacidade do homem de conformar o próprio destino, Canotilho acabou tendo profunda influência no desenvolvimento do Direito Constitucional que se ensina nas Academias brasileiras e que tem aplicação em nossos tribunais. Divergindo de um antigo costume de intelectuais estrangeiros, entretanto, jamais ministrou conselhos, ou receitas, para os nossos problemas. Ao contrário, vezes sem conta, repetiu lá fora que via nos juristas brasileiros o que havia de mais criativo no estudo do Direito Constitucional e, comprovando essa admiração, dedicou a sua principal obra, Direito Constitucional e Teoria da Constituição, aos seus alunos brasileiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada mais adequado, pois, do que prestar uma justa homenagem ao professor Canotilho, precisamente, no momento em que a Constituição de 1988 se vê ameaçada por mal explicadas propostas de assembléias constituintes. A Constituição brasileira, no resumo do grande jurista português, “foi um grito de modernidade ouvido trinta anos depois da criação de Brasília, um estatuto de contraste com a ditadura da qual o país se libertou.” Mas a nossa Constituição, como qualquer outra, lembra o mestre português, não tem capacidade suficiente, só por si, para fazer transformações sociais. Portanto, “o desencanto que pode haver, embora se debite à Constituição, é, na verdade, com os agentes concretos da vida do país. Os problemas estão nas ruas do país, não nos artigos da Constituição”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez seja essa a lição menos compreendida do mestre português: a Constituição não cria o paraíso pelo simples fato de existir, pois, aqui, como no Fausto do Goethe, a vida e a liberdade não são dádivas atribuídas por qualquer governo, ou documento escrito, e só as fazem por merecer os povos que as tem de conquistar todos os dias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por Néviton Guedes&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Entrevista&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;O Poder Judiciário precisa refletir sobre seu avanço diante das atribuições dos outros dois Poderes da República. Na implementação de políticas públicas, por exemplo, a Justiça pode até ter uma participação complementar, mas nunca atuar como protagonista em ações típicas dos Poderes Legislativo e Executivo. A opinião é de um dos maiores estudiosos de Direito Constitucional do mundo, o professor da renomada Universidade de Coimbra José Joaquim Gomes Canotilho — ou apenas J. J. Canotilho, como gosta de ser chamado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O jurista, que tem em seu currículo o fato de ser um dos autores da Constituição de Portugal, é um crítico da ampliação do controle do Poder Judiciário sobre os demais poderes, principalmente na esfera da efetivação de direitos que dependem de políticas públicas, o que se convencionou chamar de ativismo judicial: “Pedir ao Judiciário que exerça alguma função de ordem econômica, cultural ou social é pedir ao órgão que exerça uma função para a qual não está funcionalmente adequado”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;J. J. Canotilho recebeu a revista Consultor Jurídico para uma breve entrevista em São Paulo, por onde passou para participar da entrega do Prêmio Mendes Júnior de Monografias Jurídicas, promovido pela Escola de Direito de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas. Além fazer observações sobre ativismo, ele também fez ressalvas sobre o mecanismo de Repercussão Geral aplicado pelo Supremo Tribunal Federal no Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O professor ainda revelou que há coisas que aproximam bem a Justiça portuguesa da brasileira. Por exemplo, o fato de processos em Portugal poderem percorrer até cinco instâncias para, enfim, chegarem a uma conclusão. O jurista ainda falou sobre as metas do Conselho Nacional de Justiça e considerou questionável a intenção da presidente Dilma Roussef de flexibilizar patentes. “A flexibilização é muito perigosa porque pode significar a quebra de patente”, disse. Para o professor, as empresas têm direito de exploração econômica, por certo período, por ter inventado um produto. É uma garantia constitucional que não deve ser violada a não ser em casos de extremo interesse público.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos 68 anos, Canotilho é considerado um dos papas do Direito Constitucional da atualidade, citado com frequência por ministros do Supremo Tribunal Federal. É doutor em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, professor visitante da Faculdade de Direito da Universidade de Macau e autor de obras clássicas como Constituição Dirigente e Vinculação do Legislador e Direito Constitucional e Teoria da Constituição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leia a entrevista&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;ConJur —&lt;/strong&gt; Recentemente, o senhor participou de um debate em que se discutiu o ativismo judicial. Qual a sua opinião sobre o assunto?&lt;br /&gt;J. J. Canotilho — Não sou um dos maiores simpatizantes do ativismo judicial. Entendo que a política é feita por cidadãos que questionam, criticam e apontam problemas. Os juízes nunca fizeram revoluções. Eles aprofundaram aplicações de princípios, contribuíram para a estabilidade do Estado de Direito, da ordem democrática, mas nunca promoveram revoluções. E, portanto, pedir ao Judiciário que exerça alguma função de ordem econômica, cultural, social, e assim por diante, é pedir ao órgão que exerça uma função para a qual não está funcionalmente adequado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;ConJur —&lt;/strong&gt; No Brasil, há uma enxurrada de ações e determinações judiciais para que o Estado forneça remédios para quem não pode comprá-los. Como o Judiciário deve atuar quando o Estado não põe em prática as políticas públicas?&lt;br /&gt;J. J. Canotilho — As políticas públicas não podem ser decididas pelos tribunais, mas pelos órgãos socialmente conformadores da Constituição. Mas é fato que existem medicamentos raros e certa falta de compreensão para situações especificas de alguns doentes. Isso põe em causa a defesa do bem da vida. Os tribunais devem ter legitimação para solucionar um problema desses. É um problema de Justiça e o valor que está a ser invocado é indiscutível: o bem da vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;ConJur —&lt;/strong&gt; O senhor afirma que as políticas públicas não devem ser decididas pelo Judiciário. Mas, uma vez que passam a representar uma demanda que a Justiça não tem como deixar de enfrentar, qual a melhor forma de equalizar esta questão?&lt;br /&gt;J. J. Canotilho — O Judiciário precisa enxergar o seu papel nessa questão. Ele pode ter uma participação, mas tem que complementar, e não ser protagonista. Até porque, quando determina a entrega de um medicamento a um cidadão, ele não está resolvendo o problema da saúde. Ele não tem o poder, a incumbência e não é o mais apropriado para a solução das políticas públicas sociais. Os que são responsáveis são os órgãos com responsabilidade política dos serviços de saúde, desde o Legislativo ao Executivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;ConJur —&lt;/strong&gt; Qual a sua opinião sobre o mecanismo da Repercussão Geral, criada para filtrar a subida de recursos e para pacificar em todo o Judiciário os posicionamentos do Supremo Tribunal Federal?&lt;br /&gt;J. J. Canotilho — É uma das perguntas a que não sei responder. Porque, no fundo, o apelo à Repercussão Geral é, de certo modo, uma urgência de sintonizar as decisões judiciais — que são muitas — com a República e com os cidadãos. Nessa medida, entendo que o Supremo Tribunal Federal está levando em conta uma dimensão interessante. Essa é uma atitude inteligente. Mas uma coisa é convocar a vontade da Repercussão Geral e outra é avocar os argumentos, que é um conceito indeterminado, para justificar um caso concreto. Existe então a possibilidade da jurisprudência ser uma jurisprudência que não aplica o Direito para o caso concreto, mas que repete a retórica e os textos argumentativos de outras sentenças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;ConJur —&lt;/strong&gt; Qual é a diferença?&lt;br /&gt;J. J. Canotilho — A diferença é que embora você tenha uma Repercussão Geral, cada caso possui uma particularidade. Por isso, cada juiz deve julgar o caso concreto. O que por vezes se tem percebido é que tanto a Repercussão Geral quanto a disponibilização do processo digitalizado têm contribuído para que juízes apliquem a decisão, a mesma que o tribunal tomou sobre aquele tema, quando na verdade o correto é avocar o entendimento para tomar sua própria decisão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;ConJur —&lt;/strong&gt; O senhor é contra a informatização dos processos?&lt;br /&gt;J. J. Canotilho — Não há razão nenhuma para duvidar da bondade da informatização, até porque ela oferece ao cidadão acesso a um ato do tribunal e à possibilidade de saber em que pé está o processo. Eu acho que isso é uma evolução absolutamente incontornável, então não podemos criticá-la. Até porque, relativamente aos juízes que aparecem agora, mais jovens, nenhum pode deixar de saber trabalhar com os instrumentos da informática, com os computadores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;ConJur —&lt;/strong&gt; Mas, ao falar da Repercussão Geral, o senhor deu a entender que existe algum problema com relação à digitalização do processo...&lt;br /&gt;J. J. Canotilho — Sim. É a questão de os juízes pensarem em copiar uns aos outros. Ou seja: “Como é jurisprudência constante... Como já decidimos...”. Com a ausência do papel, agora isso é muito mais fácil. E pode haver alguma uniformização da própria estrutura, da própria retórica, o que não é mal, desde que aquilo sirva ao caso concreto que está a ser discutido. Mas isso também parece incontornável. Isso facilita também que os juízes transcrevam um esquema básico e, afinal de contas, não é só um parâmetro, mas é um esquema que eles utilizam todos da mesma maneira. Ou seja, garante-se um nível de uniformização, mas perde-se alguma coisa desta dimensão de que cada processo é um processo, de que cada caso é um caso. E há esta possibilidade da jurisprudência ser uma jurisprudência que não diz o Direito para o caso concreto, mas que repete a retórica e os textos argumentativos de outras sentenças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;ConJur —&lt;/strong&gt; Mas isso também ocorre em virtude do número grande de processos, não? A propósito, qual a opinião do senhor sobre as metas impostas pelo CNJ?&lt;br /&gt;J. J. Canotilho — Há mais ou menos uns dois anos, o governo português tinha mandado fazer um estudo sobre o tempo médio de trabalho necessário para proferir uma decisão. Os magistrados logo se revoltaram dizendo que era intrusão do Executivo no Judiciário, porque não há possibilidade de determinar um tempo médio na produção de um juiz. Essa cobrança é natural, afinal, nos tempos de hoje, tudo requer agilidade e eficiência. Mas basta entrar em qualquer tribunal para ver processos com milhares de partes, processos com monstruosa complexidade, que levam meses e até anos para serem decididos. Por mais que se criem soluções como a informatização, ainda é o ser humano que decide. Por exemplo, se determina que o juiz julgue 500 casos por ano. Ele julga 300. Depois se pede 400. E ele julga 300. E quando se pede 200? Ele julga 300. Portanto, as metas nos permitem dizer que é humanamente impossível decidir por ano mais do que tantos processos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;ConJur —&lt;/strong&gt; Aqui ainda é forte a máxima do “ganha, mas não leva”, porque o pleito da causa e a execução se dão em processos diferentes. Isso também ocorre em Portugal?&lt;br /&gt;J. J. Canotilho — Em Portugal também funciona assim. Muito dos processos acabaram por ser processos puramente declaratórios. Muitas partes não abdicam de todas as dimensões recursais e vão até o Supremo. Em Portugal, há o risco de termos até cinco instâncias. São três até ao Supremo Tribunal de Justiça, quatro com a Corte Constitucional e cinco ao Tribunal Europeu. Muitas empresas arrastam os processos sem razão de ser. Há processos demasiado formalistas ou garantistas que impedem uma solução dos conflitos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;ConJur —&lt;/strong&gt; Parece que não existe Defensoria Pública em Portugal. Como isso funciona?&lt;br /&gt;J. J. Canotilho — Não existe a instituição Defensoria Pública, mas há defensores pagos pelo Ministério da Justiça. Portanto, de uma lista de advogados, indicados pela Ordem dos Advogados, há defensor oficioso que é pago pelo Estado. Isso traz alguns problemas. Muitas vezes, são jovens advogados que não têm experiência, o governo atrasa o pagamento, mas não sei qual é o melhor modelo, até porque não sei como seria se tivéssemos a Defensoria. No Brasil tem, mas não conheço seu trabalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;ConJur —&lt;/strong&gt; O senhor falou sobre advogados com pouca experiência, mas como o avalia a nova geração da advocacia?&lt;br /&gt;J. J. Canotilho — Existe uma questão que precisa ser observada no Brasil, que é a qualidade das universidades, em especial das privadas. A quantidade de universidades que publicam livros, que realmente acrescentam para o mundo do conhecimento é muito pequena. As universidades não podem ser escolas primárias. Vejo muita honestidade e boa vontade na iniciativa do Brasil em democratizar o acesso ao ensino superior, mas isso precisa vir acompanhado de qualidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;ConJur —&lt;/strong&gt; Aqui no Brasil se critica o baixo índice de aprovação no Exame da OAB. O senhor acredita que isso é resultado do número de universidades de má qualidade?&lt;br /&gt;J. J. Canotilho — Não apenas. Qual é o brasileiro que pode se dedicar exclusivamente aos estudos? Poucos. Isso influencia também. Não que eu defenda que as pessoas devam se dedicar integralmente aos estudos, mas é preciso reservar tempo considerável. O mesmo se aplica aos professores. As universidades públicas pagam quase nada para que eles façam orientação de mestrado, doutorado, por isso muitos saem da aula e vão direto para o tribunal advogar. Eles não têm tempo para preparar uma boa aula. Os alunos estão cansados. Não há tempo para o estudo, não há tempo para pesquisa. Trabalhos acadêmicos são grandes plágios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;ConJur —&lt;/strong&gt; Por falar em plágio, a presidente Dilma Roussef tem falado em flexibilização de patentes. Qual a sua opinião?&lt;br /&gt;J. J. Canotilho — A flexibilização é muito perigosa porque pode significar a quebra de patente. As empresas têm direito de exploração econômica, por certo período, por ter inventado um produto. É uma garantia constitucional que não deve ser violada a não ser em casos de extremo interesse público, como no caso dos genéricos, e não nos moldes que ocorre no Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;ConJur —&lt;/strong&gt; Por quê? O que há de errado na política brasileira de medicamentos genéricos?&lt;br /&gt;J. J. Canotilho — No meu ponto de vista esta é uma questão que o Brasil deveria ter superado. O que é um genérico? Um medicamento com o mesmo princípio ativo que um de mercado. Ou seja, de um que foi desenvolvido pela indústria, com base em anos de pesquisa, muito dinheiro investido e que está protegido por lei por 20 anos. Como um medicamento genérico pode confeccionar uma bula dizendo que em 2% dos casos pode ocorrer tal reação adversa? Ele não fez nenhum teste, como pode afirmar? O genérico é um grande plágio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por Rogério Barbosa&lt;br /&gt;Fonte: ConJur&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7886365662321466444-4126769652496183186?l=brunocazevedo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/feeds/4126769652496183186/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/2011/10/os-problemas-nao-estao-nos-artigos-da.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7886365662321466444/posts/default/4126769652496183186'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7886365662321466444/posts/default/4126769652496183186'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/2011/10/os-problemas-nao-estao-nos-artigos-da.html' title='“Os problemas não estão nos artigos da Constituição”'/><author><name>Bruno Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17031419237830207454</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mxosEtKo4wo/TKPg-Lm-1dI/AAAAAAAABN4/3YzzPQwxslE/S220/bruno2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-Oi4umUWRusw/TqcFrZBp6rI/AAAAAAAAB1Y/EOCkqjfwGN0/s72-c/j.j..jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7886365662321466444.post-8717381538750461089</id><published>2011-10-20T15:50:00.000-07:00</published><updated>2011-10-20T16:04:47.751-07:00</updated><title type='text'>Juíza aplica Lei Maria da Penha para proteger transexual agredido em Goiás</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-wwkpuyCuZZY/TqCo8LsptwI/AAAAAAAAB1M/4PQx_FlvxfE/s1600/homo.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 76px; FLOAT: left; HEIGHT: 115px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5665714083117774594" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-wwkpuyCuZZY/TqCo8LsptwI/AAAAAAAAB1M/4PQx_FlvxfE/s200/homo.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;strong&gt;Proteção válida&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;A juíza da 1ª Vara Criminal de Anápolis (50 km de Goiânia), Ana Cláudia Veloso Magalhães, aplicou a Lei Maria da Penha ao caso de um transexual que sofreu agressões do seu ex-companheiro. Para a decisão, ela considerou o princípio da isonomia, que garante tratamento idêntico a todos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O réu, Carlos Eduardo Leão, está proibido de freqüentar a casa da vítima, deve se manter afastado a pelo menos mil metros dela e de seus familiares e não pode ir ao local de trabalho e de ensino da vítima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para a juíza, a lei Maria da Penha prevê direitos sem diferenciações e desigualdades. “O artigo é claro quando diz que tanto homens, quanto mulheres são iguais. Não pode haver qualquer forma de discriminação ou preconceito”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na sentença, a magistrada faz referência à vítima como “a mulher Alexandre Roberto Kley” e acrescenta que, “independentemente de sua classe social, de sua raça, de sua orientação sexual, renda, cultura, nível educacional, idade e religião, goza dos direitos fundamentais inerentes à pessoa humana”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há 17 anos Alexandre Roberto foi submetido a uma cirurgia de troca de sexo e viveu um ano ao lado do agressor. Os dois se separaram, mas em setembro o réu procurou a vítima dizendo que precisava de um local para se hospedar, pois estava em tratamento contra as drogas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já na casa do transexual, Leão a agrediu verbal e fisicamente, fez ameaças e ainda causou danos materiais ao imóvel. Caso descumpra a decisão, o ex-companheiro pode ter a prisão preventiva decretada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por Rafhael Borges&lt;br /&gt;Fonte: UOL&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7886365662321466444-8717381538750461089?l=brunocazevedo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/feeds/8717381538750461089/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/2011/10/juiza-aplica-lei-maria-da-penha-para.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7886365662321466444/posts/default/8717381538750461089'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7886365662321466444/posts/default/8717381538750461089'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/2011/10/juiza-aplica-lei-maria-da-penha-para.html' title='Juíza aplica Lei Maria da Penha para proteger transexual agredido em Goiás'/><author><name>Bruno Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17031419237830207454</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mxosEtKo4wo/TKPg-Lm-1dI/AAAAAAAABN4/3YzzPQwxslE/S220/bruno2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-wwkpuyCuZZY/TqCo8LsptwI/AAAAAAAAB1M/4PQx_FlvxfE/s72-c/homo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7886365662321466444.post-4321326444145786027</id><published>2011-10-19T10:52:00.000-07:00</published><updated>2011-10-19T10:57:17.264-07:00</updated><title type='text'>Lei sob fogo cruzado nos EUA proíbe mentiras patrióticas</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-ycxxY__JRBo/Tp8PUG9xxUI/AAAAAAAAB1A/Cuj7NzzUa7M/s1600/eua.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 109px; FLOAT: right; HEIGHT: 100px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5665263694396900674" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-ycxxY__JRBo/Tp8PUG9xxUI/AAAAAAAAB1A/Cuj7NzzUa7M/s200/eua.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;strong&gt;Liberdade de expressão&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Em 2012, a Suprema Corte dos Estados Unidos vai decidir se mentir é um ato sujeito às duras penas da lei. A disputa judicial foi provocada por um membro eleito do conselho municipal da água em uma região da Califórnia que, ao descrever seus antecedentes em uma assembleia pública, em 2007, se declarou um herói de guerra, agraciado com uma "Medalha de Honra", a mais alta condecoração militar do país. O herói anônimo alcançou então a fama, por sua mentira patriótica. Foi processado pelo governo, condenado em primeira instância, absolvido em segunda. Na segunda-feira (17/10), a Suprema Corte aceitou decidir o caso "United States versus Alvarez", noticiam o USA Today e o New York Times.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na verdade, a Suprema Corte vai decidir sobre a constitucionalidade da "Lei do Heroísmo Roubado" (Stolen Valor Act), promulgada pelo ex-presidente Bush, em 2006. Segundo a Wikipédia, a lei tipificou como contravenção federal a declaração falsa, por qualquer pessoa, de haver recebido qualquer condecoração ou medalha militar dos EUA. "Se condenado, o réu pode pegar até seis meses de prisão, a não ser que a mentira seja sobre o recebimento de Medalha de Honra e, nesse caso, a prisão pode ser de até um ano", diz a publicação. Mas, o USA Today afirma que Xavier Alvarez foi sentenciado a três anos em regime de liberdade condicional (e não "até um ano") e a pagar a multa de US$ 5 mil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A questão é se a condenação de Xavier Alvarez viola o direito à liberdade de expressão, protegida pela Primeira Emenda da Constituição dos EUA. Juízes do tribunal de recursos, que reverteram a condenação anterior, desconfiam que o governo tentou, na verdade, atacar a liberdade de expressão, "só porque o caso é de uma mentira".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O juiz-chefe da 9ª Corte Distrital Alex Konzinski escreveu que sem uma forte proteção da Primeira Emenda, "o governo pode processar não apenas o homem que inventa uma história sobre o recebimento de uma Medalha de Honra, mas também os dentistas, que sempre dizem que não vai doer nenhum pouquinho". Segundo ele, "sem a proteção robusta da Primeira Emenda, as pequenas mentiras, os exageros e os engodos, que são uma parte integrante da comunicação humana, se tornariam alvos de censura", narra o USA Today.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo o New York Times, o juiz Milan Smith Jr., escrevendo pela maioria (de uma comissão de três juízes), afirmou que a manutenção dessa lei pode abrir um precedente perigoso. "Não haverá uma barreira constitucional à criminalização de uma pessoa que mente sobre sua idade, seu peso, sua virgindade ou que diz ao policial que não excedeu o limite de velocidade na estrada ou que só bebeu um copo de cerveja". E sentenciou: "A triste verdade é que as pessoas mentem sobre alguns aspectos de sua vida ocasionalmente."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As vozes dissidentes dizem que a lei se refere apenas a mentiras cabeludas, como a da falsa declaração de recebimento de honras militares. O juiz que votou pela manutenção da pena aplicada a Alvarez rejeitou a tese da escorregadela da verdade e disse que "fazer declarações falsas sobre recebimento de honras militares é um subconjunto cuidadosamente definido de declaração factual falsa, que não merece proteção constitucional". Os advogados do governo, que apelaram da decisão que invalidou a lei, enfatizaram que as medalhas "expressam a gratidão da nação pelo patriotismo e pela coragem".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Eu sou um marine (fuzileiro naval), aposentado há 25 anos. Me aposentei em 2001. Em 1987, fui condecorado pelo Congresso com a Medalha de Honra. Fui ferido muitas vezes pelo mesmo sujeito", Xavier Alvarez disse na assembleia pública. O governo descobriu que ele sequer pertenceu um dia a qualquer unidade das forças armadas, diz o New York Times. Agora, ele se defende: "Tudo o que estava fazendo é exercer o meu direito de liberdade de expressão".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Suprema Corte, sob a chefia do ministro John Roberts, tem se mostrado favorável a demandantes que defendem a própria liberdade de expressão, julgando a favor das pessoas que fazem protestos em funerais militares (proibidos), de fabricantes de videogames violentos e distribuidores de material que mostra crueldade contra os animais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Suprema Corte também deverá decidir, no final do semestre judiciário, se a Comissão Federal de Comunicações deve regulamentar o uso de palavrões e de nudismo nos programas de televisão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por João Ozório de Melo&lt;br /&gt;Fonte: ConJur&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7886365662321466444-4321326444145786027?l=brunocazevedo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/feeds/4321326444145786027/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/2011/10/lei-sob-fogo-cruzado-nos-eua-proibe.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7886365662321466444/posts/default/4321326444145786027'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7886365662321466444/posts/default/4321326444145786027'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/2011/10/lei-sob-fogo-cruzado-nos-eua-proibe.html' title='Lei sob fogo cruzado nos EUA proíbe mentiras patrióticas'/><author><name>Bruno Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17031419237830207454</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mxosEtKo4wo/TKPg-Lm-1dI/AAAAAAAABN4/3YzzPQwxslE/S220/bruno2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-ycxxY__JRBo/Tp8PUG9xxUI/AAAAAAAAB1A/Cuj7NzzUa7M/s72-c/eua.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7886365662321466444.post-3677198330554833163</id><published>2011-10-17T13:53:00.000-07:00</published><updated>2011-10-19T10:59:09.059-07:00</updated><title type='text'>"Ser juiz há tempos tem sido muito perigoso"</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-AuqoKLWnO_o/Tpy3ysWcXhI/AAAAAAAAB00/yg4O0gZ_QK8/s1600/jus2.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 85px; FLOAT: left; HEIGHT: 94px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5664604512851877394" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-AuqoKLWnO_o/Tpy3ysWcXhI/AAAAAAAAB00/yg4O0gZ_QK8/s200/jus2.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;strong&gt;Tempos difíceis&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Sob o título "Sou Juíza", o artigo a seguir é de autoria de Angela Schmidt Lourenço Rodrigues, Juíza de Direito em Jacareí (SP). Foi publicado originalmente no site "Judex, Quo Vadis?" (*).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou Juíza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não me atrevo a me identificar em público.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tempos difíceis... Melhor não fazê-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na rua, no supermercado, no cinema e até mesmo entre os que não são muito conhecidos, sou apenas a Angela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Digo aos meus filhos que se calem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não digam que são filhos de juíza! Melhor falar que mamãe é assistente social, advogada ou qualquer coisa que o valha. Não revelem a profissão da mamãe em hipótese alguma!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha funcional está no fundo do armário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meus cartões de visitas ficam no Fórum. Em compromisso oficial levo um ou dois, apenas para o momento. Nem sonho em carregá-los na bolsa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meus hollerites estão muito bem escondidos, até pra evitar o desgosto de ver os descontos de mais de 38% dos meus vencimentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A empregada doméstica, muito bem instruída, não deve revelar que trabalha na residência de uma magistrada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ser juiz há tempos tem sido muito perigoso. Arriscado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o pior é que agora é vergonha também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não para quem se orgulha do trabalho que faz, como eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas para quem não nos conhece e nem imagina quanto pesa o nosso fardo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos olhos da população, graças às TVs e aos jornais, somos vagabundos muito bem pagos pra deixar os processos mofando nos armários.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Somos venais, corruptos, vagabundos, os reis da carteirada, bandidos de toga!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Precisamos de fiscalização incessante! Tal qual crianças irresponsáveis, sem a vigília dos bedéis de um Conselho superior somos incapazes de assumir nossas responsabilidades e ?dar conta do serviço?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ai de nós se alguma coisa der errado!!! No trânsito, no trabalho, nas ruas. Rezemos pra sair ilesos! A culpa, afinal, é sempre nossa!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recebi a notícia do ingresso no concurso através do meu próprio pai. Dr. Angilberto Francisco Lourenço Rodrigues, advogado desde 1955, tempos dourados das Arcadas, falecido no ano passado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto orgulho ele sentiu de mim. Chamou-me de excelência!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca vou esquecer aquele dia. Contava aos amigos que tinha todos os filhos formados em direito, uma promotora de justiça e uma JUÍZA. Falava com ênfase, com o orgulho que os advogados daqueles tempos tinham por ter um magistrado na família.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois é, meu pai, meu querido. Esses tempos já não existem mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chego a pensar, apesar da tristeza que me abate, que foi bom o senhor ter partido antes de ter que esconder dos amigos que sua filha é juíza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Graças a Deus o senhor não tomou conhecimento da vergonha e desonra que se considera o exercício da magistratura nos dias de hoje...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas pode ficar tranquilo, pai. Eu tenho certeza absoluta do caminho que estou trilhando. Da causa que abracei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E consciência tranquila.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do dever cumprido&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Fonte: Blog do Fred&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7886365662321466444-3677198330554833163?l=brunocazevedo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/feeds/3677198330554833163/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/2011/10/ser-juiz-ha-tempos-tem-sido-muito.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7886365662321466444/posts/default/3677198330554833163'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7886365662321466444/posts/default/3677198330554833163'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/2011/10/ser-juiz-ha-tempos-tem-sido-muito.html' title='&quot;Ser juiz há tempos tem sido muito perigoso&quot;'/><author><name>Bruno Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17031419237830207454</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mxosEtKo4wo/TKPg-Lm-1dI/AAAAAAAABN4/3YzzPQwxslE/S220/bruno2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-AuqoKLWnO_o/Tpy3ysWcXhI/AAAAAAAAB00/yg4O0gZ_QK8/s72-c/jus2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7886365662321466444.post-8663896354394475067</id><published>2011-10-05T06:20:00.000-07:00</published><updated>2011-10-05T06:25:28.026-07:00</updated><title type='text'>Desembargadora faz palestra no “Noites Legais” em CG e diz que respeitar a mulher faz parte da dignidade humana</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-gZgZJ0jIUos/ToxarbGGlkI/AAAAAAAAB0I/9AfK4McKx64/s1600/maira.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 93px; FLOAT: right; HEIGHT: 114px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5659998533752100418" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-gZgZJ0jIUos/ToxarbGGlkI/AAAAAAAAB0I/9AfK4McKx64/s200/maira.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;strong&gt;Em defesa da Mulher&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;A programação de instalação do Juizado Especial de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, nesta segunda-feira (3), em Campina Grande, fechou com uma palestra da desembargadora Maria de Fátima Bezerra Cavalcanti, à noite, no auditório do Tribunal do Juri do Fórum Afonso Campos. A magistrada, assim como fez em João Pessoa, conclamou a sociedade para que reflita e se incorpore às iniciativas que o Judiciário vem oferecendo, no sentido de proteger as mulheres agredidas. “A mulher não pode ser violentada e agredida, principalmente em seu ambiente familiar, onde ela fica impotente para agir. O Respeito à mulher faz parte da dignidade humana”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o tema “Violência doméstica e familiar contra a mulher: Histórico de sofrimento e proteção legal”, a desembargadora fez sua exposição com parte do projeto “Noites Legais”, da Escola Superior da Magistratura – Esma, que aproveitou a oportunidade para oferecer essa análise acadêmica ao bom público que compareceu ao fórum. Estiveram presentes, o presidente do TJ, desembargador Abraham Lincoln da Cunha Ramos; a vice-presidente, desembargadora Maria das Neves do Egito de Araújo Duda Ferreira; o Corregedor-Geral, Nilo Vieira Ramalho; e o diretor da Esma, desembargador Saulo Henriques de Sá e Benevides, além de desembargadores, juízes, advogados, estudantes, servidores, líderes feministas e autoridades políticas locais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No inicio da explanação a magistrada reiterou o momento de reflexão a respeito do tema e pediu um minuto de silêncio, para em seguinda dizer que a cada 15 segundos uma mulher é agredida no Brasil. Para ela, a sociedade precisa reagir, fortelecendo os segmentos sociais de apoio, fazendo com que elas percam o medo e denunciem as agressões que estão sofrendo. “O Judiciário está disponibilizando os meios e é preciso crer na Justiça. Divulgar a Lei Maria da Penha e denunciar as mulheres que estão sendo agredidas é uma necessidade, uma responsabilidade de todos”, afirmou a desembargadora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A magistrada disse que Lei Maria da Penha foi o diploma criado, de ação e de sentido afirmativos, para combater esse tipo de violência doméstica. O texto foi o resultado da atuação dos movimentos de defesa dos direitos das mulheres, em especial, das reivindicações de uma biofarmacêutica, a cearense Maria da Penha Maia Fernandes, vítima de violência doméstica. Citou, com base dados de pesquisa de opinião pública do Senado Federal, publicado em 2005, ao concluir que dentre todos os tipos de violência contra a mulher existentes no mundo aquela praticada no ambiente familiar é uma das mais cruéis e perversas”. destaca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A apresentação da palestrante foi feita pelo presidente do TJ, Abraham Lincoln. Ele disse que a desembargadora Maria de Fátima é uma grande estudiosa da Lei Maria da Penha (11.340/2006) “e extremamente sensível a questão da mulher em nosso Estado e no País. Lembrou sua determinação para implantar os juizados de violência doméstica e familiar contra a mulher. “Existe uma demanda reprimida e nós temos que agir. A Justiça está trabalhando, mas esse propósito somente terá êxito se houver o apoio do Estado e de todos os segmentos da sociedade”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Essa mesma aula aconteceu na Escola Superior da Magistratura, em João Pessoa, e foi sucesso absoluto. Logo que recebeu o convite para Campina Grande, a desembargadora Maria de Fátima aceitou imediatamente. Isso prova a sua preocupação com o aperfeiçoamento dos nossos juízes e servidores”, comentou o diretor da Escola, desembargador Saulo Benevides.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fonte.TJPB&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7886365662321466444-8663896354394475067?l=brunocazevedo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/feeds/8663896354394475067/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/2011/10/desembargadora-faz-palestra-no-noites.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7886365662321466444/posts/default/8663896354394475067'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7886365662321466444/posts/default/8663896354394475067'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/2011/10/desembargadora-faz-palestra-no-noites.html' title='Desembargadora faz palestra no “Noites Legais” em CG e diz que respeitar a mulher faz parte da dignidade humana'/><author><name>Bruno Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17031419237830207454</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mxosEtKo4wo/TKPg-Lm-1dI/AAAAAAAABN4/3YzzPQwxslE/S220/bruno2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-gZgZJ0jIUos/ToxarbGGlkI/AAAAAAAAB0I/9AfK4McKx64/s72-c/maira.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7886365662321466444.post-2809694229816192064</id><published>2011-10-03T08:00:00.000-07:00</published><updated>2011-10-03T12:01:35.144-07:00</updated><title type='text'>Estudo avalia prós e contras do monitoramento eletrônico</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-we-3PyaGsKQ/TooGTWaa_TI/AAAAAAAAB0A/VXZJYkX0RQM/s1600/tornozeleira.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 129px; FLOAT: left; HEIGHT: 87px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5659342811248131378" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-we-3PyaGsKQ/TooGTWaa_TI/AAAAAAAAB0A/VXZJYkX0RQM/s200/tornozeleira.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;strong&gt;Liberdade Vigiada&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Com 5,1 milhões de pessoas em regime de liberdade vigiada nos Estados Unidos, um estudo do Instituto Nacional de Justiça, feito na Flórida, recomenda maior emprego de dispositivos de monitoramento eletrônico no país como alternativa à prisão. De acordo com o estudo, o custo da detenção é seis vezes maior do que o do monitoramento eletrônico. "Os custos são de US$ 20 por dia para o monitoramento eletrônico e de US$ 120 por dia para a prisão", disse, este mês, o xerife de San Francisco, Michael Marcum, ao jornal The Examiner. Mas o custo é mais alto para as pessoas obrigadas a usar o dispositivo, reconhece o estudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para pesquisadores do Centro de Criminologia da Universidade da Flórida, foram entrevistadas pessoas já condenadas por crimes comuns ou violentos, em regime de liberdade provisória, liberdade condicional ou prisão domiciliar. Não participaram do estudo pessoas em liberdade vigiada antes do julgamento. Em várias áreas dos EUA, há programas de monitoramento eletrônico para pessoas que são acusadas de crime, mas não têm dinheiro para pagar a fiança estipulada pelo juiz. Ele oferece então a elas a alternativa do monitoramento eletrônico a aguardar o julgamento na cadeia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também foram ouvidos os agentes judiciários encarregados de vigiá-las. Houve unanimidade entre as duas fontes de informação sobre alguns fatos. Por exemplo: o monitoramento eletrônico estigmatiza socialmente as pessoas vigiadas, dificulta seus relacionamentos e suas atividades familiares, além de prejudicá-las no trabalho. E houve discordâncias: 58% dos agentes acreditam que o monitoramento eletrônico dificulta a fuga das pessoas em liberdade vigiada, enquanto 85% dos monitorados afirmam que o dispositivo não impede ninguém de desaparecer no mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em sua análise quantitativa, o estudo mostrou: 1) o monitoramento eletrônico reduziu em 31% o índice de falhas das pessoas vigiadas em cumprir as regras do sistema, em comparação com os métodos convencionais; 2) o índice de falhas em cumprir as regras da liberdade vigiada foi maior entre pessoas acusadas de crimes violentos do que entre as acusadas de crimes sexuais, crimes contra a propriedade, tráfico de drogas e outros tipos de crimes; 3) o índice de falhas foi menor entre as pessoas monitoradas eletronicamente por GPS (Global Positioning Systems) do que por sistemas de rádio frequência (RF).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na análise qualitativa, o estudo indica que, de uma maneira geral, o monitoramento cumpre seus objetivos primários de forçar as pessoas a cumprirem os termos da liberdade vigiada, rastrear os usuários do dispositivo, reduzir a reincidência e proteger o público. Mas cria distorções. Por exemplo, o público associa o uso do dispositivo de monitoramento eletrônico a criminosos sexuais, porque a imprensa faz constantemente essa associação ao noticiar casos de abuso sexual — um alto preço para pessoas acusadas de cometer crimes mais leves.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Custos do monitoramento eletrônico&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;As pessoas em liberdade vigiadas podem ter ou não um custo financeiro pelo monitoramento eletrônico e também pela supervisão. Os pagamentos mensais pelo monitoramento eletrônico, fixados pelos tribunais, foram dispensados para 39% (pouco mais de um terço) dos monitorados. Entre os 61% que foram obrigados a pagar, 53% não estão efetuando os pagamentos mensais; 15% pagam menos de US$ 50; 6%, de US$ 51 a US$ 100; 12% de US$ 101 a US$ 200; e 14%, mais de US$ 201. A média é de US$ 64 por mês.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os pagamentos mensais pelos serviços de supervisão foram dispensados para 32% dos monitorados. Dos 68% que têm de pagar, 48% não pagaram nada; 28% estão pagando menos de US$ 50. 12% de US$ 51 a US$ 100; 5% de US$ 101 a US$ 200; 5% mais de US$ 201. A média é de US$ 38,70 por mês.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Relacionamentos&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Entre os monitorados com relacionamentos conjugais, apenas 14% descreveram seus parceiros como compreensivos e solidários; 43% deles disseram que o relacionamento foi bastante prejudicado pelo uso do dispositivo de monitoramento eletrônico que traz problemas e algumas inconveniências para seus parceiros; 15%, que o tempo com seus parceiros foi reduzido; 28%, que não houve um impacto significativo. Entre os agentes judiciários, 89% declararam que o dispositivo causa mudanças significativas no relacionamento dos monitorados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com relação aos filhos, 37% dos monitorados disseram que não percebem um efeito significativo; 6%, que seus filhos não entendem a razão das restrições impostas pelo monitoramento; 32%, que houve um impacto negativo e distanciou as crianças; 14%, que o regime limita os lugares que podem ir com os filhos. Os pesquisadores destacaram as seguintes declarações: "Sinto como se meus filhos também estivessem na prisão"; "Meu filho amarra um relógio em seu calcanhar para ficar como o pai"; "Quando o dispositivo toca, as crianças se agitam, porque pensam que a Polícia está vindo para me levar para a cadeia". Entretanto, 7% declararam que a família viu um lado bom: ele fica mais tempo em casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com relação aos amigos, 42% dos monitorados declararam que não veem um efeito significativo; 29%, que ficou difícil fazer novos amigos; 16%, que se afastaram dos velhos amigos; 5%, que seus amigos ficam envergonhados e já não se sentem à vontade com a amizade; 5%, que não têm mais amigos; 2%, que o dispositivo deixa as pessoas curiosas e é motivo para início de conversas; 1%, que fizeram amigos na vizinhança, que sentiram vontade de lhe dar apoio. Declarações destacadas pelos pesquisadores: "Que amigos?"; "Eles fazem piadas: quem é aquele com uma TV amarrada no calcanhar?"; "Não deixo eles saberem. Escondo o dispositivo"; "Cortei relações com todos os amigos, porque não posso ir a lugar algum".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Busca de trabalho&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Na busca de emprego, 61% dos monitorados declararam que foram prejudicados pelo dispositivo de monitoramento eletrônico, que tem de permanecer visível todo o tempo, quando foram a entrevistas. Fatos relatados: ao notar o dispositivo, os empregadores assumem uma atitude defensiva; mesmo que o monitorado se saia bem na entrevista, o telefone confirmando o emprego nunca chega; a maioria dos empregadores pensa que você é um criminoso perigoso, sem sequer perguntar quais foram as acusações; empregadores dizem que podem assustar e afastar clientes; empregadores acham que os clientes vão associar a empresa com o funcionário "criminoso".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre os monitorados que perderam seus empregos, 32% disseram que a causa foi a perda do sinal do dispositivo, quando dentro de um prédio por tempo superior ao limite (o sistema emite um alarme que assusta as pessoas ou o monitorado tem de sair à rua e permanecer lá por uns 15 minutos para o sinal ser restabelecido); 28%, por causa da limitação de sua flexibilidade de horários, tempo de trabalho, distância da casa, etc.; 27%, por causa de responsabilidades pessoais; 5%, por causa de clientes que não gostaram de ver o dispositivo; 8%, por outras razões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre os monitorados que não foram demitidos, 25% têm problemas, de qualquer forma; 75% deles trabalham menos do que poderiam ou gostariam; 15% declararam que não podem fazer horas extras; 60% disseram que seus problemas são o horário de ir para casa, limitações de viagens e flexibilidade reduzida; 10%, que as pessoas respondem negativamente ao perceberem o aparelho. Entre as autoridades judiciárias, 94,4% (9 em 10) declararam acreditar que os monitorados têm problemas na área de trabalho por causa do dispositivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por João Ozório de Melo&lt;br /&gt;Fonte: ConJur&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7886365662321466444-2809694229816192064?l=brunocazevedo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/feeds/2809694229816192064/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/2011/10/estudo-avalia-pros-e-contras-do.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7886365662321466444/posts/default/2809694229816192064'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7886365662321466444/posts/default/2809694229816192064'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/2011/10/estudo-avalia-pros-e-contras-do.html' title='Estudo avalia prós e contras do monitoramento eletrônico'/><author><name>Bruno Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17031419237830207454</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mxosEtKo4wo/TKPg-Lm-1dI/AAAAAAAABN4/3YzzPQwxslE/S220/bruno2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-we-3PyaGsKQ/TooGTWaa_TI/AAAAAAAAB0A/VXZJYkX0RQM/s72-c/tornozeleira.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7886365662321466444.post-8846291887607453942</id><published>2011-09-29T14:25:00.000-07:00</published><updated>2011-09-29T14:31:04.318-07:00</updated><title type='text'>TJ-RS nega emancipação para adolescente de 15 anos</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-jQyvtclEpAs/ToTjflmRapI/AAAAAAAABz4/nna04PZ_0TU/s1600/vedado.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 98px; FLOAT: right; HEIGHT: 99px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5657897163692272274" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-jQyvtclEpAs/ToTjflmRapI/AAAAAAAABz4/nna04PZ_0TU/s200/vedado.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;strong&gt;Vedação legal&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;O fato de conviver em união estável não é motivo para conceder emancipação à jovem menor de idade. Afinal, este regime de união se equipara ao casamento somente para a finalidade de constituir família. Com este entendimento, a 7ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul julgou improcedente a emancipação de uma adolescente que vive maritalmente com seu companheiro desde os 14 anos na cidade de São Gabriel. A decisão é do dia 29 de junho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A jovem entrou na Justiça, representada por sua mãe, alegando que a união estável é uma forma de casamento e, como tal, deve ser considerada também como hipóteses para emancipação. Conforme a autora, o fato de já ter um filho corrobora com o pedido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na primeira instância, a juíza Camila Celegatto Cortello Escanuela, da 2ª Vara Cível da Comarca de São Gabriel, negou a pretensão. A autora, então, recorreu ao Tribunal de Justiça, com os mesmos argumentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O relator do recurso na 7ª Câmara Cível, desembargador Sérgio Fernando de Vasconcellos Chaves, manteve a sentença. Ele lembrou que o Código Civil é claro no sentido de que, para ser possível a emancipação, é necessário que o menor tenha 16 anos completos. Ou seja, em tais condições, o pai e a mãe podem conceder, ou um deles na falta do outro, a emancipação do filho menor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;‘‘No presente caso, a jovem conta apenas 15 anos de idade, sendo totalmente descabido o pedido de emancipação, nos exatos termos do que dispõe artigo 5º, parágrafo único, inciso I, do Código Civil’’, arrematou o julgador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O voto foi seguido, por unanimidade, pelos desembargadores André Luiz Planella Villarinho e Roberto Carvalho Fraga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fonte: ConJur&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7886365662321466444-8846291887607453942?l=brunocazevedo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/feeds/8846291887607453942/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/2011/09/tj-rs-nega-emancipacao-para-adolescente.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7886365662321466444/posts/default/8846291887607453942'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7886365662321466444/posts/default/8846291887607453942'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/2011/09/tj-rs-nega-emancipacao-para-adolescente.html' title='TJ-RS nega emancipação para adolescente de 15 anos'/><author><name>Bruno Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17031419237830207454</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mxosEtKo4wo/TKPg-Lm-1dI/AAAAAAAABN4/3YzzPQwxslE/S220/bruno2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-jQyvtclEpAs/ToTjflmRapI/AAAAAAAABz4/nna04PZ_0TU/s72-c/vedado.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7886365662321466444.post-5427669167271704612</id><published>2011-09-28T11:48:00.000-07:00</published><updated>2011-09-28T11:54:14.871-07:00</updated><title type='text'>“Há uma tentativa de emparedar o STF”, diz ministro</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-xizM7noHLZQ/ToNs7Ri6tRI/AAAAAAAABzw/cvPhFlx-Cgc/s1600/pres.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 96px; FLOAT: left; HEIGHT: 90px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5657485322485413138" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-xizM7noHLZQ/ToNs7Ri6tRI/AAAAAAAABzw/cvPhFlx-Cgc/s200/pres.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;strong&gt;Sob Pressão&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Os ataques e acusações generalizadas de corrupção contra juízes, às vésperas de o Supremo Tribunal Federal decidir o alcance do poder correcional do Conselho Nacional de Justiça, são uma tentativa de emparedar os ministros da mais alta corte do país. A opinião é do ministro Luis Felipe Salomão, do Superior Tribunal de Justiça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Algumas declarações genéricas somadas a uma grande articulação contra o julgamento que se avizinha são uma clara tentativa de emparedar publicamente os ministros do Supremo Tribunal Federal. Nem a ditadura ousou fazer isso. Não deveria ser feito por quem também usa toga”, afirmou o ministro à revista Consultor Jurídico, em referência indireta à sua colega, ministra e corregedora nacional de Justiça Eliana Calmon.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As afirmações do ministro do STJ engrossam o coro de juízes que reagiram com indignação e virulência contra declarações da corregedora nacional de Justiça em entrevista concedida à Associação Paulista de Jornais (APJ) e reproduzidas pela ConJur e por jornais de grande circulação. Na entrevista, Eliana afirmou que limitar os poderes da Corregedoria do CNJ “é o primeiro caminho para a impunidade da magistratura, que hoje está com gravíssimos problemas de infiltração de bandidos que estão escondidos atrás das togas”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A reação à entrevista foi proporcional à força das afirmações da ministra que, entre outras coisas, afirmou que só conseguiria inspecionar o Tribunal de Justiça de São Paulo “no dia em que o sargento Garcia prender o Zorro”. Além do TJ paulista e do Tribunal Superior do Trabalho, tribunais e associações de classe de todo o país emitiram notas de repúdio às declarações, na esteira do que fez, no início da manhã de terça-feira (27/9) o CNJ, comandado pelo presidente Cezar Peluso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O presidente do STJ, ministro Ari Pargendler, convocou uma sessão plenária para as 18h30 de terça para discutir se o tribunal também publicaria uma nota contra as declarações. Muitos ministros não compareceram à reunião, na qual se decidiu que a corte não emitiria nota alguma. Por unanimidade, os ministros do STJ recusaram-se a emitir uma nota direta contra sua colega Eliana Calmon. Decidiram que não era o caso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os termos da nota se limitariam a reafirmar a confiança do tribunal na magistratura diante de “declarações genéricas” que teriam ofendido toda a classe. Nenhuma referência direta seria feita à corregedora. Mas, nesse quesito, a maioria dos ministros entendeu que a nota ficaria tão genérica quanto as afirmações de Eliana, o que os demoveu da ideia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas discussões, alguns ministros disseram que a publicação de qualquer manifestação do tribunal deveria ser feita apenas depois de ouvir explicações da ministra. O presidente Ari Pargendler e o ministro Gilson Dipp, antecessor de Eliana Calmon na Corregedoria do CNJ, foram os mais críticos em relação às declarações da colega. A maioria, contudo, decidiu que não deveria haver manifestação alguma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ministro Luis Felipe Salomão não esteve presente à sessão, mas enviou ofício pessoal ao presidente do Supremo, ministro Cezar Peluso. “Nesse momento grave pelo qual passa a magistratura brasileira, com ataques levianos e generalizados às garantias e predicamentos da jurisdição, tê-lo à frente do Supremo Tribunal Federal conforta e, ao mesmo tempo, estimula o bom combate, em prol de um Judiciário forte e independente, pilares do Estado Democrático de Direito. Parabéns pela atuação firme em defesa da cidadania”, escreveu na correspondência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em conversa com a ConJur, Salomão disse que há um movimento orquestrado para tentar intimidar o STF no julgamento dos limites da competência do CNJ. De acordo com o ministro, os juízes não defendem os desvios cometidos por colegas: “Não queremos passar a mão na cabeça de ninguém ou fazer vista grossa a desvios, mas generalizar acusações conspira contra o funcionamento do próprio Poder Judiciário. É contraproducente”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Se há coragem para tentar intimidar ministros do STF, como poderemos garantir a independência de juízes de primeira instância? O juiz intimidado é aquele que julgará as causas que interessam aos cidadãos. A reação à generalização revela uma preocupação com o Estado Democrático de Direito”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Reação togada&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;A expressão Estado Democrático de Direito, aliás, foi usada por Peluso em diversos momentos da reunião administrativa em que os conselheiros do CNJ decidiram, por unanimidade, emitir a nota que provocou a reação em cadeia contra as declarações de Eliana Calmon. Só não assinaram a nota, além da ministra, os conselheiros Jefferson Kravchychyn e José Lúcio Munhoz, que não estavam presentes à sessão desta terça-feira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os advogados que aguardavam o começo da sessão do CNJ na terça-feira estranharam a movimentação no plenário. Às 9h40, quando a sessão já devia ter começado e muitos conselheiros ocupavam seus lugares à espera da chegada de outros colegas e do presidente do CNJ, ministro Cezar Peluso, para dar início aos trabalhos, a sala de sessões se esvaziou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Peluso os havia convocado para uma sessão administrativa extraordinária. Minutos antes, um conselheiro foi ao ministro prestar solidariedade por conta de um artigo publicado pelo professor Marco Antonio Villa, da Universidade Federal de São Carlos. Com o título Um Poder de Costas para o País, o texto publicado no jornal O Globo faz críticas ácidas ao STF e ao próprio Cezar Peluso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“O Marco Antonio Villa não foi nada”, respondeu Peluso. O presidente do STF e do CNJ estava furioso, sim, mas com as declarações de Eliana Calmon. Relatou aos colegas que havia recebido ligações de juízes e desembargadores de todas as partes do país, além de colegas do próprio Supremo. Com a notícia publicada pelo jornal Folha de S.Paulo à sua frente, Peluso batia na mesa, em cima do diário, e bradava: “Eu quero saber o que o Conselho vai fazer”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A notícia circulou entre os conselheiros que ainda não haviam lido, enquanto o ministro Peluso reforçava que em seus 40 anos de magistratura nunca havia se defrontado com acusações tão graves, que considerava um ataque ao Estado Democrático de Direito. Sentada ao lado de Peluso, a ministra Eliana Calmon ouviu a preleção de Peluso em silêncio e, enquanto alguns conselheiros ainda liam suas declarações, pediu para falar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem ao seu estilo, a ministra não negou as declarações. Disse que há, sim, juízes criminosos na magistratura, reafirmou suas posições em favor do poder do CNJ e disse que sua preocupação também é com o Estado Democrático de Direito. Assessores próximos da ministra relatam que as declarações foram dadas de boa fé e que a intenção de Eliana Calmon não foi fazer generalizações, mas chamar a atenção para o fato de que muitos podem ficar impunes se o poder do CNJ for limitado pelo Supremo. “A ministra reforçou sua convicção de que ao combater os maus juízes, está privilegiando os bons. E também têm a consciência de que os desvios são feitos pela minoria”, disse um de seus assessores na Corregedoria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As explicações não foram suficientes para desarmar o ministro Peluso. “Se Vossa Excelência tem conhecimento de desvios, cumpra sua função, traga os nomes para o CNJ e os processe, porque assim poderemos punir todos eles. Mas não generalize”. A ministra afirmou que entraves atrapalham parte das investigações. Peluso insistiu: “Então, relate os problemas”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A partir daí, Eliana permaneceu calada na maior parte da reunião, que durou quase duas horas. Todos os conselheiros falaram. A maioria criticando a postura da ministra, inclusive os que defendem sua tese de que o CNJ tem poderes para investigar juízes antes das corregedorias dos tribunais locais. Poucos tentaram contemporizar. Alguns exigiram retratação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O conselheiro Fernando Tourinho foi um dos que exigiu que Eliana se retratasse. Como o ministro Luis Felipe Salomão, Tourinho entende que os ataques são uma tentativa de pressionar os juízes a encampar a tese da corregedora. “Da forma como as coisas estão colocadas, se passa a impressão de que quem é contra a tese da competência concorrente é a favor da corrupção. Não se trata disso”, afirmou o conselheiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Peluso, então, propôs que o Conselho emitisse uma nota. Imediatamente, o conselheiro Sílvio Rocha pediu aos colegas uma caneta emprestada e começou a rascunhar os termos da nota. Alguns ainda falaram em retratação, mas a maioria entendeu que a corregedora não deveria se manifestar. Eliana, então, colocou um pouco mais de gasolina na fogueira: “É melhor mesmo que eu fique calada”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eliana Calmon ficou isolada. Não encontrou apoio nem mesmo entre os conselheiros que habitualmente saem em sua defesa, como Gilberto Valente Martins e Jorge Hélio. O conselheiro Valente Martins tentou apenas acalmar um pouco os ânimos. Em vão. Um dos conselheiros ouvidos pela ConJur disse que a intenção da nota não foi desmoralizar a corregedora ou enfraquecê-la no CNJ.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“A intenção do Conselho foi apenas esclarecer que as generalizações não eram devidas. É possível que alguns tenham querido criticar a ministra, outros a matéria do jornal. Mas o foco da nota não foi desautorizar a ministra como corregedora, mas deixar claro que não concorda com generalizações”, afirmou o conselheiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto muitos ainda comentavam e criticavam a postura de Eliana Calmon, o ministro Peluso pediu o rascunho da nota ao conselheiro Sílvio Rocha e passou a escrever a nota definitiva. Os conselheiros apenas observaram que deveria ficar claro que a reação era motivada pela generalização, que enfraquece a imagem do Judiciário e a consequente confiança da sociedade, não por mero corporativismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quase ao meio-dia, a sessão do CNJ foi aberta com a leitura da nota, diante de uma ministra Eliana Calmon calada como poucas vezes se viu em sessões das quais participa. Ao final da sessão, em torno das 18h, Peluso já fazia piadas com os conselheiros, experimentando uma sensação de vitória.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Limites do CNJ&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Nesta quarta-feira (28/9), o Supremo poderá definir os limites do poder correcional do CNJ. Está na pauta do tribunal a Ação Direta de Inconstitucionalidade 4.638, na qual a Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) afirma que o Conselho não tem competência para uniformizar o trâmite de processos administrativos disciplinares contra juízes e as penas previstas para os casos de punição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De acordo com a entidade, a competência para isso é dos tribunais ou do legislador e não cabe ao um órgão administrativo como o CNJ fixar as regras. A AMB contesta a Resolução 135 do CNJ, aprovada em julho. Segundo a ação, o Conselho tem poder para processar juízes desde que isso ocorra “sem prejuízo da competência disciplinar e correcional dos tribunais”. O relator do processo é o ministro Marco Aurélio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Compõe os argumentos da AMB contra a resolução a polêmica em torno da competência concorrente ou subsidiária do CNJ em relação às corregedorias dos tribunais de Justiça e tribunais regionais federais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há diversos processos no Supremo em que os ministros suspenderam decisões do CNJ por considerar que o Conselho só pode agir depois das corregedorias locais ou em caso de omissão destas. Todas as decisões dos ministros do STF tomadas sobre o tema até agora foram monocráticas. Por isso, a definição da questão ainda está pendente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por Rodrigo Haidar&lt;br /&gt;Fonte: ConJur&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7886365662321466444-5427669167271704612?l=brunocazevedo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/feeds/5427669167271704612/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/2011/09/ha-uma-tentativa-de-emparedar-o-stf-diz.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7886365662321466444/posts/default/5427669167271704612'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7886365662321466444/posts/default/5427669167271704612'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/2011/09/ha-uma-tentativa-de-emparedar-o-stf-diz.html' title='“Há uma tentativa de emparedar o STF”, diz ministro'/><author><name>Bruno Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17031419237830207454</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mxosEtKo4wo/TKPg-Lm-1dI/AAAAAAAABN4/3YzzPQwxslE/S220/bruno2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-xizM7noHLZQ/ToNs7Ri6tRI/AAAAAAAABzw/cvPhFlx-Cgc/s72-c/pres.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7886365662321466444.post-8758452782338516503</id><published>2011-09-23T05:50:00.000-07:00</published><updated>2011-09-23T05:54:00.980-07:00</updated><title type='text'>EUA tiveram mais de 13 milhões de prisões em 2010</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-UiqHOafCNJY/TnyBS_9tSLI/AAAAAAAABzo/_36a6znynWY/s1600/eua.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 110px; FLOAT: right; HEIGHT: 94px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5655537395478382770" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-UiqHOafCNJY/TnyBS_9tSLI/AAAAAAAABzo/_36a6znynWY/s200/eua.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;strong&gt;Radiografia do crime&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Em 2010, foram registrados mais de 10,3 milhões de crimes nos Estados Unidos — 1.246.248 crimes violentos contra a pessoa e 9.082.887 crimes contra a propriedade. Foram feitas mais de 13 milhões de prisões (o número maior que o de crimes reflete o fato de muitas pessoas serem presas mais de uma vez durante o ano). Em um press release referente ao relatório anual sobre a criminalidade nos Estados Unidos, o FBI (departamento federal de investigações dos EUA) destacou a queda, em relação a 2009, de 6% do número de crimes violentos e de 2,7% do número de crimes contra a propriedade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De acordo com o relatório, divulgado esta semana pelo FBI, o índice foi de 403,6 crimes violentos por 100 mil habitantes, em 2010. Entre os crimes violentos, o mais comum foi a "agressão com agravante" (62,5% do total). Seguiram-se os roubos com violência (29,5%), estupro violento (6,8%) e homicídio (1,2%). Para seu relatório, o FBI coleta dados sobre 28 tipos de crime.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A hierarquia da gravidade dos "crimes violentos" nos EUA é: 1) murder (assassinato premeditado) e nonnegligent manslaughter (homicídio voluntário sem premeditação, ocorrido "no calor da paixão", como o crime passional ou o resultante de uma provocação); 2) robbery (roubo com uso de força ou ameaça de força, como assalto a mão armada); 3) forcible rape (estupro com o uso de força, coerção ou abuso de autoridade de uma pessoa que não dá — ou não pode dar — seu consentimento para o ato sexual); 4) aggravated assault (agressão com agravante, isto é, deliberada, com a intenção de causar ferimentos físicos).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seguem-se, na hierarquia, os "crimes contra a propriedade": 5) burglary (arrombamento com o fim de cometer um crime, como roubo); 6) larceny-theft (apropriação indébita, furto/roubo); 7) motor vehicle theft (roubo de carro). Arson (incêndio criminoso) — embora seja um crime contra a propriedade, não está incluído na regra da hierarquia dos crimes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foram registrados 12,996 assassinatos em 2010 (média de 35,6 por dia) — excluídos desse total os homicídios que o FBI define como "justificáveis". Das vítimas, 77,4 eram homens; 50,4% eram negros, 47% brancos; e 2,6% de outras raças (não foram registradas as raças de 152 vítimas). Entre os acusados de assassinato, 90,3% eram homens; 53,1% eram negros; 44,6% eram brancos; e 2,3% eram de outras raças (não foram registradas as raças de 4.224 acusados).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobre o aspecto do relacionamento entre o assassino e a vítima: 53% foram mortas por pessoas de seu círculo de relacionamento (conhecidos, vizinhos, amigos, namorados, etc.); 24,8% foram mortas por membros da família; 22,2% foram mortas por desconhecidos. Mas em 44% dos casos de assassinato o relacionamento entre agressor e vítima não foi relatado. Entre as vítimas femininas, em que o relacionamento foi relatado, 37,5% foram mortas por seus maridos ou namorados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 5.544 casos, em que o relacionamento entre vítima e agressor foi relatado, as vítimas foram: 110 maridos, 603 esposas, 107 mães, 135 pais, 256 filhos, 197 filhas, 88 irmãos, 19 irmãs, 287 (outros) familiares, 2.723 conhecidos, 396 amigos, 131 namorados e 492 namoradas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em respeito às circunstâncias que envolveram os crimes, quando relatadas, 41,8% das vítimas foram mortas devido a brigas (incluindo as derivadas de triângulos amorosos); 23,1% devido a crimes dolosos (estupros, assaltos a mão armada, roubos, etc.). Em 35,8% dos casos, as circunstâncias dos homicídios não foram relatadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do total de 12.996 assassinatos, 41 pessoas morreram em decorrência de estupro; 780 em assalto a mão armada; 80 em roubo com invasão de propriedade; 20 em roubos e furtos; 37 em roubos de veículos; 35 em incêndios criminosos; 5 em casos de prostituição; 14 em casos de ataque sexual; 463 em casos relacionados ao narcotráfico; 7 em casos relacionados a jogos de azar; 441 em casos de crime dolosos não especificados; 66 em casos em que houve suspeita de crime doloso; 6,351 em outros tipos de crime que não o doloso; 90 em decorrência de triângulos amorosos; 36 crianças foram mortas pela babá; 121 pessoas foram mortas por causa de brigas sob a influência do álcool; 58, de brigas sob a influência de drogas; 181, de brigas relacionadas a dinheiro ou a propriedade; 3,215 por causa de outros tipos de brigas; 176 foram mortas por gangs; 673 adolescentes também foram mortos por gangs; 17 em casos de homicídios institucionais (como em prisões); 3 foram mortas por franco-atiradores; 1,781 por causas não especificadas; 4,656 por crimes não desvendados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dos 665 homicídios como "justificáveis" pelo FBI, 387 foram cometidos por agentes policiais e 278 por cidadãos privados, "enquanto o cometimento de um crime estava em andamento".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Armas de fogo foram usadas em 65,5% dos assassinatos, em 41,4% dos roubos violentos e em 20,6% das agressões com agravante (não há levantamento de dados sobre o uso de armas em estupro). Outros instrumentos usados nos crimes: facas e outros instrumentos cortantes (13,1%), mãos, punhos, pés, etc. (5,8%), desconhecidos (13,6%).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dos 9.082.887 crimes contra a propriedade, o mais comum foi o de "roubos e furtos" (68,2% do total); seguem-se roubo com invasão de propriedade (23.8%) e roubos de veículos (8,1%). A proporção foi de 2.942 crimes por 100 mil habitantes, em 2010. Os prejuízos foram estimados em US$ 15,7 bilhões, dos quais 21% foram recuperados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do total de 449.246 assaltos a mão armada, 200.062 foram nas ruas e estradas, 61.266 em casas de comércio, 12.125 em postos de gasolina, 25.023 em lojas de conveniência, 64.288 em residências, 9.631 em bancos e 76.852 em locais não relatados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do total de 2.194.993 roubos em propriedade alheia, 1.453.002 foram em residências (413.678 durante a noite, 708.807 durante o dia, 330.517 em horário desconhecido); 741.991 foram em lojas, escritórios e outros estabelecimentos (308.658 durante a noite, 235.666 durante o dia e 197.668 em horário desconhecido).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do total de 6.626.363 roubos e furtos, 28.854 foram em bolsos, 40.114 de bolsas, 875.191 em lojas, 1.757.565 de veículos, 640.549 de acessórios de veículos, 231.915 de bicicletas, 832.186 de prédios, 35.367 de máquinas de vendas automáticas e 2.184.623 não especificados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 2010, foram efetuadas 13.120.947 prisões (sem contar as prisões por violações às leis do tráfego e as feitas pela imigração). Dessas prisões, 552.077 foram por crimes violentos; 1.643.962 por crimes contra a propriedade; 1.638.846 por produção, tráfego ou uso excessivo de drogas (o maior número de prisões por um crime específico); 1.412.223 por dirigir sob a influência do álcool; 1.271.410 por roubos e furtos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do total das prisões na área de narcóticos, 18,1% foram por produção ou tráfego de drogas (6,2% de heroína, cocaína e derivados; 6,3% de maconha; 1,8% de drogas sintéticas ou manufaturadas, 3,7% de outros narcóticos) e 81,9% foram pelo uso de drogas (16,4% de heroína, cocaína e derivados; 45,8% de maconha; 4,1% de drogas sintéticas ou manufaturadas e 15,7% de outros narcóticos).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em proporção, o índice foi de 4.257,6 de presos por 100 mil habitantes, em 2010; por crimes violentos, o índice foi de 179,2 presos por 100 mil habitantes; por crimes contra a propriedade, 538,5 por 100 mil. Quase três quartos de todas as prisões no ano foram de homens; 80,5% das prisões decorrentes de crimes violentos foi de homens; 69,4% das prisões por crimes contra a propriedade foi de homens. Do total de presos, 69,4% eram brancos, 28% eram negros e 2,6% eram de outras raças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O FBI não comenta, em seu relatório, o percentual maior de prisões de brancos. Mas a explicação é: da população de mais de 300 milhões de habitantes dos EUA, 72% são da raça branca e menos de 13% da raça negra — o restante da raça hispânica e outras raças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por João Osório de Melo&lt;br /&gt;Fonte: ConJur&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7886365662321466444-8758452782338516503?l=brunocazevedo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/feeds/8758452782338516503/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/2011/09/eua-tiveram-mais-de-13-milhoes-de.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7886365662321466444/posts/default/8758452782338516503'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7886365662321466444/posts/default/8758452782338516503'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/2011/09/eua-tiveram-mais-de-13-milhoes-de.html' title='EUA tiveram mais de 13 milhões de prisões em 2010'/><author><name>Bruno Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17031419237830207454</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mxosEtKo4wo/TKPg-Lm-1dI/AAAAAAAABN4/3YzzPQwxslE/S220/bruno2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-UiqHOafCNJY/TnyBS_9tSLI/AAAAAAAABzo/_36a6znynWY/s72-c/eua.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7886365662321466444.post-4653143174914869020</id><published>2011-09-22T08:00:00.000-07:00</published><updated>2011-09-22T11:05:03.417-07:00</updated><title type='text'>O testamento de Machado de Assis</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-SMQhp1AR9G8/Tnt23pqy2bI/AAAAAAAABzg/XqJZHQATpng/s1600/bruxo.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 112px; FLOAT: left; HEIGHT: 121px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5655244455544019378" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-SMQhp1AR9G8/Tnt23pqy2bI/AAAAAAAABzg/XqJZHQATpng/s200/bruxo.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;strong&gt;Embargos Culturais - &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:Arial;"&gt;O Bruxo do Cosme Velho&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Ainda que o escritor Joaquim Maria Machado de Assis tenha desejado que seu segundo testamento não fosse revelado, salvo em caso de necessidade judicial, há a mancheias cópias do documento. Fio-me, na construção do presente ensaio, de reprodução encontrada em interessante livro de Daniel Pizza, exuberante em material iconográfico[1]. No caso, tem-se cópia do rascunho do documento, de próprio punho do escritor. Intrigante a caligrafia do bruxo do Cosme Velho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O testamento de Machado de Assis permite que se problematizem os limites entre propriedade comum e propriedade imaterial, esta última, especialmente, em sua percepção de propriedade intelectual. É o meu argumento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Declarando-se morador da Rua Cosme Velho nº 18, Machado de Assis redigiu o curto documento na expectativa genérica de expressar sua derradeira vontade. Escreveu que era natural do Rio de Janeiro, onde nascera em 21 de junho de 1839. Afirmou ser filho legítimo de Francisco José de Assis e de Maria Leopoldina Machado de Assis, ambos, por óbvio, então falecidos à época da redação do testamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anotou que se casou com Carolina Augusta de Novaes Machado de Assis em 12 de novembro de 1869. À época da redação do segundo testamento Machado de Assis já era viúvo: Carolina morreu em 20 de outubro de 1904. Foi sepultada no Rio de Janeiro, no Cemitério São João Baptista. Machado de Assis também informou que Carolina nascera em Portugal, na cidade do Porto, e que era filha legítima de Antonio Luiz de Novaes e de Custodia Emília Xavier de Novaes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Machado de Assis afirmou que desejava ser enterrado junto à esposa, na mesma sepultura, indicando inclusive o número do jazigo (1.359). Lembrou da necessidade de obtenção de licenças, necessárias para a realização da determinação. Rabiscou afirmação de que desejava que abaixo da inscrição de seu nome junto ao túmulo, também se indicasse suas datas de nascimento e morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Declarou que inutilizara um testamento que fizera em 30 de junho de 1898, no qual instituía sua então esposa como herdeira universal. Esse primeiro testamento, de acordo com Machado de Assis, fora aprovado por tabelião no Rio de Janeiro, de nome Pedro Evangelista de Castro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Machado de Assis, por ocasião da morte de Carolina, fizera partilha amigável com sua cunhada, Adelaide Xavier de Novaes, e também com seus sobrinhos, Sara Braga da Costa, Arnaldo Arthur Ferreira Braga e Ariosto Arcádio de Novaes Braga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No segundo testamento, aqui tratado, Machado de Assis declarou-se possuidor de doze apólices da dívida pública. Cada uma dela valia um conto de réis. Venciam juros de 5% ao ano. As apólices estavam custodiadas pelo London and Brazilian Bank, Limited. O escritor também declarou que possuía dinheiro depositado em conta corrente, na Caixa Econômica, em caderneta, tombada sob o número 14.304.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Machado de Assis legou todos os valores que possuía a Laura, sua sobrinha neta, filha de sua sobrinha e comadre, Sara Braga da Costa, e de seu cunhado e compadre, Major Bonifácio Gomes da Costa. É para Laura que Machado de Assis deixou também seus móveis, livros e demais objetos. Laura era a herdeira universal dos bens do escritor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Machado de Assis nomeou como testamenteiros o já citado Major Bonifácio, bem como os amigos Heitor Cordeiro e Julian Lamac, este último então gerente da Casa Garnier. É o que se lê no rascunho do testamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O testamento de Machado de Assis sintetiza vida de homem simples, e que morreu sem bens materiais de maior expressividade. Não havia propriedade imóvel a ser legada. Machado de Assis deixou pequeno legado material. Porém legou-nos uma obra monumental.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não há no testamento disposições sobre personagens emblemáticos como Capitu, Bentinho, Escobar, Brás Cubas, Simão Bacamarte, Conselheiro Aires, Pedro, Paulo, Quincas Borba, Virgília, Lobo Neves, Sofia, Rubião, Fidélia, Aguiar, entre tantos outros. A lista é imensa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E também não há no testamento de Machado de Assis determinações sobre um dos mais amplos estudos já feitos sobre a natureza humana, revelador sensível de nossas neuroses, perversões e psicoses, que captam as negações com as quais a vida nos acena, isto é, quando vivemos na vida real.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E também não há recomendações de estilo, temas, fórmulas de uso linguístico e idiossincrasias que marcam a modo machadiano de ser e de escrever. E ainda não há também pistas para o que se fazer com geniais construções dramáticas de cenas de adultério e de ciúme, como lemos em Missa do Galo, Mariana, A Cartomante, D. Paula, A carteira, O relógio de ouro, A mulher de preto, Ernesto de Tal, Confissões de uma viúva moça, e tantos outros contos sublimes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O testamento político de Machado de Assis se encontra nas inesquecíveis páginas de Esaú e Jacó, ou em contos muito bem engendrados como Virginius (narrativa de um advogado), O Teles e o Tobias (quadro de costumes políticos), A sereníssima República (Conferência do Cônego Vargas), O Espelho (Esboço de uma nova teoria da alma humana), O jogo do bicho, O velho senado, Pai contra Mãe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seu legado filosófico se aufere em contos também desconcertantes, a exemplo de O sermão do diabo, Ideias de canário, Papéis velhos, O imortal, A igreja do diabo, Como se inventaram os almanaques, apenas para citar alguns mais conhecidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A herança de Machado de Assis foge ao contexto material do testamento e matiza-se, principalmente, por uma fina ironia, que exemplifico com o argumento de Capitu, no sentido de sensibilizar Bentinho para quem não fosse estudar no seminário. Para Capitu, - Padre é bom, não há dúvida; melhor que padre só cônego, por causa das meias roxas. - O roxo é cor muito bonita. Pensando bem, é melhor cônego. – Mas não se pode ser cônego sem ser primeiramente padre (...)- Bem; comece pelas meias pretas, depois virão as roxas. – O que eu não quero é perder a sua primeira missa; avise-me a tempo para fazer um vestido à moda, saia balão e babados grandes...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Machado de Assis confirmou sua ascensão social vendo o mundo em que viveu de cima, como se referiu importante estudioso de sua obra[2]. Inegável que, ao contar suas histórias, Machado de Assis escreveu e reescreveu a história do Brasil no século XIX[3], fazendo-o, porém, de cima, na imagem de Roberto Schwarz. Há um aburguesamento no modo de se captar o mundo, no qual se admitia a coexistência e a permeação de estratos, dois fenômenos da convivência de duas camadas sociais, a classe e o estamento[4]. Machado era um pessimista, que sobreviveu[5]. Não há se encontrar um chamado para a revolução internacional permanente na obra de Machado de Assis. Ainda bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O testamento de Machado de Assis transcende à sua própria condução do legado de seus bens materiais. Porque, escritor de obra intemporal e universal, Machado resiste aos estereótipos e ao oficialismo com é frequentemente contemplado[6]; sobrevive a todos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto à execução do testamento,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O major Bonifácio Gomes da Costa, que só desembarcara no Rio de Janeiro após o enterro de Machado de Assis, a 20 de outubro de 1908, pediu, na qualidade de primeiro testamenteiro, a abertura do inventário do escritor. A 28 de outubro o major apresentava ao juiz José Augusto de Oliveira a relação dos bens a inventariar, e a 9 de novembro, as declarações finais, acompanhadas de contas por ele pagas, como inventariante, a serem deduzidas do espólio. Uma delas era a das criadas (...) O escritor deixara de pagar-lhes os meses de agosto e setembro, que requereram ao inventariante (...) Deixara Machado também pequenas dívidas, no total de 123$300 (cento e vinte e três mil e trezentos réis), em casas de comércio em que se abastecia, como a Padaria das Laranjeiras, a Victoria Store (...), Grande Estábulo das Vacas, Farmácia das Laranjeiras (...), Açougue Flor de Laranjeiras e Caso de Santo Antonio (carvoaria e quitanda) cujas contas foram pagas, depois, pelo espólio. Este igualmente pagou uma conta de gás (...) Feitas todas as despesas necessárias, coube à herdeira a quantia de líquida de 21:134$098 (vinte e um contos, cento e trinta e quatro mil e noventa e oito réis),que por ela ser menor ficaram sob a guarda de seu pai e testamenteiro (...)[7].&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Testamentos alcançam apenas bens materiais, passíveis de transmissão direta, de aferição imediata. Assim, se a herdeira Laura recebeu os valores que R. Magalhães Júnior nos informa, decorrentes das apólices da dívida, dos depósitos de caderneta de poupança, dos livros, de alguns direitos autorais (que se pulverizam e se dissolvem no tempo), a cultura brasileira herdou uma obra que jamais se esgota. Sempre se revela inesperadamente. Renova-se no horizonte de sentido e nas discussões e interpretações que provoca. É permanente. A herança é universal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É também no testamento de Machado de Assis que o conceito de propriedade imaterial (e intelectual) pode se revelar de modo esclarecedor. A propriedade imaterial é aquela que recai sobre direitos, bens incorpóreos, com direitos autorais, privilégios de invenção, patentes, marcas de fábrica e comércio (...) abrange a propriedade industrial e a propriedade literária, artística e científica[8]. E ainda que alguma forma de legado possa alcançá-la, ela se transmite na complexa estrutura antropológica e sociológica da comunicação das culturas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Criações do intelecto não se materializam de modo muito fácil. E também não se transmitem individualmente de forma muito simples. Substancializam patrimônio comum dos espíritos elevados, ou pelo menos pré-dispostos à aversão ao lugar-comum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A propriedade intelectual e imaterial, em seu sentido mais realista, é de todos, e por isso pode ser também que não seja de ninguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A uma sobrinha-neta, Machado de Assis legou seus dinheiros, apólices, teréns, alfaias, livros. E a toda gente legou impressionante poder criador, uma lição de possibilidades de reinvenção da alma humana, de superação pessoal, num contexto de ceticismo desconcertante. Provoca-nos sentimentos de afeto e de amor à humanidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo muito irônico. E muito mais do que um jogo de palavras. Se pela voz de Brás Cubas o escritor Machado de Assis afirmava que não teve filhos porque não queria transmitir a nenhuma criatura o legado de nossa miséria, seu legado comprova-nos que transmitiu a todas as criaturas um sentido verdadeiramente superior de nossa exuberante condição. Mas isso não estava em seu testamento. E não pode estar no testamento de ninguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BIBLIOGRAFIA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chalhoub, Sidney, Machado de Assis- Historiador, São Paulo: Companhia das Letras, 2003.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diniz, Maria Helena, Dicionário Jurídico, São Paulo: Saraiva, 2008, vol. 4.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Faoro, Raimundo, Machado de Assis: a pirâmide e o trapézio, São Paulo: Editora Globo, 2001.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Magalhães Júnior, R., Machado de Assis, Vida e Obra, vol. 4, Rio de Janeiro: Record, 2008.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marcondes, Ayrton, Machado de Assis- exercício de admiração, São Paulo: A Girafa Editora, 2008.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Piza, Daniel, Machado de Assis, um gênio brasileiro, São Paulo: Imprensa Oficial, 2006.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Schwarz, Roberto, Ao vencedor as batatas, São Paulo: Duas Cidades, Editora 34, 2000.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Viana Filho, Luís, A vida de Machado de Assis, Brasília: Instituto Nacional do Livro, 1974.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[1] Piza, Daniel, Machado de Assis, um gênio brasileiro, São Paulo: Imprensa Oficial, 2006.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[2] Cf. Schwarz, Roberto, Ao vencedor as batatas, São Paulo: Duas Cidades, Editora 34, 2000, p. 231.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[3] Chalhoub, Sidney, Machado de Assis- Historiador, São Paulo: Companhia das Letras, 2003, p . 17.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[4] Faoro, Raimundo, Machado de Assis: a pirâmide e o trapézio, São Paulo: Editora Globo, 2001, p. 17.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[5] Cf. Viana Filho, Luís, A vida de Machado de Assis, Brasília: Instituto Nacional do Livro, 1974, p. 262.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[6] Marcondes, Ayrton, Machado de Assis- exercício de admiração, São Paulo: A Girafa Editora, 2008, p. 331.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[7] Magalhães Júnior, R., Machado de Assis, Vida e Obra, vol. 4, Rio de Janeiro: Record, 2008, p. 416.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[8] Diniz, Maria Helena, Dicionário Jurídico, São Paulo: Saraiva, 2008, vol. 4, p. 957.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por Arnaldo Sampaio de Moraes Godoy&lt;br /&gt;Fonte: ConJur&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7886365662321466444-4653143174914869020?l=brunocazevedo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/feeds/4653143174914869020/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/2011/09/o-testamento-de-machado-de-assis.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7886365662321466444/posts/default/4653143174914869020'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7886365662321466444/posts/default/4653143174914869020'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/2011/09/o-testamento-de-machado-de-assis.html' title='O testamento de Machado de Assis'/><author><name>Bruno Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17031419237830207454</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mxosEtKo4wo/TKPg-Lm-1dI/AAAAAAAABN4/3YzzPQwxslE/S220/bruno2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-SMQhp1AR9G8/Tnt23pqy2bI/AAAAAAAABzg/XqJZHQATpng/s72-c/bruxo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7886365662321466444.post-989344820200159075</id><published>2011-09-16T05:49:00.000-07:00</published><updated>2011-09-16T05:53:24.884-07:00</updated><title type='text'>É possível ação de investigação de paternidade e maternidade socioafetiva</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-JIRNoMkLU4c/TnNGnQQcyrI/AAAAAAAABzY/QrG1zGY9x-8/s1600/pai.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 125px; FLOAT: right; HEIGHT: 111px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5652939597472910002" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-JIRNoMkLU4c/TnNGnQQcyrI/AAAAAAAABzY/QrG1zGY9x-8/s200/pai.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;strong&gt;Força do amor&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;A busca do reconhecimento de vínculo de filiação socioafetiva é possível por meio de ação de investigação de paternidade ou maternidade, desde que seja verificada a posse do estado de filho. No caso julgado, a Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ), em decisão unânime, negou a existência da filiação socioafetiva, mas admitiu a possibilidade de ser buscado seu reconhecimento em ação de investigação de paternidade ou maternidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS) havia rejeitado a possibilidade de usar esse meio processual para buscar o reconhecimento de relação de paternidade socioafetiva. Para o TJRS, seria uma “heresia” usar tal instrumento – destinado a “promover o reconhecimento forçado da relação biológica, isto é, visa impor a responsabilidade jurídica pela geração de uma pessoa” – para esse fim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Analogia&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;A relatora no STJ, ministra Nancy Andrighi, apontou em seu voto que a filiação socioafetiva é uma construção jurisprudencial e doutrinária ainda recente, não respaldada de modo expresso pela legislação atual. Por isso, a ação de investigação de paternidade ou maternidade socioafetiva deve ser interpretada de modo flexível, aplicando-se analogicamente as regras da filiação biológica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Essa aplicação, por óbvio, não pode ocorrer de forma literal, pois são hipóteses símeis, não idênticas, que requerem, no mais das vezes, ajustes ampliativos ou restritivos, sem os quais restaria inviável o uso da analogia”, explicou a ministra. “Parte-se, aqui, da premissa que a verdade sociológica se sobrepõe à verdade biológica, pois o vínculo genético é apenas um dos informadores da filiação, não se podendo toldar o direito ao reconhecimento de determinada relação, por meio de interpretação jurídica pontual que descure do amplo sistema protetivo dos vínculos familiares”, acrescentou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo a relatora, o artigo 27 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) afasta restrições à busca da filiação e assegura ao interessado no reconhecimento de vínculo socioafetivo trânsito livre da pretensão. Afirma o dispositivo legal: “O reconhecimento do estado de filiação é direito personalíssimo, indisponível e imprescritível, podendo ser exercitado contra os pais ou seus herdeiros, sem qualquer restrição, observado o segredo de justiça.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Estado de filho&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Apesar de dar legitimidade ao meio processual buscado, no caso especifico, a Turma não verificou a “posse do estado de filho” pela autora da ação, que pretendia ser reconhecida como filha. A ministra Nancy Andrighi diferenciou a situação do detentor do estado de filho socioafetivo de outras relações, como as de mero auxílio econômico ou mesmo psicológico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conforme doutrina apontada, três fatores indicam a posse do estado de filho: nome, tratamento e fama. No caso concreto, a autora manteve o nome dado pela mãe biológica; não houve prova definitiva de que recebia tratamento de filha pelo casal; e seria de conhecimento público pela sociedade local que a autora não era adotada pelos supostos pais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“A falta de um desses elementos, por si só, não sustenta a conclusão de que não exista a posse do estado de filho, pois a fragilidade ou ausência de comprovação de um pode ser complementada pela robustez dos outros”, ponderou a ministra. Contudo, ela concluiu no caso julgado que a inconsistência dos elementos probatórios se estende aos três fatores necessários à comprovação da filiação socioafetiva, impedindo, dessa forma, o seu reconhecimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O número deste processo não é divulgado em razão de sigilo judicial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fonte: STJ&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7886365662321466444-989344820200159075?l=brunocazevedo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/feeds/989344820200159075/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/2011/09/e-possivel-acao-de-investigacao-de.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7886365662321466444/posts/default/989344820200159075'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7886365662321466444/posts/default/989344820200159075'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/2011/09/e-possivel-acao-de-investigacao-de.html' title='É possível ação de investigação de paternidade e maternidade socioafetiva'/><author><name>Bruno Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17031419237830207454</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mxosEtKo4wo/TKPg-Lm-1dI/AAAAAAAABN4/3YzzPQwxslE/S220/bruno2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-JIRNoMkLU4c/TnNGnQQcyrI/AAAAAAAABzY/QrG1zGY9x-8/s72-c/pai.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7886365662321466444.post-2981404991028155365</id><published>2011-09-14T10:24:00.000-07:00</published><updated>2011-09-14T10:30:43.742-07:00</updated><title type='text'>A ação mais antiga no Supremo já tem 52 anos</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-rEWd-FoQm3g/TnDkZGzwFZI/AAAAAAAABzQ/o7NxufXpswE/s1600/melhor.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 110px; FLOAT: left; HEIGHT: 88px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5652268652325508498" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-rEWd-FoQm3g/TnDkZGzwFZI/AAAAAAAABzQ/o7NxufXpswE/s200/melhor.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;strong&gt;À caminho da melhor idade&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;O processo mais antigo à espera de uma decisão do STF está com 52 anos e três meses de tramitação, há cerca de dois meses. Quando foi protocolado, em junho de 1959, o endereço da Corte não era a Praça dos Três Poderes, em Brasília, mas a Avenida Rio Branco, no Rio de Janeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O atual presidente do Supremo e relator da ação, ministro Cezar Peluso, tinha 16 anos de idade. O ministro mais moço, José Antonio Dias Toffoli, atuais 43 de idade, ainda não havia nascido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até o nome do nosso país era outro: República dos Estados Unidos do Brasil. E o valor da causa foi de cem mil cruzeiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com 12 volumes e três apensos, o processo tem 2.449 páginas - todas amareladas e muitas em processo de desintegração. Várias estão improvisadamente protegidas por sacos plásticos, para não virarem pó. Pelas estimativas dos servidores da casa, essa é, seguramente, a ação em tramitação no Supremo, com maior número de ácaros por página.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ação foi proposta pelo então procurador-geral da República, Carlos Medeiros da Silva, contra o Estado de Mato Grosso, que, naquele tempo, ainda não havia sido dividido. Para colonizar a região, o governo estadual havia doado a seis empresas lotes de terras públicas - hoje localizados em Mato Grosso do Sul -, com áreas superiores a dez mil hectares. O problema é que, pela Constituição de 1946, então em vigor, a doação não poderia ser feita sem prévia autorização do Senado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como isso não ocorreu, o procurador-geral pediu a nulidade dos contratos. Em sua defesa, o governo mato-grossense alegou que não houve cessão das terras e que as seis empresas, em troca do benefício recebido, se comprometeram a promover assentamentos de famílias de agricultores e pecuaristas e construir estradas, escolas, hospitais, olarias, serrarias e campos de aviação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como mostram uma reportagem do jornal O Globo e editorial de O Estado de S. Paulo, desde sua proposição, o processo já teve nove relatores. O primeiro foi o ministro Cândido Motta Filho, que se aposentou em 1967. O atual relator, ministro Cezar Peluso, assumiu o caso em junho de 2003 e, finalmente, concluiu seu voto e pretende incluí-lo numa das pautas de julgamento deste mês.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A arrastada tramitação do processo se deve aos pedidos de diligências feitos pelos relatores que antecederam Peluso, para que fossem colhidos depoimentos de todas as pessoas que tinham comprado terras na região depois da doação. "Como achar esse povo?", indaga Peluso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qualquer que seja a decisão que o Supremo vier a dar a este processo, ela não deverá ter maiores efeitos práticos - e esse é o aspecto mais surrealista do caso. Desde que as seis empresas beneficiadas pelo governo mato-grossense promoveram os primeiros assentamentos de pecuaristas e agricultores na região, há mais de cinco décadas, já foram registradas várias revendas de terrenos por ocupantes de boa-fé. Detalhe: foram erguidas cidades nas glebas doadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, o resultado do julgamento será inócuo: será impossível erradicar do mapa municípios de pequeno e médio portes nascidos de assentamentos irregulares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como não podem tomar decisões contrárias ao que a Constituição de 1946 determinava, os 11 ministros do Supremo provavelmente considerarão inconstitucional a doação dos terrenos, feita em meados do século passado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas na prática não há como obrigar a União a despejar os ocupantes daqueles terrenos ocupados indevidamente e indenizar os atuais moradores das áreas que se encontram sub judice.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além dessa ação, o Supremo terá de julgar várias outras que também tramitam há décadas. Na lista dos processos mais antigos, que foram protocolados entre 1969 e 1981, quatro estavam sob responsabilidade da ministra Ellen Gracie.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como ela se aposentou sem decidir, essas ações serão enviadas a um novo relator. Dependendo do ritmo e da carga de trabalho do STF, esses processos podem bater o recorde de longevidade hoje detido pela ação proposta pelo procurador-geral da República há 52 anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O signatário da petição inicial faleceu em 3 de março de 1983, aos 75 de idade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Esse é um retrato - que não se pode chamar de instantâneo - da Justiça brasileira" - conclui o editorial do Estadão, em sua edição de ontem (11).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pescado do Blog Jurisdição &amp;amp; Mediação&lt;br /&gt;Por Enio Silva/Mazelas do Judíciário&lt;br /&gt;Fonte: Redação do Espaço Vital, com informações de O Globo e o Estado de SP &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7886365662321466444-2981404991028155365?l=brunocazevedo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/feeds/2981404991028155365/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/2011/09/acao-mais-antiga-no-supremo-ja-tem-52.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7886365662321466444/posts/default/2981404991028155365'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7886365662321466444/posts/default/2981404991028155365'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/2011/09/acao-mais-antiga-no-supremo-ja-tem-52.html' title='A ação mais antiga no Supremo já tem 52 anos'/><author><name>Bruno Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17031419237830207454</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mxosEtKo4wo/TKPg-Lm-1dI/AAAAAAAABN4/3YzzPQwxslE/S220/bruno2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-rEWd-FoQm3g/TnDkZGzwFZI/AAAAAAAABzQ/o7NxufXpswE/s72-c/melhor.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7886365662321466444.post-8137003484631572509</id><published>2011-09-13T14:37:00.000-07:00</published><updated>2011-09-13T14:40:03.599-07:00</updated><title type='text'>Pai biológico não consegue alterar certidão de menor registrada pelo pai afetivo</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-hVFmJhuzHF0/Tm_NeB3Fq9I/AAAAAAAABzA/nbQg9kSXWTQ/s1600/pais.bmp"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 94px; FLOAT: right; HEIGHT: 92px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5651961973152525266" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-hVFmJhuzHF0/Tm_NeB3Fq9I/AAAAAAAABzA/nbQg9kSXWTQ/s200/pais.bmp" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;strong&gt;Paternidade socioafetiva = amor&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Após sete anos de disputa judicial entre pai biológico e pai de criação, a Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que o registro civil de uma menina deverá permanecer com o nome do pai afetivo. Os ministros entenderam que, no caso, a filiação socioafetiva predomina sobre o vínculo biológico, pois atende o melhor interesse do menor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A criança nasceu da relação extraconjugal entre a mãe e o homem que, mais tarde, entraria com ação judicial pedindo anulação de registro civil e declaração de paternidade. A menina foi registrada pelo marido da genitora, que acreditava ser o pai biológico. Mesmo após o resultado do exame de DNA, ele quis manter a relação de pai com a filha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em primeira instância, o processo foi extinto sem julgamento de mérito por ilegitimidade do pai biológico para propor a ação. Mas o juiz deu a ele o direito de visita quinzenal monitorada. No julgamento da apelação, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro determinou a alteração do registro civil da menor, para inclusão do nome do pai biológico, e excluiu a possibilidade de visitas porque isso não foi pedido pelas partes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seguindo o voto da ministra Nancy Andrighi, relatora do recurso do pai afetivo, os ministros reconheceram a ilegitimidade do pai biológico para propor a ação. O Código Civil de 2002 atribui ao marido o direito de contestar a paternidade dos filhos nascidos de sua mulher e dá ao filho a legitimidade para ajuizar ação de prova de filiação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A relatora destacou que o próprio código abre a possibilidade de outras pessoas com interesse jurídico na questão discutirem autenticidade de registro de nascimento. Segundo ela, o pai biológico pode contestar a veracidade de registro quando fica sabendo da existência de filho registrado em nome de outro. “Contudo, a ampliação do leque de legitimidade para pleitear a alteração no registro civil deve ser avaliada à luz da conjunção de circunstâncias”, afirmou a ministra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Analisando as peculiaridades do caso, a relatora constatou que o pai afetivo sempre manteve comportamento de pai na vida social e familiar, desde a gestação até os dias atuais; agiu como pai atencioso, cuidadoso e com profundo vínculo afetivo com a menor, que hoje já é adolescente. Ele ainda manteve o desejo de garantir o vínculo paterno-filial, mesmo após saber que não era pai biológico, sem ter havido enfraquecimento na relação com a menina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por outro lado, a relatora observou que o pai biológico, ao saber da paternidade, deixou passar mais de três anos sem manifestar interesse afetivo pela filha, mesmo sabendo que era criada por outra pessoa. A ministra considerou esse tempo mais do que suficiente para consolidar a paternidade socioafetiva com a criança. “Esse período de inércia afetiva demonstra evidente menoscabo do genitor em relação à paternidade”, concluiu Nancy Andrighi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em decisão unânime, a Terceira Turma deu provimento ao recurso para restabelecer a sentença na parte que reconheceu a ilegitimidade do pai biológico para ajuizar ação de alteração do registro de nascimento. No futuro, ao atingir a maioridade civil, a menina poderá pedir a retificação de seu registro, se quiser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fonte: STJ&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7886365662321466444-8137003484631572509?l=brunocazevedo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/feeds/8137003484631572509/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/2011/09/pai-biologico-nao-consegue-alterar.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7886365662321466444/posts/default/8137003484631572509'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7886365662321466444/posts/default/8137003484631572509'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/2011/09/pai-biologico-nao-consegue-alterar.html' title='Pai biológico não consegue alterar certidão de menor registrada pelo pai afetivo'/><author><name>Bruno Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17031419237830207454</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mxosEtKo4wo/TKPg-Lm-1dI/AAAAAAAABN4/3YzzPQwxslE/S220/bruno2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-hVFmJhuzHF0/Tm_NeB3Fq9I/AAAAAAAABzA/nbQg9kSXWTQ/s72-c/pais.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7886365662321466444.post-5869546236219813854</id><published>2011-09-12T12:26:00.000-07:00</published><updated>2011-09-12T12:33:13.617-07:00</updated><title type='text'>Para Lobato, advogado é inseto que faz plantas secarem</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-bppU158Z2dA/Tm5dteXXP-I/AAAAAAAABy4/Z9P9518gQeI/s1600/emilia.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 105px; FLOAT: left; HEIGHT: 86px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5651557618223103970" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-bppU158Z2dA/Tm5dteXXP-I/AAAAAAAABy4/Z9P9518gQeI/s200/emilia.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;strong&gt;Embargos culturais&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Nesta semana trato do grande escritor Monteiro Lobato, literato que explicitou como nenhum outro o desencanto e a amargura para com a vida forense. Monteiro Lobato nasceu em Taubaté, São Paulo, em 18 de abril de 1882. Registrado como José Renato Monteiro Lobato, mais tarde mudou o nome para José Bento Monteiro Lobato, ao que consta para valer-se das iniciais JBML e usar uma bengala deixada pelo pai, cujo nome era José Bento. A mãe do escritor chamava-se Olímpia Augusta Monteiro Lobato. Por imposição do avô, ingressou na Faculdade de Direito de São Paulo, em 1900.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O desinteresse de Monteiro Lobato pelo curso de Direito era total. Parece que apreciava apenas um professor, Pedro Lessa, que lecionava Filosofia do Direito. Durante os anos de faculdade, Monteiro Lobato aprofundou amizades com as quais o interesse comum era a Literatura. Nasceu um grupo, o Minarete, e aí sua amizade com Godofredo Rangel, com quem trocou cartas a vida toda. O conjunto epistolar foi publicado como A Barca de Gleyre; as cartas revelam recorrentemente uma desconfiança para com o Direito, como se verá mais adiante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Concluído o curso de Direito, retornou a Taubaté; foi festivamente recebido como bacharel. Nomeado promotor, mudou-se para Areias, no interior paulista. A vida forense o deprimia, desanimava, desgostava. Casou-se em 1908 e, no ano seguinte, herdou a fazenda do avô, Visconde de Tremembé. Deixou o Ministério Público e tornou-se fazendeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em meados da década de 1910 começou a publicar contos, crônicas, um pouco de crítica. Após vender a fazenda, mudou-se para São Paulo e fundou uma editora em 1918. Faliu sete anos depois e mudou-se para o Rio de Janeiro. Na então capital da República, colaborou na imprensa com certo destaque. Em 1926, seguiu para Nova Iorque e lá morou até 1931. Foi adido comercial brasileiro. Impressionado com o crescimento econômico dos Estados Unidos, dedicou-se a fazer proselitismo em torno da exploração do petróleo e do ferro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em virtude de intransigente luta em prol de soberania nos direitos de exploração do subsolo, foi preso, em 1941, por três meses. Seguiu para a Argentina em 1946, lá vivendo um ano. Ao retornar ao Brasil, era pranteado e festejado autor de livros infantis. Morreu em 4 de julho de 1948 em virtude de um espasmo vascular. É sobre a trajetória de Monteiro Lobato e seu desencanto para com o Direito que se trata em seguida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O curso jurídico foi uma imposição do avô, de quem herdaria a fazenda. Segundo Edgard Cavalheiro, o mais documentado e respeitado biógrafo de Monteiro Lobato:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Está com 15 anos de idade quando perde o pai. Um ano depois é a mãe que parte para sempre. Suas tendências, nessa época, são as belas-artes. Quer ser pintor. No máximo estudaria com prazer engenharia. Mas o direito é a carreira que o Visconde escolhe e impõe. Embora contrariado, José Bento se prepara para ser Bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais. (...) Não havia completado 18 anos quando entra para a Faculdade de Direito. Que o curso de Direito pouco lhe interessaria, não padece dúvida de espécie alguma. Um ex-colega, depondo alguns anos depois, acentuou: “Do Direito nunca falamos nas conversações e se classificamos os lentes era pela qualidade dos sais das pilhérias, sal ático ou sulfato de magnésio”. O próprio Lobato confessará mais tarde que o único lente diante de quem não escondia o tédio, ou longos bocejos, de puro enfado, era Pedro Lessa. Seu interesse ia todo para a literatura.[1]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As referências que Lobato fez do curso são irônicas, sarcásticas, zombeteiras, mordazes. Escrevendo a um amigo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gracias mil. Se é verdade que daqui há meses oito me saio bacharel do venerando laboratório em que o Estado faz doutores por 500$ em 5 prestações anuais (...)[2]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em carta a Godofredo Rangel Lobato, queixava-se da aridez dos temas que a faculdade se propunha ensinar:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E por que escrevo em momento assim impróprio? Porque amanhã, sábado, entro-me em exame oral e estou com os minutos contados, a recordar definições e textos desta horrível seca que é a matéria.[3]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os temas de Direito eram-lhe indigestos, a julgarmos o teor de suas cartas. Para Godofredo Rangel:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda com os dedos trôpegos dum interminável ponto de Direito de Falências que acabo de copiar, venho responder à tua carta.[4]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lobato projetou esse mal-estar à formatura e ao que sucedeu após colar grau. É assim que narrou sua volta a Taubaté:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo que cheguei (que cheguei formado!) mimosearam-me com uma manifestação; foguetes (Taubaté não faz nada sem foguetes), a banda de música, molecada atrás e oito discursos, nos quais se falou em “raro brilhantismo”, “um dos mais”, “as veneradas arcadas” e outras macuquices que tive de agüentar de pé firme em casa de meu avô. Eu percebia o jogo: a manifestação era mais dirigida a ele do que a mim (...). Não respondi macucalmente como era esperado. Declarei que não havia razão para homenagens, porque se tratava dum bacharel mais pelo Largo do Rosário do que pela Academia, no qual as ciências do Triângulo superavam as do Corpus Juris. Disse ainda que um novo advogado não passa mais de uma filoxera social que sai do casulo — e por aí além. Os manifestantes entreolharam-se. A língua era nova e desconhecida na terra, mas a cerveja que o avô mandou servir (e creio que era ao que realmente vinham) reconciliou-se com o neto.[5]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lobato imputava a um advogado a categoria de filoxera social. A filoxera é inseto que ataca as raízes e faz secar as folhas das plantas. A imagem é absolutamente contundente na proporção em que nos revela o juízo de Lobato a propósito da advocacia. Para o escritor, o advogado era um inseto que ataca raízes e faz secar as folhas das plantas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de rápida passagem por Taubaté, terra do avô, foi designado promotor em Areias. À época, virada do século, o Ministério Público não tinha o perfil que tem na contemporaneidade. O desencanto já se verificava, no entanto, desde Taubaté, de onde Lobato escreveu a Godofredo Rangel:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou promotor interino. Visito a cadeia no fim do mês, converso com os presos, mando um memorandum ao governo dizendo que a paz reina em Varsóvia – e tudo desliza sobre mancais de bolinhas. Tenho no júri de acusar nove desgraçados...[6]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lobato zomba do cargo ao exigir de um amigo íntimo o DD no envelope. Moteja com Areias, cidade que positivamente há de existir. Mofa com Washington Luís Pereira de Souza (que mais tarde será governador de São Paulo e presidente da República, o célebre “Paulista de Macaé de Fato Bom Sujeito é”) a propósito do “s” do nome.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não gostava do júri. Detestava acusar os pobres réus. Afastava-se do tabelião. Não tinha vínculo ideológico com o juiz. Não lia autores de Direito. Jamais escreveu artigo jurídico. Lobato deixou Areias e a vida de promotor, para a qual não se sentia talhado. Tudo é motivo para Lobato criticar o Direito posto, ou tudo que a ele se relaciona. Em Urupês:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os herdeiros impugnaram o pagamento. Move-se a traquitana da justiça. Moi-se o palavreado tabelionesco. Saem das estantes carunchosos trabucos romanos.[7]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao comparar a Justiça a uma traquitana, espécie de sege que se move vagarosamente, Lobato faz coro com aqueles que criticam a morosidade da Justiça. No mesmo excerto, um pouco mais à frente, continuou Lobato:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Justiça engoliu aquele papel, gestou-o com outros ingredientes da praxe e, a cabo de prazos, partejou um monstrozinho chamado sentença, (...)[8]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A crítica aos juízes e à Justiça é frequente, e as imagens que usa são realmente tocantes. Por exemplo, ao comentar as provas de um livro de Direito que editaria, imaginou uma Justiça oxigenada que:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(...) arredada de uma coisa linda e única verdadeira, chamada vida, na qual nossos juízes não acreditam, já que erguem muralhas contra o ar novo, o ar livre, o ar vivo, o ar que se côa por montes, vales e mares e todo se enriquece de ricos oxigênios hostis. Às sulfurinas cadavéricas.[9]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.conjur.com.br/2011-set-11/embargos-culturais-lobato-advogado-inseto-faz-plantas-secarem?pagina=2"&gt;Este artigo contínua no link&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por Arnaldo Sampaio de Moraes Godoy&lt;br /&gt;Fonte: ConJur&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7886365662321466444-5869546236219813854?l=brunocazevedo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/feeds/5869546236219813854/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/2011/09/para-lobato-advogado-e-inseto-que-faz.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7886365662321466444/posts/default/5869546236219813854'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7886365662321466444/posts/default/5869546236219813854'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/2011/09/para-lobato-advogado-e-inseto-que-faz.html' title='Para Lobato, advogado é inseto que faz plantas secarem'/><author><name>Bruno Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17031419237830207454</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mxosEtKo4wo/TKPg-Lm-1dI/AAAAAAAABN4/3YzzPQwxslE/S220/bruno2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-bppU158Z2dA/Tm5dteXXP-I/AAAAAAAABy4/Z9P9518gQeI/s72-c/emilia.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7886365662321466444.post-3311626773464142813</id><published>2011-09-09T08:00:00.000-07:00</published><updated>2011-09-09T08:00:11.204-07:00</updated><title type='text'>A formação do advogado americano</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-3RN4SvmldTg/TmjadE4Jd0I/AAAAAAAAByw/S6y4lEMq0rA/s1600/EUA.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 84px; FLOAT: right; HEIGHT: 117px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5650005925596591938" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-3RN4SvmldTg/TmjadE4Jd0I/AAAAAAAAByw/S6y4lEMq0rA/s200/EUA.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;strong&gt;Direito Comparado&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;A formação do profissional nos Estados Unidos é bastante diferente da do Brasil.&lt;br /&gt;Um aluno americano estuda, em nível superior, cerca de 7 anos antes de se formar em Direito pelas universidades tradicionais. Nos primeiros quatro anos, ele realiza uma graduação (college degree) e só depois cursa os 3 anos da faculdade de Direito (Law School). &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Geralmente, os alunos acabam optando por um college degree em áreas como Sociologia e História, mas isso não é pré-requisito para ingressar em uma Law School. Pelo contrário: alunos são incentivados a ter uma formação ampla e marcada pela diversidade. Assim, em uma turma de primeiro ano de Direito é comum encontrar alunos formados ou com pós-gradução em: Artes, Línguas, Administração, Engenharia, Biologia, Matemática, entre outros. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Para ser aceito em uma Law School o aluno deve demonstrar bom desempenho durante a graduação anterior, alguma experiência profissional e as habilidades necessárias para o estudo e prática do Direito. O processo seletivo pode incluir prova e/ou entrevista, dependendo da instituição de ensino. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O Law School Admission Test (LSAT), contudo, é obrigatório para todas as Law Schools reconhecidas pela ordem dos advogados americana (American Bar Association – ABA).&lt;br /&gt;Assim como no Brasil, o curso de Direito é concorrido e o peso dos instrumentos de avaliação varia de acordo com o prestígio da Law School pretendida. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Durante a faculdade de Direito nos Estados Unidos, o aluno costuma estudar em tempo integral.&lt;br /&gt;No primeiro ano, também chamado de 1L, os alunos seguem uma grade (course schedule) de matérias básicas incluindo: Torts (Responsabilidade Civil), Civil Procedure (Processo Civil), Criminal Law (Direito Penal), Contracts (Direito dos Contratos), Property (Direito Real), Constitutional Law (Direito Constitucional) e Legal Research and Writing (Pesquisa e Redação Jurídica). &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Com exceção da última matéria, que inclui tarefas a serem entregues ao professor e corrigidas, as demais exigem "apenas" leitura. É muito comum os alunos terem cerca de 100 páginas de leitura por dia para enfrentarem as discussões durante as aulas no dia seguinte. A única forma de realmente acompanhar as aulas é realizando as leituras! &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O que mais assusta um aluno de 1L é o fato de sua nota depender de apenas uma prova ao final de cada disciplina. É muito comum os alunos não receberem nenhum tipo de feedback durante todo o período e, ao final, terem que realizar uma única prova cujo resultado representará seu desempenho total. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Além disso, como a American Bar Association (ABA) determina que os alunos de Direito tenham, pelo menos, 450 horas de aula por ano, a frequência é importante e pode afetar a sua nota final de forma automática. Um alto índice de faltas pode até mesmo impedir que o aluno realize a prova final. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Após o primeiro ano (2L e 3L), quando o aluno passa a ser chamado de upper-class student, ele tem a possibilidade de escolher disciplinas que adotam outros métodos de avaliação como participação em classe, trabalhos escritos, etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um componente importante na formação do estudante de Direito nos Estados Unidos é o método socrático. Principalmente no primeiro ano (1L). &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Muitos alunos consideram este método de ensino um tanto agressivo e até traumático.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O método foi implementado nas faculdades americanas de Direito na segunda metade do século 19 por iniciativa de Christopher Columbus Langdell, Diretor da Faculdade de Direito de Harvard. Langdell acreditava que os alunos aprendem melhor se treinados para descobrir princípios jurídicos sozinhos e chegar às conclusões por conta própria. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O método socrático consiste em o professor fazer perguntas aos alunos, e não as responder. Assim, nos moldes desse método, não são empregadas aulas expositivas, tão comuns ao longo de todo o curso de Direito no Brasil, por exemplo. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Durante uma aula, o professor pode fazer perguntas a um ou mais alunos. Às vezes, ocorre de o professor questionar apenas um aluno durante todo o tempo! &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Normalmente, o professor começa com as perguntas mais fáceis, mas na medida em que as perguntas ficam mais complexas, o nível de estresse e de tensão do aluno aumenta significativamente. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Nesse tipo de aula, raramente os alunos têm a oportunidade de se distrair ou dormir, pois é sempre possível ser o próximo. Além do mais, o método força os alunos a estudar e se esforçar para estar com a leitura em dia sob pena de passar por constrangimento na frente de seus colegas de sala. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A melhor forma de se preparar para as aulas socráticas é realizar as leituras e fazer os case briefs (resumos dos casos estudados) para conhecer em detalhe os fatos do caso, o objeto da ação, e os argumentos que fizeram o juiz ou tribunal chegar à decisão. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;É durante o primeiro ano (1L) que o método socrático é mais aplicado. Nos anos seguintes, como é possível escolher disciplinas, o aluno pode optar por professores que não o adota.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Concluído o primeiro ano, o aluno de Direito de uma universidade americana passa a ser denominado upperclassman durante os segundo (2L) e terceiro (3L) anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Concluído o primeiro ano, o aluno de Direito de uma universidade americana passa a ser denominado upperclassman durante os segundo (2L) e terceiro (3L) anos. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nesses dois anos, é o próprio aluno quem determina a maior parte das disciplinas que irá cursar. Ainda que, para se formar, algumas faculdades exigem que os alunos cursem ética (ethics), redação (writing), e realizem um trabalho científico (research paper), as matérias obrigatórias não são a regra. Assim, fazer as escolhas certas se torna a grande preocupação dos alunos no início dessa nova etapa. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Algumas disciplinas preferidas entre os alunos, principalmente, entre aqueles que farão o exame da ordem (bar exam) são: direito societário (corporations), direito probatório (evidence), direito de família (family law), direito sucessório e trusts (wills and trusts), compra e venda (sales), processo criminal (criminal process). &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Outros alunos preferem escolher uma grade (course schedule) formada por disciplinas menos convencionais com o objetivo de obter uma formação ampla e outros optam por concentrar suas escolhas em disciplinas afins que proporcionam uma formação mais especializada em determinada área do Direito. A estratégia de escolha será determinada pelo objetivo do aluno ao final do curso. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Um fato interessante desses dois últimos anos de Law School é o de ambos os grupos de alunos assistirem às aulas juntos. Assim, muitas disciplinas acabam sendo oferecidas ano sim ano não.&lt;br /&gt;Durante o segundo ano (2L), há atividades extracurriculares que tomam bastante tempo do aluno, tais como julgamentos simulados (moot court competition), aprender a forma correta de citar a jurisprudência dos tribunais (cite-checking), e realizar entrevistas (interviewing). &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;No terceiro ano (3L), muitos alunos dedicam uma boa parte do tempo para buscar emprego (job searching). &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Além das disciplinas jurídicas, os alunos são incentivados a cursar disciplinas em outras faculdades e também no exterior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além das disciplinas, os alunos de direito nos Estados Unidos, como parte de sua formação, também podem optar por passar por: &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;1) Clinical programs ou Legal Clinics – Correspondem ao escritório modelo das universidades brasileiras. As clinics, normalmente, são frequentadas por pessoas da comunidade (Community Legal Clinic) e pelas de baixa renda. Quando localizadas fora do campus são chamadas external clinics e podem ser especializadas em algum ramo do direito como, Child Advocacy Clinic. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;2) Directed reading – Alguns alunos, para obter um ou dois créditos, escolhe um professor de uma matéria na qual tenha interesse e realiza uma compilação formal de uma lista de casos (case list), artigos acadêmicos (scholarly articles) e livros, sobre um determinado assunto a ser discutido com o professor. Essa atividade dá a oportunidade de o aluno desenvolver um relacionamento mais próximo com o professor e a solidificar seu conhecimento em determinada área do direito. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;3) Externships – São estágios durante o verão realizados por alunos do segundo e terceiro anos. Durante o período, o estudante realiza atividades práticas de redação de peças processuais (writing briefs), auxilia advogados em conversas com clientes (interviewing clients) e na preparação para julgamentos (preparing for trial). Dificilmente, alunos de direito nos Estados Unidos realizam estágios durante todo o curso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por Luciana Carvalho Fonseca&lt;br /&gt;Fonte: &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;a href="http://www.migalhas.com.br/"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;www.migalhas.com.br&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7886365662321466444-3311626773464142813?l=brunocazevedo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/feeds/3311626773464142813/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/2011/09/formacao-do-advogado-americano.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7886365662321466444/posts/default/3311626773464142813'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7886365662321466444/posts/default/3311626773464142813'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/2011/09/formacao-do-advogado-americano.html' title='A formação do advogado americano'/><author><name>Bruno Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17031419237830207454</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mxosEtKo4wo/TKPg-Lm-1dI/AAAAAAAABN4/3YzzPQwxslE/S220/bruno2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-3RN4SvmldTg/TmjadE4Jd0I/AAAAAAAAByw/S6y4lEMq0rA/s72-c/EUA.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7886365662321466444.post-4000127908039453474</id><published>2011-09-08T07:46:00.000-07:00</published><updated>2011-09-08T07:54:02.970-07:00</updated><title type='text'>Universidade faz júri simulado de advogado nos EUA</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-EaHzCDmCGYE/TmjWKK4ydVI/AAAAAAAAByo/EPAp7T4_Ti8/s1600/macaco.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 95px; FLOAT: left; HEIGHT: 82px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5650001202745865554" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-EaHzCDmCGYE/TmjWKK4ydVI/AAAAAAAAByo/EPAp7T4_Ti8/s200/macaco.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;strong&gt;O Julgamento do Macaco&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;A Faculdade de Direito da Universidade Santa Clara, uma instituição jesuíta de ensino superior da Califórnia, vai promover, neste sábado (10/11), o júri simulado de um dos casos mais famosos da história da Justiça americana: O Povo contra Clarence Darrow. Darrow é um mito da advocacia nos Estados Unidos. Porém, o que muitos desconhecem é que, antes de atuar nos casos que o fizeram célebre, ele ocupou o banco dos réus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Clarence Darrow foi acusado, em 1912, na Califórnia, de corromper o júri do julgamento em que defendia dois irmãos sindicalistas, John e James McNamara, responsabilizados por explosões na sede do jornal The Los Angeles Times, que mataram 21 pessoas naquele ano. Os irmãos McNamara assumiram a culpa do crime para evitar a pena de morte. Porém, denúncias sobre o suborno puseram o advogado de defesa no banco dos réus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É o julgamento sobre a suspeita de suborno do júri no caso McNamara que a Faculdade de Santa Clara vai encenar no sábado, com a participação de um elenco de juristas respeitados. São eles o juiz-chefe Alex Kozinski, da Corte Federal de Apelação para o 9º Circuito; o juiz senior Stephen Trott, do mesmo tribunal, o juiz federal Charles Breyer (irmão do juiz da Suprema Corte, Stephen Breyer) e o advogado de defesa Michael Tigar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A encenação celebra o centenário da Faculdade de Direito da Universidade Santa Clara. Os participantes vestirão roupas de época com a finalidade de fazer da representação o mais realista possível. O objetivo é recriar a atmosfera do sistema de Justiça e da advocacia da Califórnia na década de 1910, época em que a faculdade de Direito da instituição foi fundada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No julgamento original, Darrow foi inocentado. O renomado advogado de defesa foi levado aos tribunais outra vez mais, também acusado de subornar o júri. Na segunda vez, justamente o impasse entre os jurados acabou o beneficiando. No sábado, o veredicto pode ser diferente do que a decisão de 1912, que favoreceu Darrow.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De acordo com os organizadores do evento, ouvidos pelo semanário de Washington, The National Law Journal, Darrow era conhecido por empregar métodos nada convencionais durante sua atuação como advogado de defesa. Seu talento e o perfil polêmico lhe deram o renome e renderam a controvérsia sobre sua honestidade. Em relação às acusações de corromper o júri, não restam dúvidas da tentativa de suborno, embora não se saiba detalhar o nível de participação de Clarence Darrow no esquema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O juiz Alex Kozinsk fará o papel do juiz responsável pelo caso na ocasião. Michael Tigar representará o advogado de defesa. Stephen Trott assume o papel do promotor e Charles Breyer personifica o famigerado Clarence Darrow.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os “atores” irão atuar com base na transcrição orginal do julgamento. O júri, formado por ex-alunos recém-formados da instituição, irá contar com resumos escritos dos depoimentos das testemunhas na época. Hoje, poucos têm dúvida da culpa do então réu, mas o resultado da encenação só será conhecido quando o corpo de jurados se pronunciar no sábado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Macacos e direitos civis&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Clarence Seward Darrow (1857-1938) entrou para a história da advocacia defendendo, em 1925, o professor de biologia John Scopes, processado pelo estado do Tennessee por ensinar sobre a evolução das espécies em uma classe de ensino médio. Na época, era proibido, naquele estado, lecionar sobre teorias científicas que pusessem em dúvida a veracidade do relato bíblico sobre a origem do Universo e o surgimento da vida. O caso ficou conhecido como Scopes Monkey Trial, “o julgamento do macaco”, em português.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O professor foi condenado por desrespeitar a lei estadual. Porém, o veredicto acabou anulado por questões técnicas. Scopes se viu livre das acusações. Clarence Darrow enfrentou uma promotoria liderada, na ocasião, por William Jennings Bryan, candidato à presidência dos EUA por três vezes pelo Partido Democrata. A tensão religiosa ligada ao caso bem como a notoriedade do promotor e advogado de defesa fizeram o processo amplamente conhecido em todo o país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Darrow fez sua reputação também como um dos líderes da União Americana pelos Direitos Civis, a mais tradicional organização não governamental do país de militância a favor dos direitos constitucionais. Um outro caso célebre, em que Darrow defendeu dois jovens abastados acusados de assassinar um rapaz de 14 anos, em 1924, também contribuiu para constriuir seu renome.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os réus foram condenados à prisão perpétua e até hoje não há dúvidas sobre a culpa de ambos e a frieza com que executaram o crime. Contudo, a defesa de Darrow é considerada antológica pelos ataques retóricos que fez contra a pena de morte ao passo em que defendeu modelos alternativos de execução penal, voltados para a reabilitação dos presos. Além dos casos de ampla repercussão nacional, Darrow construiu uma sólida reputação como advogado da classe operária, defendendo mineiros, ferroviários e trabalhadores da indústria, entre outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por Rafael Baliardo&lt;br /&gt;Fonte: ConJur&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7886365662321466444-4000127908039453474?l=brunocazevedo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/feeds/4000127908039453474/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/2011/09/universidade-faz-juri-simulado-de.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7886365662321466444/posts/default/4000127908039453474'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7886365662321466444/posts/default/4000127908039453474'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/2011/09/universidade-faz-juri-simulado-de.html' title='Universidade faz júri simulado de advogado nos EUA'/><author><name>Bruno Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17031419237830207454</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mxosEtKo4wo/TKPg-Lm-1dI/AAAAAAAABN4/3YzzPQwxslE/S220/bruno2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-EaHzCDmCGYE/TmjWKK4ydVI/AAAAAAAAByo/EPAp7T4_Ti8/s72-c/macaco.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7886365662321466444.post-7974773178667597610</id><published>2011-09-01T07:15:00.000-07:00</published><updated>2011-09-08T07:54:30.994-07:00</updated><title type='text'>Romeu e Julieta, guerra civil, acaso e amor</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-LokE2k0axVE/Tlz4JZMSO6I/AAAAAAAAByg/ekjKzrovXw0/s1600/romeu.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 124px; FLOAT: right; HEIGHT: 114px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5646660873080683426" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-LokE2k0axVE/Tlz4JZMSO6I/AAAAAAAAByg/ekjKzrovXw0/s200/romeu.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;strong&gt;Embargos culturais&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Mas, silêncio! Que luz brilha através daquela janela! É o Oriente e Julieta é o Sol! Surge, claro Sol, mata a invejosa Lua (...)&lt;br /&gt;Romeu&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E quando ele morrer apanha-o e divide-o em pequeninas estrelas! Ele tornará tão bela a face do céu que o mundo inteiro ficará apaixonado pela noite. E deixará de render culto ao Sol deslumbrador!&lt;br /&gt;Julieta&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi talvez por acaso que Romeu decidiu ir a um baile na casa de uma família inimiga. Não fora convidado, e talvez quisesse comparar as mulheres belas de Verona com Rosalinda, a quem amava, e quem o amor não lhe correspondia. E foi por acaso que Romeu encontrou Julieta, que não menos por acaso se apaixonou por Romeu, cujo amor imediatamente correspondeu. E por acaso viveram um intenso amor. Talvez o mais intenso que já houve. Tenho dúvidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por acaso, a estória foi muita rápida: não passou de uma semana; metaforicamente, uma rajada de bala. E foi por acaso que um padre muito compreensivo decidiu ajudá-los. E um desencontro do acaso selou a sorte (ou o azar) dos dois jovens apaixonados. Shakespeare, mais do que qualquer outro autor ocidental, nos adverte sobre êxtases e catástrofes que decorrem dos impulsos da sexualidade[2].&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não é por acaso que Romeu e Julieta simbolizam o amor eterno e transcendente, que se esgota e se nutre nele mesmo. Morreram muito jovens. Não viveram nada. Mas viveram muito. E também não se esgotaram na própria seiva, como se esgotam os amores dos mortais. Não houve tempo para que descobrissem o que de intrinsecamente humano havia no outro. As falibilidades não se revelaram. Romeu não percebeu o rabujamento de Julieta. Que também não teve tempo para constatar a queda física, intelectual e talvez moral de Romeu. Quem não cai? E também não foi por acaso que Romeu e Julieta se amaram e se destruíram no meio de uma guerra civil, sangrenta, desordeira, violenta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;William Shakespeare inicia Romeu e Julieta com um coro anunciando uma tragédia na qual dois predestinados amantes (starcrossed, em inglês) se entregam numa paixão desmesurada. Vítimas deles mesmos, ou do destino, ou da rivalidade entre as famílias, ou da guerra civil avassaladora, Romeu e Julieta eram reféns da inimizade e da incompreensão. Shakespeare nos coloca um dilema ínsito à condição humana: as tragédias que vivemos são nossas ou do destino? Isto é, nossa condição é desdobramento de nós mesmos, de nosso livre-arbítrio, ou de nossos itinerários, cujas rotas não escolhemos, mas cujos caminhos percorremos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São vários os enredos que se comunicam em Romeu e Julieta. No pano de fundo, uma implacável guerra civil opunha duas opulentas famílias que viviam numa simpática cidade italiana (Verona). Shakespeare combinou comédia, romance, melodrama e poesia na composição de uma perturbadora tragédia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Montequios (Romeu) e Capuletos (Julieta) odiavam-se a ponto de não poderem explicar ou exorcizar o que sentiam. Amalgamaram o ódio na tragédia dos filhos, para quem ergueram estátuas de ouro, como símbolo de uma redenção política e, no limite, humana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No núcleo mais apelativo da trama a irracionalidade da guerra civil. Esta se cura (como tudo na vida) com o amor, que vive ainda depois da morte, como o único instrumento que faz da paz uma possibilidade[3]. O amor é o antídoto para a guerra, como o veneno que Romeu ingeriu matizaria o antídoto para a vida, que não merece ser vivida, sem que tenhamos a nosso alcance a pessoa amada. Tudo muito lírico. Mas também muito real. Testemunho pessoal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Shakespeare não nos propõe uma situação de sensibilidade platônica. Ainda que puro, espiritual, inocente, o amor vivido entre Romeu e Julieta é tremendamente sensual. Os jovens exalam hormônios e desejos por todos os poros. O amor vivido por Romeu e Julieta projetava-se também na exploração de corpos nus, de comparações, de metáforas, de jogos de linguagem, de beijos, de toques, de abraços, de suspiros, de mordidas, de beijos, de apupos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Shakespeare anuncia possibilidades do amor romântico. Condena matrimônios arranjados e combinados. Critica o poder destruidor do ódio, que fomenta a violência. Os jovens apaixonados pagam com a vida o pecado dos pais. Tem-se indireta retomada de mensagem do Velho Testamento: os pecados dos pais afetam aos filhos (Êxodo, 20:5). Por isso, já se observou, em termos cristãos, Romeu e Julieta são as ovelhas exigidas como sacrifício pelo pecado dos pais[4]. Em Romeu e Julieta o bardo nos propõe também uma avaliação do destino, que parece controlar todos os passos dos dois jovens. E os nossos. Isto é, se não acreditamos no poder que temos de fazermos nossos próprios caminhos. É a pulsão freudiana, que se opõe ao conceito de instinto. Este último é determinista e determinado, aquele primeiro inesperado e inimaginado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Luzes, máscaras, punhais e venenos pululam na peça. O veneno que mata Romeu pode ser metáfora do veneno destilado pela guerra civil, que destrói a cidade. O punhal que Julieta tomou de Romeu morto para tirar a própria vida é a renúncia a uma contingência para a qual não se lutou. As máscaras (no baile) sugerem que quando amamos profundamente não levamos em conta os traços e passos da pessoa amada. Platão discordaria. As luzes que a peça sugere indicariam a incansável luta pelo próprio conhecimento, que desafia verdades e ofensas que nos legam e dirigem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ambientado na Renascença italiana[5] (que Shakespeare tanto parecia admirar), Romeu e Julieta é tragédia na qual desfilam poucos — porém — vigorosos personagens. Romeu (que talvez orçasse 15 anos, não mais) era um menino, sensível, idealista, destemido. Como destemida era também Julieta. Que também parecia ser leal e madura, não obstante talvez recentemente menarca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre os parentes de Romeu, além do sofrido pai e da amorosa mãe, o primo Mercúrio, intrépido, cínico, debochado. Benvolio, também primo de Romeu, antítese de Mercúrio, era modesto e recatado. Entre os parentes de Julieta, o preocupado pai e a triste mãe, símbolo da prisioneira do casamento arranjado. Ainda, entre os Capuleto, o arrogante Teobaldo, que se julgava imbatível na esgrima. Há também Paris, o jovem nobre que planejava se casar com Julieta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Frei Lourenço é um clérigo devoto, bem-intencionado, liberal, honesto. Sonhava com o fim da guerra civil, como bom cristão. Percebia que o amor do casal, ainda que prenhe de riscos, seria a última possibilidade de entendimento entre as famílias inimigas. O Príncipe de Verona é completa imagem do virtuoso príncipe renascentista, que Maquiavel teorizou em seu livro emblemático[6].&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No ato 1 principia-se com uma troca de insultos entre Montequios e Capuletos. Benvolio tentava apartar uma briga quando se viu atacado por Teobaldo. O Príncipe de Verona chegou até o local, colocando fim na desordem. O Príncipe lembrou a todos que a rivalidade entre Montequios e Capuletos era fonte permanente de problemas:&lt;br /&gt;— Súditos revoltosos, inimigos da paz, que profanais vossas espadas no sangue dos vizinhos...Quê! Não ouvem? Olá, senhores, animais selvagens que as chamas apagais de vossa fúria perniciosa na fonte purpurina de vossas próprias veias! Sob ameaça de tortura, jogai das mãos sangrentas as armas para o mal, só, temperadas, e a sentença escutai de vosso príncipe irritado. Três vezes essas lutas civis, nascidas de palavras aéreas, por tua causa, velho Capuleto, por ti, Montecchio, a paz de nossas ruas três vezes perturbaram. Os provectos Cidadãos de Verona, despojando-se das vestes graves que tão bem os ornam, nas velhas mãos lanças antigas brandem, vosso ódio enferrujado. Se de novo vierdes a perturbar nossa cidade, pela quebrada paz dareis as vidas. Por agora, que todos se retirem. Vós, Capuleto, seguireis comigo, e vós Montecchio, à tarde ireis à velha Cidade-franca, à corte da Justiça, para conhecimento, assim, tomardes de quanto resolvermos sobre o caso. Já! Sob pena de morte, dispersai-vos![7]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O príncipe simboliza uma ordem absoluta e um total comprometimento com o cumprimento da lei, ainda que a devoção à ordem levasse à tragédia[8]. Havia determinação para que duelos fossem evitados, como fórmula para manutenção da paz, ameaçada com a guerra civil[9]. Neste sentido político, Romeu e Julieta é uma tragédia lírica que toma a forma de exemplum, construindo-se num sermão sobre os males da luta civil[10].&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mãe de Romeu o procurava. Foi informada que Romeu estaria apaixonado por Rosalinda, que não correspondia ao amor do jovem Romeu. Em outra cena, Páris pede permissão aos pais de Julieta, para que com a bela jovem se casasse. Mantidas as previsões originárias, os casais se emparelhariam em Romeu e Rosalinda e em Páris e Julieta. Porém, Julieta não aceitará se casar com Paris (por causa de Romeu), e nem Rosalinda com Romeu, por razões que Shakespeare não revela, mas que sabemos ser intrínseca à peça, por razões muito óbvias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda no ato 1, Romeu e Benvolio ficam sabendo que os Capuleto receberão convidados num esperado baile. Benvolio sugere que Romeu vá até a festa, para que comparasse Rosalinda com outras mulheres. Haveria outras belezas. E Romeu encontrou Julieta, a mais reluzente delas. Romeu veste uma máscara e corre ao baile. Vai comparar a imagem que tinha da amada Rosalinda com as outras mulheres de Verona. Quando começam a dançar, Romeu e Julieta se encontram. São estrelas que se cruzam. Estão enfeitiçados. Romeu reage:&lt;br /&gt;Oh! ela ensina a tocha a ser luzente. Dir-se-ia que da face está pendente da noite, tal qual joia mui preciosa da orelha de uma etíope mimosa. Bela demais para o uso, muito cara para a vida terrena. Como clara pomba ao lado de gralhas tagarelas, anda no meio das demais donzelas. Vou procura-la, ao terminar a dança porque a esta rude mão possa dar ansa de tocar nela e, assim, ficar bendita. Meu coração, até hoje, teve a dita de conhecer o amor? Oh! eu simpleza! Nunca soube até agora o que é beleza.[11]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Teobaldo reconheceu Romeu. Porém, o velho Capuleto determinou que nada fosse feito com o inimigo, com o que Teobaldo não concordou. Na outra ponta do baile, Romeu e Julieta conversam, trocam olhares e sussurros. Ainda que disfarçados sob as máscaras, intuem quem eram. Apaixonam-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No ato 2, ao fim do baile, Romeu aproxima-se do balcão do quarto de Julieta. Diz-se apaixonado. Reconhece a desgraça de ser um Montequio:&lt;br /&gt;Que luz se escoa agora da janela? Será Julieta o sol daquele oriente? Surge, formoso sol, e mata a lua cheia de inveja, que se mostra pálida e doente de tristeza, por ter visto que, como serva, és mais formosa que ela. Deixa, pois, de servi-la; ela é invejosa. Somente os tolos usam sua túnica de vestal, verde e doente; joga-a fora. Eis minha dama. Oh, sim! É o meu amor. Se ela soubesse disso! Ela fala; contudo, não diz nada. Que importa? Com o olhar está falando. Vou responder-lhe. Não; sou muito ousado; não se dirige a mim: duas estrelas do céu, as mais formosas, tendo tido qualquer ocupação, aos olhos dela pediram que brilhassem nas esferas, até que elas voltassem. Que se dera se ficassem lá no alto os olhos dela, e na sua cabeça os dois luzeiros? Suas faces nitentes deixariam corridas as estrelas, como o dia faz com a luz das candeias, e seus olhes tamanha luz no céu espalhariam, que os pássaros, despertos, cantariam. Vede como ela apoia o rosto à mão. Ah! Se eu fosse uma luva dessa mão, para poder tocar naquela face![12]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Julieta insiste que Montequios e Capuletos são apenas nomes, e que coisas e sentimentos valem mais do que palavras e convenções:&lt;br /&gt;Meu inimigo é apenas o teu nome. Continuarias sendo o que és, se acaso Montecchio tu não fosses. Que é Montecchio? Não será mão, nem pé, nem braço ou rosto, nem parte alguma que pertença ao corpo. Sê outro nome. Que há num simples nome? O que chamamos rosa, sob uma outra designação teria igual perfume. Assim Romeu, se não tivesse o nome de Romeu, conservara a tão preciosa perfeição que dele é sem esse título. Romeu, risca teu nome, e, em troca dele, que não é parte alguma de ti mesmo, fica comigo inteira[13].&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Romeu e Julieta trocam declarações de amor. Resolvem se unir. Na manhã seguinte, Romeu procura Frei Lourenço implorando que ele celebre a cerimônia de casamento. Percebendo que a união poderia selar a paz entre as famílias rivais o bondoso padre, depois de ponderar — inclusive questionando Romeu a propósito de seu conhecido amor por Rosalinda — resolveu casá-los.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No ato 3, um episódio muito triste ocorre numa praça de Verona. Teobaldo insulta Romeu, desafiando-o para um duelo. Romeu evita qualquer atrito, especialmente porque já sentia Teobaldo como um parente. Mercúrio não compreendeu a recusa do primo e enfrentou Teobaldo. Distraído por uma interpelação de Romeu, Mercúrio foi morto por Teobaldo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Romeu então enfrentou o inimigo. Não tinha como se afastar. A luta foi intensa, a fúria tomou conta dos dois jovens contendores. Romeu matou Teobaldo e horrorizado tomou consciência de que assassinou o primo de Julieta. Romeu deve fugir. Precisa ir embora de Verona porque a pena de morte lhe será decretada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Julieta divagava, pensando no amor e em tudo que vivia:&lt;br /&gt;Correi, correi, corcéis de pés de fogo, para a casa de Febo. Um condutor como Faetonte nos teria há muito tocado para o poente e, na mesma hora, trazido a noite escura. Espalha tua cortina, ó noite, guarda dos amores, porque os olhos curiosos nada vejam e a estes braços Romeu se precipite, de manso e sem ser visto. Os namorados enxergam no ato do amoroso rito, pela própria beleza; ou então, se é cego, de fato, o amor, diz bem com a negra noite. Vem, noite circunspecta, com teu manto de matrona severa, todo preto, e me ensina a perder uma partida que já está ganha e em que se jogam duas virgindades sem mancha. Ao rosto sobe-me o sangue tímido; em teu manto envolve-o, até que o amor esquivo, já se tendo tornado corajoso, só inocência veja o ato do amor sincero e puro. Vem, noite! Vem, Romeu! Tu, noite e dia, pois vais ficar nas asas desta noite mais branco do que neve sobre um corvo. Vem, gentil noite! Vem, noite amorosa de escuras sobrancelhas! Restitui-me o meu Romeu, e quando, mais adiante, ele vier a morrer, em pedacinhos o corta, como estrelas bem pequenas, e ele a face do céu fará tão bela que apaixonado o mundo vai mostrar-se da morte, sem que o sol esplendoroso continue a cultuar. Comprei a casa de um amor, sem estar na posse dela; vendida embora me ache, possuída não fui ainda. Tão tedioso e lento é este dia, tal como a noite em véspera de alguma grande festa para criança impaciente que tenha roupa nova, mas não possa vesti-la. Oh! aí vem a ama. (Entra a ama, com cordas) — Traz novidades, sim. Todas as línguas que só sabem dizer Romeu, Romeu, falam com eloquência celestial. Então, ama, que é que há? Que trazes aí? As cordas de Romeu?[14]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O príncipe, no entanto, condenou Romeu apenas para o exílio. A mãe de Julieta exigia que o príncipe condenasse Romeu à pena de morte. O chefe da família Capuleto consentiu no casamento entre Julieta e Paris. Antes da fuga, Romeu passou a noite com Julieta. A mãe de Julieta se aproximou, queixando-se de Romeu. O pai de Julieta comunicou à filha que ela se casaria com Páris. Julieta não aceitou a notícia e discutiu com o pai, que a ameaçou, dizendo que iria manda-la para um convento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No ato 4, Julieta buscou ajuda de Frei Lourenço. Na expectativa de reverter a situação o padre sugeriu que Julieta fingisse consentir com o casamento. Ela deveria também tomar uma poção preparada pelo padre. O remédio a faria dormir, de modo que todos pensariam que ela estaria morta. Ao chegar a casa, e ao saber que o pai antecipara a data do casamento, Julieta tomou a poção do sono. A ama de Julieta a encontrou em sono profundo. Pensou que ela estava morta e saiu gritando desesperada pelo palácio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No último ato, o padre enviou um emissário a Mântua, onde se encontrava Romeu. O emissário deveria informar a Romeu o plano que o padre havia engendrado. Porém, devido a uma praga que se disseminava, o emissário ficou detido em regime de quarentena. Um amigo de Romeu foi até Mântua e o informou da morte de Julieta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desesperado, Romeu correu até a tumba onde estaria Julieta. Encontrou Páris, com quem discutiu, e a quem matou. Em seguida, Romeu beijou Julieta, que reputava morta. Ainda em desespero, Romeu tomou um veneno que levara consigo, suicidando-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Julieta acordou do sono profundo e desesperou-se com a cena que viu: Romeu estava morto. O padre chegou à tumba e ainda tentou convencê-la a correr dali. Também em desespero, Frei Lourenço deixou o estranho lugar. Julieta se matou com o punhal que Romeu carregava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O padre contou a todos o que houve. Acreditava que no céu os amantes iriam se encontrar. O príncipe exigiu ordem:&lt;br /&gt;Confirma a carta o que nos disse o monge: como o amor decorreu, a falsa nova da morte dela. Aqui ele nos conta que veneno comprou de um boticário e que vinha morrer neste sepulcro, para ficar ao lado de Julieta. Onde se encontram esses inimigos? Capuleto! Montecchio! Vede como sobre vosso ódio a maldição caiu e como o céu vos mata as alegrias valendo-se do amor. Por minha parte, por ter condescendido com vós todos, dois parentes perdi. Fomos punidos[15].&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As famílias de recompuseram. Ergueram estátuas de ouro para Romeu e Julieta. E a fala do príncipe encerrou a tragédia:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta manhã nos trouxe paz sombria: esconde o sol, de pesadume, o rosto. Ide; falei dos fatos deste dia; serei clemente, ou rijo, a contragosto, que há de viver de todos na memória de Romeu e Julieta a triste história[16].&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Morreram Mercúrio, Teobaldo, Paris, Romeu e Julieta. A cidade aquietou-se com a mensagem. Talvez, a mais dolorosa lembrança de que o amor tudo pode, tudo é, e em todos deve estar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BIBLIOGRAFIA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bloom, Harold, Shakespeare- the Invention of the Human, New York: Riverhead, 1998.&lt;br /&gt;Burckardt, Jacob, A cultura do Renascimento na Itália, um ensaio, São Paulo: Companhia das Letras, 2009. Tradução de Sérgio Tellaroli.&lt;br /&gt;Campbell, W. John, The Book of Great Books, a Guide to 100 World Classics, New York: Metrobooks, 2000.&lt;br /&gt;Garber, Marjorie, Shakespeare after all, New York: Anchor Books, 2004.&lt;br /&gt;Heliodora, Bárbara, O Homem Político em Shakespeare, Rio de Janeiro: Agir, 2005.&lt;br /&gt;Pocock, J. G. A., The Machiavelian Moment, Florentine Political Thought and the Atlantic Republican Tradition, Princeton: Princeton University Press, 2003.&lt;br /&gt;Shakespeare, William, Romeu e Julieta, Rio de Janeiro: Agir, 2008. Tradução de Carlos Alberto Nunes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[2] Cf. Bloom, Harold, Shakespeare- the Invention of the Human, New York: Riverhead, 1998, p. 89.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[3] Campbell, W. John, The Book of Great Books, a Guide to 100 World Classics, New York: Metrobooks, 2000, p. 712.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[4] Campbell, W. John, cit. p. 711.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5] Cf., por todos, Burckardt, Jacob, A cultura do Renascimento na Itália, um ensaio, São Paulo: Companhia das Letras, 2009. Tradução de Sérgio Tellaroli.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;6] Cf., por todos, Pocock, J. G. A., The Machiavelian Moment, Florentine Political Thought and the Atlantic Republican Tradition, Princeton: Princeton University Press, 2003.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;7] Shakespeare, William, Romeu e Julieta, Rio de Janeiro: Agir, 2008. Tradução de Carlos Alberto Nunes. Ato I, Cena 1.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[8] Cf. Garber, Marjorie, Shakespeare after all, New York: Anchor Books, 2004, p.191&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[9] Cf. Garber, Marjorie, cit., loc.cit.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[10] Heliodora, Bárbara, O Homem Político em Shakespeare, Rio de Janeiro: Agir, 2005, p. 218.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[11] Shakespeare, William, cit., Ato I, Cena V.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[12] Shakespeare, William, cit., Ato II, Cena II.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[13] Shakespeare, William, cit., Ato II, Cena II.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[14] Shakespeare, William, cit., Ato III, Cena III.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[15] Shakespeare, William, cit., Ato V, Cena III.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[16] Shakespeare, William, cit., Ato V, Cena III.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por Arnaldo Sampaio de Moraes Godoy&lt;br /&gt;Fonte: ConJur&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7886365662321466444-7974773178667597610?l=brunocazevedo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/feeds/7974773178667597610/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/2011/09/romeu-e-julieta-guerra-civil-acaso-e.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7886365662321466444/posts/default/7974773178667597610'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7886365662321466444/posts/default/7974773178667597610'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/2011/09/romeu-e-julieta-guerra-civil-acaso-e.html' title='Romeu e Julieta, guerra civil, acaso e amor'/><author><name>Bruno Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17031419237830207454</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mxosEtKo4wo/TKPg-Lm-1dI/AAAAAAAABN4/3YzzPQwxslE/S220/bruno2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-LokE2k0axVE/Tlz4JZMSO6I/AAAAAAAAByg/ekjKzrovXw0/s72-c/romeu.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7886365662321466444.post-7256708645434105074</id><published>2011-08-30T06:45:00.000-07:00</published><updated>2011-08-30T18:38:41.900-07:00</updated><title type='text'>As mortes de Euclides da Cunha e seu filho: o Júri</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-9xOSZnq2XnY/Tlz3HssoesI/AAAAAAAAByY/OJh5Bw3bZv8/s1600/euclides.bmp"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 123px; FLOAT: left; HEIGHT: 95px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5646659744445266626" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-9xOSZnq2XnY/Tlz3HssoesI/AAAAAAAAByY/OJh5Bw3bZv8/s200/euclides.bmp" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;strong&gt;Evaristo de Moraes&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;1. Era um domingo, 15 de agosto de 1909. Na casa de número 214 na Estrada Real de Santa Cruz, na Piedade, no Rio de Janeiro, entra um homem agitado e nervoso. Era Euclides da Cunha, o autor de Os Sertões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bate palmas, é recebido pela jovem Dinorah de Assis, a quem manifesta o propósito de avistar o dono da casa, Dilermando de Assis, aspirante do Exército.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vai logo entrando na sala de visitas. Aí, saca de um revólver e diz: “Vim para matar ou morrer!”. Entra no interior da casa e atira duas vezes em Dilermando que, atingido, cai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dinorah, vendo o irmão ferido, tenta arrebatar a arma de Euclides. Ouvem-se mais dois disparos. Outro tiro e Dinorah é atingida na coluna vertebral, junto à nuca, inutilizada para o resto da vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dilermando, embora ferido, consegue apanhar o seu revólver, atira duas vezes sem atingir Euclides. Euclides aperta o gatilho de novo e recebe um tiro de Dilermando que lhe fere o pulso. Duelo de vida e morte. Tiros de ambos os lados e um projétil atinge o pulmão direito de Euclides, que cai morto ao solo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim foi o que se denominou "A Tragédia da Piedade".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2. No dia 4 de maio de 1911, inicia-se o julgamento, perante o Tribunal do Júri do Rio de Janeiro, de Dilermando de Assis. Seu advogado de defesa foi o grande criminalista Evaristo de Morais. A acusação ficou a cargo do promotor público Pio Duarte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de fazer a apologia de Euclides da Cunha, o promotor declarou, categoricamente, que o mesmo partiu para a casa onde se achava Dilermando, com a esposa do escritor, Ana, com a evidente intenção de matar ou morrer. O advogado Evaristo de Morais, em aparte, agradeceu aquela confissão do Ministério Público.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Narrou em seguida, o acusador público o diálogo de Euclides com o filho Solon, dizendo ao rapaz que sua mãe era adúltera. Relembrou que ele já havia encontrando a própria mãe em Piedade com o réu, condenando seu comportamento e tentando convencê-la a voltar para a casa da família, onde seria aceita novamente pelo marido, como acontecera anteriormente, mesmo depois de outros episódios de infidelidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Declarou o promotor que era direito de Euclides invadir a casa para reaver o filho, que mesmo nascido da união da esposa adúltera com o réu não tivera, porém, sua filiação contestada pelo escritor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ressaltou também o depoimento da esposa do escritor, Ana, que embora elogiasse o marido, chamando-o de homem bom e amoroso, não podia corresponder a essa atenção, pois amava Dilermando, o réu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Refere-se à confissão de Ana, segundo a qual tivera dois filhos com Dilermando, mas argumenta, longamente, com o fato de ter Euclides o direito de reclamar sua mulher e filhos, responsabilizando Dilermando pelo resultado letal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falou que Euclides conhecia os fatos que lhe enodoavam a honra, concluindo que, assim agindo, guardando o segredo de sua desdita, demonstrara que não era um desequilibrado nem um desvairado mas um verdadeiro forte. guardou o segredo de sua mágoa. Demonstrou, assim que não era um desequilibrado nem um desvairado, mas um homem forte. Por último, em nome dos brios do Exército, pediu a condenação de Dilermando de Assis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3. Pela defesa falou o advogado Delamare Garcia e, em seguida, Evaristo de Moraes. O grande tribuno carioca iniciou a defesa formulando um repto ao promotor público, alegando que, na época, se propalava que o réu Dilermando fora um protegido de sua vítima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se a acusação pública conseguisse descobrir nos autos uma frase ou palavra que provasse tal proteção, abondonaria, de imediato, a tribuna de defesa. Se tal ocorresse, não teria aceito o encargo da defesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falou do passado do réu, dizendo que na sua infância fora educado por um tio, conhecido por Quincas Rato. Demonstrou através de provas documentais que Dilermando jamais fora socorrido por Euclides da Cunha. Este conhecera Euclides muito tempo depois de ser amante de sua esposa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Relembrou Santo Agostinho e Jean-Jacques Rousseau, aos quais chamou de sinceros por terem confessado os seus pecados carnais. Quem não teve desses pecados aos 17 anos? Em seguida, sustentou a doutrina que admite o adultério, desde que o seu responsável tenha pouca idade, classificando de convenções sociais as manifestações hipócritas dos que não tem coragem de confessar suas fraquezas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Demorou-se em divagações acerca da diferença da responsabilidade do adolescente e do adulto, citando vários autores, procurando demonstrar que não se pode falar em sinceridade dos atos de um adolescente, porque, o mesmo nunca é imoral nem moral, mas simplesmente amoral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Divagou sobre a ação da imprensa que rebaixou o réu a categoria de homicida comum. Negou o direito, defendido pelo promotor, de Euclides da Cunha entrar na casa de Dilermando. Falou, por fim, do exercício de legítima defesa por parte do réu, não só em relação à sua própria pessoa, como em defesa da adúltera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Justificou a impossibilidade de Dilermando fugir, alegando o ridículo do aspirante a oficial fugir em trajes menores, pés nus, dando as costas ao agressor de sua própria casa. A própria lei - argumentou Evaristo de Moraes - sustenta que não se pode fugir, sempre que essa fuga seja vergonhosa e perigosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fez menção ao tiro de misericórdia que Dilermando teria dado, da soleira da porta, quando Euclides já se achava abatido, alegando que não se pode dimensionar a repulsa de um homem atacado com a exatidão absoluta da medida do ataque, lendo vários autores e doutrinadores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Analisou a alegada condescendência de Euclides da Cunha com o adultério, alegada pelo promotor, aludindo que o grupo social repelia essa condescendência, que seria um verdadeiro menage à trois, só sustentável quando a família estivesse destruída pelo amor livre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Argumentou que a condenação, ainda que mínima, seria um absurdo, dentro das circunstâncias. Ou tudo ou nada! Se o Júri reconhecesse a culpabilidade do réu, como assassino perverso, ingrato, miserável, que traiu seu protetor que o condenasse; caso contrário, estava na obrigação moral de absolvê-lo. Evaristo de Moraes conclamou os jurados a exercer a sua nobre função, sem medo da opinião alheia e apreciações de censura ou de aplauso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Conselho de Sentença reconheceu a legítima defesa adotada pelos defensores e absolveu Dilermando de Assis, em 5 de maio de 1911. Foi posto em liberdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia 4 de julho de 1916, Dilermando de Assis, já quite com a Justiça, absolvido por duas vezes no processo de homicídio contra o escritor Euclides da Cunha, chegou ao Cartório do 2º Ofício da 1ª Vara de Órfãos da então capital da República, por volta das 13 horas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dirigiu-se ao escrevente Meilhac, inquirindo-o sobre a decisão que fora proferida por parte do juiz, a propósito da tutoria do menos Manoel Afonso Cunha. Em seguida pediu ao escrevente autorização para tomar conhecimento das declarações feitas naquele processo por Nestor da Cunha e, como a resposta fora afirmativa, começou a ler os autos, apoiado no corrimão da grade que divide em duas partes a sala.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não havia lido ainda as 15 linhas quando ouviu uma detonação atrás de si, sentindo-se ferido - suas pernas fraquejaram e a vista se lhe turvou. Dilermando de Assis voltou-se para a direita e viu recuando um vulto trajado de escuro com o brilho de metais, deixando parecer que se tratava de um aspirante da Marinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de não ter visto o seu rosto, presumiu logo que se tratava de Euclides da Cunha Filho, filho do famoso escritor, o único aspirante da Marinha que podia tentar contra sua vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembrando-se de que se tratava de um filho da mulher com quem há pouco se casara, e portanto um irmão de seus próprios filhos, procurou retirar-se, dirigindo-se a passos rápidos para a porta da rua, sem no entanto correr.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Percebeu, porém, que seu agressor continuava a disparar a arma e a feri-lo, sem que ninguém o socorresse, mas, ao contrário, fugiam do local apavorados. Sentindo que sua vida corria sério risco, procurou tirar do bolso de sua calça o revólver Smith and Wesson, calibre 32. Com muito custo, disparou contra seu agressor que ainda estava de revólver em punho. Morria o aspirante Euclides da Cunha Filho que tentara vingar a morte do pai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Jornal do Comércio de 28 de setembro daquele ano reproduziu a brilhante defesa de Evaristo de Moraes, que, entre outras alegações, se manifestou: "Ora, por mais rigoroso que se pretende ser, julgando o tenente Dilermando de Assis, não se pode desconhecer:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1º) que ele tinha sérios motivos para sentir a sua vida em perigo, quando, já gravíssimamente ferido, buscava a porta e era ainda alvejado pelo agressor, que ninguém continha;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2º) que não se lhe apresentara, ao espírito, naquela ocasião, outro meio de escapar à morte, diverso do que empregou;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3º) que ele não estava apenas emocionado, mas, sim, completamente perturbado, em razão das graves lesões recebidas, das quais quatro, porém, eram mortais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não cremos haja aí quem pense na possibilidade de fuga para escapar à agressão. Em primeiro lugar, cumpre ter em vista que o primeiro tiro fora disparado com surpresa e os três seguintes enquanto Dilermando não se tinha armado e estava à mercê do agressor. A fuga não mais evitaria, pois, a efetuação do dano à integridade física do agredido. Mas, a lei e a doutrina, em verdade, não aconselhavam a fuga em homem nas condições do acusado."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de relacionar a opinião de vários doutrinadores nacionais e estrangeiros de que a possibilidade de uma fuga vergonhosa ou perigosa não exclui a legalidade da defesa, mas a defesa deixa de ser legal, se é possível escapar à agressão sem ignomínia ou sem perigo, Evaristo de Moraes acentuou: "No caso do tenente Dilermando de Assis, todas essas ponderações jurídicas são acrescidas de uma importantíssima ponderação médico-psicológica: ele não era no momento de principiar a reagir uma pessoa apenas agredida, um oficial militar apenas atacado por um seu inferior; era, já, um homem mortalmente ferido, em cujo organismo se operavam fenômenos depressivos e perturbadores de inegável gravidade e de alta significação refletindo na sua inteligência e na sua vontade. O acusado tinha lesados os dois pulmões, o diafragma e o fígado; o seu aparelho respiratório, de cuja função depende essencialmente a vida, estava prejudicado; não o estavam menos os órgãos circulatórios, também primordiais na manutenção da harmonia vital. (...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A condenação do acusado, pela recusa da justificativa da legítima defesa, equivaleria, além de tudo, a um triste conselho de covardia e de vilipêndio pessoal, transmitido aos oficiais do brioso Exército Brasileiro."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Auditoria de Guerra da Capital Federal, em 27 de setembro de 1916, absolveu o acusado com base na justificativa da legítima defesa, prevista no artigo 26, parágrafo 2º, do Código Penal Militar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tendo havido apelação ao Supremo Tribunal Militar, este, em 8 de novembro do mesmo ano, decidiu: "Um organismo ferido de morte, em quase desfalecimento, reage irregularmente sobre o que o rodeia e assim sem condições de medir a reação... com os fundamentos aludidos, negando provimento à apelação e confirmando a decisão proferida pelo Conselho de Guerra, mandam que o réu seja posto em liberdade."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As defesas produzidas em favor do tenente Dilermando de Assis nos processos de homicídio de Euclides da Cunha e Euclides da Cunha Filho, perante a Justiça Comum e a Militar, constituem um dos pontos mais altos da grande carreira de advogado criminalista de Evaristo de Moraes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por Grandes Advogados, Grandes Julgamentos - Pedro Paulo Filho - Depto. Editorial OAB-SP&lt;br /&gt;Fonte: Confraria do Júri&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7886365662321466444-7256708645434105074?l=brunocazevedo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/feeds/7256708645434105074/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/2011/08/as-mortes-de-euclides-da-cunha-e-seu.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7886365662321466444/posts/default/7256708645434105074'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7886365662321466444/posts/default/7256708645434105074'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/2011/08/as-mortes-de-euclides-da-cunha-e-seu.html' title='As mortes de Euclides da Cunha e seu filho: o Júri'/><author><name>Bruno Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17031419237830207454</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mxosEtKo4wo/TKPg-Lm-1dI/AAAAAAAABN4/3YzzPQwxslE/S220/bruno2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-9xOSZnq2XnY/Tlz3HssoesI/AAAAAAAAByY/OJh5Bw3bZv8/s72-c/euclides.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7886365662321466444.post-9056814031182439539</id><published>2011-08-29T13:30:00.000-07:00</published><updated>2011-08-30T07:41:20.338-07:00</updated><title type='text'>Vantagens e desvantagens</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-Wft6wJ-f8dQ/TlzcLSp59EI/AAAAAAAAByQ/ALGKZc8lxts/s1600/stf.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 119px; FLOAT: right; HEIGHT: 101px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5646630119360033858" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-Wft6wJ-f8dQ/TlzcLSp59EI/AAAAAAAAByQ/ALGKZc8lxts/s200/stf.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;strong&gt;Reflexão&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;A possibilidade de um mesmo grupo partidário nomear a maioria ou, no limite, até mesmo a totalidade dos membros do Supremo Tribunal Federal faz com que o caso brasileiro se diferencie de seu modelo, que é a Suprema Corte dos Estados Unidos. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Nos EUA, os presidentes nomeiam os ministros também, mas lá o Congresso, sempre equilibrado pelos partidos Republicano e Democrata, é mais severo ao aprovar as indicações: o ex-presidente George W. Bush não conseguiu emplacar sua advogada, que renunciou antes de se submeter à sabatina, diante da reação negativa que sua indicação suscitou. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Mas o mais importante é que, lá, o cargo de ministro é vitalício, o que faz abrir pouquíssimas vagas nos oito anos de mandato de um presidente que se reelege. Aqui, a idade limite de 70 anos e o sistema de aposentadoria pública estimulam a aposentadoria precoce, casos da ministra Ellen Gracie e de Nelson Jobim, entre outros. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;Outra diferença fundamental é que na Corte Suprema a presidência é vitalícia, e seu ocupante é escolhido pelo presidente da República. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;O jurista Joaquim Falcão, diretor da Faculdade de Direito da FGV do Rio, considera que a excessiva rotatividade da presidência do STF "gera descontinuidade, quase insegurança jurídica e administrativa". &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Aqui, o presidente tem "o poder de pauta, que é muito grande. Lá, ele é um paciente formulador de consensos, a médio prazo", diz Falcão. "O presidente, em qualquer dos casos, conduz as prioridades do Supremo, mas, aqui, a pauta do ministro Jobim era uma; a da ministra Ellen Gracie, outra; a do ministro Gilmar Mendes, outra". &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mais ainda, ressalta Joaquim Falcão. "O presidente do STF, sendo presidente do Conselho Nacional de Justiça, também faz com que a rotatividade estimule uma descontinuidade de políticas administrativas". &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Gilmar Mendes, por exemplo, era a favor de que os julgamentos dos juízes fossem públicos. Já o ministro Cezar Peluso, atual presidente, quer que sejam todos sob segredo de Justiça. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Jobim priorizou o combate ao nepotismo e o teto salarial, que não foram prioridades dos sucessores. "Sem continuidade, essas políticas perdem eficiência e se diluem no tempo diante da oposição dos magistrados contrários", diz Falcão. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Por essas razões, ele advoga que uma reforma do STF e da gestão dos tribunais deveria contemplar um mandato de pelo menos cinco anos para o presidente. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quanto à vitaliciedade, princípio para assegurar a independência do juiz, Falcão acha que ela estaria plenamente assegurada também por mandato fixo mais longo, combinado com uma aposentadoria razoável. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;"Embora a legitimidade do Supremo não venha da representação eleitoral, ela vem da sintonia com os cidadãos para construir um difícil equilíbrio entre manter os princípios do pacto constitucional e ao mesmo tempo atualizá-los pelas permanentes mudanças sociais, políticas, econômicas e tecnológicas. Mandatos mais curtos permitem a renovação de maior sintonia com a evolução social a que estamos todos condenados", defende Joaquim Falcão. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;O também jurista Luís Roberto Barroso, professor de Direito da Uerj, lembra que há dois grandes modelos de cortes supremas, ou de cortes constitucionais no mundo: um, representado pela Suprema Corte americana, na qual nos inspiramos; outro, pela Corte Constitucional alemã, que é o modelo que prevalece na Europa e foi seguido por democracias novas, como a da África do Sul. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Na Alemanha, os juízes constitucionais são nomeados pelo Legislativo, com exigência de maioria absoluta, e servem por um mandato de 12 anos, sem possibilidade de recondução. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Os partidos, diz Barroso, veem-se na contingência de convergirem para um nome de consenso, que normalmente será um professor ou acadêmico respeitável. Nos EUA, a importância do papel do Senado se manifesta, sobretudo, no cuidado com que o presidente escolhe o nome que vai indicar, para não correr o risco de rejeição, embora os casos de rejeição efetiva sejam muito poucos. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;O fato de não existir aposentadoria compulsória, analisa Barroso, traz vantagens e desvantagens em cada modelo. "No caso da Suprema Corte americana, os ministros servem por 20, 30 e até 40 anos. Isso descola o tribunal, mais intensamente, do processo político majoritário, isto é, da política eleitoral". &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Um ministro que atravessa diversos períodos presidenciais torna mais fácil que a Corte, em certas conjunturas, desempenhe o que se chama de papel "contra-majoritário"', o que pode ser bom, mas às vezes é ruim, ressalta, citando exemplos de casos em que, como no governo Roosevelt, o Supremo, mais conservador, interferiu na execução do "New Deal". &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Na Alemanha, a politização e o ativismo são bem menores. Mas a Corte Constitucional tem influência política igual ou maior do que a Suprema Corte americana. "Pessoalmente, não vejo problema -— e até acho bom que alguns ministros não fiquem além de 10 anos e outros fiquem por 20 ou 25. Isso faz com que uns tenham mais sintonia política com o momento contemporâneo, outros menos", diz Barroso. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;No Brasil, houve um caso de permanência longa (cerca de 25 anos) que teve influência histórica, recorda Barroso, o do ministro Moreira Alves. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;"Homem de formação jurídica sólida, seriedade e argumentação combativa", Moreira Alves foi nomeado no regime militar e nutria pouca simpatia pela Constituição de 88. "Enquanto ele esteve na Corte, sua liderança manteve a interpretação constitucional, sob a Constituição de 88, quase idêntica à que vigorava no período militar". &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;A partir da aposentadoria de Moreira Alves, conta Barroso, ministros como Sepúlveda Pertence, Celso de Mello e, mais à frente, Gilmar Mendes, começaram a desenhar uma Suprema Corte com participação política mais relevante. Esse processo se aprofundou na era Lula. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;"Embora haja riscos democráticos envolvidos em uma expansão excessiva de qualquer corte de Justiça", até aqui Barroso considera que o STF "serviu muito bem à democracia brasileira".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por Merval Pereira&lt;br /&gt;Fonte: O Globo&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7886365662321466444-9056814031182439539?l=brunocazevedo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/feeds/9056814031182439539/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/2011/08/vantagens-e-desvantagens.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7886365662321466444/posts/default/9056814031182439539'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7886365662321466444/posts/default/9056814031182439539'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/2011/08/vantagens-e-desvantagens.html' title='Vantagens e desvantagens'/><author><name>Bruno Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17031419237830207454</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mxosEtKo4wo/TKPg-Lm-1dI/AAAAAAAABN4/3YzzPQwxslE/S220/bruno2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-Wft6wJ-f8dQ/TlzcLSp59EI/AAAAAAAAByQ/ALGKZc8lxts/s72-c/stf.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7886365662321466444.post-8121288568636676087</id><published>2011-08-25T18:01:00.000-07:00</published><updated>2011-08-25T18:23:15.018-07:00</updated><title type='text'>Evento Jurídico em Capina Grande</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-55mh3uyOGCU/Tlb07CUDwsI/AAAAAAAAByI/be8BPLLPaxE/s1600/fornozele.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 135px; FLOAT: left; HEIGHT: 84px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5644968478025958082" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-55mh3uyOGCU/Tlb07CUDwsI/AAAAAAAAByI/be8BPLLPaxE/s200/fornozele.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-family:arial;"&gt;I FÓRUM DE ESTUDOS JURÍDICOS:&lt;br /&gt;Alterações da Legislação Penal e Processual Penal&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dias 25 e 26 de agosto de 2011&lt;br /&gt;Auditório da Justiça Federal de Campina Grande&lt;br /&gt;Certificação: 12 horas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PROGRAMAÇÃO&lt;br /&gt;Dia 25/08/2011&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;18h00 - Credenciamento&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;19h00 - Palestra: Kant e a Lei Penal&lt;br /&gt;Dr. Flamarion Tavares Leite&lt;br /&gt;Mestre em Filosofia. Doutor em Direito pela PUC-SP. Especialista em Integração Econômica e Direito Internacional Fiscal pela Universidade Técnica de Lisboa/UnB/ESAF. Professor da faculdade de Direito da UFPB e do UNIPÊ. Autor de diversas obras jurídicas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;20h00 - Palestra: Lei n° 12.403/2011 sob a ótica da Segurança Pública&lt;br /&gt;Dr. Harrison Alexandre Targino&lt;br /&gt;Mestre em Direito pela PUC-SP. Doutorando em Ciências Jurídicas e Sociais pela UMSA. Advogado. Professor da faculdade de Direito da UEPB. Secretário da Cidadania e Administração Penitenciária do Estado da Paraíba.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dia 26/08/2011&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;09h00 - Palestra: Desafios da Advocacia Criminal&lt;br /&gt;Dr. Sheyner Yàsbeck Asfora&lt;br /&gt;Especialista em Ciências Criminais. Doutorando em Ciências Jurídicas e Sociais pela UMSA. Vice Presidente da Associação dos Advogados Criminalistas (ABRACRIM). Advogado. Coordenador e Professor da faculdade de Direito da ASPER.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;10h00 - Coffee break&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;10h30 - Palestra: Tornozeleira eletrônica: análise prática da Lei nº 12.258/2010&lt;br /&gt;Dr. Bruno Azevedo&lt;br /&gt;Mestre em Direito Constituticional pela UFCE. Doutorando em Direito pela UERJ. Juiz de Direito, autor do Projeto sobre o Monitoramento Eletrônico de Presos. Coordenador da Especialização em Direito Constitucional da UEPB. Coordenador da Especialização em Prática Judicante do Curso da ESMA-PB/UEPB. Coordenador Científico da Revista da ESMA-PB.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;14h00 - Debate: Da atuação do Delegado de Polícia Civil e do Advogado frente às alterações da Lei nº 12.403/11 no Código de Processo Penal&lt;br /&gt;Dr. Francisco Iasley Lopes de Almeida&lt;br /&gt;Especialista em Ciências Criminais pela UNISUL. Mestrando em Ciências da Educação pela Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias. Delegado de Polícia Civil do Estado da Paraíba. Coordenador e Professor da faculdade de Direito da CESREI.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dr. Felipe Augusto de Melo e Torres&lt;br /&gt;Especialista em Ciências Criminais pela Universidade da Amazônia. Mestrando em Ciências da Educação pela Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias. Advogado criminalista. Procurador do Município de Ingá/PB. Professor da faculdade de Direito da UNESC e da CESREI.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;15h30 - Coffee break&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;16h00 - Palestra: Aspectos processuais da peça iniciadora da Ação Penal&lt;br /&gt;Dr. Félix Araújo Neto&lt;br /&gt;Mestre em Direito Penal. Doutor em Direito Penal e Política Criminal pela Universidade de Granada. Advogado. Professor da faculdade de Direito da UEPB e FACISA. Membro do Corpo Editorial da Revista ORBIS. Autor de obras jurídicas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VALOR DO INVESTIMENTO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;R$ 30,00 - Estudantes&lt;br /&gt;R$ 60,00 - Profissionais&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;INSCRIÇÕES&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;OAB Subseção Campina Grande&lt;br /&gt;Centros Acadêmicos da UEPB, CESREI e FACISA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;INFORMAÇÕES&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fone: (83) 3337-1933&lt;br /&gt;E-mail: contato@cped.com.br&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fonte: &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.cped.com.br/"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;www.cped.com.br&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7886365662321466444-8121288568636676087?l=brunocazevedo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/feeds/8121288568636676087/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/2011/08/evento-juridico-em-capina-grande.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7886365662321466444/posts/default/8121288568636676087'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7886365662321466444/posts/default/8121288568636676087'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/2011/08/evento-juridico-em-capina-grande.html' title='Evento Jurídico em Capina Grande'/><author><name>Bruno Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17031419237830207454</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mxosEtKo4wo/TKPg-Lm-1dI/AAAAAAAABN4/3YzzPQwxslE/S220/bruno2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-55mh3uyOGCU/Tlb07CUDwsI/AAAAAAAAByI/be8BPLLPaxE/s72-c/fornozele.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7886365662321466444.post-7113289313523365933</id><published>2011-08-24T07:00:00.000-07:00</published><updated>2011-08-24T07:00:05.810-07:00</updated><title type='text'>O Mercador de Veneza, de William Shakespeare</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-4sLRLXThT2s/TlOxCTFGdcI/AAAAAAAAByA/EDl-q-Bp2wY/s1600/veneza.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 131px; FLOAT: right; HEIGHT: 100px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5644049411064886722" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-4sLRLXThT2s/TlOxCTFGdcI/AAAAAAAAByA/EDl-q-Bp2wY/s200/veneza.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;strong&gt;E&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;strong&gt;mbargos culturais&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Leituras jurídicas do Mercador de Veneza, de William Shakespeare, recorrentemente apontam para um conflito central: a estrita obediência para com a letra da lei em face de certa plausibilidade interpretativa. Naquele primeiro caso, chama-se apressadamente de positivismo jurídico. Na segunda hipótese, a dogmática contemporânea nominaria de razoabilidade na aplicação da norma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O eixo temático da peça, primeiramente encenada em 1596, foca-se num contrato celebrado entre um mercador judeu e um cidadão veneziano; aquele primeiro marcado como usurário, e este último identificado como destemido inimigo dos agiotas. O mercador avençou um empréstimo garantido pelo cidadão com exatamente uma libra de carne, do próprio corpo. A libra de carne (the pound of flesh) pode significar a desumanidade do mercador (Shylock), sua natureza predatória, seu desejo de vingança; ou mesmo sua confiança na referência da literalidade da lei, o que mais tarde se voltará contra ele[2]. A tática virou-se contra o tático.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não se sabe exatamente se a proposta de Shylock qualificava vingança do agiota ou, no limite, se fora justamente uma maneira deliberada de acertar suas relações com o veneziano, na medida em que abria espaço imaginário para acerto de contas no futuro. Curiosamente, Shylock acreditava nas leis de Veneza; não buscou ajuda de nenhum advogado. No fim da peça, quando pretendia executar seu contrato, fora diretamente ao Duque, responsável pela distribuição de justiça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leituras políticas da mesma peça sugerem que há quem possa apreender do texto algum traço de antissemitismo em William Shakespeare. É notória a tentativa de se imputar ao vilão, Shylock, muitas características hediondas. Shylock é um monstro, insensível. Mas nem sempre. Cuide-se o leitor. Ao fim da peça pode-se perceber no arrependimento do mercador usuário alguma redenção, hipótese imediatamente afastada quando se entende que Shylock pretendia na transação que se lhe propuseram salvar a fortuna, que talvez lhe valia mais do que a própria vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na impressão de uma estudiosa de Shakespeare,&lt;br /&gt;No fim do século XX e no início do século XXI, O Mercador de Veneza se tornou, por razões históricas e políticas, bem como por motivos literários e dramáticos, um ambiente de muita ansiedade — ansiedade por motivos de religião e preconceitos religiosos, pela forma como a peça descreve judeus e cristãos, bem como sobre o lugar da sexualidade e de problemas de gênero[3].&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para outro estudioso,&lt;br /&gt;Deve-se ser cego, surdo e mudo para não reconhecer que a grande comédia de equívocos de Shakespeare, O Mercador de Veneza, é no entanto, um trabalho profundamente anti-semita. E ainda assim, todas as vezes que leciono sobre esta peça, muitos de meus alunos mais sensíveis e inteligentes se mostram muito infelizes quando eu começo a aula com a observação de que Skakespeare no início da peça afirmara-se como anti-semita[4].&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em o Mercador de Veneza há muitos personagens emblemáticos da galeria do bardo inglês. Shylock é o próprio judeu que empresta dinheiro a juros (circunstância abominada pela Igreja Católica, porém tolerada pelo protestantismo de Genebra). Contraditório, desumano, e trágico até a medula, Shylock mede tudo em números: o valor do empréstimo (três mil ducados) e a quantidade de carne (uma libra) do tenebroso contrata que assinou com Antonio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antonio é o comerciante que abominava aos judeus, que odiava Shylock, mas que com o inimigo teve que pactuar. Deprimido, melancólico, sempre saudoso de seu amigo e amado Bassânio, pode-se inferir da amizade uma atração superlativa. Antonio fez o que pode para ajudar seu amigo Bassânio. E ajudou Bassânio a conquistar Pórcia. A melancolia de Antonio é enigmática. Pode-se intuir uma depressão sem causa aparente. Pode-se imaginar que sua tristeza decorria da preocupação dos navios que tinha em trânsito, e que não retornavam para Veneza. Ou, de um modo mais radical, pode-se inferir que Antonio vivia uma atração por Bassânio, e que o amor deste para com Pórcia o irritava. Tem-se a impressão de que Antonio era solteiro. E tem-se a certeza de que Antonio arriscou tudo que tinha por Bassânio. Farto material para o freudismo. Eis a primeira fala de Antonio:&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;A bem da verdade, nem sei de onde esta minha tristeza. Me incomoda saber que isso te incomoda. Mas, como foi que peguei isso, como foi que me achei assim, ou mesmo como foi que isso se apoderou de mim, e de que matéria ela é feita e onde está sua origem, ainda preciso descobrir. E tamanho idiota essa tristeza faz de mim que me fica muito difícil reconhecer-me a mim mesmo[5].&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bassânio fez de sua paixão por Pórcia a razão da própria vida. Contou com a ajuda de Antonio. Graciano é o outro amigo de Bassânio; e é o mais contundente crítico de Shylock. Bassânio protagonizou um par amoroso com Nerissa, curiosamente a dama de companhia de Pórcia. As classes sociais, no drama shakespeariano, são muito bem definidas. Pobres e ricos não se misturam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pórcia é a heroína. Rica, é titular de uma grande herança. Bonita, despertou a paixão de muitos homens. Além de Bassânio, tentaram o casamento com Pórcia os príncipes do Marrocos e de Aragão. Este último, um arrogante nobre espanhol. Pórcia é inteligente, domina a retórica e a boa argumentação. No fecho da peça, e travestida de homem, destruirá os argumentos de Shylock. Pórcia é a musa do positivismo de combate e do antifetichismo jurídico. Mostrou-se uma tremenda advogada. Nerissa é sua dama de companhia, sempre solícita, apaixonada por Bassânio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jessica é a filha de Shylock, que parece negar ou se afastar da tradição hierosolimitana. Apaixonou-se por um cristão, chamado Lourenço, amigo próximo de Bassânio. Há ainda Lancelot, curioso personagem que trabalhava para Shylock, a quem abandonou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por fim, o Duque de Veneza, que presidirá o tribunal, no qual se discutiu o contrato assinado entre Antonio e Shylock. A cena do julgamento é intrigante. Pode-se indagar se Shakespeare teria reproduzido um ambiente imaginariamente veneziano ou o contexto forense da Inglaterra elizabeteana, o que parece evidentemente muito mais factível[6].&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A peça se inicia com Antonio revelando uma extrema melancolia. Antonio não consegue explicar a depressão que lhe destrói. Bassânio desesperadamente pede ajuda ao amigo — Antonio — alegando que precisa ir até Belmonte, onde vivia Pórcia, a quem amava, e a quem queria fazer a corte. Bassânio pediu dinheiro emprestado a Antonio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antonio propôs ajudar Bassânio. Porém, explicou que não dispunha imediatamente de recursos. Aplicara seu dinheiro em algumas expedições marítimas, em relação às quais pretendia alcançar muitos lucros. Sugeriu então que Bassânio negociasse um empréstimo do qual ele, Antonio, seria fiador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto isso, em Belmonte, Pórcia tomou conhecimento do testamento do pai, que determinou o modo pelo qual a herdeira escolheria o futuro marido. Teria a companhia de Pórcia o concorrente que entre três caixas escolhesse uma pré-determinada. As caixas eram de ouro, prata e chumbo. Pórcia não gostava dos pretendentes que conhecia; especialmente, tinha reservas para com os príncipes do Marrocos e de Aragão. O Príncipe de Marrocos escolheu a caixa de ouro e o Príncipe de Aragão a caixa de prata. Foi Bassânio quem escolheu a caixa correta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Retomando Veneza como centro dos diálogos, Shakespeare nos mostra Antonio procurando Shylock. O encontro é tenso. O judeu condena o cristão. Shylock insurge-se contra Antonio, conhecido opositor da usura. Antonio resiste em sua posição e não pede desculpas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente, Shylock concordou com o empréstimo. Exigiu, no entanto, como condição de entrega dos três mil ducados, que Antonio empenhasse uma libra de carne do próprio corpo, como garantia da avença. E ainda que Bassânio resistisse ao negócio, Antonio fechou o contrato, na expectativa de salvar o amigo. Decididamente, Shylock odiava Antonio: &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;Ele se parece muito com um coletor de impostos que fosse humilde! Detesto o sujeito por ser um cristão, mas detesto ainda mais porque, assim humilde e simplório, ele faz empréstimos de graça e reduz a taxa de juros aqui para nós em Veneza. Se eu conseguir pegar ele de jeito, então alimento à larga o meu velho rancor contra ele. Ele odeia a nossa sagrada nação judaica e me insulta a mim, até mesmo lá onde os mercadores costumam se reunir, e ofende as minhas boas ofertas e o meu bem merecido e suado sucesso, que ele chama de ganhos em cima de juros. Amaldiçoda seja a minha tribo, se eu conceder perdão a esse sujeito![7]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entrementes, Jessica abandonou a casa do pai. Fugiu. Deixou Veneza ao lado de Lourenço, que era cristão. Bassânio e Graciano rumaram para Verona. Pórcia recebeu os pretendentes. Os príncipes do Marrocos e de Aragão escolheram as caixas erradas e perderam qualquer possibilidade de casamento com Pórcia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto isso, em Veneza, Shylock se desesperou com a fuga da filha. Porém, diabolicamente, mostrou felicidade ao saber que os navios de Antonio teriam se afundado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pórcia e Bassânio se interessam mutuamente. Juram amor. Graciano e Nerissa vivem situação semelhante. Pórcia deu um anel a Bassânio, exigindo que o amado mantenha o adereço, como prova de fidelidade e de amor eterno. Nerissa fez o mesmo com Graciano. O anel era expressão de um altíssimo significado para Pórcia:&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Você está me vendo, Lorde Bassânio, bem aqui onde estou, bem assim como eu sou. Embora eu, por mim mesma, não quisesse ser ambiciosa em meus desejos a ponto de desejar ser melhor do que sou, assim mesmo, por você eu seria em triplo vinte vezes mais do que sou, mil vezes mais bonita, dez mil vezes mais rica, isso apenas para você me ter em alta conta, de modo que eu pudesse exceder em virtude, em beleza, em bens materiais, em amizades, sua estimativa. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Mas a soma de mim é a soma de alguma coisa; em seu valor bruto, é uma moça sem estudo, sem escola, sem vivência; nisto ela é feliz, pois não é velha demais para aprender; mais feliz ainda porque não nasceu tão obtusa que não possa aprender; e felicíssima, acima de tudo, porque o seu espírito gentil compromete-se com o seu, Lorde Bassânio, para que você o guie como esposo, governante, rei. O meu próprio eu, e o que é meu, converte-se agora para você e para o que é seu. Ainda agora era eu o dono desta linda mansão, o amo de meus serviçais, rainha de mim mesma; e agora mesmo, neste momento, esta casa, essa criadagem, e esta mesma que sou eu, são seus, meu senhor. Tudo eu lhe dou juntamente com este anel; quando você dele se separar, ou perder, ou der para alguém, que isso seja o presságio da ruína de seu amor por mim, e terei nas mãos oportunidade de denunciá-lo, meu senhor[8].&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao saber da avaria nos navios de Antonio, Bassânio imediatamente retornou para Veneza. Disfarçadas de homens, supostos advogados, Pórcia e Nerissa também correram para Veneza. A questão seria discutida num tribunal, presidido pelo Duque que comandava a cidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Shylock levou o contrato ao Duque, exigindo cumprimento da cláusula. O Duque anunciou a chegada de um advogado. Era justamente Pórcia, que ninguém reconheceu como tal. Pórcia pediu clemência a Shylock, que não admitiu outra solução, que não o corte da própria carne de Antonio. Argumenta Pórcia, pedindo misericórdia a Shylock: &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;A misericórdia é uma virtude que não se pode fazer passar à força por uma peneira, mas pinga como a chuva mansa cai dos céus na terra. É duplamente abençoada: abençoa quem tem compaixão para dar e quem a recebe. Poderosa nos poderosos, harmoniza-se com o monarca no trono melhor que a coroa. O cetro denota a força do poder temporal, o atributo real que inspira o respeito à majestade, fonte do temor e da reverência aos reis. Mas a misericórdia está acima de qualquer movimento do cetro. Ela tem seu trono no coração dos reis, é um atributo de Deus e um tributo a Deus, é um poder mundano que se mostra divino ... quando a misericórdia vem temperar a justiça. Portanto, judeu, embora o cumprimento da justiça seja a tua argumentação, considere o seguinte: no cumprimento da justiça, nenhum de nós vai encontrar a salvação. Nós lhe suplicamos por misericórdia, e essa mesma súplica ensina-nos a todos que devemos praticar a misericórdia. Até aqui, falei para mitigar a sua argumentação em prol da justiça, que, se for mantida, este tribunal de Veneza fica obrigado a dar sentença contra aquele mercador ali[9].&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bassânio fez uma intervenção e propôs pagar a Shylock o dobro da dívida. Pórcia examinou o contrato, insistiu na validade das cláusulas e argumentou que Shylock, de fato, deveria receber o combinado. Shylock sorriu; sentiu-se vitorioso. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Porém, havia uma subtilidade que Pórcia muito bem explorou: não poderia o credor derramar o sangue do devedor; a um estrangeiro era vedado o derrame de sangue de um cidadão veneziano. Assustado, e acuado, Shylock desistiu de executar o contrato e aceitou a oferta de Bassânio. Tarde demais. Segundo uma estudiosa brasileira da obra de Shakespeare:&lt;br /&gt;Tudo muda quando Pórcia faz exatamente o que Shylock pediu: dá-lhe apenas a letra da lei, segundo a qual ele terá de contar uma libra justa, nem mais nem menos, e sem derramar uma gota de sangue veneziano. Shylock, que se oferece então para receber o dinheiro, não pode voltar atrás – e perde tudo[10].&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A literalidade da interpretação do contrato pode também sugerir uma pano de fundo para a tradição positivista inglesa, e com as naturais estações em Hobbes, Locke Bentham, Mill, Austin e Hart[11]. Shylock poderia cobrar o contrato, mas exatamente em seus próprios e literais termos, o que tornaria impossível a cobrança. Shylock insiste na cobrança de sua promissória: &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Vou cobrar a minha promissória, não penses em falar contra a promissória. Fiz uma promessa: vou ter o que me confere a minha promissória. Tu me chamaste de cachorro sem ter motivo algum para tanto. Então, já que sou cachorro, cuidado com as minhas presas. O Doge [o Duque de Veneza] vai me garantir justiça. Fico me perguntando... hein, carcereiro? Seu imprestável ... se tu és tão apalermado que, se ele pede, tu sais com ele para pegar ar fresco (...) Vou cobrar a minha promissória. Não vou escutar o que tens a dizer. Vou cobrar minha promissória; portanto, chega de falar. Ninguém vai fazer de mim um otário, um frouxo, para balançar a cabeça, amolecer, suspirar e ceder a intercessores cristãos. Nem penses em me seguir! Não quero saber de conversa, eu quero é que se cumpra a minha promissória![12]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas Pórcia tem argumento final e decisivo. A cobrança do título tem como caminho a violência com um cidadão veneziano: &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Portanto, prepara-te para cobrar-lhe a carne. Não derrames sangue, nem cortes um isso a mais nem a menos, mas exatamente uma libra de carne. Se tirares mais que uma libra exatamente, o menos, mesmo que seja a vigésima parte de um escrópulo para mais ou para menos, mesmo que seja por uma diferença em peso daquilo que se estima ser o peso de um fio de cabelo, tu morres, e todos os teus bens serão confiscados![13]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inegável o conflito entre direito e equidade[14]. No entanto, na argumentação de Pórcia tem-se o ponto central que Shakespeare colocou a seus espectadores, leitores e intérpretes: a mera tentativa de resolução do contrato já qualificava um crime por si só. É que Pórcia manipulava com um tipo penal em forma de tentativa. Isto é, a execução do contrato teria como precedente o derramamento de sangue de um cidadão veneziano, o que a justiça da cidade não admitia[15].&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Duque condenou Shylock à morte, aceitando relevar a pena se o judeu entregasse a Veneza parte de sua fortuna. Shylock também deveria aceitar o cristianismo, bem como deveria deixar sua herança para a filha Jessica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bassânio entregou o anel para Pórcia, imaginando agradecer ao advogado, sem saber que o destinatário do anel era dono do objeto. Isto é, não suspeitava de que o advogado era Pórcia. Quando Bassânio e Graciano retornam a Belmonte, à procura de Pórcia e de Merissa, foram acusados de infiéis pelas amadas, justamente porque deram os respectivos anéis. Pórtia revelou seus atos. Noticiou-se que o navio de Antonio não se perdera. A alegria dos personagens ao fim da festa pode nos indicar que não há noites eternas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Mercador de Veneza nos coloca ainda hoje problemas muito complexos: os fundamentos morais da crítica à usura, a dedicação à pessoa amada, o desconforto da riqueza, certo contraste entre cristianismo e judaísmo e, principalmente, a convergência entre justiça e piedade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do ponto de vista estritamente jurídico, O Mercador de Veneza remete-nos a um problema filosófico atemporal: até que ponto a teoria do direito deve centrar-se apenas na norma, relegando-se para outros campos de investigação questões de política ou juízos de equidade. Para o campeão desta versão teórica, (...) a essência do direito é ser norma e (...) portanto, toda teoria jurídica deve ser uma teoria de normas, uma teoria das proposições normativas, uma teoria do direito objetivo[16]. De qualquer maneira, pela letra da lei, ou por um juízo abstrato qualquer de equidade, o contrato não podia ser executado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A me valer de um dogma contemporâneo, talvez inaplicável ao mundo forense elisabetano, a validade de um negócio jurídico requer objeto lícito, possível, determinado ou determinável (Código Civil Brasileiro, art. 104). Impossível a retirada de uma libra de carne, sem que se derramasse sangue de um cidadão veneziano. Ilícito garantir-se uma obrigação pecuniária com fragmento do próprio corpo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta a reserva de sentido que o horizonte hermenêutico do teatro shakespeariano nos coloca: problemas universais, que se multiplicam em todos os tempos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BIBLIOGRAFIA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Barton, Dunbar Plunket, Shakespeare and the Law, Union: The Lawbook Exchange, 1999.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bilello, Thomas C., Accomplished with What She Lacks: Equity, and Portia´s Con, in Jordan, Constance e Cunningham, Karen, The Law in Shakespearei, New York: Pallgrave Macmillan, 2007.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bloom, Harold, Shakespeare, a invenção do humano, New York: Riverhead Books, s.d.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Campbell, W. John, The Book of Great Books, - A Guide do 100 World Classics, New York: Metrobooks, 2000.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Garber, Marjorie, Shakespeare after all, New York: Anchor Books 2004.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Heliodora, Bárbara, Reflexôes Shakespearianas, Rio de Janeiro: Lacerda Editores, 2004.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Kelsen, Hans, Autobiografia, Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2011. Tradução de Gabriel Nogueira Dias e de José Ignácio Coelho Mendes Neto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Shakespeare, William, O Mercador de Veneza, Porto Alegre: L &amp;amp; PM, 2007. Tradução de Beatriz Viégas-Faria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ward, Ian, Shakespeare and the Legal Imagination, London: Butterworths, 1999.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[1] Doutor e Mestre em Filosofia do Direito e do Estado pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Consultor-Geral da União.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[2] Cf, Campbell, W. John, The Book of Great Books, A Guide do 100 World Classics, New York: Metrobooks, 2000, p. 519.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[3] Garber, Marjorie, Shakespeare after all, New York: Anchor Books 2004, p. 282. Versão livre minha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[4][4] Bloom, Harold, Shakespeare, a invenção do humano, New York: Riverhead Books, s.d., p. 171. Tradução livre minha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[5] Shakespeare, William, O Mercador de Veneza, Porto Alegre: L &amp;amp; PM, 2007. Tradução de Beatriz Viégas-Faria. Ato I, Cena I.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[6] Cf. Barton, Dunbar Plunket, Shakespeare and the Law, Union: The Lawbook Exchange, 1999.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[7] Shakespeare, William, cit., Ato I, Cena III.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[8] Shakespeare, William, cit., Ato 3, Cena II.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[9] Shakespeare, William, cit., Ato 4, Cena I.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[10] Heliodora, Bárbara, Reflexôes Shakespearianas, Rio de Janeiro: Lacerda Editores, 2004, p. 282.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[11] Cf. Ward, Ian, Shakespeare and the Legal Imagination, London: Butterworths, 1999, p. 23.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[12] Shakespeare, William, cit., Ato 3, Cena III.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[13] Shakespeare, William, cit., Ato 4, Cena I.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[14] Cf. Bilello, Thomas C., Accomplished with What She Lacks: Equity, and Portia´s Con, in Jordan, Constance e Cunningham, Karen, The Law in Shakespearei, New York: Pallgrave Macmillan, 2007, p. 109.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[15] Cf. Bilello, Thomas C., cit., loc. cit.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[16] Kelsen, Hans, Autobiografia, Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2011, p. 25. Tradução de Gabriel Nogueira Dias e de José Ignácio Coelho Mendes Neto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por Arnaldo&lt;br /&gt;Fonte: ConJur&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7886365662321466444-7113289313523365933?l=brunocazevedo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/feeds/7113289313523365933/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/2011/08/o-mercador-de-veneza-de-william.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7886365662321466444/posts/default/7113289313523365933'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7886365662321466444/posts/default/7113289313523365933'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/2011/08/o-mercador-de-veneza-de-william.html' title='O Mercador de Veneza, de William Shakespeare'/><author><name>Bruno Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17031419237830207454</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mxosEtKo4wo/TKPg-Lm-1dI/AAAAAAAABN4/3YzzPQwxslE/S220/bruno2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-4sLRLXThT2s/TlOxCTFGdcI/AAAAAAAAByA/EDl-q-Bp2wY/s72-c/veneza.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7886365662321466444.post-3401169311011405037</id><published>2011-08-23T06:33:00.000-07:00</published><updated>2011-08-23T06:48:10.654-07:00</updated><title type='text'>Doutor em Ciência Política será o palestrante desta 3ª feira, no Projeto “Noites Legais” em Campina Grande</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-cC2Jj6iJXsY/TlOugD-NBII/AAAAAAAABx4/QuDzACRznvg/s1600/esma2.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 115px; FLOAT: left; HEIGHT: 90px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5644046623870616706" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-cC2Jj6iJXsY/TlOugD-NBII/AAAAAAAABx4/QuDzACRznvg/s200/esma2.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;strong&gt;Escola em atividade&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;O projeto “Noites Legais”, promovido pela Escola Superior da Magistratura (Esma), por meio de sua Coordenação Acadêmica, realiza, nesta terça-feira (23), a terceira palestra na comarca de Campina Grande. O evento tem as mesmas características do Quintas Legais de João Pessoa, que já está consolidado no calendário jurídico da Paraíba. O professor convidado para Campina é o doutor Alexandre Belo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No auditório do Tribunal do Júri do Fórum Afonso Campos, ele vai tratar das “Diretrizes Constitucionais da Administração Pública”. Sua aula tem início às 18h30 e será aberta a toda a comunidade acadêmica e profissionais do Direito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“A atual Diretoria da Esma, que tem à frente o desembargador Saulo Henriques de Sá e Benevides, tem se preocupado em interiorizar as ações da Escola. Nosso projeto é levar o ciclo de palestras às cidades polos do Estado, como Guarabira, Patos, Sousa e Cajazeiras”, adiantou a coordenadora acadêmica da Esma, professora Fátima Pessoa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Campina Grande, só este ano, a Escola Superior da Magistratura levou dois grandes especialistas em suas respectivas áreas dentro do Noites Legais. A primeira delas foi com o juiz de Direito e professor, Marcos William de Oliveira, que proferiu uma aula a respeito dos “Aspectos Práticos do Tribunal do Júri.” Já o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil - Seccional Paraíba (OAB-PB), e também professor Odon Bezerra tratou dos “20 anos do Código de Defesa do Consumidor.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Currículo&lt;/strong&gt; – O do “Noites Legais”, Alexandre Belo, é bacharel em Direito pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), mestre em Direito pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), mestre em Ciência Política (Toulouse – França) e doutor de Estado em Ciência Política, também em Toulouse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por Fernando Patriota&lt;br /&gt;Fonte: TJPB&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7886365662321466444-3401169311011405037?l=brunocazevedo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/feeds/3401169311011405037/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/2011/08/doutor-em-ciencia-politica-sera-o.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7886365662321466444/posts/default/3401169311011405037'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7886365662321466444/posts/default/3401169311011405037'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/2011/08/doutor-em-ciencia-politica-sera-o.html' title='Doutor em Ciência Política será o palestrante desta 3ª feira, no Projeto “Noites Legais” em Campina Grande'/><author><name>Bruno Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17031419237830207454</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mxosEtKo4wo/TKPg-Lm-1dI/AAAAAAAABN4/3YzzPQwxslE/S220/bruno2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-cC2Jj6iJXsY/TlOugD-NBII/AAAAAAAABx4/QuDzACRznvg/s72-c/esma2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7886365662321466444.post-9171957668972177386</id><published>2011-08-21T07:15:00.000-07:00</published><updated>2011-08-23T06:49:10.039-07:00</updated><title type='text'>As lições de história do Direito em Macbeth</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-O3ctG66WxI8/TkmpBxk239I/AAAAAAAABww/NjzZsF1eU8c/s1600/Macbeth1.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 88px; FLOAT: right; HEIGHT: 112px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5641225856211148754" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-O3ctG66WxI8/TkmpBxk239I/AAAAAAAABww/NjzZsF1eU8c/s200/Macbeth1.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;strong&gt;Embargos Culturais&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Macbeth é tragédia de William Shakespeare que data provavelmente de 1606. É uma peça maldita, lembrada por muitas superstições, e recorrentemente adaptada para o cinema. No teatro, algumas representações de Macbeth foram marcadas por acidentes e apreensões. Há notícias de assassinatos ocorridos em palcos, cenários que despencaram, incêndios mal explicados. Macbeth é um problema real no contexto das tragédias de Shakespeare, especialmente para aqueles que as representaram no palco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O enredo de Macbeth propicia inúmeras orientações temáticas. Tem-se oportunidade para estudo sobre os fundamentos do absolutismo monárquico inglês; afinal, Macbeth trata de um regicídio e da usurpação do trono. É recorrente em Shakespeare a concepção de reis ilegítimos e ineficientes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pode-se extrair de Macbeth uma relação com instâncias de bruxaria e de magia; o rei Jaime I, sucessor da rainha Elizabeth I, e para quem a peça fora representada, foi um estudioso da magia, sobre o que escrevera um livro muito conhecido. Jaime ao assumir o trono inglês, tinha 36 anos e era casado com uma católica dinamarquesa, mas ele próprio era um devoto protestante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Macbeth tem-se a impressão de que o fantástico (...) ocupa os espaços, fantasmas abandonam seus túmulos, um bruxuleio sobrenatural tremula sobre a fronte do condenado[1]. As bruxas que aparecem em Macbeth dão pistas dos interesses de Shakespeare com o sobrenatural, embora, inegavelmente, prestam-se também para agradar ao Rei Jaime I, e sua intrigante obsessão com a bruxaria[2].&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há também amplo contexto para uma abordagem psicanalítica. Sigmund Freud valeu-se da trama de Macbeth para tentar explicar o que denominava de ruína do êxito[3]. Trata-se de patologia relativamente comum. Acomete àqueles que se angustiam e se deprimem justamente no momento em que conquistam o que tanto sonharam e pelo que muito lutaram. É o que ocorreu com Lady Macbeth assim que soube que seu marido assassinou o rei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Shakespeare exerceu influência muito grande na formação cultural de Freud, que freqüentemente utilizou o repertório do bardo no enquadramento das formulações psicanalíticas que desenvolveu. A tragédia também permite uma extensa reflexão sobre a culpa; talvez fora a culpa que levou Lady Macbeth ao suicídio. E a culpa também afetou Macbeth, que dela se livrou, multiplicando os atos pelos quais se sentia culpado, i.e., matando, como medida de catarse e de superação da própria insatisfação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Macbeth ainda fomenta estudos de história do direito. Há conjunto de informações que permitem que se apreendam alguns aspectos de rituais do direito inglês do século XVI (época da peça) ou do direito escocês do século XI (época e local nos quais a tragédia é ambientada). Não se pode esquecer que houve um rei escocês chamado Macbeth; pode haver algum elemento fático no contexto da peça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A peça propicia ainda alguma reflexão em tema de retórica. Lady Macbeth convenceu seu marido a matar o rei, instigando-o a agir, especialmente quando Macbeth parecia tomada por dúvidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Macbeth é também, e talvez principalmente, um estudo sobre a natureza do mal[4]. Macbeth é um personagem verdadeiro, mais entregue a seu impiedoso destino do que às exigências cênicas[5]. Em Macbeth encontra-se o gênio de Shakespeare em seu estado mais absoluto; e o gênio de Shakespeare se constitui, ao mesmo tempo, o desespero e o êxtase do crítico[6].&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Macbeth é corajoso e ambicioso, tem consciência das conseqüências de seus crimes. É um usurpador sanguinário[7]. Inicialmente era leal ao rei, seu primo; porém, transforma-se em terrível vilão. Tem alucinações. Macbeth vai se tornar um rei caricato[8].&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lady Macbeth parece ser má e inescrupulosa. Exerce grande poder sobre o marido. Ela não consegue prever as conseqüências de seus atos e ao longo da peça vai tomando consciência de suas atitudes. Enlouqueceu e se suicidou. Segundo Freud, em Lady Macbeth, uma natureza originalmente dócil e feminina foi levada a um ponto de concentração e de alta tensão que não pôde suportar por muito tempo (...)[9]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Duncan é o idoso rei da Escócia. Bom, feliz, entusiasmado com Macbeth, jamais suspeitou da traição que o esperava. Malcom é o primeiro filho de Duncan; é o herdeiro do trono. Fugiu para a Inglaterra quando o pai foi assassinado. Formou um exército para libertar a Escócia da tirania de Macbeth.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Banquo é um general e nobre escocês; íntegro, provocou o ciúme de Macbeth. Fundador da dinastia Stuart, Banquo é ancestral de Jaime I da Inglaterra. Fleance é o filho de Banquo. Macduff é um nobre escocês, maior opositor de Macbeth, que ordenou a chacina de sua família. No fim da peça, matou Macbeth.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As três bruxas prevêem o futuro; seriam as agentes do demônio. Donalbain é o outro filho do rei Duncan. Ross é um nobre escocês que ficará ao lado de Macbeth até fugir para a Inglaterra, avisar a Macduff sobre a chacina da família.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os temas centrais desta tragédia são a ambição, a luta entre o bem e o mal, a degeneração do caráter, bem como a punição do pecado. Macbeth nos mostra o preço devastador que se paga quando a ambição pelo poder é seguida de forma rude. Ele se transformou de guerreiro corajoso em vilão. A tragédia também trata da certeza da punição, percepção que se encontra na estrutura moral do teatro elizabeteano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ambição de Macbeth foi despertada e aumentou na medida em que percebia que uma profecia feita pelas bruxas, de que seria rei, poderia ser realizada. Hesitando, porém sucumbindo à tentação, Macbeth permite-nos reflexão sobre as ambigüidades do bem e do mal. E porque Macbeth efetivamente tornou-se mal e cruel, a partir de um caráter doce, pode-se mapear transição existencial, que ameaça a nós todos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No primeiro ato, os escoceses, liderados pelo rei Duncan, recebem a notícia de que repeliram uma invasão norueguesa. O rei foi informado que Macbeth se revelou um grande guerreiro. O rei deu a Macbeth o título de Thane (Duque) de Cawdor, justamente o título do vencido, agora reconhecido como traidor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em seguida Macbeth e Banquo encontraram três bruxas que fizeram uma profecia: Macbeth será Thane de Cawdor e depois rei da Escócia. Banquo não será rei, mas seus descendentes o serão. Ao saber que ganhará o título de Thane de Cawdor, Macbeth começou a acreditar na profecia das três bruxas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escreveu uma carta para sua mulher, Lady Macbeth, que percebeu que poderia ser rainha. O rei deu a seu filho Malcom o título de Príncipe de Cumberland. Confirmou, assim, que Malcom seria seu sucessor. Macbeth ficou enciumado. O rei visitará o castelo de Macbeth. O anfitrião e sua esposa planejam o assassinato do rei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No segundo ato, Macbeth matou o rei, colocou a culpa nos guardas e os assassinou, simulando um ato de fúria e de fidelidade ao morto. No entanto, entrou em pânico e começou a repetir que jamais conseguiria dormir em paz. Foi o início de sua loucura. Chegou Macduff que foi até o quarto do rei e o viu morto. Os filhos do rei fugiram com medo que também fossem assassinados. A fuga fez com que muitos suspeitassem que os filhos do rei teriam assassinado ao pai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No terceiro ato, Macbeth mandou assassinar Banquo e seu filho Fleance. Banquo foi de fato assassinado, porém Fleance conseguiu fugir. Macbeth deu um jantar. Teve alucinações; viu Banquo e começou a gritar. Lady Macbeth pediu desculpas aos convivas. Macduff fugiu para a Inglaterra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No quarto ato, Macbeth se aconselhou com as bruxas. Estas o revelaram que ele não será derrotado por nenhum homem que tenha saído de uma mulher. E que não será derrotado, a menos que as árvores da floresta de Birname atingissem seu palácio. Ultrajado com a fuga de Macduff, Macbeth ordenou que se matasse toda a família do foragido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No final da peça, Lady Macbeth enlouqueceu e se suicidou. Malcom, Macduff e os ingleses invadiram a Escócia, acompanhados de um grande exército. Os soldados ingleses chegaram ao castelo carregando galhos da floresta de Birname. Cumpriu-se a profecia. Macduff matou Macbeth. É que nasceu de uma operação cesariana, portanto não se poderia dizer que nasceu diretamente de uma mulher. O trono foi dado a Malcom. De qualquer modo, o bem triunfou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A peça se encerra com o triunfo do bem sobre o mal, do titular da coroa sobre o usurpador, do honesto sobre o ambicioso. E nos revela um assassino cruel, um homicida compulsivo. Culpado?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A tipologia que marca Macbeth é comum nas constatações criminológicas. Basicamente, tem-se um indivíduo cuja propensão para matar é latente e o qual se encontra apto para agir. A chance acelera o processo, ainda que num primeiro momento o futuro criminoso resista. O indivíduo hesita, pretende mudar de idéia, porém se deixa convencer por quem reconhece como uma pessoa próxima, em quem deposita muita confiança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Age. Mas não se aceita. Arrepende-se. Deixa-se tomar pelo remorso. Assusta-se. Tem alucinações. Porém, como condição de sobrevivência deve matar novamente. E o faz. O instinto de Eros sublima a tendência de Tânatos, a paixão pela vida suplanta a curiosidade para com a morte, nos termos de uma formulação aparentemente freudiana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a cada novo assassinato, com o qual procura encobrir um homicídio anterior, o criminoso se perpétua como tal. Perde a razão. Torna-se refém de um passado do qual não se livra. Seu fim é a vingança alheia, a quem tanto sofrimento causou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É este o roteiro existencial de Macbeth. Metaforicamente vencido por Nêmesis, a deusa da vingança, Macbeth jamais conheceu a face de Têmis, a personificação da justiça, da qual era a deusa, e que jamais conheceu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E porque Macbeth agiu influenciado pela profecia das bruxas, resta saber se o livre arbítrio poderia ser razão suficiente para separar o dolo da culpa. Ou se com dolo agiu, simplesmente, porque as bruxas ouviu...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;--------------------------------------------------------------------------------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[1] BRADLEY, A. C., A Tragédia shakespeariana, São Paulo: WMF Martins Fontes, 2009, p. 255. Tradução de John Russell Brown.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[2] Cf. MOURTHÉ, Claude, Shakespeare, Porto Alegre: L &amp;amp; PM, 2010, p. 164. Tradução de Paulo Neves.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[3] Cf. FREUD, Sigmund, Os Arruinados pelo êxito, in Obras Completas, Rio de Janeiro: Imago, 1999, Volume XIV, pp. 331 e ss. Tradução sob direção de Jayme Salomão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[4] Cf. HELIODORA, Bárbara, Reflexões shakespearianas, Rio de Janeiro: Lacerda Editores, 2004, pp. 159 e ss.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[5] BORGES, Jorge Luís, Prólogos, com um prólogo de prólogos, São Paulo: Companhia das Letras, 2010, p. 193. Tradução de Josely Vianna Baptista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[6] BLOOM, Harold, Gênio- os 100 autores mais criativos da história da literatura, Rio de Janeiro: Objetiva, 2003, p. 44. Tradução de José Roberto O´Shea.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[7] Cf. HONAN, Paul, Shakespeare, uma vida, São Paulo: Companhia das Letras, 2001, p. 399. Tradução de Sonia Moreira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[8] Cf. CARBER, Marjorie, cit., loc.cit.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[9] Cf. FREUD, Sigmund, cit., p. 335.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por Arnaldo Sampaio de Moraes Godoy&lt;br /&gt;Fonte: ConJur&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7886365662321466444-9171957668972177386?l=brunocazevedo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/feeds/9171957668972177386/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/2011/08/as-licoes-de-historia-do-direito-em.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7886365662321466444/posts/default/9171957668972177386'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7886365662321466444/posts/default/9171957668972177386'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/2011/08/as-licoes-de-historia-do-direito-em.html' title='As lições de história do Direito em Macbeth'/><author><name>Bruno Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17031419237830207454</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mxosEtKo4wo/TKPg-Lm-1dI/AAAAAAAABN4/3YzzPQwxslE/S220/bruno2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-O3ctG66WxI8/TkmpBxk239I/AAAAAAAABww/NjzZsF1eU8c/s72-c/Macbeth1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7886365662321466444.post-6716329108347107176</id><published>2011-08-19T07:20:00.000-07:00</published><updated>2011-08-19T07:20:00.722-07:00</updated><title type='text'>Mestres usam música e tecnologia para ensinar Direito</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-DBRVauQP3-4/TkmssDkuMYI/AAAAAAAABw4/EtOCytWQv4E/s1600/professor.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 100px; FLOAT: left; HEIGHT: 96px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5641229881131807106" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-DBRVauQP3-4/TkmssDkuMYI/AAAAAAAABw4/EtOCytWQv4E/s200/professor.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;strong&gt;Aprender brincando&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Todo ano, no Brasil, milhares de bacharéis de Direito são lançados ao mercado almejando uma carreira de sucesso. O primeiro desafio a ser enfrentado é o Exame da Ordem. Este, por sua vez, vem construindo fama de ser cada dia mais difícil. Nos últimos anos a média de aprovação, segundo dados da OAB, gira em torno de 15 a 20%. Isso sem contar os concursos para cargos jurídicos, como juiz e promotor, sempre muito exigentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na briga por um lugar ao sol, os bacharéis buscam cursinhos especializados, aulas virtuais e tudo mais que os preparem para mais essa provação. Nessa seara de possibilidades, alguns professores vêm se destacando por oferecer um método inusitado de aprendizagem. Como é o caso de Sandro Caldeira, delegado de Polícia no Rio de Janeiro e professor de Direito Penal e Criminal em cursinhos, que desenvolveu a didática que ele mesmo batizou de “Um Jeito Legal de Estudar Direito”. O professor se vale de um arsenal de métodos alternativos para garantir ao aluno a memorização das matérias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“A prova da OAB está muito pesada, tento transmitir o conteúdo de uma maneira mais leve, de forma lúdica” explica Caldeira. Música é uma das armas usada pelo delegado para pegar os alunos pela memória auditiva. Gravadas em estúdio, explicam em detalhes os pormenores da lei e são ministradas ao final da aula, depois de passada a teoria. A tentativa é que dessa maneira os alunos selem o processo de aprendizagem com esse gran finale.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele junta a melodias de músicas conhecidas do público as letras dos temas que pretende tornar conhecidos para seus alunos. Um bom exemplo é a letra que explica a Lei Maria da Penha, cuja melodia é proveniente da canção O Amor e o Poder, que é o tema de Vera Fischer na telenovela Mandala, exibida em 1988. Com nova roupagem e objetivo, Caldeira transformou o hit em conteúdo didático cantado pelos alunos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lei Maria da Penha&lt;br /&gt;pro Jecrim não vai não,&lt;br /&gt;não cabe pena de cesta básica&lt;br /&gt;e prestação pecuniária.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho medidas protetivas,&lt;br /&gt;de afastamento do lar,&lt;br /&gt;podendo até proibir,&lt;br /&gt;o agressor da vítima se aproximar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vítima não poderá,&lt;br /&gt;entregar intimação,&lt;br /&gt;nem notificação ao agressor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vale tudo na hora do estudo. Exemplos trágicos ou cômicos são outro recurso utilizado pelo educador, mas dessa vez para tentar aguçar a memória emocional. A a ideia é que o bacharel se sensibilize com o fato que lhe é contado e isso o ajude a lembrar o conteúdo das leis quando estiver sendo testado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para memorização visual, Caldeira não está sozinho, tem a ajuda do cão jurídico, o mascote chamado Kin. A imagem do cão surgiu nas charges, onde o professor e o melhor amigo do homem explicam Direito aos alunos. O sucesso foi tanto que o animal saiu das telas e ganhou uma versão em pelúcia, que fala e interage com o estudantes durante as aulas, normalmente para esclarecer dúvidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao falar de temas pesados, como estupro ou participação em suicídio, utilizando-se de desenho animado para explicar o conteúdo penal, Caldeira intenta que o aluno aprenda de maneira mais branda. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;A atuação do docente extrapola as salas de aula nos chamados “Aulões Show”, espécie de seminário onde ele se apresenta com sua banda composta por 9 músicos, além da bateria, guitarra, saxofone, enfim, toda parafernália necessária a uma banda. Em outros momentos dos aulões charges são projetadas no telão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trabalhar com música não é exclusividade de Sandro Caldeira. Alexandre Mazza, professor de Direito Tributário e Administrativo da rede de ensino LFG, tem mais de 230 músicas compostas e gravadas em estúdio. “O ambiente de Direito geralmente é muito formal, por isso aplico pedagogia diferenciada, trabalho com memória auditiva”, conta Mazza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O forte do educador da LFG são as redes sociais, sobretudo o Twitter. “Criei um sistema e fico postando dicas de revisão em véspera de prova”, revela. Há dois anos utilizando esse método, Mazza é uma espécie de fenômeno do Twitter: já passou dos 110 mil seguidores. Alunos ávidos por uma boa revisão antes das provas ficam atentos aos posts do @professormazza. Segundo ele, esse serviço o colocou nos Top 500 do ranking do Twitter brasileiro, tendo em sua frente cantoras de Axé e celebridades em geral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele dedica três horas do seu dia postando dicas no micro-blog. Existe até um outro endereço, que os alunos dedicaram a ele, chamado @mafiadomazza. O Facebook também é utilizado para esses fins. O interesse é tanto que o professor já tem 3 perfis lotados, sendo que em cada perfil é possível ter milhares de amigos. “Os alunos adoram, pois hoje em dia com a internet 3D eles podem acompanhar por celular, tirar dúvidas, é uma revolução no jeito de aprender o Direito”, comenta orgulhoso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por Camila Ribeiro de Mendonça&lt;br /&gt;Fonte: ConJur&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7886365662321466444-6716329108347107176?l=brunocazevedo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/feeds/6716329108347107176/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/2011/08/mestres-usam-musica-e-tecnologia-para.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7886365662321466444/posts/default/6716329108347107176'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7886365662321466444/posts/default/6716329108347107176'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/2011/08/mestres-usam-musica-e-tecnologia-para.html' title='Mestres usam música e tecnologia para ensinar Direito'/><author><name>Bruno Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17031419237830207454</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mxosEtKo4wo/TKPg-Lm-1dI/AAAAAAAABN4/3YzzPQwxslE/S220/bruno2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-DBRVauQP3-4/TkmssDkuMYI/AAAAAAAABw4/EtOCytWQv4E/s72-c/professor.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7886365662321466444.post-5180913417488366617</id><published>2011-08-18T11:06:00.000-07:00</published><updated>2011-08-18T11:06:00.683-07:00</updated><title type='text'>Mandrágora e a Posse Sexual Mediante Fraude</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-MsEg9NZqr1E/Tkmnoa7F-7I/AAAAAAAABwo/TNXGXe3atdM/s1600/cultura.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 107px; FLOAT: left; HEIGHT: 104px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5641224321122040754" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-MsEg9NZqr1E/Tkmnoa7F-7I/AAAAAAAABwo/TNXGXe3atdM/s200/cultura.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;strong&gt;Embargos Culturais&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;A coluna desta semana aproxima Direito Penal e Literatura, com o propósito de colher material conceitual para o estudo do crime de violação sexual mediante fraude (artigo 215 do Código Penal), a partir de uma peça de Nicolau Maquiavel, A Mandrágora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para tal, faz-se breve sumária do tipo aqui indicado. Conclui-se que, do ponto de vista metodológico, a tradição literária pode nos oferecer farto material para estudo de vários aspectos do Direito Penal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Direito Penal o tipo originário da posse sexual mediante fraude foi reiteradamente redesenhado. Originariamente, dispunha-se sobre ter conjunção sexual com mulher honesta, mediante fraude. Em 2005, passou-se a dispor sobre ter conjunção sexual com mulher, mediante fraude. Em 2009, a posse sexual mediante fraude passou a ser denominada de violação sexual mediante fraude, cujo tipo é descrito em conduta indicativa de ter conjunção carnal ou praticar ato libidinoso com alguém, mediante fraude ou outro meio que impeça ou dificulte a livre manifestação da vontade da vítima[1].&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Expressão doutrinária indica que, no caso, “o mecanismo para atingir o resultado pretendido é a fraude ou outro meio que impeça ou dificulte a livre manifestação da vontade da vítima[2]”, dicção que efetivamente reproduz o tipo descrito no texto legal. Tem-se também que o tipo é “misto alternativo, podendo o agente ter conjunção carnal e praticar ato libidinoso contra a mesma vítima, no mesmo local e hora, para se configurar crime único[3]”. Sujeições ativa e passiva são gerais, alcançam a qualquer pessoa[4].&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não há forma culposa; o elemento subjetivo do tipo é o dolo[5]. A fraude é ordinariamente caracterizada pela “(...) utilização de ardil, do engodo, do engano”[6]. No que se refere à fixação do meio que impeça ou dificulte a livre manifestação tem-se “(...) qualquer mecanismo disposto a conturbar o tirocínio da vítima[7]”. Ainda, do ponto de vista dogmático, entende-se que “(...) o objeto material é a pessoa que sofre a violação (...) o jurídico é a liberdade sexual[8]”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do ponto de vista taxionômico, é crime comum (não exige sujeição ativa especial), material (o resultado é o ato libidinoso consumado), comissivo (o que indica uma ação do agente), instantâneo (sua perpetuação se esgota em momento específico), de dano (decorre da mera lesão ao bem jurídico tutelado), admite tentativa e é plurissubsistente (a conduta é integrada por vários atos)[9].&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A conduta é recorrente na experiência humana, e é captada de modo prosaico pela tradição literária. Refiro-me, especialmente, à peça A Mandrágora, do florentino Nicolau Maquiavel, circunstância cultural que fomenta o presente ensaio. Sigo com Maquiavel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maquiavel nasceu em Florença em 1469. É personalidade emblemática do Renascimento, época que se opunha ao misticismo, ao coletivismo, ao antinaturalismo, ao teocentrismo e ao geocentrismo. O movimento era marcado por intensa defesa do racionalismo, do individualismo, do antropocentrismo, do heliocentrismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O humanismo foi também um traço definidor daquele tempo, centrado na retomada dos valores greco-romanos, circunstância muito característica na obra de Maquiavel. Ainda muito jovem, Maquiavel serviu a República de Florença, participando de missões diplomáticas na França, na Alemanha e na Santa Sé. Com a queda da república florentina em 1512, foi preso e torturado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No ano seguinte, escreveu O Príncipe, seu livro mais conhecido. O objetivo que o moveu a escrever O Príncipe teria sido a tentativa de conquistar a amizade e a confiança de Lourenço de Médici, a quem o livro é dedicado. Chamado de volta para o governo em 1525, Maquiavel novamente caiu em desgraça em 1527. Pobre e esquecido, morreu em 1527.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estudioso do poder, Maquiavel adiantou-se a percepções criminológicas contemporâneas, especialmente no que se refere à intuição de um biopoder, de um poder exercido sobre corpos e mentes. E o fez fugindo do dogmatismo e das teorias justificadoras morais ou espirituais.[10]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mandrágora é comédia datada de 1515[11]. A farsa é dividida em cinco atos. Fixo o conjunto de dramatis personae, isto é, dos personagens: Nícia (o juiz e marido), Calímaco (o embusteiro), Ligúrio (o mau-caráter), Frei Timóteo (o religioso corrupto), Lucrécia (a mulher pudica), Sóstrata (a mãe de Lucrécia), Siro (o servo de Calímaco). Há também uma misteriosa mulher, cujo nome Maquiavel não revela, e que frequenta uma das cenas da comédia, que é ambientada em Florença.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No prólogo, Maquiavel apresenta os personagens, e explica-se, inclusive com certa ironia para consigo mesmo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A comédia intitula-se A mandrágora; por que, isso dirá a representação, tenho certeza. Não desfruta o autor de muita fama; se não rirdes, no entanto, aceitará pagar-vos um bom trago. Um amante infeliz, um doutor pouco astuto, um frade de má vida, um paraíso fértil em malícia, hoje serão o vosso passatempo[12].&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O enredo, de modo muito sintético, pode ser resumido, na forma que segue. Nícia, um juiz de meia idade, e muito ingênuo, é casado com a bela Lucrécia, esposa fiel e piedosa. O casal sonhava com um filho. Porém, Lucrécia não conseguia engravidar. Chega de Paris um belo jovem, Calímaco, que intrigado a propósito de uma discussão que teve, na qual se disputou quais mulheres seriam mais bonitas, as francesas ou as italianas, prestava atenção nas moças de Florença.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acompanhado de seu criado, Siro, Calímaco conheceu Lucrécia, por quem imediatamente se apaixonou. Auxiliado por um senhor parasita, oportunista e mau caráter, Ligúrio, o vilão Calímaco planejou como possuir sexualmente Lucrécia. Ajudado por um frade corrupto, chamado de Frei Timóteo, Calímaco ganhou a confiança de Nícia, para quem se dizia médico, e a quem convenceu que Lucrécia somente engravidaria se tomasse uma droga, conhecida como mandrágora, raiz milagrosa, de onde o título da comédia. No entanto, advertiu que o primeiro homem que tivesse relações sexuais com Lucrécia, após a ingestão da droga, morreria imediatamente. A droga, mandrágora,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conhecida desde os tempos mais remotos (...) tem atraído a atenção dos homens por suas particularidades: a forma da raiz é alongada (...) de aspecto carnudo, branco e bifurcado, lembrando vagamente o tronco e as pernas do corpo humano. Foi o antropomorfismo da raiz que fez com que ela fosse considerada uma espécie de embrião incompleto, capaz de ganhar a vida através de práticas mágicas. Como a beladona e o meimendro, sonanáceas venenosas, a mandrágora contém alcaloides. Seu aspecto sedativo já era conhecido dos hipocráticos. No século XVIII, foi empregada como analgésico de uso externo. Usavam-na como anestesia nas operações. Atribuíam-se-lhe ainda virtudes afrodisíacas. Inscrita no catálogo das plantas medicinais, ela era tida como capaz de proporcionar alívio, curar certos males ou estimular a vitalidade[13].&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sugeriu que encontrassem alguém que se dispusesse a copular com Lucrécia (e será ele mesmo, Calímaco, disfarçado de mendigo). Convencido de que o ardil o beneficiaria, o juiz também foi ajudado pela sogra, Sóstrata. Esta última influenciou a filha a ouvir os conselhos do frade. Calímaco atingiu seu objetivo, deitou-se com Lucrécia, revelando-se, e ganhando a confiança e o amor da heroína, após ser sincero para com ela. Num contexto contemporâneo, bem nítida a ilustração relativa à violação sexual mediante fraude.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Insisto, numa percepção contemporânea, Calímaco violou sexualmente a Lucrécia mediante fraude. O caso lembra problema eventualmente relatado em jornais, relativo à ação de profissional da Medicina, que mediante fraude, viola sexualidade da paciente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No caso urdido por Maquiavel, o ardil é ainda mais amplo, na medida em que Calímaco não era médico. No entanto, duas questões permanecem intrigando ao leitor: Maquiavel não nos diz se Lucrécia engravidara; e o que pior, a vítima consolou-se no criminoso, a ele se consorciando, pelo que o consentimento, ainda que tardio, poderia ser elemento de desqualificação ou, por outro lado, inequívoca prova (ainda que literária) de que pode haver crimes perfeitos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A peça nos oferece expressivo material para estudo do tipo previsto no artigo 215 do Código Penal. Sugere que a metodologia possa ser utilizada na avaliação conceitual e cultural de um sem número de tipos penais. Tem-se, de tal modo, a possibilidade de se explorar a tradição literária com a finalidade de se apreender a restrição para com diversas condutas, num contexto de ampla comunicação entre os vários saberes.&lt;br /&gt;--------------------------------------------------------------------------------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[1] A pena prevista é de reclusão, de dois a seis anos. O parágrafo único do art. 215 do Código Peal dispõe ainda que se o crime é cometido com o fim de obter vantagem econômica, aplica-se também multa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[2] Nucci, Guilherme de Souza, Código Penal Comentado, São Paulo: RT, 2010, p. 919.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[3] Nucci, Guilherme de Souza, cit., loc.cit.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[4] Cf. Nucci, Guilherme de Souza, cit., loc.cit.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[5] Cf. Nucci, Guilherme de Souza, cit., loc.cit.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[6] Nucci, Guilherme de Souza, cit., loc.cit.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[7] Nucci, Guilherme de Souza, cit., loc.cit.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[8] Nucci, Guilherme de Souza, cit., p. 920.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[9] Cf. Nucci, Guilherme de Souza, cit., loc.cit.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[10] Cf. Anitua, Gabriel Ignacio, História dos Pensamentos Criminológicos, Rio de Janeiro: Revan, Instituto Carioca de Criminologia, 2008, p. 92. Tradução de Sérgio Lamarão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[11] Maquiavel, Nicolau, A Mandrágora, São Paulo: Editora Peixoto Neto, 2004. Coleção Os Grandes Dramaturgos. Tradução de Mário da Silva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[12] Maquiavel, Nicolau, cit., p. 36.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[13] Brunel, Pierre (org.), Dicionário de Mitos Literários, Brasília: Editora UnB, e Rio de Janeiro: Editora José Olympio, 1997, p. 605. Tradução de Carlos Sussekind e outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por Arnaldo Sampaio de Moraes Godoy&lt;br /&gt;Fonte: ConJur&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7886365662321466444-5180913417488366617?l=brunocazevedo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/feeds/5180913417488366617/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/2011/08/mandragora-e-posse-sexual-mediante.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7886365662321466444/posts/default/5180913417488366617'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7886365662321466444/posts/default/5180913417488366617'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/2011/08/mandragora-e-posse-sexual-mediante.html' title='Mandrágora e a Posse Sexual Mediante Fraude'/><author><name>Bruno Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17031419237830207454</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mxosEtKo4wo/TKPg-Lm-1dI/AAAAAAAABN4/3YzzPQwxslE/S220/bruno2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-MsEg9NZqr1E/Tkmnoa7F-7I/AAAAAAAABwo/TNXGXe3atdM/s72-c/cultura.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7886365662321466444.post-6299466851016283977</id><published>2011-08-17T07:20:00.000-07:00</published><updated>2011-08-17T07:20:02.315-07:00</updated><title type='text'>Quintas Legais da Esma retoma suas atividades com palestra sobre violência doméstica contra a mulher</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-mDrCnnSaXgQ/Tkq33DnJfmI/AAAAAAAABxo/PzRR-TtfDus/s1600/Fatima.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 109px; FLOAT: right; HEIGHT: 101px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5641523639725162082" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-mDrCnnSaXgQ/Tkq33DnJfmI/AAAAAAAABxo/PzRR-TtfDus/s200/Fatima.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;strong&gt;Lei Maria da Penha&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;A desembargadora Maria de Fátima Bezerra Cavalcanti, do Tribunal de Justiça da Paraíba, será a palestrante do Projeto Quintas Legais, no primeiro evento deste segundo semestre. A magistrada foi convidada pela Diretoria da Escola Superior da Magistratura (Esma) e vai falar sobre “ Violência doméstica e familiar contra a mulher: Histórico de sofrimento e proteção legal”. A palestra começa às 18h30, nesta quinta-feira (18), no Auditório da Esma, instalado no Complexo Judiciário, localizado no Bairro do Altiplano, em João Pessoa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Estou lisonjeada pelo convite do diretor da Escola, desembargador Saulo Henriques de Sá e Benevides. Considero o Quintas Legais uma das grandes iniciativas do desembargador Márcio Murilo da Cunha Ramos, quando estava à frente da Esma e sei do compromisso destes magistrados no aperfeiçoamento acadêmico da classe jurídica paraibana”, comentou a desembargadora, que é a primeira mulher a compor o Pleno da Corte de Justiça paraibana. Ela integrou a primeira turma de estudantes da Escola Superior da Magistratura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A desembargadora considera que sua palestra acontece em um momento muito oportuno, tendo em vista a assinatura do convênio firmado entre o Tribunal de Justiça e a Faculdade Facisa, para instalar a Vara da Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, em Campina Grande. Fátima Bezerra observou que essa conquista também vai acontecer em João Pessoa, a partir de um convênio com a Universidade Federal da Paraíba (UFPB), para instalação de uma unidade judiciária na Capital.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Sou testemunha da satisfação e empenho do presidente do Tribunal, desembargador Abraham Lincoln da Cunha Ramos, que não mediu esforços para atender essa necessidade em todas as fases desse processo, até a concretização do projeto e o funcionamento das duas primeiras varas na Paraíba”, comentou a magistrada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A desembargadora adiantou, ao referir-se ao tema da palestra, que um relatório da Subsecretaria de Pesquisa e Opinião Pública do Senado Federal, publicado em 2005, concluiu que dentre todos os tipos de violência contra a mulher existentes no mundo aquela praticada no ambiente familiar é uma das mais cruéis e perversas. “O lar, identificado como local acolhedor e de conforto, passa a ser, nesses casos, um ambiente de perigo contínuo que resulta em um estado de medo e de ansiedade permanentes,” destaca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A magistrada vai comentar a Lei 11.340/2006, conhecida como Lei Maria da Penha, que foi o diploma criado, de ação e de sentido afirmativos, para combater esse tipo de violência doméstica. O texto foi o resultado da atuação dos movimentos de defesa dos direitos das mulheres, em especial, das reivindicações de uma biofarmacêutica, a cearense Maria da Penha Maia Fernandes, vítima de violência doméstica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Com altivez, perseverança e perspicácia, essa mulher desprendeu forças pelo reconhecimento dos seus direitos de cidadã e iniciou uma campanha histórica, exigindo do Estado brasileiro proteção para todas as mulheres vítimas de violência baseada no gênero, conforme as previsões do artigo 226, § 8º, da Constituição Federal de 1988, bem como da convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Violência Contra a Mulher e da Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência Contra a Mulher e de outros tratados internacionais”, destacou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Currículo&lt;/strong&gt; - Nascida em João Pessoa/PB, Maria de Fátima Bezerra Cavalcanti ingressou na magistratura em 1984, como juíza da comarca de Pilões, tendo sido aprovada no 43º Concurso de Juiz de Direito em primeiro lugar. Foi juíza de Rio Tinto, Bayeux e Campina Grande. Nomeada desembargadora do TJPB em 2002, sendo a primeira mulher a integrar a Egrégia Corte de Justiça da Paraíba. A palestrante é membro da Associação Brasileira de Mulheres da Carreira Jurídica, da Academia Paraibana de Poesia e da Academia Feminina de Letras e Artes do Estado da Paraíba. A desembargadora foi vice-presidente do Tribunal de Justiça no biênio 2008/2009.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PorFernando Patriota&lt;br /&gt;Fonte: TJPB&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7886365662321466444-6299466851016283977?l=brunocazevedo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/feeds/6299466851016283977/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/2011/08/quintas-legais-da-esma-retoma-suas.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7886365662321466444/posts/default/6299466851016283977'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7886365662321466444/posts/default/6299466851016283977'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/2011/08/quintas-legais-da-esma-retoma-suas.html' title='Quintas Legais da Esma retoma suas atividades com palestra sobre violência doméstica contra a mulher'/><author><name>Bruno Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17031419237830207454</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mxosEtKo4wo/TKPg-Lm-1dI/AAAAAAAABN4/3YzzPQwxslE/S220/bruno2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-mDrCnnSaXgQ/Tkq33DnJfmI/AAAAAAAABxo/PzRR-TtfDus/s72-c/Fatima.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7886365662321466444.post-1593963632605411098</id><published>2011-08-16T07:00:00.000-07:00</published><updated>2011-08-16T07:00:07.891-07:00</updated><title type='text'>As Vespas, uma comédia sobre o Júri em Atenas</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-gZh8jDdNAZg/Tkmu_deWJZI/AAAAAAAABxg/t5u6PUsXSzE/s1600/godoi.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 88px; FLOAT: left; HEIGHT: 113px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5641232413525157266" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-gZh8jDdNAZg/Tkmu_deWJZI/AAAAAAAABxg/t5u6PUsXSzE/s200/godoi.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;strong&gt;Embargos Culturais&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Na coluna desta semana apresento a comédia As Vespas, de autoria de Aristófanes. A peça teria estreado em 422 a.C. Trata-se de uma inteligente crítica aos tribunais gregos do século V a.C. No entanto, em certo sentido, a comédia contempla uma série de problemas que são muito atuais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ambientando ao leitor, quanto aos tribunais atenienses, observo que réu e acusador se reuniam em local determinado, levando parentes e amigos, que atestariam as boas intenções da parte. A solidariedade jurídica elevaria o número de votos, garantindo a vitória de um dos litigantes. Na época clássica, tribunais eram centro de encontros para desempate das solidariedades religiosas e familiares sob a tutela do Estado, o que, indica o espírito democrático que animara a organização das instituições atenienses, como preocupação de se assegurar harmonicamente a soberania e os direitos do indivíduo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre as várias cortes, havia o Areópago, a mais antiga, que, de acordo com a lenda, fora instituída pela deusa Atena por ocasião do julgamento de Orestes. Esse último, irmão de Ifigênia, filho de Agamêmnon e de Clitmnestra, vingou o pai, assassinando a mãe, que tinha traído Agamêmnon, entregando-se a Egisto. Para Plutarco, o Areópago fora criado por Sólon. Também havia o Tribunal dos Éfetas, criado por Drácon, dividido em câmaras especiais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para os fins do presente estudo, o mais importante era o Tribunal dos Heliastas, um dos principais elementos da vida ateniense, que fora criticado na comédia de Aristófanes. Anualmente, sorteavam-se seis mil jurados (dikastaí, heliastaí) entre os cidadãos inscritos, maiores de 30 anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os sorteados eram designados juízes heliastas e nessa qualidade prestavam juramento (hórkos heliastikós). Eram divididos em dez seções (dikastéria) de quinhentos membros: os restantes mil jurados eram suplentes. O tribunal dos Heliastas tinha competência para acompanhar e julgar as causas em geral, de âmbito público e privado, e muitos de seus membros eram pessoas de idade, de pequena e média condição, que eram pagos para o desempenho da função.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como o juiz recebia três óbulos por dia para participar das sessões do tribunal, a judicatura transformou-se no principal meio de vida para muitos cidadãos atenienses. É aí que se centra a comédia que vamos comentar, e que identifica o desencanto literário para com o modelo judiciário ateniense.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O enredo é resumido por Mário da Gama Kury, que traduziu a comédia do grego para o português:&lt;br /&gt;“Filoclêon (que significa amigo de Clêon, orador, general, político controvertido, demagogo corrupto) é fanático pelas sessões do tribunal. Seu filho Bdeliclêon (inimigo de Cléon) tenta curá-lo de sua mania judicatória e, como último recurso, segrega-o em sua própria casa. Os componentes do coro (velhos jurados como Filoclêon) chegam em frente à sua casa, fantasiados de vespas, antes do amanhecer para levá-lo com eles ao Tribunal, e o ajudam como podem em sua tentativa de escapar da prisão domiciliar a que o filho o sujeita. Há uma escaramuça entre os jurados e os escravos de Bdeliclêon, seguindo-se uma discussão entre Filoclêon e Bdeliclêon quanto aos méritos e defeitos da instituição do júri, na qual Filoclêon a defende alegando os benefícios que obtém pessoalmente graças ao sistema. Rebatendo, Bdeliclêon demonstra que na realidade os jurados são meros instrumentos dos governantes, que desviam em benefício próprio o grosso da arrecadação destinada a alimentar o povo necessitado. O coro se deixa convencer e persuade Filoclêon a julgar somente os casos ocorrentes em seu próprio lar, começando pelo de Labes, o cão de guarda da casa, que furtou um queijo na despensa. Graças a um ardil do filho, Filoclêon é induzido sem perceber a absolver o criminoso, o primeiro réu que ele deixava em liberdade em toda sua longa vida de jurado. Bdeliclêon então resolve reeducar o pai para a vida social, e melhorar suas roupas e maneiras, passando a levá-lo a jantares. Os resultados são desastrosos, pois Filoclêon embriaga-se, insultando os demais convidados, pondo-se afinal à frente dos componentes do coro para dançar indecentemente”[1].&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O debate entre pai e filho centra-se na oposição das ideias em relação ao tribunal. Para o pai, o tribunal é bom porque lhe traz vantagens pessoais. Para o filho, o tribunal é ruim porque os jurados são meros instrumentos dos governantes. De qualquer forma, tomando-se uma ou outra opinião, a conclusão é a mesma: o desencanto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A comédia começa com um diálogo entre Sósias e Xantias, escravos de Filoclêon. Incumbidos de guardar o velho, não deixando com que ele vá para o Tribunal, os dois personagens explicam aos espectadores a doença que ataca Filoclêon.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diz Xantias:&lt;br /&gt;“Se vocês estão curiosos por saber, façam silêncio: vou dizer qual é mesmo a doença do meu senhor: é a paixão pelos tribunais. A paixão dele é julgar; ele fica desesperado se não consegue ocupar o primeiro banco dos juízes. A noite ele não goza um instante de sono. Se por acaso fecha os olhos, o próprio espírito fica olhando para a clepsidra. A paixão dele pelo voto no tribunal é tão grande que faz ele acordar apertando três de seus dedos, como se oferecesse incenso aos deuses, em dia de lua nova. (...) Logo depois do jantar ele pedia as sandálias, corria para o tribunal em plena noite e adormecia lá, colado a uma coluna como uma ostra à concha. (...) Com receio de não ter a pedrinha para o voto, ele tinha no jardim de sua casa um canteiro de pedrinhas, que renovava sem parar. Este era a sua loucura”[2]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O texto traz um personagem de comportamento patológico. Sua obsessão com o tribunal, com o poder de julgar, sugere algo não revelado. Sutilmente, Aristófanes nos questiona acerca dos motivos determinantes que levam o julgador à corte. Na visão do teatrólogo grego, certamente não é o amor à justiça... Mais a frente, Filoclêon exige que possa sair:&lt;br /&gt;“Que é que vocês estão querendo fazer? Vocês não vão mesmo me deixar julgar? Dracontidas vai ser absolvido!”[3]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fica claro que, mesmo sem ouvir as partes, Filoclêon já pensara em condenar o réu. Filoclêon tinha ganas de condenar, sempre. E diz logo em seguida:&lt;br /&gt;“O deus de Delfos me respondeu um dia que eu morreria no momento em que um acusado escapasse de minhas mãos.”[4]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aristófanes nos indica que seu personagem julgador nada julgava. Ele apenas condenava. E as condenações indicam certo prazer, sem o qual Filoclêon não poderia viver. Discutindo com o filho, que queria prendê-lo em casa, mais uma vez Filoclêon manifesta seus desvios patológicos:&lt;br /&gt;“Sou mesmo um infeliz! Se eu pudesse matar você! ... Mas, com quê? Depressa! Uma espada ou uma sentença condenatória!”[5]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O conceito que Filoclêon fazia da justiça é diverso do externado pelos filósofos clássicos, exceto pelos cínicos, embora a visão do personagem de Aristófanes seja ainda mais pessimista. Se para um pensamento mais rebelde a justiça poderia ser a lei do mais forte, para Filoclêon a justiça era palco para seu prazer ou para suas arengas pessoais. Quanto a esse último aspecto, Filoclêon desafia seu filho: “Se vocês ao me deixarem em paz, vamos brigar na justiça.”[6] O filho responde ao pai, e a resposta denota pouquíssimo respeito: “Você é um trambiqueiro sem vergonha e atrevido, mas pouco inteligente.”[7] Porém, centrando seus valores no critério dinheiro, responde Filoclêon:&lt;br /&gt;“Trambiqueiro, eu? De jeito nenhum! Você não me dá agora o valor que eu tenho; só vai dar quando provar o gosto delicioso da herança de um velho juiz.”[8]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos os outros juízes, travestidos de vespas (que têm embaixo da barriga um ferrão penetrante e picam todo mundo com ele) vão até a casa de Filoclêon, para convocá-lo para mais uma sessão do tribunal. Com a chegada das vespas, em passagem muito substancial, diz o escravo guardião da casa:&lt;br /&gt;“Não se preocupe; com apenas algumas pedras vou obrigar todo esse enxame de juízes a debandar.”[9]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comparar juízes a um enxame de vespas é atitude que indica destemor e até certo atrevimento por parte de Aristófanes, que continua a comédia, com o coro dos juízes-vespas, que se incitam para o julgamento. Dizem as vespas:&lt;br /&gt;“Hoje é o julgamento de Laques. Todos dizem que seu cofre ficou recheado de dinheiro. É por isso que ontem Clêon, nosso sustentáculo, nos disse para irmos cedo, com raiva para três dias, para punir um malandro pela roubalheira dele.”[10]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A “raiva de três dias” e a predisposição para condenar são evidentes. Essa evidência é potencializada quando os juízes-vespas, falando em direção à casa, dirigem-se para Filoclêon:&lt;br /&gt;“Vamos, caro amigo! Levante-se! Não se deixe devorar assim pelo ressentimento! Hoje temos que julgar um desses ricaços que entregaram a Trácia. Vamos mandá-lo ao suplício!”[11]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Filoclêon tenta explicar por que não consegue sair de casa:&lt;br /&gt;“Meus amigos! Estou secando de impaciência depois de ouvir vocês dessa janela, mas não posso ir cantar com vocês. Que é que vou fazer? A minha gente toma conta de mim porque estou pegando fogo para ir com vocês, juntar nossas urnas e pronunciar alguma sentença condenatória.”[12]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que diferença, por exemplo, entre Filoclêon (que só pensava em condenar) e a prosaica figura do chamado bom juiz Magnaud, capitão da jurisprudência sentimental, julgador de primeira instância na França, no início do século XX, que nas palavras de Carlos Maximiliano:&lt;br /&gt;“Imbuído de ideias humanitárias avançadas, o magistrado francês redigiu sentenças em estilo escorreito, lapidar, porém afastadas dos moldes comuns. Mostrava-se clemente e atencioso para com os fracos e humildes, enérgico e severo para com os opulentos e poderosos. (...) Na esfera criminal e correcional, e em parte na civil, sobressaiu o bom juiz, com exculpar os pequenos furtos, amparar a mulher o os menores, profligar erros administrativos, atacar privilégios, proteger o plebeu contra o potentado.”[13]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Filoclêon é a antítese do bom juiz Magnaud, e ambos se afastam de um modelo imaginário e desejável de juiz. Voltando ao texto de Aristófanes, Filoclêon que fugir, quer ir para o tribunal:&lt;br /&gt;“Que meio? Procurem! Faço qualquer negócio, tão grande é o meu desejo de percorrer os bancos do tribunal para dar meu voto.”[14]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os juízes continuam tentando ajudá-lo e Filoclêon, em desespero, faz importante observação acerca de seu destino:&lt;br /&gt;“Está bem, assim seja! Estou nas mãos de vocês. Se me acontecer alguma desgraça, lembrem-se de me enterrar por baixo do tribunal depois de me terem banhado com suas lágrimas.”[15]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Externando seu lado corrupto, Filoclêon pede ajuda de réus que deverá julgar. Assim:&lt;br /&gt;“Vocês, Smicítion, Tisiades, Crêmon, Feredipno, todos que têm processos durante este ano, não vêm me socorrer? Quando, afinal, vocês me ajudarão, se não for agora, antes de eu ser trancado outra vez?”[16]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As vespas-juízes, já no tribunal, mandam meninos tentar convencer Bdeliclêon a libertar o pai, mandam também recados para Filoclêon:&lt;br /&gt;“Digam a ele para vir combater um inimigo do governo, merecedor sem dúvida alguma da morte, pois ele se atreve a pretender que não deve haver processos nem julgamentos!”[17]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aristófanes traz personagens que identificam um total de descrédito do comediógrafo para com as coisas, fatos e temas da justiça, traduzindo desencanto entre Literatura e Direito. Aristófanes nos dá conta de juízes vingativos. Por exemplo, assim se dirigem aos escravos que prendiam Filoclêon:&lt;br /&gt;“Vocês não tardarão a receber o castigo merecido; os três vão aprender a conhecer os homens de caráter rancoroso, justo e sereno.”[18]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os juízes ameaçam o filho de Filoclêon:&lt;br /&gt;“Muito bem; você ainda não está no jardim e nem saiu da rua, como diz o provérbio. O que você sofre hoje não é nada; você vai ver quando o promotor denunciar os seus crimes e intimar os seus cúmplices na conspiração.”[19]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Interessante a tradução, no uso da expressão “promotor”. Em Atenas, não havia Ministério Público [20]. Qualquer um poderia denunciar (eisangenlía). Daí a proliferação de acusadores e denunciantes, os sicofantas. Esses objetivavam os cidadãos ricos e a fúria acusadora só era refreada pelo temor das multas, decorrentes das denúncias infundadas. Aristóteles via nos sicofantas bajuladores danosos e vis. Filoclêon insiste com o filho. Quer continuar julgando:&lt;br /&gt;“Você bem merece; por mim, prefiro a vida que você quer que eu abandone, em vez da maior prosperidade. Um processinho recheado é um prato que me agradaria muito mais.”[21]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O filho tenta chamar o pai para a realidade. E a rudeza de Aristófanes é impressionante. Diz Bdeliclêon:&lt;br /&gt;“Você não percebe que é um joguete desses homens que você reverencia como se estivesse num culto? Você é um escravo e não percebe.”[22]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Filoclêon insiste, ainda com mais veemência:&lt;br /&gt;“Que criatura é mais feliz, mais afortunada do que um juiz? Que vida é mais gostosa do que a dele? Que animal é mais temível, principalmente na velhice?”[23]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Filoclêon está seguro do seu múnus. Diz:&lt;br /&gt;“E este salário me seve de proteção contra todos os males, e de armadura contra todos os projéteis; (...) Isto não é uma verdadeira soberania, igual à de Zeus? Falam de nós como do próprio Zeus. Se fazemos barulho em nosso tribunal, todos os parentes gritam: ‘Ah! Zeus! Que tempestade desaba sobre o tribunal!’”[24]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bdeliclêon afirma que o pai é, na verdade, um servo do Estado, que ganha pouco, mas que tem a impressão de ter muito poder. Para Bdeliclêon, o pai não tem poder nenhum; apenas vive dos restos, das sobras dos advogados nas negociatas:&lt;br /&gt;“Então ouça: você poderia ser tão rico quanto todos os outros colegas seus; mas esses eternos aduladores do povo lhe tiram os meios. Você reina sobre uma porção de cidades, desde o Mar Negro até a Sardenha, e sua única satisfação é esse salário miserável; e eles ainda não lhe pagam avarentamente e gota a gota, como o óleo na mecha de um lampião; na realidade eles querem que você seja pobre, e vou lhe dizer a razão disto: é porque você conhece a mão que te alimenta, e ao menor sinal você se lança sobre o inimigo que ela escolhe para ser atacado por você.”[25]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente, filho e pai chegam a um acordo. Bdeliclêon deixará o pai em casa, julgando os escravos. Diz:&lt;br /&gt;“Está bem! Está bem! Se você gosta tanto de ser juiz, não é necessário sair de casa para isto; fique aqui e julgue seus escravos.” [26]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E continua:&lt;br /&gt;“Você vai fazer tudo como no tribunal. Se sua escrava abrir a porta da despensa sem você ver, você aplicará a ela uma simples multa, como você faria no tribunal. Tudo se passará na ordem conveniente; se o sol estiver de fora desde cedo, você julgará em pleno sol; se estiver chovendo ou nevando, você instruirá o processo em frente à sua lareira; se por acaso você se levantar ao meio-dia, não precisa ter receios de ser excluído pelo juiz-presidente.”[27]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também, os poderes de Filoclêon seriam aumentados:&lt;br /&gt;“Além disto, se o advogado estiver falando demais e você sentir fome, você não terá de sofrer por isto; vingue-se do advogado.”[28]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O advogado era uma figura interessante no mundo ático. Os litigantes usavam a palavra e aqueles que não confiavam em seus talentos oratórios valiam-se da redação de profissionais (logógrafos) que preparavam os discursos. Os logógrafos recebiam por suas peças. Havia também o socorro da redação de amigos (synégoros). Réu e autor podiam pedir ao tribunal que os ajudassem na escolha de amigos com mais facilidade de expressão. A autorização era raramente recusada, exigindo-se apenas, no caso do advogado amigo, que ele não cobrasse pelos serviços.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É o caso da famosa defesa feita por Demóstenes, em prol de Ctesifonte, que propusera ao conselho uma moção em favor de uma coroa de ouro para Demóstenes. Ctesifonte foi processado por Ésquines, e Demóstenes teve de defendê-lo. A defesa de Demóstenes torna-se sua própria defesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltando ao texto, Filoclêon está preocupado com seus rendimentos:&lt;br /&gt;“Você me leva a tomar uma decisão, mas ainda não disse quem vai me pagar o meu salário de juiz.”[29]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Filoclêon julgará um cachorro acusado de roubar pedaço de queijo. O cachorro foi absolvido... É que Filoclêon estava indisposto, nem ele mesmo acreditava na absolvição, dizendo: “Me diga: ele foi mesmo absolvido?”[30]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele não aceitou o que fez. Perguntava:&lt;br /&gt;“Como vou suportar a ideia de ter absolvido um acusado? Que será de mim? Deuses veneráveis! Me perdoem! Fiz isso tudo sem querer; este não é o meu hábito”.[31]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o tempo, Filoclêon perdeu o gosto pelo tribunal. Embriagado, insultou um juiz num banquete. A resposta veio em forma de bravata. Disse o convidado:&lt;br /&gt;“Você pode ter certeza de que amanhã pagará por tudo isso que está fazendo, abusando desta falta de vergonha de mocinho pretensioso. Viremos todos nós, os juízes, intimar você a comparecer no tribunal!”[32]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A resposta de Filoclêon demonstrava um novo homem:&lt;br /&gt;“Essa não! Me intimar! Isto é velhacaria! Vocês sabem que já não posso nem ouvir a palavra ‘processo’? Não! Não! Agora tenho outros passatempos; joguem fora as urnas! Afinal, vocês irão embora? Onde está o juiz? Que ele vá se enforcar!”[33]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aristófanes satirizou os tribunais do júri em Atenas, imaginando a figura de um velho que fazia as vezes de juiz e que, trancado por seu filho, porque chamado a participar do tribunal pelos outros juízes, simbolicamente equiparados às vespas. As falas indicam uma visão cética e irreverente para com o mundo do Direito. A comédia de Aristófanes ganha foros de universalidade ao traduzir um sentimento comum, de desconforto, para com certos aspectos da vida dos tribunais. Atual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;--------------------------------------------------------------------------------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[1] Kury, Mário da Gama. Introdução em As vespas, de Aristófanes. p. 7 – 8.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[2] Aristófanes, cit. p. 20.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[3] Aristófanes, cit., loc. cit.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[4] Aristófanes, cit., loc. cit.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[5] Aristófanes, cit. p. 23.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[6] Aristófanes, cit., loc. cit.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[7] Aristófanes, cit., loc. cit.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[8] Aristófanes, cit. , loc. cit.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[9] Aristófanes, cit. p. 25.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[10] Aristófanes, cit., loc. cit.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[11] Aristófanes, cit. p. 27.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[12] Aristófanes, cit. pp. 28-29.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[13] Maximiliano, Carlos, Hermenêutica e Aplicação do Direito, p. 95.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[14] Aristófanes, cit. p. 30.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[15] Aristófanes, cit. p. 31.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[16] Aristófanes, cit. p. 33.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[17] Aristófanes, cit. p, loc. cit.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[18] Aristófanes, cit. p. 35.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[19] Aristófanes, cit. p. 37.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[20] Croiset, Maurice, La Civilisation de la Grèce Antique, p. 129.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[21] Aristófanes, cit. p.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[22] Aristófanes, cit. p. 38.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[23] Aristófanes, cit. p. 40.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[24] Aristófanes, cit. p. 45.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[25] Aristófanes, cit. p. 45.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[26] Aristófanes, cit. p. 48.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[27] Aristófanes, cit., loc. cit.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[28] Aristófanes, cit. p. 48.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[29] Aristófanes, cit., loc. cit.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[30] Aristófanes, cit. p. 63.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[31] Aristófanes, cit., loc. cit.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[32] Aristófanes, cit. p. 76.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[33] Aristófanes, cit., loc. cit.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por Arnaldo Sampaio de Moraes Godoy&lt;br /&gt;Fonte: ConJur&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7886365662321466444-1593963632605411098?l=brunocazevedo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/feeds/1593963632605411098/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/2011/08/as-vespas-uma-comedia-sobre-o-juri-em.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7886365662321466444/posts/default/1593963632605411098'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7886365662321466444/posts/default/1593963632605411098'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/2011/08/as-vespas-uma-comedia-sobre-o-juri-em.html' title='As Vespas, uma comédia sobre o Júri em Atenas'/><author><name>Bruno Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17031419237830207454</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mxosEtKo4wo/TKPg-Lm-1dI/AAAAAAAABN4/3YzzPQwxslE/S220/bruno2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-gZh8jDdNAZg/Tkmu_deWJZI/AAAAAAAABxg/t5u6PUsXSzE/s72-c/godoi.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7886365662321466444.post-1413877409122208506</id><published>2011-08-15T11:20:00.000-07:00</published><updated>2011-08-15T15:42:17.781-07:00</updated><title type='text'>TJ-RS nega progressão de regime com base em laudo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-8WWcrDvwx-Q/Tkl0g14KzUI/AAAAAAAABwY/1KHfpqLPGSU/s1600/crimi.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 112px; FLOAT: right; HEIGHT: 128px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5641168115825560898" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-8WWcrDvwx-Q/Tkl0g14KzUI/AAAAAAAABwY/1KHfpqLPGSU/s200/crimi.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;strong&gt;A força do Exame&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Conduta satisfatória, bom comportamento e tempo de prisão não garantem, automaticamente, a progressão de regime. O juiz pode pedir uma avaliação psicológica, para embasar sua decisão. Sob este entendimento e com base no laudo de avaliação psicológica, a 7ª Câmara Criminal de Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul negou, no final de junho, o benefício a um apenado de Erechim (RS), confirmando decisão de primeiro grau.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Vara de Execuções Criminais de Erechim negou o pedido de progressão de regime do paciente com base em um parecer psicológico. "Verifica-se que o reeducando não reúne o requisito subjetivo imprescindível ao deferimento de benesse. Com efeito, a avaliação psicológica expõe contraindicação ao benefício", resumiu o juiz de Direito Evandro Ubiratan Paiva da Silveira. Ele considerou o laudo que sugeria "a permanência no sistema e sua vinculação em serviços internos, a fim de verificar sua real adesão às regras e responsabilidades necessárias para posterior convívio extramuros".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O apenado entrou com Agravo de Execução no Tribunal de Justiça. Alegou que tem direito ao benefício, por ter cumprido o tempo de reclusão necessário para habilitar o pedido, por apresentar conduta satisfatória e bom comportamento na prisão. O procurador de Justiça na Câmara opinou pelo desprovimento do recurso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O relator do Agravo, desembargador Sylvio Baptista Neto, disse que os tribunais, em especial o Superior Tribunal de Justiça, têm considerado as avaliações psicológicas para apurar o requisito subjetivo do apenado que pleiteia a progressão de regime.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conforme o desembargador, mesmo com a nova redação do artigo 112 da Lei de Execuções Penais (LEP), é admissível a realização de exame criminológico ou psicológico, caso se repute necessário, ‘‘cujas conclusões podem embasar a decisão do juiz ou do Tribunal no momento da avaliação do mérito subjetivo do apenado’’.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como o julgador de origem negou o pedido, com base nas recomendações do laudo, o relator não acolheu o recurso. O voto foi seguido, à unanimidade, pelos desembargadores Naele Ochoa Piazetta e José Conrado Kurtz de Souza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fonte: TJRS&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7886365662321466444-1413877409122208506?l=brunocazevedo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/feeds/1413877409122208506/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/2011/08/tj-rs-nega-progressao-de-regime-com.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7886365662321466444/posts/default/1413877409122208506'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7886365662321466444/posts/default/1413877409122208506'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/2011/08/tj-rs-nega-progressao-de-regime-com.html' title='TJ-RS nega progressão de regime com base em laudo'/><author><name>Bruno Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17031419237830207454</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mxosEtKo4wo/TKPg-Lm-1dI/AAAAAAAABN4/3YzzPQwxslE/S220/bruno2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-8WWcrDvwx-Q/Tkl0g14KzUI/AAAAAAAABwY/1KHfpqLPGSU/s72-c/crimi.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7886365662321466444.post-6217316679780833106</id><published>2011-08-14T15:45:00.000-07:00</published><updated>2011-08-14T15:45:00.033-07:00</updated><title type='text'>I FÓRUM DE ESTUDOS JURÍDICOS: Alterações da Legislação Penal e Processual Penal</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-M19KkHUbE08/TkbB0ICHrMI/AAAAAAAABwI/nK2SLiLfNOg/s1600/Jus.bmp"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 172px; FLOAT: left; HEIGHT: 110px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5640408684581858498" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-M19KkHUbE08/TkbB0ICHrMI/AAAAAAAABwI/nK2SLiLfNOg/s200/Jus.bmp" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Seminário&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; &lt;br /&gt;&lt;div&gt;I FÓRUM DE ESTUDOS JURÍDICOS:&lt;br /&gt;Alterações da Legislação Penal e Processual Penal&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dias 25 e 26 de agosto de 2011&lt;br /&gt;Auditório da Justiça Federal de Campina Grande&lt;br /&gt;Certificação: 12 horas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PROGRAMAÇÃO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dia 25/08/2011&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;18h00 - Credenciamento&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;19h00 - Palestra: Kant e a Lei Penal&lt;br /&gt;Dr. Flamarion Tavares Leite&lt;br /&gt;Mestre em Filosofia. Doutor em Direito pela PUC-SP. Especialista em Integração Econômica e Direito Internacional Fiscal pela Universidade Técnica de Lisboa/UnB/ESAF. Professor da faculdade de Direito da UFPB e do UNIPÊ. Autor de diversas obras jurídicas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;20h00 - Palestra: Lei n° 12.403/2011 sob a ótica da Segurança Pública&lt;br /&gt;Dr. Harrison Alexandre Targino&lt;br /&gt;Mestre em Direito pela PUC-SP. Doutorando em Ciências Jurídicas e Sociais pela UMSA. Advogado. Professor da faculdade de Direito da UEPB. Secretário da Cidadania e Administração Penitenciária do Estado da Paraíba.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dia 26/08/2011&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;09h00 - Palestra: Desafios da Advocacia Criminal&lt;br /&gt;Dr. Sheyner Yàsbeck Asfora&lt;br /&gt;Especialista em Ciências Criminais. Doutorando em Ciências Jurídicas e Sociais pela UMSA. Vice Presidente da Associação dos Advogados Criminalistas (ABRACRIM). Advogado. Coordenador e Professor da faculdade de Direito da ASPER.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;10h00 - Coffee break&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;10h30 - Palestra: Tornozeleira eletrônica: análise prática da Lei nº 12.258/2010&lt;br /&gt;Dr. Bruno Azevedo&lt;br /&gt;Mestre em Direito Constituticional pela UFCE. Doutorando em Direito pela UERJ. Juiz de Direito, autor do Projeto sobre o Monitoramento Eletrônico de Presos. Coordenador da Especialização em Direito Constitucional da UEPB. Coordenador da Especialização em Prática Judicante do Curso da ESMA-PB/UEPB. Coordenador Científico da Revista da ESMA-PB.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;14h00 – Palestra: Da atuação do Delegado de Polícia Civil frente às alterações da Lei nº 12.403/11 no Código de Processo Penal&lt;br /&gt;Dr. Francisco Iasley Lopes de Almeida&lt;br /&gt;Especialista em Ciências Criminais pela UNISUL. Mestrando em Ciências da Educação pela Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias. Delegado de Polícia Civil do Estado da Paraíba. Coordenador e Professor da faculdade de Direito da CESREI.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;15h00 - Coffee break&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;15h30 - Palestra:&lt;br /&gt;Dr. Félix Araújo Neto&lt;br /&gt;Mestre em Direito Penal. Doutor em Direito Penal e Política Criminal pela Universidade de Granada. Advogado. Professor da faculdade de Direito da UEPB e FACISA. Membro do Corpo Editorial da Revista ORBIS. Autor de obras jurídicas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VALOR DO INVESTIMENTO&lt;br /&gt;R$ 30,00 - Estudantes&lt;br /&gt;R$ 60,00 - Profissionais&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;INSCRIÇÕES&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;OAB Subseção Campina Grande&lt;br /&gt;Centros Acadêmicos da UEPB, CESREI e FACISA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;INFORMAÇÕES&lt;br /&gt;Fone: (83) 3337-1933&lt;br /&gt;E-mail: &lt;a href="mailto:contato@cped.com.br"&gt;contato@cped.com.br&lt;/a&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7886365662321466444-6217316679780833106?l=brunocazevedo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/feeds/6217316679780833106/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/2011/08/i-forum-de-estudos-juridicos-alteracoes.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7886365662321466444/posts/default/6217316679780833106'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7886365662321466444/posts/default/6217316679780833106'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/2011/08/i-forum-de-estudos-juridicos-alteracoes.html' title='I FÓRUM DE ESTUDOS JURÍDICOS: Alterações da Legislação Penal e Processual Penal'/><author><name>Bruno Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17031419237830207454</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mxosEtKo4wo/TKPg-Lm-1dI/AAAAAAAABN4/3YzzPQwxslE/S220/bruno2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-M19KkHUbE08/TkbB0ICHrMI/AAAAAAAABwI/nK2SLiLfNOg/s72-c/Jus.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7886365662321466444.post-7634731087150469226</id><published>2011-08-14T08:40:00.000-07:00</published><updated>2011-08-14T17:14:27.626-07:00</updated><title type='text'>Juízes defendem tornozeleiras, mas afirmam que monitoramento precisa de ajustes</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-kF5S5EInu-A/TkbAJ9qGiYI/AAAAAAAABwA/EjuxfPnNR6M/s1600/tornoze.bmp"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 154px; FLOAT: right; HEIGHT: 101px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5640406860730632578" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-kF5S5EInu-A/TkbAJ9qGiYI/AAAAAAAABwA/EjuxfPnNR6M/s200/tornoze.bmp" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Tornozeleira Eletrônica&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Autor da primeira ordem para testar o monitoramento eletrônico em presos em Guarabira (88 km de João Pessoa), em 2007, o juiz Bruno Azevedo diz que a experiência com tornozeleiras já foi levada a outros 23 Estados e deverá ser implantada em definitivo nos próximos anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele afirmou que as fugas registradas em quatro Estados não mudam seu pensamento sobre a necessidade de implantar o sistema. Para ele, as tornozeleiras devem ser utilizadas somente para os presos primários, de baixa periculosidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Garantida como pena alternativa com a mudança do Código de Processo Penal, há um mês, as tornozeleiras eletrônicas se tornaram comum em alguns Estados; segundo o Departamento Penitenciário Nacional, a responsabilidade pela implantação das tornozeleiras é exclusiva dos Estados, que têm autonomia para definir modelo, métodos e adoção do monitoramento eletrônico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais Divulgação/Secretaria Penitenciária de São Paulo&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;“Os pontuais problemas referentes a quebra ou a retirada do aparelho em nada afeta o mecanismo e a nova possibilidade criada. Porém, não podemos pensar que o uso do monitoramento é a panaceia de todos os males do sistema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo o juiz, as tornozeleiras devem se utilizadas para aqueles casos de presos já experimentados. Seria, diz ele, temeroso colocar tornozeleira em um apenado de periculosidade reconhecida, e com pena muito alta, na primeira oportunidade que completasse a fração mínima para o semiaberto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para Azevedo, por ser uma tecnologia nova, o sistema precisa passar por ajustes. “Temos a questão da bateria. O ideal é que ela tenha uma vida mais longa. Bem acima das 24 ou 48 horas como é hoje.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Bateria para vários meses&lt;/strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O tamanho também é outra tendência a ser conquistada. Deve ser menor. Existe ainda a necessidade de uma tornozeleira que incorpore requisitos de inteligência, agregando mais recursos para garantir a sua efetividade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As perfeições paulatinamente vão sendo conquistadas. Na Paraíba já tem um modelo, cuja bateria dura vários meses. Estamos evoluindo”, garantiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O juiz corregedor do Rio Grande do Sul, Marcelo Mairon Rodrigues, também aprova o uso do equipamento, mas defende aprimoramentos no sistema para melhorar o monitoramento remoto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele defende que sejam definidos os perfis dos apenados que serão beneficiados e criados critérios penais mais duros para caso de violação do equipamento ou fuga. Apesar dos registros negativos, o juiz corregedor avaliou positivamente o programa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Nenhum dos equipamentos falhou durante os nossos testes. O que ocorreu foi ineficiência no monitoramento, pois as tornozeleiras avisaram que os três que usavam estavam fora da área determinada pela Justiça”, afirmou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Conseguimos recapturar duas pessoas e uma está foragida porque conseguiu tirar o equipamento do tornozelo. Se aprimorarmos o sistema, esse número deverá ser quase zero”, disse o juiz gaúcho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Penalidade rigorosa&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Para ele, os benefícios de manter um reeducando no regime aberto aumentam a oportunidade de ressocialização e ajudam a desafogar as unidades prisionais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O juiz ressaltou também que as penalidades dos presos que violarem o sistema deverão ser rigorosas, para que “eles sintam o peso da perda da pena alternativa que conquistaram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não podemos deixar que essa penalidade se resuma a apenas ele perder o direito de utilizar o sistema, mas que também sofra mais punições, como o aumento da pena, entre outras ações que devem ser avaliadas caso a caso, como a volta para o regime fechado. Tudo deverá ser voltado para o juiz determinar a pena o que deverá ser aplicada em caso de violação”, disse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fonte: UOL Notícias&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7886365662321466444-7634731087150469226?l=brunocazevedo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/feeds/7634731087150469226/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/2011/08/juizes-defendem-tornozeleiras-mas.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7886365662321466444/posts/default/7634731087150469226'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7886365662321466444/posts/default/7634731087150469226'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/2011/08/juizes-defendem-tornozeleiras-mas.html' title='Juízes defendem tornozeleiras, mas afirmam que monitoramento precisa de ajustes'/><author><name>Bruno Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17031419237830207454</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mxosEtKo4wo/TKPg-Lm-1dI/AAAAAAAABN4/3YzzPQwxslE/S220/bruno2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-kF5S5EInu-A/TkbAJ9qGiYI/AAAAAAAABwA/EjuxfPnNR6M/s72-c/tornoze.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7886365662321466444.post-4901372030281001384</id><published>2011-08-13T18:15:00.000-07:00</published><updated>2011-08-13T19:58:38.900-07:00</updated><title type='text'>Advogados dos EUA querem menos teoria nas faculdades</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-Xq7a7AsKiN0/Tkc5nMTz6ZI/AAAAAAAABwQ/EI1d19SFZaU/s1600/eua2.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 153px; FLOAT: left; HEIGHT: 106px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5640540403786836370" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-Xq7a7AsKiN0/Tkc5nMTz6ZI/AAAAAAAABwQ/EI1d19SFZaU/s200/eua2.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;strong&gt;Direito Comparado&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Na reunião anual da American Bar Association — a Ordem dos Advogados dos EUA —, que este &lt;span style="font-family:arial;"&gt;ano está sendo realizada em Toronto, no Canadá, desde o dia 3 de agosto, a seccional de Nova York apresentou uma proposta aparentemente bem aceita: que o ensino nas faculdades de Direito seja menos teórico e mais prático. Segundo a entidade, os estudantes precisam "aprender de forma prática como usar a legislação para ajudar a resolver os problemas dos clientes", dizem os dirigentes, segundo o Law.com.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;A seccional argumenta que os estudantes de Direito precisam dos livros, mas também de mais "trabalho clínico", como reunião com clientes, atuação nos tribunais e tudo o mais que um advogado faz em seu trabalho cotidiano. "Vocês nos mandam novos advogados que não sabem fazer nada de útil para os clientes, embora tenham passado no exame da ABA", dizem as firmas de advocacia às faculdades de Direito, como contou o decano da Universidade de Harvard, Larry Kramer, ao The Wall Street Journal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algumas faculdades de Direito estão tomando a iniciativa. A Nova York contratou 15 novos professores nos últimos dois anos, todos advogados atuantes, com a missão de ensinar aos estudantes técnicas de negociação, assessoria jurídica, pesquisa de legislação e investigação de fatos. Na Universidade Washington and Lee, o curso de Direito substituiu, no currículo do terceiro ano, todas as palestras e seminários no estilo "socrático" por simulações fundamentadas em casos reais, feitas por advogados atuantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitas faculdades oferecem "clínicas internas", estágios (internships) e "externiships" (sem tradução que faça sentido em português, é equivalente a um estágio como auxiliar de juiz). Mas o estudante faz isso em troca de créditos acadêmicos mínimos, o que o desestimula, diz o site nontradlaw. Entretanto, os estudantes devem aceitar qualquer coisa que facilite relacionamento com advogados. É muito mais fácil do que enviar currículos e fazer entrevistas para conseguir um emprego, afirma o site.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Uma das grandes queixas contra as faculdades de Direito é a de que elas não ensinam ninguém a ser um advogado", afirma o nontradlaw. "Os estudantes de Medicina aprendem a praticar com médicos de verdade. Esse não é o nosso caso", diz a advogada BeiBei Que, cuja banca butique ajuda empresas iniciantes de tecnologia a navegar pelas questões jurídicas. "Tive de aprender tudo sozinha, depois que inaugurei a banca: com fazer networking, conquistar clientes, fazer um plano de negócios", ela contou ao The Wall Street Journal. "As faculdades de Direito estão bem atrás de outras instituições voltadas para o mundo real, como as faculdades de administração (business schools)", diz o jornal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 2010, apenas um quarto dos bacharéis em Direito conseguiram um emprego nos grandes escritórios de advocacia do país, relata o jornal. Nesse ano, 54 mil bacharéis passaram no exame de ordem, mas as vagas em todo o sistema era menos do que a metade desse número, segundo consultores da Economic Modeling Specialists Inc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em um relatório submetido à ABA, a firma de advocacia Doyle and Younger sugeriu que "as regras de credenciamento [das faculdades de Direito] devem enfatizar o ensino sobre como aplicar a teoria e a doutrina na prática real". É o que faz a faculdade de Benjamin N. Cardozo, segundo seu diretor de Comunicação, John DeNatale. "Em classe, os estudantes discutem aspectos doutrinários dos casos; no campo, aplicam o que aprenderam em situações complexas, representando clientes reais. "Conforme os estudantes desenvolvem suas aptidões de solução de problemas, interagindo com clientes, eles se tornam advogados poderosos", ele declarou ao The Wall Street Journal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fonte: ConJur&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7886365662321466444-4901372030281001384?l=brunocazevedo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/feeds/4901372030281001384/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/2011/08/advogados-dos-eua-querem-menos-teoria.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7886365662321466444/posts/default/4901372030281001384'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7886365662321466444/posts/default/4901372030281001384'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/2011/08/advogados-dos-eua-querem-menos-teoria.html' title='Advogados dos EUA querem menos teoria nas faculdades'/><author><name>Bruno Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17031419237830207454</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mxosEtKo4wo/TKPg-Lm-1dI/AAAAAAAABN4/3YzzPQwxslE/S220/bruno2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-Xq7a7AsKiN0/Tkc5nMTz6ZI/AAAAAAAABwQ/EI1d19SFZaU/s72-c/eua2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7886365662321466444.post-2903661954451013646</id><published>2011-08-13T06:27:00.000-07:00</published><updated>2011-08-13T11:13:12.363-07:00</updated><title type='text'>TJ gaúcho nega investigação de paternidade</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-fVrcmnFsRhg/Tka9UoPZLOI/AAAAAAAABvw/hGN1qg-Uofc/s1600/pai.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 160px; FLOAT: right; HEIGHT: 107px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5640403745425140962" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-fVrcmnFsRhg/Tka9UoPZLOI/AAAAAAAABvw/hGN1qg-Uofc/s200/pai.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;O Poder de quem cria&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;O estado de filho não pode ser desprezado de uma hora para outra em nome de uma verdade cromossômica, que se situa num patamar bastante inferior. O entendimento é da 8ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, ao negar pedido de investigação de paternidade a um homem que viveu há quase 60 anos com o sobrenome do pai registral. Na primeira instância, a ação investigatória contra o espólio do suposto pai biológico foi indeferida. A decisão é do dia 12 de maio e cabe recurso.&lt;/span&gt;&lt;br  style="font-family:arial;"&gt;&lt;br  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;O autor da ação teve conhecimento do nome do pai biológico aos 30 anos de idade, informado pela mãe, mas nunca tentou esclarecer os fatos ou formalizar este vínculo. Aos 59 anos, depois de saber de sua morte, ele ingressou com uma ação de investigação de paternidade contra o espólio, também buscando a retificação de registro civil. A Justiça indeferiu o pedido. Ele apelou ao Tribunal de Justiça.&lt;/span&gt;&lt;br  style="font-family:arial;"&gt;&lt;br  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Em suas razões recursais, o autor sustentou que a decisão de improcedência se baseou unicamente na alegada relação socioafetiva havida com o pai registral. Garantiu, no entanto, não ter havido esta relação, pois ambos conviveram pelo período de apenas nove anos. Além disso, afirmou que não pode ser ignorado o exame de DNA conclusivo em relação ao falecido.&lt;/span&gt;&lt;br  style="font-family:arial;"&gt;&lt;br  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;O relator da apelação, desembargador Luiz Felipe Brasil Santos, iniciou seu voto, pontuando que esta investigatória era dotada de um aspecto ‘singular’, pois a ação somente foi promovida após a morte do pai de registro e do biológico.&lt;/span&gt;&lt;br  style="font-family:arial;"&gt;&lt;br  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;‘‘Assinale-se não haver nos autos informação acerca da existência de patrimônio tanto de um como de outro, mas chama a atenção essa circunstância, pois, ao menos teoricamente, o reconhecimento da paternidade na forma pretendida daria ensejo ao autor, já tendo participado como herdeiro na primeira herança, vir a recolher uma segunda’’, observou o relator.&lt;/span&gt;&lt;br  style="font-family:arial;"&gt;&lt;br  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Para embasar sua decisão sobre a improcedência da demanda investigatória, o relator citou um julgado do desembargador Sérgio Fernando de Vasconcellos Chaves, da 7ª Câmara Cível do TJ-RS, colacionado pelo juízo de origem. A ementa diz: ‘‘O apelante pretende ver desconstituído um estado de filiação sobejamente consolidado ao longo de mais de 45 anos! Não se trata de restabelecer a verdade registral, fazendo adequar-se o registro aos dados cromossômicos, pois não menos verdadeira é a correspondência que há com a verdade sociológica, consolidada na posse de estado de filho.’’&lt;/span&gt;&lt;br  style="font-family:arial;"&gt;&lt;br  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;De acordo com o relator, não importa verificar por quanto tempo de sua vida o autor conviveu efetivamente com seu pai registral, nem o grau de afeto entre eles. ‘‘O que se visa preservar, no caso, não é o vínculo meramente afetivo (circunstância absolutamente aleatória, porque subjetiva), mas a posse de estado de filho, dado sociológico da maior relevância, que não pode, de uma hora para outra, após toda uma vida desfrutando de determinado status familiar, ser desprezado, em nome de uma verdade cromossômica que, na escala axiológica, seguramente se situa em patamar bastante inferior.’’&lt;/span&gt;&lt;br  style="font-family:arial;"&gt;&lt;br  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Com isso, o relator confirmou a sentença e negou provimento à apelação. O voto foi seguido, por unanimidade, pelos desembargadores Alzir Felippe Schmitz e Ricardo Moreira Lins Pastl.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br  style="font-family:arial;"&gt;&lt;br  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Por Jomar Martins&lt;/span&gt;&lt;br  style="font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-family:arial;"&gt;Fonte: ConJur &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7886365662321466444-2903661954451013646?l=brunocazevedo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/feeds/2903661954451013646/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/2011/08/tj-gaucho-nega-investigacao-de.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7886365662321466444/posts/default/2903661954451013646'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7886365662321466444/posts/default/2903661954451013646'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://brunocazevedo.blogspot.com/2011/08/tj-gaucho-nega-investigacao-de.html' title='TJ gaúcho nega investigação de paternidade'/><author><name>Bruno Azevedo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17031419237830207454</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_mxosEtKo4wo/TKPg-Lm-1dI/AAAAAAAABN4/3YzzPQwxslE/S220/bruno2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-fVrcmnFsRhg/Tka9UoPZLOI/AAAAAAAABvw/hGN1qg-Uofc/s72-c/pai.jpg' height='72' width='72'/><
